terça-feira, 31 de março de 2009

ERA UM DOMINGÃO



Neste domingo acordei com dor, mais dor do que eu merecia: mal movimentava o pescoço por causa de um torcicolo (ou torcicólogo, como dizia dona Cacilda, a vizinha) – até um pequeno movimento de sobrancelha doía tudo. Acabei com o que sobrara de Gelol no frasco e nada; esse tipo de medicamento só deixa uma sensação de frescor no local, mas remover a dor necas (o incomodo continuou assim como os cheiros de cânfora e mentol que a gente não consegue se livrar nem com água e sabão). Dizem que pode ser uma lesão que causou o enrijecimento dos músculos do pescoço, fazendo com que os movimentos da minha cabeça se tornassem dolorosos e limitados.

O jeito seria cancelar a programação do domingo e ficar quietinho, em módulo descanso. Sem problema. Ficar em casa também é legal: dá pra continuar as leituras dos livros que estão em pausa, ou ler a Falha inteirinha, de cabo a rabo. E de mais a mais a geladeira tava abastecida de latinhas de cerveja gelada pra sorver à tarde na hora do jogo da seleção brasileira, e se não fosse a dor no pescoço diria eu que tudo tava numa boa.

Mas sou lembrado de que a minha Lusa (a Portuguesa de Desportos, o segundo time de todo paulistano) teria mais outro confronto decisivo naquela tarde no estádio do Canindé contra o Marília (a Lusinha tem disputado ponto a ponto com o Santos pra se garantir no G4, para assim participar das finais com os porcos, os pó-de-arroz e os manos do Curintia). E quer saber? Mesmo todo travado, com dor no pescoço, partimos pro Canindé. Cá pra nós, a situação da Luzinha me empolga muito mais do que uma atuação da seleção do Dunga nessa fase das eliminatórias da Copa de 2010. E de certo foi a melhor coisa que fizemos.

Foram três tentos legítimos em cima do Marília (time do coração de um dos melhores locutores esportivos, Osmar Santos) e um pênalti marcado (e convertido pela Lusa) que só o arbitro da partida viu (eu que tava do outro lado do campo vi que o nosso artilheiro Edno se jogou no chão - não por dissimulação, ele fez isso senão se chocaria com a trave). Bueno. Eu tô sentindo que podemos ir adiante nesse “Paulistinha” com o nosso trio – Edno, Christian e Athirson – e mais a valorosa ajudinha dos juízes (na quarta passada, contra o Mirassol, Fabrício Carvalho, que já é reincidente, utilizou a mão pra fazer um gol e o juiz engoliu).

Putz, com torcicolo não é nada confortável vibrar por um gol de seu time, no entanto valeu a pena - e valeu muito mais do que eu pensava. É que depois da partida, no caminho até a estação Armênia do Metrô descobrimos a FEIRA KANTUTA, que aos domingos reúne quase dois mil hermanos bolivianos numa praça do bairro do Pari. A sensação é a de que estávamos caminhando pelas ruas de Cochabamba ou de La Paz – ali, a gente se sente estrangeiro, hablando nosso portunhol bem selvagem.

Algumas barracas ofereciam o Anticucho, espetinho de coração de boi acompanhado de batata e molho de amendoim, outras vendiam Empanadas e Salteñas. O forte da feira é também o artesanato: muita malha de lã de lhama, tapeçarias, flautas Pãs, pinturas em argila e em moringa (incomodado ainda com as dores no pescoço eu não me aventurei na gastronomia boliviana e nem fiquei muito tempo no local – mas ficou a vontade danada de voltar e de degustar tudo).

A Feira Kantuta começou há quinze anos e funcionou de forma irregular até 2001, quando a dona Marta a regularizou, depois de muita mobilização dos participantes e organizadores. No banner que vi perdurado num poste da praça estava escrito que ali era um lugar “de encontro e de diversão” de nosotros hermanitos, mas nos olhos levemente puxados daquelas pessoas de pele morena e cabelos escuros e brilhantes havia cansaço e certa tristeza: antes, eles eram considerados traficantes internacionais de drogas, hoje são escravos nas confecções da máfia coreana no Bom Retiro.

Quanto ao GRANDE jogo da seleção do Dunga que perdemos... sem comentários.

SERVIÇO:
Feira Kantuta (flor típica do Altiplano): todos os domingos, das 11h às 19h, na praça Kantuta - altura do no 625 da rua Pedro Vicente, bairro do Pari, em Sampa.




VERBO TEMPO

Piratas do Tietê - Laert

(clique na imagem para ampliá-la)

terça-feira, 24 de março de 2009

Banda Eddie



Que me perdoe minha querida madrecita, dona Conceição: ela que é muito Católica vai sugerir àquele arcebispo a minha excomunhão quando souber que pretendo cair de boca numa feijoada na semana santa deste ano; é porque estarei torcendo pro glorioso rubro-negro SPORT de Recife contra o parmera do Luxa na quarta-feira, dia 8, por isso tô me lixando pra essa festividade cristã, eu quero mais é ver a porcada em prantos, praticamente sem nenhum mísero ponto nesta fase de grupos da Libertadores, He he he!

Bueno. Aproveitando que estou falando do Sport de Recife, eu quero dar a dica de outra minha descoberta musical pernambucana. Já falei aqui de Lirinha do Cordel do Fogo Encantado, da doce Lulina, de Zeca Viana, agora é a vez da BANDA EDDIE que está com disco novo, CARNAVAL NO INFERNO, repleto de “melancolias dançantes”; são onze faixas que mistura Reggae, Frevo, Samba, Rock e “uma boa dose de tristeza”, segundo os caras da banda.
Curiosidade: Fábio Trummer, vocalista da banda, é o autor da clássica "Quando a Maré Encher", gravada pela Nação Zumbi e por Cássia Eller.

Recomendo uma visitinha no Myspace da banda pra ouvir “Danada”, “É De fazer Chorar”, Desequílbrio, “Bairro Nova Casa Caiada” e “Dessa Vez Foi Demais” - Clique aqui.
Vejam abaixo o clip do frevo "É de Fazer Chorar" (ah! ganha um doce quem souber em que FranzCafé aqui de Sampa a banda entrou cantando)



Show: a banda vai tocar no Studio SP no dia 4 de abril, sábado, às 23h, na rua Augusta, 591 - R$ 25,00 a entrada.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Cadê as Nossas "Enchentes"?



