terça-feira, 3 de novembro de 2009

Imagens da SATYRIANAS 2009

Aqui vão alguns registros que fiz da SATYRIANAS 2009. Foi a maior pauleira – é humanamente impossível ver 30% da programação. Por isso dei prioridade às encenações autorais que rolaram nas tendas “DramaMix” e “Residência” instaladas na Praça Roosevelt por serem menos concorridas que as peças em cartaz no espaço Satyros I e II. Acho que, devido ao feriadão, o evento não contou com o mesmo público do ano passado (que passou dos 30 mil), por isso tava bem menos estressante. Tanto que era fácil descolar uma mesa nalguns dos 4 bares da praça pra bebericar entre uma programação e outra. O chato de sempre é apreciar bons eventos teatrais numa praça tradicional do velho centro da cidade em total abandono.
Alguns destaques: as “Stand Up Tragedys” (leituras poéticas que rolaram na tenda Residência), a peça “O Bebê de Roseroovelt” de Sérgio Roveri, “Freudislândia: Onde Tudo Explica” de Hugo Possolo, e “Amores Líquidos” de Marcelo Medeiros.


Fotos: Zequinha Imagens (clique nas imagens para ampliá-las)




Na praça também rolou Blues da melhor qualidade na bela voz rouca de Fernanda D'Umbra (banda Fábrica de Animais)



Enquanto no restaurante ao lado da praça rolava um prestigiado Pagode
O sino da igreja da Consolação fez belém-blém-blão às 18h


Painel ainda intacto de Di Cavalcanti que restou do incêndio do teatro Cultura Artística.

Cenas bucólicas que registrei no sábado na Praça Roosevelt



A novidade deste ano é o festival circense "Palhaça Geral" que, em sua terceira edição, fez parte do Satyrianas2009 - o evento contou com diversas companhias circenses que levaram montagens tradicionais numa lona de circo montada na Praça Roosevelt.

Marião (o Bortolotto) e sua banda blueseira Saco de Ratos se apresentaram na tenda "Residência", onde também rolou pequenos "Stand up Tragedy" - leituras de poemas feita por diversos convidados do Marião


Fotos do sábado e do domingo: uma penca de gente ocupando a praça e as calçadas


Imensas filas pra ver os espetáculos nas tendas da praça

Muita gente: até as mesinhas que não são de bares estavam ocupadas

Famosidades: Marcelino Freire abraça Alberto Guzik - não pensem que eu estava bancando o paparazzi, viu! Eu estava conversando com Marcelino quando ele avistou Guzik.



Pra mim, o gran-finale das Satyrianas 2009 foi o ver na lona do "Palhaçada Geral" o "São Paulo Fashion Clown", uma sátira-show dos famosos desfiles de moda comandado pelo parlapatão Hugo Possolo, com a participação dos Doutores da Alegria, do ator Luis Miranda, e de outros grupos cômicos.

Fim do espetáculo e fim das Satyrianas - fecham-se as cortinas.

Ufa! Agora é o momento que vou atrás de uma breja gelada.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

"SATYRIANAS 2009"


Já comentei em outro post por aqui que a vinda das diversas trupes teatrais que se instalaram na Praça Roosevelt me incluiu na condição de “público de teatro” - devido a acessibilidade a espetáculos teatrais de qualidade (por preços não excludentes) deixei de ser apenas um “freqüentador casual”. Comentei também que graças a esse agito cultural/teatral muita gente voltou (começou) a freqüentar o antigo centro sem neura, apesar de o projeto de revitalização da praça Roosevelt (que é mal iluminada e anda caindo aos pedaços) não deixar de ser promessa dos administradores da cidade.

E um dos eventos culturais mais legal que rola na praça e que já entrou pro calendário oficial do Estado de São Paulo é a “Maratona Cultural Satyrianas – Uma Saudação à Primavera”, a festa teatral com duração de 78 horas ininterruptas. Nesta oitava edição (que este ano vai da próxima sexta-feira, dia 30, até segunda, dia 02) rola uma extensa programação de peças, debates, cafés literários, oficinas, shows musicais e jam sessions que podem ser conferidas nos teatros e em tendas montadas na praça e noutros 31 espaços que se tornaram parceiros do evento. Além do Satyros há também o
Espaço Parlapatões, Miniteatro, Casarão Belvedere, N.Ex.T., Instituto Cultural Capobianco, Casa das Rosas, Teatro do Centro da Terra, Teatro da Vila, Teatro do Ator, Studio 184, Teatro Artur Azevedo, Teatro Paulo Eiró, Espaço Maquinaria, Teatro dos Arcos, Espaço Pyndorama, Casa Café e Teatro, Teatro Gil Vicente, Arte Gullik, Teatro Brigadeiro e Centro Cultural Rio Verde.