As chuvas de ontem me fizeram lembrar (e cantar) “É Tanta Água”, canção que Itamar Assumpção compôs e gravou ao lado de Tom Zé, e que faz parte do sensacional Bicho de 7 Cabeças - Volume I (clique aqui pra ver a letra e baixar a música no seu celular).

Bueno. O que eu queria mesmo é recomendar a leitura do texto, EUFEMISMO PLUVIOMÉTRICO, que meu amigo Mauricião publicou, há pouco tempo, em seu blog Aqui e Acolá. É interessante e oportuno.

Eufemismo Pluviométrico
Por Maurício Barbara

A cidade de São Paulo mergulhou na onda do eufemismo pluviométrico, um amigo me alertou que a alcunha de "enchentes" foi substituída por "pontos de alagamento". Caso um rio transborde, diversas ruas fiquem alagadas, casas sejam invadidas pela força das águas, então voilá!, temos um novo "ponto de alagamento". Já a imprensa tupiniquim resolveu simplificar e adotou o lema: excesso de chuvas!, nada de discussões sobre o crescimento desordenado das cidades, a ocupação irregular de encostas, desmatamentos, redução da área de absorção das chuvas, a mudança do leito dos rios e sua artificial aceleração, a mudança do microclima das cidades por conta do adensamento caótico, pois agora temos, voilá! - excesso de chuvas!.

sexta-feira, 13 de março de 2009

OBAMANIA




Este poster apareceu nas estantes lá da Mercearia São Pedro, da Vila Madá, mas ninguém sabe quem fez - e dizem que camisetas estão a caminho.
(clique em Mercearia e descubra de quem é o rosto do poster)
[fonte:blog do terron]

quinta-feira, 12 de março de 2009

Leitura pra se encarar

Minhas leituras últimas, de certa forma, se deram tranqüilas: um Zola aqui, um Saramago acolá, sem esquecer os livros de Clarice, de Mirisola, de Sergio Cohn, de João Máximo, vários de Marcelino Freire, de Bukowsk e Kerouac. Tudo na maciota (como se diz lá na grande RP). Mas eis que me caem nas mãos duas bombas: “O AMOR NÃO TEM BONS SENTIMENTOS” de Raimundo Carrero e “O MANUAL DO PODÓLATRA AMADOR: AVENTURAS DE UM TARADO POR PÉS” de Glauco Mattoso.
Assim como há a recomendação de um especialista, com a obrigação da apresentação da receita para adquirirmos determinados medicamentos, deveria haver também essa consulta prévia, com liberação prescrita, para a leitura de certos tipos de livros, como é o caso desses dois.
"O AMOR NÃO TEM BONS SENTIMENTOS" (editora Iluminuras – 2007) é um romance sobre a loucura, o personagem Matheus é um músico atormentado por ter um amor obcecado pela mãe e pela irmã que são lindas. Um sujeito imoral que comete incesto com mãe e irmã, chegando a insensatez total – mas é importante dizer que Matheus foi criando pela sua tia Guilhermina, com quem tomava banho pelado todo dia – ah!, e tudo isso se passa num ambiente sertanejo, no mato, às margens de um degradante rio Capibaribe, em Arcassanta. Tenho alguns amigos desatinados que eu jamais recomendaria essa leitura. (apesar de ser recente já é possível encontrar o livro em sebos daqui de Sampa)


"O MANUAL DO PODÓLATRA AMADOR..." (reeditado pela All Books – primeira edição é de 1986) é um romance “quase” autobiográfico profundamente fetichista. Eu juro a vocês que nunca li algo tão sadomasô – nem “A Filosofia na Alcova” e “Os 120 dias de Sodoma” de Sade me impressionaram tanto. Alguém disse que esse livro é a “supervalorização homoerótica dos pés”, nele, o autor narra suas experiências - desde a infância – assumindo suas taras por pés, sapatos, tênis e até por cheiros advindos dessa parte do corpo, o chulé.
A primeira edição de O Manual foi lançada em 1986 no lendário MADAME SATÃ, templo do rock paulistano, e logo Glauco foi acusado de fazer literatura escatológica. Na minha opinião, o “Manual” (que não é de auto-ajuda, apesar do título) é boa literatura, feita por um militante dos seus desejos, um apaixonado por pés de homem (credo!)

quarta-feira, 11 de março de 2009

"Uma peça de Marcelo Paiva"

O cenário é um quiosque no calçadão da orla da praia, vazio, com mesinhas típicas, lixeira, um banco e um radinho que às vezes é aumentado. Renato entra falando no celular, com seu equipamento fotográfico. Desliga e se senta. Sente frio. Espera. Tira discretamente uma bombinha de asma e cheira. Vê um par de sapatos no banco. Estranha. Experimenta-os. Devolve. Aparece Caio, do fundo do palco, de terno, gravata, com a barra da calça levantada, como se viesse da areia. São seus os sapatos. Caio é bem mais formal. É o chefe de Renato.

CAIO
Parado aí!
RENATO
Ô, cara, que susto!
CAIO
Faz tempo que você chegou?
RENATO
Que frio!
CAIO
Vou sentir falta deste lugar. Quer um coco?
RENATO
Coco?
CAIO
Vou tomar um, quer?
RENATO [confuso]
Um o quê?
CAIO
Um coco. Aquele fruto redondo, verde, com água dentro. Quer?
RENATO
Claro. Quer dizer... Podemos pedir algo mais calibrado?
CAIO
Cerveja?
RENATO
Você topa? Legal.

Caio pede duas cervejas no quiosque. Renato usa a bombinha de novo. Caio volta com duas latas. Brindam.

RENATO
Agora sim... Então, qual é a pauta?
CAIO
Sabe que eu te invejo.
RENATO [amigavelmente]
Pensei que chefe não invejasse ninguém.
CAIO
Não sou muito fã de cerveja. Estufa. Prefiro conhaque. Sobe mais rápido.
RENATO
Pra que você me ligou?
CAIO
Mas esta cerveja está boa. Desceu... Será que aparecem aquelas loiras exóticas, como nos comerciais. Quem bebe cerveja parece mais feliz do que quem bebe conhaque, não? Em comercial de conhaque, o cara está sempre só, numa poltrona de couro, lareira, lendo Financial Times. É mais existencialista. Deprê. Melhor o calor do verão. Monte de gostosas. A boa!
RENATO
Com certeza...

Pausa. Renato não está entendendo aquele papo. Olham-se em silêncio por um tempo.