Ivan Cabral, coordenador do Satyros, conta que o evento teve início em 1991, quando ele e Fauze El Kadre começaram a passar trote por telefone para uma lista de nomes de artistas. Uma das vítimas foi a cantora Vanusa que caiu no conto e topou participar do falso evento. A partir de então, Ivam e Fauze decidem levar a história a sério, e já na primeira edição da Satyrianas, o evento teve a participação de Antonio Fagundes, Débora Bloch, Diogo Vilela, Aguillar, Nelson de Sá, Moacyr Góes, Celso Nunes, Eliane Robert Moraes e Dib Carneiro Neto.
E como desde as primeiras edições a forma de pagamento é chamada de “ingresso consciente”, onde o espectador define o valor do ingresso, com contribuição mínima de R$2,00 em todas as peças que incluem a programação dos teatros. Já a programação das tendas será totalmente gratuita.
Bueno. A programação e longa e eu pretendo aproveitar o feriadão pra ver o máximo espetáculo possível.

Confira a programação completa
aqui

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Um Blues de Caio Fernando Abreu


Por causa da correria durante a semana ando com pouco tempo pra escrever no blog, mas pra não dizer que não falei de flores, passo correndo por aqui pra dizer que, relendo hoje (no banheiro) a minha edição de 1988 de “Os Dragões Não Conhecem o Paraíso” de Caio Fernando Abreu, me deparei – lá no capítulo “Sem Ana, Blues” – com um delicioso (porém sofrido) parágrafo (que segue abaixo) todo moldado em metalinguagem. Vejam como Caio elegantemente se utiliza de uma artimanha lingüística para expor um doloroso infortúnio, como obrigatoriamente é a letra de um Blues.

"SEM ANA, BLUES"

"Quando Ana me deixou – essa frase ficou na minha cabeça, de dois jeitos – e depois que Ana me deixou. Sei que não é exatamente uma frase, só um começo de frase, mas foi o que ficou na minha cabeça. Eu pensava assim: quando Ana me deixou – e essa não-continuação era a única espécie de continuação que vinha. Entre aquele quando e aquele depois, não havia nada mais na minha cabeça nem na minha vida além do espaço em branco deixado pela ausência de Ana, embora eu pudesse preenchê-lo – esse espaço branco sem Ana – de muitas formas, tantas quantas quisesse, com palavras ou ações. Ou não-palavras e não-ações, porque o silêncio e a imobilidade foram dois dos jeitos menos dolorosos que encontrei, naquele tempo, para ocupar meus dias, meu apartamento, minha cama, meus passeios, meus jantares, meus pensamentos, minhas trepadas e todas essas outras coisas que formam uma vida com ou sem alguém como Ana dentro dela. (...)"

Ps: logo logo publico aqui a programação das SATYRIANAS -2009

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

"PERNAMBAS INVADERS"


A coisa é mais ou menos assim: toda semana entro no site do StúdioSP (uma casa de show da rua Augusta onde tocam bandas de todos os gêneros) pra conferir a programação e tenho notado, já faz um tempão, que sempre há algum grupo pernambucano se apresentando: até o fim deste mês baixam lá as bandas EDDIE (dia 24) e SEU CHICO (dia 30). E se procurarmos noutros lugares de show como o Grazie a Dio, o Sarajevo Club ou a rede SESC, vamos encontrar algum pernamba dentro da programação. Já fiz até uma lista com esses grupos que sempre estão em Sampa: MOMBOJÓ, MONJOLO, EDDIE, QUEROSENE JACARÉ, DIZ MAIA, NUDA, 3 NAMASSA, GUADALOOP, ASTRONAUTAS, JORGE CABELEIRA, CHINA, SEU CHICO, ZECA VIANA, OTTO, ORQUESTRA CONTEMPORÂNEA DE OLINDA - isso sem falar das badaladas NAÇÃO ZUMBI e MUNDO LIVRE S.A. No último feriadão, eu mesmo fui ver no MIS, Museu da Imagem e do Som, o lançamento do excelente disco de estréia, "CRISTALINA", da pernamba LULINA.
E essa invasão pernambucana não só rola no mundo da música. Na literatura temos o multimídia e agitador cultural MARCELINO FREIRE (radicado em Sampa), que sempre que pode traz outro pernamba de talento dentro da mala (em novembro tem a 4ª edição da Balada Literária, organizada por Marcelino, cujo homenageado será o grande JOÃO SILVÉRIO TREVISAN). Na mesma praia das letras há os poetas LIRINHA, MIRÓ, FREDERICO BARBOSA, BRUNO MAFERDINI que são sucesso nos saraus literários dos quais participam. Tem também o XICO SÁ que fala de futebol, de modos de macho e de modinhas de fêmea e que agora é meu vizinho aqui em Perdizes.
Nas artes cênicas/musicais já chegou há algum tempo (e se instalou na Vila Madá) ANTONIO NOBREGA – tem também o meu amigo DINHO LIMA FLOR que me encantou com seu espetáculo “CONCERTO DE ISPINHO E FULÔ” que estava em cartaz no SESC-Paulista. E por aqui onde moro tenho me esbarrado (seja na fila do banco Itaú ou na praça Rusvel) com CLAUDIO ASSIS, um cineasta criativo; diretor autoral de dois excelentes filmes que gosto muito: “AMARELO MANGA” e “BAIXIO DAS BESTAS” - já vi o cara sugerir a Hector Babenco e à organização de um festival de cinema que tomassem em seus respectivos ânus. E por Sampa também a gente pode encontrar o cineasta LÍRIO FERREIRA que dirigiu o os cultuados “BAILE PERFUMADO” e “ÁRIDO MOVIE”.
E como eu já disse noutro texto aqui no blog; o que me impressiona é que Pernambuco tem muito mais armas a sacar.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Manias e Provocações.