CAIO
Queria te fazer um comunicado. Vou largar tudo. Verdade. Vou embora.
RENATO
Vai o quê?
CAIO
Embora.
RENATO
Pra onde?
CAIO
Sei lá. Pensei em ir pra Amazônia, de bicicleta.
RENATO
Assim, sem mais?
CAIO
Sem mais nem menos. Louco, né? Não sou mais o seu chefe. Sabia?
RENATO
Como não?
CAIO
Estou fora. Fui demitido. Não mando mais.
RENATO
Caralho. Quer dizer... coitado. Puxa, anos dedicado a... Que sacanagem.
Não se contém e ri. De felicidade. Caio ri também.
RENATO
Que notícia boa. A galera vai comemorar.
CAIO
Vai?
RENATO
Está quente esta cerveja!
CAIO
Me detestam tanto assim?
RENATO
Só um pouquinho.
CAIO
Um pouquinho quanto?

Renato faz com os dedos da mão o quanto o detestam. E gargalha aliviado.

CAIO
Tudo bem. Engraçado. Minha vida agora será uma aventura. Quis vir aqui me despedir do Renatão.
RENATO [irônico]
Na noite mais fria do ano?
CAIO
E daí? Eu precisava vir, sabe?
RENATO
Me sinto... honrado.
CAIO [com ódio]
Jura? Que bom. Você merece minhas homenagens.
RENATO
Por que eu?
CAIO
Ainda pergunta? [pausa] Como ela está?
RENATO
Quente.
CAIO
Não a cerveja.
RENATO
Quem?
CAIO
Carla.
RENATO
Carla?
CAIO
É. Carla.
RENATO
Que Carla?
CAIO
Qual Carla?
RENATO
É. Qual?
CAIO
Não se faça de bobo. Carla. Só tem uma.
RENATO
A minha mulher?
CAIO
É. A sua mulher.
RENATO
O que é que tem?
CAIO
Como ela está?
RENATO
Carla?
CAIO
Como ela está?
RENATO
Por que você está perguntando?
CAIO
Como ela está?
RENATO
Já perguntou.
CAIO
E aí? Responde.
RENATO
Qual é, cara, é a minha mulher!? Por que você quer saber?
CAIO
Como você conseguiu?
RENATO
Consegui o quê?
CAIO
Ficar com ela.
RENATO
O que você tem a ver com isso?
CAIO
Ela sabe que estou aqui?
RENATO
Quer parar?! Por que você pergunta dela? O que está acontecendo aqui?! Você teve alguma coisa com ela?
CAIO
“Coisa”?... Você não quer conversar. Que chato isso. Pensei que seria bom pra você desabafar, só estamos nós dois. Vai, conta tudo, fala do seu desespero e sofrimento, dos projetos. Se abre.

E é assim que começa a peça inédita A NOITE MAIS FRIA DO ANO de Marcelo Rubens Paiva, que vai estrear nesta sexta-feira, dia 13/03, às 21h, no SESC Paulista, na av. Paulista, 119 - Mário Bortolotto faz Caio. Alex Grulli, Renato. Ainda tem Hugo Possolo e Paula Cohen no elenco.

A direção é do próprio Marcelo Paiva com a colaboração da Fernanda D'Umbra.
Não percam porque é curtíssima a temporada, dois meses apenas.
Ingressos de 5 a 20 realitos.

quarta-feira, 4 de março de 2009

"Palavra (En) Cantada"



Pois então. O projeto “Palavra (en)Cantada” - que o produtor Marcio Debellian apresentou na Bienal do Livro de 2005 - que pretendia “mergulhar no universo particular de grandes compositores brasileiros, seus livros e autores preferidos, e com a relação que cada um tem com a poesia / literatura em seu processo criativo”, virou documentário premiado e estréia no dia 13 de março aqui em Sampa.

E o resultado é que o filme dirigido por Helena Solberg e pelo próprio Marcio Debellian discute de forma descontraída e leve a relação entre poesia e música, letra e canção por meio de depoimentos de feras como Adriana Calcanhotto, Antonio Cícero, Caetano Veloso, Chico Buarque, Lenine, Maria Bethânia, Tom Zé, entre outros.

Bueno. Mas antes disso, no dia 10, vai rolar uma exibição gratuita no Cine Bombril, às 20 horas, dentro do projeto Folha Documenta, acompanhada de um debate-papo entre os diretores, os escritores Marcelino Freire e Ferréz, e o professor Luiz Tatit.
Para assistir ao trailer é só clicar aqui.
Mais informações aqui.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

"Nossa Língua e um Terraço na Paulista"

Em mesa de bar já discuti muito sobre esse tal “acordo” (forçado) de Unificação da Língua Portuguesa, ouvi argumento de quem é favorável e de quem se diz contrário (de gente séria e informada e de outros nem tanto); e pra ser franco, até este momento, tô pouco preocupado com as mudanças ortográficas, nem vou mais perder tempo com a questão. No meu dia-a-dia, na prática, sei que logo logo, funcionários brasucas do senhor “kid BillGates” vão lançar uma versãozinha do Office com as correções e vai ficar tudo beleza, tudo legal - aliás, eu já instalei no meu PC um Michaelis Escolar 2009 com as alterações devidas.

Sei que depois de 2013 teremos que levar a sério esse acordo, pois ele se se tornará obrigatório; por enquanto até que me divirto com as “brincadeiras” advindas dessas mudanças: moradores da Vila Madalena introduziram novo bloco carnavalesco este ano chamado “Não Trema Na Linguiça”; li numa placa de um salão de beleza a seguinte frase: “Boniteza é tudo porque feiura não se acentua” (louco, né?).

Esses “tecnocratas” que ficam bolando esse tipo coisa (o acordo de unificação ortográfica) deveriam é se preocupar em encontrar uma formula de facilitar o aprendizado de nossa língua, uma nova pedagogia que exigisse menos rigor, e que fosse de fácil compreensão (nossa gramática é cheia de excessos, exceções e complicações que acabam induzindo qualquer um a cometer crimes horrendos contra o idioma – vejam um engraçadíssimo vídeo – clicando aqui - sobre outros crimes cometidos pelo casal Nardoni).

O que me deixa realmente confuso são as mudanças em termos (palavras) de vocabulários específicos: antigamente se dizia “sistema digestivo” e “aparelho reprodutivo", atualmente é “sistema digestório" e “aparelho reprodutório” (a explicação de quem alterou todos esses trens é de que era preciso seguir o mesmo esquema de “sistema circulatório” e “aparelho respiratório” ). Hoje, dia 27/02, ao ler o caderno de Ciência da Falha de São Paulo, descubro que o correto agora é dizer “arqueologista” e não mais “arqueólogo”, pode uma coisa dessa?