Nunca soube o que é um “olhar 43” como naquela canção oitentista (o restante da letra não me ajuda entender que raios o compositor queria dizer). Sei que existe o olhar de “soslaio” de “esguelha” que parecem ser la même chose. Meu avô Guilherme diria “espichar d’ôio”. Bom. O que eu quero dizer com isso é que tenho a mania de ficar de “butuca” – esse vocábulo é de “mano” – no que as outras pessoas estão lendo. Virou vício até. Estico o pescoço, mudo de banco, forço realmente a barra pra assuntar a leitura alheia. Pouco importa se é livro, bula, receituário ou apostila de cursinho. Só sossego quando descubro o título ou o conteúdo do que o vizinho lê. Tamanha insanidade, né mesmo. É, mas essa minha excentricidade, ou esquisitice, já me rendeu dicas inestimáveis. Foi por cima do ombro de uma passageira da linha 775N Rio Pequeno/Vila Mariana que, na primeira metade dos anos 80, li alguns trechos do clássico “Feliz Ano Velho” de Marcelo Rubens Paiva. O livro ainda não era o sucesso que viria a ser e eu fiquei fascinado pela forma solta e ágil da narrativa, tanto que comprei o livro na mesma semana. E aconteceu o mesmo com o “Olga” de Fernando Morais e “Queda Para o Alto” de Herzer. De certo que a decepção com títulos e autores que as pessoas geralmente lêem é mais constante; é muito auto-ajuda de baixo nível, best-sellers da moda (os tops do momento são as edições de auto-ajuda direcionadas a executivos), entre outras publicações esotéricas de conteúdo duvidoso.
Acho ônibus e metrô bons lugares pra leitura, pena estarem tão desconfortáveis e saturados. Às vezes até lamento quando um conhecido entra no ônibus e estou compenetrado nalgum livro - por outro lado, já travei papo bacana com gente que lia algo que muito me interessava.
Coisas entranhas e engraçadas também acontecem: minha amiga Solange , certa vez, lia “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” de José Saramago quando uma senhora que sentava ao lado a parabenizou pela leitura “cristã/religiosa”. Coitada. Mal sabia a senhora do conteúdo ateu do livro e do autor. Acho que foi em março deste ano quando, ao me sentar num banco de ônibus, vi que havia um rapaz compenetrado num livro de capa escura. A princípio não dei atenção ao vizinho; sentei ao seu lado, tirei “Os Demônios” de Dostoievski de dentro da mochila e me concentrei no livro. Só mais tarde me toquei que o cara ao lado lia a Bíblia. Por pura provocação reposicionei a capa de “Os Demônios” para que o carola se assustasse com o título. Recentemente repeti a dose – só que fui mais insolente dessa vez. Depois de atravessar a rua Augusta, já na calçada em frente ao Conjunto Nacional, na avenida Paulista, fui abordado por um Krishna que queria me vender um livro cujo conteúdo defendia alguma filosofia vegeta e outros valores saudáveis. Não teve jeito. Radicalizei: puxei o “Junky” (Drogado) de William Burroughs e mostrei pro teimoso careca afirmando ter predileção por gêneros literários mais “transcendentes”. É isso. Às vezes acordo de pavio curto.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Direto da "LULILÂNDIA" (ou seria da "TREZELÂNDIA"?)


Pois então: sabem aquela pernamba de voz suave, aquela que foi abduzida e que curtiu, aquela que tem um príncipe que lhe dá múltiplos orgasmos, aquela que invés de MPB prefere “CPM” - Canção Popular Melodramática, aquela criadora de minhocas, aquela que sabe cozer um miojo anti-desgosto, aquela que, “puta, meu”, sacou legal a balada do paulistano? Pois então, aquela menina, LULINA, me enviou e-mail avisando do lançamento de seu recente álbum "CRISTALINA" pela gravadora Yb (?). Vai ser no dia 9 de outubro, sexta-feira, no MIS (Museu da Imagem e do Som), às 21h13.
Ela diz que, no dia, a top bielo-russa Alexia Schimmermmann, vai vender os discos de Lulina pelo preço promocional de 13 pilas.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Rapidinhas Pra Semana

Uma excelente dica de cinema para este fim de semana prolongado: "DEIXA ELA ENTRAR" (Let the right one in) de Tomas Alfredson. Não tenho dúvidas ao afirmar que esse longa sueco é o mais belo filme sobre vampiro que já vi. Que ainda trata de amizade e carinho de forma delicada. NÃO DEIXEM DE VER!!!
É amanhã, terça, dia 06, a partir das 18h30, na Livraria da Vila Madalena, o lançamento de “MIGUEL E OS DEMÔNIOS” de Lourenço Mutarelli. Para quem não conhece, Mutarelli é um ex-quadrinista cultuado que abandonou o desenho pra se dedicar a prosa. Escreveu “O Cheiro do Ralo” (que virou filme), “O Natimorto” (que virou peça teatral de sucesso e que também será lançado no cinema, talvez, no começo de 2010), “Jesus Kid” , “A Arte de Produzir Efeito Sem Causa”, entre outros. Neste “Miguel e os Demônios”, o autor criou um “antirromance” policial com possessão, múmias mexicanas, seitas bizarras, pedofilia e travestis sedutores. Ah! Na FLIP deste ano, Chico Buarque confessou ser um entusiasmado leitor de Mutarelli (e eu também).
E corra pra comprar ingressos para o show de lançamento do disco de Arnaldo Antunes, “IÊ, IÊ, IÊ”, que será entre os dias 15 e 17 da próxima semana no SESC-Pompéia (vai de 7,50 a 30 realitos – vamos nessa Carolina Martins?). Compre ingressos também pra ver o cantor-ator curitibano, Carlos Careqa interpretando canções do mito TOM WAITS no SESC-Santana, no próximo sábado, dia 10. Pra quem ainda não viu o excelente documentário “NINGUÉM SABE O DURO QUE DEI”, sobre a vida e obra de Wilson Simonal, o Sesc-Pinheiros distribui, gratuitamente, a partir do dia 10, ingressos para o filme. Sei que está adiantado, mas já vão marcando na agenda que dia 27 deste mês tem show imperdível e totalmente digrátis da diva ANGELA MARIA no Centro de Eventos Pedro Bartolosso, em Osasco (depois dou mais detalhes)
E dia 7, quarta-feira, às 20h, tem bate-papo com Décio Pignatari, no SESC-Vila Mariana. Apesar de sua rabugice vale prestar atenção nalgumas dicas do velho poeta concreto.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

"Na Rua"

Ufa! Esta semana foi bem agitada. Segunda-feira fui à Livraria Cultura do Conjunto Nacional para o lançamento de "MEU PEQUENO SÃO-PAULINO", escrito pelo ex-titã Nando Reis. Não torço para esse time, mas estava lá porque acho legal essa coleção MEU TIME DO CORAÇÃO, da editora Belas Letras que já consta com mais de sete títulos (“Meu Pequeno Corintiano”, “Meu Pequeno Palmeirense”, “Meu Pequeno Colorado”, “Meu Pequeno Gremista”, “Meu Pequeno Vascaíno” e outros). São livros infantis feitos pra conquistar leitores e torcedores e estão bem bacanas. Segue um trechinho: “Nasci branco, com os olhos pretos e cabelo vermelho; um perfeito tricolor. E esse sentimento só cresceu ano após ano, desde minha primeira lembrança como torcedor indo a um jogo em um domingo à tarde, no Morumbi contra o Corinthians até as grandes conquistas de hoje”

(Fotos: Zequinha imagens)



OCUPAÇÃO LEMINSKI é o nome da exposição inaugurada na quarta passada no Itaú Cultural da Avenida Paulista. Eu estive lá. Muita famosidade presente ao evento. Mas o legal foi ver Alice Ruiz e Áurea Leminsk, esposa e filha interpretando poesias e prosas do poeta. Tão marcados alguns shows pra este mês de outubro no teatro do Itaú: vai ter Moraes Moreira, Miriam Maria, Edvaldo Santana,Vitor Ramil e mais participação especial de Estrela Ruiz Leminski, que é também filha de Paulo Leminski.
Eu recomendo a visita, pois se trata de uma exposição sob a curadoria de outro excelente poeta, Ademir Assunção (chega de tecnocratas ou burocratas organizando eventos sem a menor afinidade com o tema). É curta a temporada da exposição. Vai de 01/10 a 08/11 de 2009 – e o Itaú Cultural fica Avenida Paulista 149. Para mais informações clique aqui



E na mesma quarta-feira fui ver a escritora Paula Dip falar sobre seu novo livro “PARA SEMPRE TEU, CAIO F” que é sobre a vida de CAIO FERNANDO ABREU (tem post logo abaixo sobre o livro). O bate-papo rolou legal na charmosa sala de leitura do SESC-Consolação – o chato é que as pessoas que ocupavam o local não gostaram nada de ter que abandonar suas leituras por causa do evento. Alguns até jogaram jornais, livros e revistas, com certa violência, sobre as mesas e os puffs. Ué! Mas o encontro não era pra falar de literatura? Por que o desagrado então? Vá saber...