Passeando pelas unidades da rede SESC daqui de Sampa descubro mais uma novidade (eu não pretendia rimar a frase): nelas não há mais lanchonetes, restaurantes, bares, botequins, nem cantinas – o que há agora é “Comedoria” (Meno male! Já pensou se fosse “começão" ou "comedouro”, He he!).

E por falar em SESC, acho que são poucas as pessoas que conhecem o terraço do SESC-Paulista, que se localiza na av. Paulista, ao lado do prédio do Itaú Cultural. No 15º andar fica a “Comedoria” e o terraço, lugar onde se tem uma bela visão panorâmica dessa tradicional avenida. Hoje foi a primeira vez que subi no terraço e recomendo a visita. O que se tem pra comer na c... (não vou fazer esse trocadilho infame) é comum as outras unidades (o café Expresso de lá é bom e custa apenas 1,50 realitos). Ah! Instalaram três potentes lunetas para gente observar os mais variados detalhes de nossa cidade (e não é necessário botar nenhuma moedinha nos binóculos como acontece noutros lugares). Clique aqui pra ver uma panorâmica de um minuto e dez segundos que eu fiz no terraço.


Clique na foto para vê-la ampliada (autoria: Zezim imagens)






quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

"CELSO SIM"

A foto é de minha autoria (Sesc-Paulista -2008)


Já dei dicas aqui de gente nova que tá compondo e cantando à beça (tipo: Fabiana Cozza, Lulina, e até a Mallu Magalhães eu já recomendei antes dela se tornar celebridade); mas, de Celso Sim, de quem venho falar agora já fez discos belíssimos, já acompanhou muita gente boa (Jorge Mautner, José Miguel Wisnik, Tom Zé, Jards Macalé, Suzana Salles) e é um dos compositores das trilhas do grupo UzynaUzona, de Zé Celso. Eu o vi pela primeira vez quando fui participar do MATÉRIA PRIMA, programa que o Serginho Groisman fazia na TV Cultura (putz! acho que foi em 1991 ou 92) – Sim cantava lindamente “Pedra Bruta”, música de Mautner.

Então. Celso Sim disponibilizou alguns vídeos gravados em lugares conhecidos de Sampa; como na velha Estação da Luz, no Teatro Oficina, e num apartamento em frente às ruínas do Teatro de Cultura Artística da praça Roosevelt, que se incendiou em agosto de 2008.

As músicas têm belos arranjos de Webester Santos:

Clique aqui pra ver Sim cantando "Negro Amor" (de Bob Dylan – versão de Caetano Veloso e Péricles Cavalcante).

Aqui pra ver "Pra Que Chorar" (versão de Arthur Netroviski para “Ich Grolle Nicht” de Schumann)

E aqui pra ver "Violeta" (de Cacá Machado e Guilherme Wisnik)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

"7 Rapidinhas no Carnaval"

1. Entre os dias 21 e 24 vão passar pela rua central do SESC-Pompéia diversos blocos carnavalescos em diversos horários (clique pra ver a programação www.sescsp.org.br) – folia gratuita destinada a crianças e adultos. Vai ter brincadeira com a colorida Cobra Canina e desfile com tambores – rola também uma oficina “Abre Alas pro Remix”. Serviço: SESC-Pompéia – rua Clélia,

2. Na av. Escola Politécnica, no Butantã, a União das Escolas de Samba Paulistanas (Uesp) promove desfiles de blocos de Carnaval que não participam do Grupo Especial e nem do Grupo de Acesso – o evento é gratuito e vai ser nos dias 22 e 23 – com espaço montado na avenida para um público estimando em 25 mil pessoas - programação no www.uesp.com.br

3. No domingo, dia 22, às 15h, a Companhia São Jorge de Variedades apresenta o espetáculo “O SANTO GUERREIRO E O HERÓI DESAJUSTADO” numa das rampas de acesso ao Minhocão (o elevado Costa e Silva), em frente à estação Marechal Deodoro do Metrô. Informações no 3824-9339 – Livre.

4. Neste sábado e domingo de Carnaval, os atores Carolina Pismel, Felipe Abib e Paulo Virlings encenam – gratuitamente - na Caixa Cultural da praça da Sé a peça “CACHORRO”, texto baseado no universo de Nelson Rodrigues tratando de um triângulo amoroso. O espetáculo não é recomendado pra menores de 14 anos. Informações no 3321-4400.

5. O Grupo TEATRO DA VERTIGEM mostra gratuitamente, também neste sábado e domingo de Carnaval, às 21h, a leitura cênica da peça HISTÓRIA DE AMOR (ÚLTIMOS CAPÍTULOS), de Jean-Luc Lagarce. O teatro fica na rua Treze de Maio, 240, na Bela Vista. – tem que chegar uma hora antes pra tirar o ingresso.

6. Na quinta, dia 26, às 19h, depois da folia tem PALAVRA CANTADA (Sandra Peres e Paulo Tatit) mostrando repertório do disco “CARNAVAL” na FNAC da av. Pedroso de Morais, 858, em Pinheiros - Grátis.

7. E pra quem quer fugir totalmente de qualquer coisa que lembre Carnaval aqui vão algumas programações: tem SAMBA-SOUL ESPORTE CLUBE no SESC-Santana neste sábado, dia 21, às 19h. A banda toca clássicos do Samba-Rock e Soul. Grátis - Informações no 2971-8700. E dias 23 e 24, as bandas “SACO DE RATOS” e “FÁBRICA DE ANIMAIS” vão tocar muito Blues e muito Rock no Teatro X que fica na rua Rui Barbosa, 399 – sempre a partir das 22h. Ingressos por apenas 5 realitos.
Seguem links pra quem não conhece essas bandas.

“Saco de Ratos”
http://www.youtube.com/watch?v=kDrzcZADCoI

“Fábrica de Animais”
http://www.youtube.com/watch?v=5u42Lu2d0Eo

"Uma sexta-feira 13"



E lá fui eu na sexta passada, dia 13, “ver” a BANTANTÃ; disse ver porque eu tava um pouco cansado e me dei por satisfeito. Não dei nenhuma volta com os velhinhos da banda pelas ruas do bairro como sempre faço – eles estavam mais dispostos do que eu (ponho um pouco de culpa na chuva que quase atrapalhou a festa dos 30 anos da Bantantã).