E também não posso deixar de comentar que fui ver meu amigo, o ator Dinho Lima Flor no espetáculo-teatral-musical-sociológico-carismático "CONCERTO DE ISPINHO E FULÔ", em comemoração ao centenário do poeta Patativa do Assaré. Dinho arquitetou esse projeto com seu grupo Cia. do Tijolo que, contando com excelentes atores-cantores e músicos, utiliza a vida e obra do poeta como inspiração para refletir os destinos da poesia popular na formação do povo brasileiro. Tem momentos do espetáculo que dá vontade de largar a condição de platéia calada/sentada e cair na dança e entrar na cantoria. Eu recomendo e aviso que Concerto de Ispinho e Fulô fica somente até o dia 11 de outubro, de sexta a domingo, sempre às 21h. Informações aqui.


Ah! E hoje, sexta-feira, a meia-noite, vou a estréia de "BRUTAL" no ESPAÇO PARLAPATÕES, na famosa e agitada praça rusvel. O Texto e direção é do Marião (o Bortolotto) que apresenta a história de Estevão, um homem que lidera uma seita que prega o ódio racial. A peça conta com as belíssimas atrizes Maria Manoella, Carolina Manica, Martha Nowill, Luciana Caruso, Érika Puga, e com os atores Laerte Melo e Walter Figueiredo. Depois conto aqui como foi a montagem. O ingresso custa 30 pilas e rola sempre as sextas, estranhamente às 23h59.

(a foto acima não pertence a Zequinha imagens)

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

"A ORIGEM DO MUNDO"

No domingo passado adquiri o livro “7” da coleção Grandes Museus da "Falha" de S. Paulo, que dessa vez trata do Museu D’Orsay de Paris, conhecido como o museu dos Impressionistas. Já aviso logo de cara que tá fraca a seleção das obras retratadas e seus textos descritivos também (possuo os livros do museu do Prado, do Cairo e da National Galery de Londres e não pretendo comprar o restante). Quem tiver numas de conhecer (pesquisar) de verdade esses famosos museus que estão na coleção – e que não tem grana pra ir a esses lugares – recomendo a Internet que possui imagens e informações “suficientemente” precisas. Têm museus no Google Maps e Earth, como o do Prado, com boa parte de suas obras digitalizadas (em 3D de alta tecnologia) disponíveis para qualquer um observar milimétricos detalhes de telas, esculturas, etecétera e tal.

Bom. Mas o que eu queria mesmo dizer é que esse sétimo livro da coleção trouxe “A Origem do Mundo” (L’Origine du Monde), tela muito louca do pintor francês, pra lá de realista, Gustave Courbet, que está “perturbadoramente” exposta no D’Orsay em Paris; e isso me fez lembrar de que me diverti muito quando estive nesse museu em junho do ano passado. Foi um puta barato ficar na surdina observando as reações dos visitantes quando davam de cara com aquela grande vagina peluda em destaque na parede do Orsay. Alguns passavam batidos, fingindo não ver. Outros ficavam em silêncio. Uma turma de adolescentes fazia piadinhas. Acreditem: teve um cara que ameaçou vomitar (cliquem aqui pra ver outras engraçadas reações).

O legal é tentar entender essas reações perturbadoras nas pessoas. O que será que choca o visitante, hein? Em pleno século da hiper exposição por que a intimidade feminina (ou masculina) ainda causa desconforto? Será vergonha, pudor? Fiquei sabendo que, em fevereiro deste ano, durante uma tradicional feira de livros em Braga, em Portugal, a PSP, Polícia de Segurança Pública, apreendeu todos os exemplares de um livro sobre pintura cuja capa era a reprodução da Origem do Mundo por considerá-la pornográfica.
Parece que o quadro foi uma encomenda do diplomata turco, Khalil Bey, em 1866, que também ficara espantado com o resultado (e olha que o diplomata, colecionador de arte erótica, já havia comprado outras obras de Courbet). Tanto que A Origem do Mundo ficou desaparecida por longo período e só foi descoberta, atrás de outra tela menos impactante, quando o diplomata vendeu toda sua coleção para saudar dívidas de jogo. Dizem que seu último dono foi o famoso psicanalista Jacques Lacan que a doou ao museu após sua morte, e dizem também que a obra permaneceu censurada à exposição pública até o final dos anos 80 do século XX.
Enfim. O mais legal é saber que Courbet - que se divertia ao incomodar a moral burguesa da época – deve ainda se deleitar com todas essas manifestações à sua obra.