Na verdade eu tava me poupando pra outro compromisso marcado para aquela sexta-feira. E fui. Fui participar pela primeira vez do NOITÃO realizado pelo HSBC-BELAS ARTES; pra quem não sabe, o Belas Artes é uma tradicional sala de cinema localizada na esquina da rua da Consolação com a av. Paulista, e esse NOITÃO é uma maratona de filmes que começa a meia-noite na segunda sexta-feira de cada mês, você paga por um ingresso e assiste a três filmes durante a madrugada – com direito a café da manhã.

Por ser sexta-feira 13, dessa vez o NOITÃO prometia ser de TERROR & HUMOR, com os filmes “ALMA PERDIDA” (um fraco suspense de David Guyer com a belíssima Odette Yustiman), “RUMBA” (uma deliciosa comédia francesa de Dominique Abel, premiada em Canes 2008 – clique pra ver algumas cenas do filme http://www.youtube.com/watch?v=TjFjxYrwtL8 ), “GLÓRIA AO CINEASTA” (um filme ultra-comercial de Takeshi Kitano, que “infelizmente” não vi, pois gosto deveras desse diretor) e o “UM DIA DE RAÍNHA” (de Marion Vernoux com Jane Birkin, que não esta mais tão bela quando nos tempos em que vivia com o mito, Serge Gainsburg).

Bueno. Esse tipo de evento já rola algum tempo aqui em Sampa e eu estava no barato de participar, só que nunca houve como. Desta vez eu fui... e não gostei. Não da proposta, que ainda acho legal, mas do “público” que participava do NOITÃO do Belas Artes. Aquele público, com toda certeza, não era público de cinema: era uma galera “baladeira”, e o evento pra essa gente não passava de mais uma balada. Os filmes “talvez” não importem a eles, e sim o “agito”.
Que louco! Parecia que eu estava no meio de um público adolescente freqüentador de cinema de shopping center: era falação do começo ao fim do filme, risadinhas, meninos recém testosteronizados, agitação constante nas poltronas, enfim, um evento pra lá de aborrescente pra quem que curte a sétima arte.

Fora isso havia outras chateações: devido ao sucesso do NOITÃO, a fila pra comprar os ingressos quase ultrapassava o quarteirão (tem foto e videozinho abaixo sobre isso), e durante os intervalos de uma sessão para outra, funcionários do Belas Artes não conseguiam organizar o fluxo de pessoas que se deslocava para outras salas - sem contar o aperto em filas ridículas.
Quero participar, da próxima vez, da maratona de cinema organizada pelo Espaço Unibanco da rua Augusta e espero que lá tenha gente que goste de cinema.

(fila imensa na frente do HSBC http://www.youtube.com/watch?v=NgvoUSa_ICc )



terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

"BANTANTÃ - 2009" (30 anos de folia)


Êba!!! Este ano a BANTANTÃ completa 30 anos de folia, e nem preciso dizer que eu vou, mesmo que chova canivete (no ano passado com conjuntivite - sofrendo de fotofobia - dei três voltas com a banda).

Pra quem não sabe “A Bantantã - Folia e Festa de Rua, foi fundada em 1979 por funcionários da Universidade de São Paulo e freqüentadores dos bares da Avenida Waldemar Ferreira (entrada da USP), tem como principal característica a garantia da tradição de enaltecer "os velhos carnavais que não voltam mais" O Carnaval da Bantantã festejado nas principais avenidas da região, ganha força e participação a cada ano que passa. Um dos aspectos de sua originalidade é a irreverência e a espontaneidade de seus foliões, moradores da Região do Butantã. Conscientes de que o Carnaval deve ser festejado na rua, como expressão de um povo, o povo brasileiro. E nós do Butantã resistimos neste sentido. Todos os anos, na Sexta-feira antes do Carnaval realizamos nossa festa. Como Banda Popular, é nossa característica buscarmos nos pontos sócio-culturais a dimensão de nossa originalidade. Internalizamos a figura de uma Cobra (no caso um Piriquitambóia) e simbolizamos o Museu Biológico, onde estão cerca de cem animais, 60 espécies, entre sapos, lagartos, cobras e aracnídeos. Advém daí o tradicional grito carnavalesco: ‘Arrastando-se feito cobra pelo chão, na dança dos velhos carnavais’".

Pra participar basta aparecer nesta sexta-feira, dia 13, na av. Waldemar Ferreira, próximo do Rei das Batidas, por volta das 18h. Há mais de 15 anos eu freqüento e nunca vi tumultuo, brigas. Dá pra levar as crianças numa boa. Quem comprar a camiseta da Bantantã, por 10 realitos, terá direito a cinco latinhas de cerveja.

E pra animar seguem alguns vídeos que fiz da folia do ano passado.

parte 1
http://br.youtube.com/watch?v=lWadd4dHGho
parte 2
http://br.youtube.com/watch?v=DQMI4LrWpe0&feature=related
parte 3
http://br.youtube.com/watch?v=u6EuCjqYtZM&feature=related
parte 4
http://br.youtube.com/watch?v=1vDxbDaw5rY&feature=related
parte 5
http://br.youtube.com/watch?v=4XPu1mAbLg8&feature=related

O Crítico e o "Monólogo da Velha Apresentadora"


Putz! De forma alguma levo a sério o que críticos da Falha de S. Paulo escrevem diariamente sobre filmes, shows, teatros, etecétera e tal. Não tenho mais a assinatura do Estadão, mas quando tinha não respeitava seus críticos também. Se eles dizem que tal show ou determinado espetáculo é desprezível não dê atenção, se botam quatro estrelinhas para qualificarem positivamente filme de diretor badalado desconfie.
Acho que, tanto aqui como no resto do mundo, crítico profissional (e "homens-do-tempo") não goza de confiabilidade e respeito. Deve ter um monte de razão para isso acontecer, e não vou, aqui, meter o meu bedelho pra falar desse assunto do qual não domino – porque pra fazer a “crítica da crítica” é necessário um conhecimento mais profundo da atividade e fundamentalmente de Arte.

Bueno. Mesmo com todos esses maus predicados da profissão quero falar bem de Alberto Guzik. Conheci pessoalmente esse cara na Flap 2006, ali no Satyros da Roosevelt. Rolava um debate e ele falava sobre produção de texto teatral e de sua longa carreira de crítico dessa área. O que diferencia Guzik é que ele dá a cara pra bater; nesta quarta-feira, dia 11, ele estréia MONÓLOGO DA VELHA APRESENTADORA no Satyros I. O texto é de Marcelo Mirisola e mostra o desabafo da velha Febe Camacho, que vem do teatro de revista e dos tempos históricos da televisão brasileira - ela está furiosa porque sua empregada foi seqüestrada e exigem dinheiro para liberar a mulher.