Abaixo: a "Origem" de Portugal.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

BANDIDAGEM SELETIVA

Vá entender essa nossa bandidagem brasuca. Explico: é que eu soube pelo blog do Marião, o Bortolotto (pra quem não conhece, o blog do Marião é uma dica valiosa – vale acompanhá-lo), do roubo do carro de sua amiga na semana passada, e de que o encontraram em poucos dias. Só que a caranga tava completamente depenada. Surrupiaram os bancos, as roupas que estavam sobre banco e até os pneus – sem falar dos CDs do grande ídolo dos mal-diagramados, Sérge Gainsbourg, que também se escafederam. Putz, só deixaram a lataria e o livro mais obceno e libidinoso que li neste ano, o PORNOPOPÉIA do Reinaldo Moraes. Será que a grossura das 475 páginas inibiram os meliantes ou foi o desprezo ao objeto livro? Ou será que leram algumas páginas e não deram relevância ao estilo solto e nada tradicional do Reinaldo? Talvez acharam o tema pesado demais. Vá saber...

E esse caso me fez lembrar a vez que a ladroagem do Rio Pequeno, no Butantã, faxinaram a casa do meu amigo Genaro. Ele e a esposa estavam trabalhando enquanto os meganhas entram e levaram quase tudo de valor do jovem e recém casal. Eu disse “quase” tudo de valor porque os caras eram seletivos: defronte a enorme coleção de elepês dos moradores, a bandidagem, que tinha tempo de sobra, fez uma seleção das bolachas de acordo com a sua preferência. Resumindo: deixaram pra trás discos do Tom Jobim, Rafael Rabelo, Tom Waits, Chalie Parker, Chet Baker (nem tocaram nos raríssimos discos do Elomar), mas levaram o meu “17 Big Golden Hits Super Quentes Mais Vendidos no Momento” (sim, o título do elepê é esse mesmo) do grupo satírico-musical Língua de Trapo que eu havia emprestando ao Genaro. Por que o roubaram? Because na contracapa havia a imagem de duas exuberantes mulatas, e assim pensaram se tratar de mais um disco de Samba, já que subtraíram também todos os Adonirans e Bezerras que encontraram. És fueda! Até eu levei preju com essa bandidagem pouco esclarecida (ou exigente, sei lá...).



terça-feira, 15 de setembro de 2009

PARA SWAYZE


“To Wong Foo, Thanks for Everything! Julie Newmar” - este nomão é o título do filme de que participou Patrick Swayze que eu mais gosto – no Brasil a tradução praticamente foi literal, “Para Wong Foo, Obrigada Por Tudo”. Apesar de interpretar papéis pouco convincentes é nessa comédia musical de 1995, dirigida por Beeban Kidon, que Swayze está totalmente “desavergonhado” e muito corajoso porque logo após ser eleito galã do ano nos EUA (e o maior Sexy Simbol audoordi), o cara aparece como drag queen num divertido road movie no melhor estilo “Priscila, a Rainha do Deserto”.
Após a divulgação da morte de Swayze (que lutou bravamente durante dois anos contra um câncer), as revistas eletrônicas e os programas de tevês só falam dos filmes Dirty Dancing e Ghost. Do primeiro não tenho o que dizer pois pouco me interessou – pra mim é apenas mais uma repetição de musicais dançantes. Ghost de certa forma se torna imprescindível devido à forte presença de Whoopi Goldberg que salva o fraco roteiro do longa. E foi justamente em Ghost que vi pela primeira vez uma espécie de histeria coletiva (ou seria convulsão?). Explico: é que quando assisti ao filme em 1990 fui testemunha de um chororô infanto-juvenil em massa numa sessão cinema. Meninas (e diga-se a verdade: alguns meninos também) aos prantos deixavam suas poltronas ao final do filme – até minha então namorada (que não era mais nenhuma adolescente) chorava copiosamente. Jesus! Que coisa!

Ah! O Marião (Bortolotto) em seu blog me lembra de "RoadHouse" (que por aqui se chamou “Matador de Aluguel”) – filme de 1989, dirigido por Rowdy Harrington – em que Swayze interpreta o ex-aluno de filosofia que ganha a vida como chefe de segurança num bar de uma pequena cidade americana. O longa é fraco, mas tem excelente trilha – com a participação fodaça de Jeff Healey, aquele fantástico bluseiro cego que já esteve diversas vezes no Brasil e que infelizmente também faleceu precocemente aos 41 anos em 2008.