Guzik já atuou em "Toda Nudez Será Castigada" – de Nelson Rodrigues; "On The Road" – baseado em obras de Sam Shepard; "Traições" – de Jarbas Capusso Filho; "Atire a Primeira Pedra" – baseado em A Vida Como Ela É, de Nelson Rodrigues.
E pra quem não se lembra (ou não o conhece) Guzik tá há muito tempo falando de teatro em programas da TV CulturaMetrópolis e Vitrine.

Serviço:
Monólogo da Velha Apresentadora – Direção: Jô Kowaliki - Espaço dos Satyros I – Praça Roosevelt, 214.
Preços: R$ 20,00; R$ 10,00 (Estudantes, Classe Artística e Terceira Idade); R$ 5,00 (Oficineiros dos Satyros e moradores da Roosevelt) Somente quartas e quintas; curta temporada, até 26 de março

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

10 RAPIDINHAS

1. Vai rolar no CINUSP mostra de SUSPENSE, de 2 a 27 de fevereiro, com os filmes: “A Vila”, “O Silêncio dos Inocentes”, “Veludo Azul”, “Um Corpo que Cai”, “O Vampiro de Dusseldorf”, “Chinatown”, “Onde Os Fracos Não Têm Vez”, “Laura” e “Os Suspeitos”. Serviço: o Cinusp é totalmente gratuito e fica na rua do Anfiteatro, 181, Colméia, favo4 - Cidade Universitária – são dois horários diários de projeções, às 16h e às 19h. Mais informações no www.usp.br/cinusp

2. Sexta e sábado, dias 30 e 31, são os últimos dias pra ver de graça os filmes NÃO POR ACASO e ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA na sala de cinema e videoteca do MEMORIAL DA AMÉRICA LATINA que fica na av. Auro Soares de Moura Andrade, 664, Barra Funda – informações no http://www.memorial.sp.gov.br/

3. Por apenas 1 real dá para assistir no Cine Olido, nos dias 30 e 31, as seguintes produções brasileiras: “Ed Morte”, “Efeito Ilha”, “Hans Staden”, “Tapete Vermelho”, “Perfume de Gardênia” e “O Cego que Gritava Luz”. Este cinema fica na Galeria Olido na av. São João, 473 – informações no http://portal.prefeitura.sp.gov.br/secretarias/cultura/dia/2007/12/0011

4. No CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), de 30/01 a 05/02, com ingressos a 4 realitos, você pode ver os filmes da 1ª Retrospectiva do Cinema Paulista: “São Paulo S/A”, “O Bandido da Luz Vermelha”, “Noite Vazia”, “Floradas da Serra”, “Alma Corsária”, “Excitação”, “O Grande Momento”, “As Belas da Billings”, “A Causa Secreta”, “O Prisioneiro da Grade de Ferro”, “O Fim da Picada”, “Cidade Oculta”, “O Gosto do Pecado” e “O Vampiro da Cinemateca”. O CCBB fica na rua Álvares de Azevedo, 112, - http://www44.bb.com.br/appbb/portal/bb/ctr2/sp/index.jsp

5. O Grupo TEATRO DA VERTIGEM mostra gratuitamente, somente aos sábado e domingos, às 20h, até o dia 08/02, a leitura cênica da peça HISTÓRIA DE AMOR (ÚLTIMOS CAPÍTULOS), de Jean-Luc Lagarce. O teatro fica na rua Treze de Maio, 240, na Bela Vista. – Mas é aquele drama: tem que chegar uma hora antes pra tirar o ingresso.

6. No Itaú Cultural, o Grupo Giramundo de Minas Gerais, remonta AS RELAÇÕES NATURAIS, peça da obra de QORPO SANTO – a peça é encenada por 25 bonecos.
Serviço: a Sala Itaú Cultural fica na av. Paulista, 149 – quarta-feira, dia 04, às 20h, Grátis (única apresentação). Informações http://www.itaucultural.org.br/

7. Para as crianças tem a FÁBULA DA CRIAÇÃO de José Facury Heluy. Com bonecos, mímicas e números circenses, os atores Eduardo Alves, Rubinho Louzada e Cátia Pires contam a história de dois palhaços que recebem a missão de cuidar do mundo. Última apresentação é neste sábado, dia 31, às 16h30 na praça de Eventos do SESC-Vila Marina que fica na rua Pelotas, 141 – Grátis. http://www.sescsp.org.br/

8. Na próxima terça, dia 03, no SESC da av. Paulista, o violeiro Roberto Carrêa apresenta o CD “Antiquera” com a Orquestra à Base de Cordas. Grátis – Local: av. Paulista, 119, às 19h. http://www.sescsp.org.br/

9. E temos o grande sambista NELSON SARGENTO apresentando seu disco “Versátil”, somente hoje, no SESC-Vila Mariana, com ingressos de 7 a 30 pilas. http://www.sescsp.org.br/


10. Neste sábado, dia 31, a meia-noite, tem apresentação da comédia “Será Que A Gente Influência o CAETANO?”, com Alexandre Bamba e Mario Martins. Este é um dos primeiros textos teatrais de Mário Bortolotto, que foi dirigido por Henrique Strotter e Claudinei Brandão. Serviço: Espaço Parlapatões, praça Roosevelt, 158 – Consolação – ingressos 20 realitos. http://www2.uol.com.br/parlapatoes/espaco/home/index.htm

domingo, 25 de janeiro de 2009

SAMPAX


Foto minha de 2006, quase no mesmo local da av. São João em que Claude-Lévi Strauss, em 1937, também fotografou (ao fundo, o edifício Martinelli).



Em homenagem ao 455º aniversário de Sampa segue um fragmento (curto e grosso) do poema “Ode a Fernando Pessoa” do paulista Roberto Piva.

"...São Paulo, cidade minha, até quando serás o convento do Brasil?
Até teus comunistas são mais puritanos do que padres.
Pardos burocratas de São Paulo vamos fugir para as praias?
Ó cidade das sempiternas mesmices, quando te racharás ao meio?
Quero cuspir no olho do teu Governador e queimar os troncos medrosos da floresta
humana.
Ó Faculdade de Direito, antro de cavalgaduras eloqüentes da masturbação transferida!
Ó mocidade sufocada nas Igrejas, vamos ao ar puro das manhãs de setembro!
Ó maior parque industrial do Brasil, quando limparei minha bunda em ti? (...)"

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

"LULINA"



Terça passada, enquanto Obama ainda era coroado rei do universo, eu passei pela Mercearia São Pedro, na Vila Madalena, porque queria ver o lançamento do curta metragem “Como Fazer Qualquer Pessoa se Apaixonar por Você”, de Edson Kumasaka, com roteiro da escritora Índigo, que utilizou o título de famoso livro de auto-ajuda, “How to Make Anyone Fall in Love with You”, de Leil Lowndes, para contar a história de uma solitária garota e sua rotina no prédio onde mora.

O filme foi realizado com humor e muita delicadeza, mas provavelmente ele só voltará a ser exibido (assim como outros que já vi de Kumasaka - como o “Projeto Ana C. Cesar”) em mostras especiais, ou nalgum outro evento cultural.
O roteiro é de fácil assimilação e a belíssima Bebel de Barros que interpreta a garota solitária parece estar totalmente à vontade na personagem; no entanto, o que me encantou mesmo foi a "quase" angelical trilha composta por uma figura encantadora chamada LULINA (não tenho certeza, mas pra mim ela é pernambucana, porque quando eu estava do seu lado percebi o sotaque gostoso de recifense).

Depois de algumas “Originais” na cabeça voltei pra casa com muita vontade de saber mais sobre a autora daquelas músicas que ficaram perfeitas no filme. O Google imediatamente me mandou pra página da cantora no My Space (http://www.myspace.com/lulina) e ali eu pude curtir na íntegra algumas canções disponíveis como “Nós”, “A Margarida”, “Criar Minhocas é um Negócio”, “Sonhar com Bebês” e a hilária e provocadora “Balada do Paulista” (que vocês podem ver e ouvir clicando aqui http://br.youtube.com/watch?v=GCFIDxjCmz4).

Ouçam lá no My Space e acompanhem aqui a quase “meiga”/“ingênua” (e “feminista”) letra da música “Meu Príncipe”.

Meu príncipe
Não vem em cavalo branco
Não tem muito dinheiro
Mas eu o amo mesmo assim
Meu príncipe arruma toda a casa
Prepara minha comida
Enquanto eu tô no botequim

Meu príncipe me dá múltiplos orgasmos
Ai meu príncipe são 13 no total
Ele limpa o banheiro
Eu trabalho o dia inteiro
Ele lava a roupa suja
E eu bebo, bebo, bebo, bebo
Ele briga com as crianças
E eu toco violão
Ele quer discutir a relação
E eu não.
Na foto: a roteirista, o produtor, a atriz e a cantora



quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

"Crianças crescem, os brinquedos (não) mudam."

Pensem num garoto que na sua infância não soltava pipas, não rodava pião, não se importava com bolinhas de gude, não corria atrás de balão, não queria saber nem de bicicleta... Pois é! Esse ser aparentemente insociável foi “mi”. Digo “aparentemente”, mesmo, porque na verdade eu não me ligava no que era comum (já era metido a ser diferente). De toda a redondeza eu era o maior consumidor de congas, bambas e kichutes, que se extenuavam em sucessivas pelejas. Passava boi, passava boiada e a vida de Zezinho era só jogar bola; durante horas ficava longe de casa e dona Conceição, minha doce genitora, sabia que a asfaltada rua de trás tinha potente iluminação e boa “vizinhação” pra me deixar lá até altas horas.

De lamentável é meu corpinho de ex-trintão não me permitir mais correr atrás da pelota como antes; a última vez que me atrevi deu taquicardia, a vista até escureceu – também fui querer enfrentar uma molecada em pleno vigor futebolístico; e não adianta virem me importunar como seu não soubesse tratar bem a bola. Nos meus tempos de menino eu até que exibia algumas jogadas de encher os olhos - não tinha medo de entrar em divididas e me empenhava muito dentro de uma quadra (sempre curti mais Futebol de Salão - que hoje chamam de Futsal). Contudo minha “magricetude” congênita antecipou o fim do craque que havia em mim: culpa da molecada mais robusta me quebrava toda vez que eu levava perigo à pequena área.

E é por causa desse tempo que mantenho gosto pelo “esporte bretão*” - apesar de demorar décadas pra saber o que isso quer dizer. Também acompanho com interesse o desenrolar de alguns campeonatos e sou um torcedor incomum: vibro com qualquer ascensão de time pequeno e seco os tradicionais, os grandes. Cultivo paixões por times como “Sport” (de Recife), “América” (do Trajano – ops, do Rio de Janeiro), "Avaí" (de Floripa), "Marília" (de São Paulo), "Vila Nova" (de Minas), "Bangu" (do Rio), "União de Araras" (de SP), "Caxias" (do Rio Grande do Sul), "Itumbiara" ( de Goiânia), "Sampaio Correia" (do Maranhão), entre tantos.

E o que me cansa é saber que o Futebol é ainda “testosteronizado” em máxima potência; ele vive a ilusão de que o mundo masculino tudo lhe dará. Nossas meninas do Futebol deram show de bola por onde passaram; foram vice-campeãs em diversos torneios mundiais - sem me esquecer daquela sensacional final em que sapecaram 5x0 nas americanas, ficando com o ouro do Pan 2007. Nesta semana Marta foi eleita pela terceira vez a melhor do mundo e até agora eu não sei por que cargas d’água a CBF não realiza um campeonato de Futebol feminino decente.

Fiquei sabendo que a nossa seleção feminina é constantemente convidada a participar de competições na Europa e a CBF faz de conta de que não é com ela. Sabem vocês qual será o próximo compromisso de nossa seleção feminina antes da próxima copa de 2011? NENHUM!!! Nem um mísero amistoso contra uma possível seleção de freiras enclausuradas do Iêmen.
Um dia desses deixei meu nome num abaixo-assinado onde belas e aguerridas estudantes de uma universidade caça-níquel pediam a criação de turmas de Futsal feminino. Putz! Isso tudo realmente me brocha.

* Esporte Bretão: a tese mais aceita quanto à origem do Futebol é a de que o esporte foi criado pelos ingleses, e como a Inglaterra faz parte da Grã-Bretanha, o que faz supor que o esporte é “bretão” justamente porque é da Grã-Bretanha. Mas o adjetivo relativo à Grã-Bretanha não é britânico? O Aurélião diz que "bretão" é quem nasceu na Bretanha, na França. Xiii! E agora? Se o esporte é da Grã-Bretanha, como pode ser bretão, se bretão é da Bretanha, região da França?

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Este post é só pra alegrar (ou complicar)...