Trailer do "Para Wong Foo..."

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

4 RAPIDINHAS

1- O meu amigo Dinho Lima Flor está em cartaz no SESC-Paulista com o musical CONCERTO DE ISPINHO E FULÔ em homenagem ao centenário do poeta popular PATATIVA DO ASSARÉ. A temporada começou em agosto e vai até 11 de outubro – de sexta a domingo, às 21h – no Espaço do 3º andar. O SESC-Paulista fica na avenida Paulista, 119. Para mais informações clique aqui.

2 - Começou nesta quinta-feira e vai até domingo a 14ª PRIMAVERA DOS LIVROS no Centro Cultural São Paulo – organizado pela LIBRE, Liga Brasileira de Editoras, o evento este ano conta com 7 mil títulos com descontos de até 40%. – De ruim é comentar que o senhor Kassab quase melou a feira ao não repassar a verba pro evento (Bueno. Esse filme a gente já conhece: falta de grana pra varrição de rua, pra cultura, mas propaganda de governo isso nunca). O CCSP fica na rua Vergueiro, 1000. Mais informações clique aqui.

3 - Hoje, dia 11 de setembro, às 19h, no Espaço Parlapatões tem festa de lançamento do livro PALHAÇO-BOMBA de Hugo Possolo, que diz ser uma reunião de suas crônicas e artigos produzidos para Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo, Revista Bravo, Jornal O Sarrafo, Revista do Anjos do Picadeiro além de revistas de teatro e também da coluna de Teatro Sujo, da era pré-blogs. O evento contará com leituras de trechos do livro por Ivam Cabral, Paula Cohen, Fábio Esposito e Mário Bortolloto. O Espaço Parlapatões fica na praça Roosevelt, 158 – Outras informações clique aqui

4 - Começou também nesta semana e vai até domingo no Itaú Cultural a mostra de filmes EM RITMO DE AVENTURA – O CINEMA DA JOVEM GUARDA. Uma retrospectiva de filmes realizados com a temática o Iê-iê-iê brasuca. Tem filmes com Roberto Carlos, Mazzaropi, Renato Aragão, Carlos Reichenbach, entre outros. O Itaú Cultural fica na avenida Paulista, 149 – pra ver programação completa clique aqui

terça-feira, 1 de setembro de 2009

"Vap-Vup do meu fim de semana"


No sábado passado fui ver o ANTICRISTO de LARS VON TRIER e de cara digo que o filme é um tremendo “psicodrama-macabro” carregado de cenas repugnantes; eu que me imaginava sem suscetibilidades me vi tapando os olhos para não ver alguns trechos fortes do longa. Pelo que li nos jornais, o filme causou polêmica e sofreu cortes em alguns países por causa dessas cenas aflitivas (graças aos deuses do cinema, as cópias que vieram pra gente estão na íntegra, mesmo que elas embrulhem estômagos mais sensíveis).

Lars Von Trier, que para 50% dos críticos é um “gênio” e que para o restante não passa de um “picareta”, neste filme exibiu umas das cenas de sexo mais belas que já vi no cinema (todo rodada em preto & branco e em câmera hiper-lenta, ao som de uma música de Hendel). Ele conta a história de um casal vivido por Charlotte Gainsbourg (filha do mito Sérge Gainsbourg com a atriz Jane Birkin) e Willen Dafoe que se recupera após a morte trágica de seu único filho. E é numa cabana, numa estranha floresta chamada “Éden”, que se dá o tratamento da mãe que ainda agoniza por não aceitar a perda.
Bueno. Pra eu não correr o risco de dar com as línguas nos dentes - contando os detalhes surpreendentes do filme - paro por aqui. Digo apenas que o longa tem cenas de sexo explicito, mitologia medieval e a atuação corajosa de Charlotte Gainsbourg ( pela qual recebeu a Palma de Ouro de melhor atriz em Cannes em 2009) que faz valer a pena ver o filme. Mas cabe aqui uma dica valorosa aos meus amigos homens: não descuide de suas mulheres.

E na sexta-feita fui ao lançamento do romance REI DO CHEIRO de JOÃO SILVÉRIO TREVISAN na Livraria Cultura do Conjunto Nacional na avenida Paulista. O livro conta a saga do paulista Ruan Carlos Coronado que tinha tudo pra ser um loser; sofria de uma sudorese insuportável que levou ao fim o seu casamento, mas que, ironicamente, o fez milionário, trabalhando no ramo dos cosméticos. No Rei do Cheiro, o autor fala da formação da elite brasileira e dos novos-ricos (os emergentes) que construíram suas riquezas durante o período da ditadura militar. Eu ainda não li o livro, mas prometo voltar aqui com mais detalhes.