COMO COMPREENDER AS MULHERES?

ps: surrupiei a tirinha do blog do Bortolotto (clique na imagem pra ampliá-la )

Onde está Waly Salomão?




Em julho do ano passado fui ver no SESC-Pinheiros a curtíssima temporada da exposição “Babilaques”, dedicada ao poeta Waly Salamão; logo depois, no finalzinho de novembro, o cineasta Carlos Nader lançou seu “Pan-Cinema Permanente”, também dedicado a vida desse produtor cultural, perfomer, compositor, ator e letrista. Só que agora, a menos de dois meses de estréia, o filme está aqui em Sampa em apenas uma sala de cinema ( no Unibanco ArtePlex7 do shopping Frei Caneca, popularmente conhecido como “Gay-Caneca” ou “Gay-Plex”), ou seja: corram pra ver esse – imperdível - documentário antes que saia de cartaz.

Pra quem não sabe nada de Waly, aqui vai: ele nasceu em Jequié na Bahia e é filho de pai Sírio e mãe baiana, tropicalista, amigo de Torquato Neto e Jards Macalé, dirigiu o famoso show “Fa-tal” de Gal Costa, em1972. Produziu discos de Cássia Eller e Adriana Calcanhoto, tem parcerias com Caetano Veloso (“Mel" e "Talismã"), com Lulu Santos e Herbert Viana ("Assaltaram a Gramática", grande sucesso dos Paralamas), com Cazuza e Frejat (“Balada de um Vagabundo"), com Macalé ("Mal Secreto", "Vapor Barato" e "Anjo Exterminado"), com Adriana Calcanhoto ("Pista de Dança").

Em 1972, os artistas plásticos Oscar Romano e Luciano Fiqueiredo, a pedido de Waly e do cineasta Ivan Cardoso, fizeram o painel com as letras gigantes de “Alfa Alfavela Ville” (poema de Waly) para uma performance coletiva com artistas na praia de Copacabana, cujas fotos foram publicadas na revista "Navilouca" de Torquato e Waly.
(vejam abaixo a foto da perfomance em Copacabana, de 72, com a participação de vários poetas; entre eles, Waly, Torquato e Chacal – depois vejam Zezinho [eu] também diante das mesmas letras do poema, só que em 2008.).

Por último, clique aqui http://br.youtube.com/watch?v=q8lqNLr-3c4 para ver a sensacional canção “Mal Secreto”, de Waly e Macalé, na interpretação visceral de Luiz Melodia – e com comentários do próprio autor (aviso: dá pra chorar).

Um trechinho procês de “Mal Secreto”.

Não choro
Meu segredo é que sou
Rapaz esforçado
Fico parado, calado, quieto
Não corro, não choro, não converso
Massacro meu medo, mascaro minha dor
Já sei sofrer
Não preciso de gente que me oriente
Se você me pergunta:
Como vai?
Respondo sempre igual: Tudo legal
Mas quando você vai embora
Movo meu rosto do espelho
Minha alma chora
Copacabana - 1972

Zezinho - Sesc-Pinheiros - 2008

Acima: Zezinho imita o olhar de Waly.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O que é que há?

Há um circuito de engenhos produtores de cachaça, há um povo que mantém suas festas populares (Festa do Cururuquara; Romaria de Santo Antonio do Suru; Drama da Paixão; Corpus Christi), há, como em todo antigo povoado há, um largo da matriz com delegacia e câmara municipal, há uma casa que pertenceu a um dos mais temidos (e perverso) bandeirantes - o Anhanguera -, há um pequeno e bucólico beco com um arco florido, há uma praça central com um coreto onde se reúnem até fãs do Metal, há um sobrado onde D. Pedro, o primeiro, bolinava a marquesa, há um muro que conserva pedras e uma técnica dos antigos trabalhos de cantaria.

Há um carnaval com Samba de bumbo e com dezenas de blocos que preservam a tradição das antigas marchinhas (blocos como o “Xodó do Detó", o “Alegria dos Koroas”, o “Galo do Meio Dia”, o “Cabe Mais Um”, o “Berro da Noite do Sexo Forte”, “Os Picaretas”, o “Eu e Você”, o “Folia”, o “Me Leva” e o “Grito da Noite” ), há um restaurante chamado Bartolomeu em que eu almocei e jantei e onde encontrei o Josué, um garçom que me reconheceu do tempo em que eu freqüentava o Empanadas (bar famoso da Vila Madalena ), há um encontro de músicos na praça central todo os domingos. E há, em Santana de Parnaíba, outro encontro de pessoas que, como eu, compartilham transmutadas um passeio até esse passado.

Clique para ampliar a foto


sábado, 3 de janeiro de 2009

De volta no tempo.

A primeira coisa que eu pretendia fazer em 2009 era viajar no tempo - pro passado - , e eu consegui. Escrevo agora, talvez, de mil oitocentos e alguma coisa do ano da graça, e estou numa vila cheia de casarões com flores nos beirais; nela há uma igreja ainda enfeitada com motivos natalinos. Sinto cheiro de móveis rústicos e de fechaduras e dobradiças enferrujadas (acho que sou a única pessoa do mundo sensível à ferrugem). Quem eu vejo pelas ruas caminha sossegadamente por puro deleite; não existe pressa neste tempo e lugar.

Acreditem: eu viajei, mesmo, pro passado! E não precisei de nenhuma máquina maluca e nem entrei num túnel quântico. Bastou me transportar por 40 quilômetros de Sampa pra cá estar em pleno século XIX, na pequena vila de Santana de Parnaíba, numa pousada, cuja construção se inicia em mil setecentos. Seo Emanuel, o simpático proprietário, me explica que as paredes internas do sobrado – todas de taipa de pilão e de quase um metro de grossura - são menores que as externas.
Vendo as fotos que envio pra vocês agora percebo que não escolhi corretamente o dia e a época pra essa regressão; aqui chove de manhã, de tarde e de noite (percebam o céu sempre fechado nas imagens), no entanto estou encantado em conhecer esse lugar onde a matéria foi responsável pelo congelamento do tempo. Concluo que essa cidade só manteve suas características arquitetônicas porque a ferrovia e os grandes ciclos (como a cana de açúcar e o café) não chegaram até aqui.

Bom. Agora são quase oito da noite e neste momento a chuva ainda cai. Estou com fome e acho que vou pra algum restaurante do centro histórico – volto depois a descrever melhor essa cidade. Quero desejar um excelente 2009 a todos os amigos, diretamente de um lugar do passado.

Clique nas imagens para vê-las em alta resolução