Agora, o que eu queria falar mesmo é de João Silvério Trevisan e sua relação com seus leitores. Vi muita gente famosa e outras nem tanto esperando pacientemente a sua vez para receber o autógrafo numa longa fila dentro da livraria (putz!, dei de cara com o fantasma do Orestes Quércia – não sei se ele estava ali por causa do lançamento) porque o autor conversava com todos e, simpaticamente, se deixava fotografar levantando-se para as devidas poses carinhosas. E por causa de seu talento como romancista e em troca dessa simpatia, João Silvério, como se pode ver nas fotos abaixo, recebeu muitas flores de seus leitores.

INDICAÇÕES: pra quem se interessar pelo diretor Lars Von Trier eu recomendo o filme "OS IDIOTAS" de 1998 - numa grande casa, algumas pessoas dedicam-se a procurar o idiota que está dentro de cada um, entrando em "paranóia".
De João Silvério Trevisan recomendo a leitura de "DEVASSOS DO PARAÍSO" ou sua obra prima "ANA EM VENEZA", a fictícia história da escrava Ana, pertencente a Julia, mãe de Heinrich e Thomas Mann, que passa férias com a família em Veneza.

(fotos: Zezinho imagens)
























quarta-feira, 26 de agosto de 2009

DOIS HOTÉIS


Por coincidência adquiri e li dois livros cujos títulos e as tramas têm a ver com hotéis. Um é o “HOTEL NOVO MUNDO” de Ivana Arruda Leite, o outro, “HOTEL ATLÂNTICO” de João Gilberto Noll. Ambos têm enredos parecidos: protagonistas que resolvem largar vínculos afetivos, empregos, e tentar mudar o destino noutros lugares; abandonam bens e não carregam nem bagagens (o maluco é que os personagens centrais, dos dois hotéis, estão caindo fora do Rio de Janeiro). Com narrativas ágeis e enxutas as duas histórias empolgam como num filme de aventura, só que com diferentes desfechos - obras com 20 anos de distância uma da outra: o livro de Ivana é de junho de 2009, o de Noll é de 1989.

O legal foi como cheguei a esses romances. Há muito tempo vejo resenhas publicadas em jornais e revistas de lançamentos desses dois autores, e sempre me esbarro com outros títulos deles quando estou em sebos e livrarias, no entanto eu não havia lido nada de Ivana e de Noll. Até o dia em que (dando um rolê pelo sebo do Bactéria, na praça Roosevelt) me rendi e comprei o “HISTÓRIAS DA MULHER DO FIM DO SÉCULO” da Ivana, de 1997; li absorto os 28 contos em que a autora retrata mulheres reais. Deu barato, e logo em seguida comprei o sensacional “FALO DE MULHER” (de 2002), outro livro de contos de Ivana; nenhum deles com final feliz, repleto de embates da vida privada, tragédias amorosas, e com mulheres à beira de ataques homicidas. Muito bom.

E em junho deste ano Ivana lançou HOTEL NOVO MUNDO que é seu primeiro romance. Nele, Renata é uma ex-prostituta que, se sentido traída, abandona a boa vida que levava ao lado do marido rico no Rio de Janeiro para morar num hotel barato no centro de Sampa. A autora descreve o dia-a-dia da primeira semana do recomeço de Renata nesse novo mundo. Um mundo onde ela encontra um pianista de boate ( com uma história comovente: o músico fora casado com ex-cantora de sucesso da noite paulistana, Diva Dantas, com quem teve uma filha, Cecília, que só a conheceu quando a mãe se encontrava à beira da morte), um pai-de-santo com ética profissional, que se relaciona com estilista soropositivo; e uma menina cheia de vida, mas com a saúde debilitada.

O HOTEL ATLÂNTICO do NOLL encontrei num sebo da rua Sete de Abril e o devorei em dois dias. Nele o autor narra a estranha história de um ator que foge sem rumo e que por onde passa tem gente morrendo. O personagem não é tão solidário e humanista quanto a “Renata” da Ivana. E prepare-se: porque as cenas de sexo, de violência e de descontroles levam o personagem (e o leitor) ao desespero - o que é muito legal.
E eu que geralmente curto personagens solitários, on the roads, fora de lugar, acabei conhecendo dois autores distintos (Ivana é de Sampa e Noll, gaúcho) que passeiam elegantemente por essa praia. Eu os recomendo.

Ps: e agora tô afinzasso de ler “A FÚRIA DO CORPO” e “HARMADA” de Noll - se alguém souber onde encontrá-los me dê um toque, please.

""Um cantinho, um violão (e um péssimo tocador)""


segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Uma ode à "DESCRIMINAÇÃO" da poesia.

Tirinha do genial LAERT na Falha de hoje.
(clique para ampliá-la)

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

CAIO FERNANDO ABREU


Certa vez ganhei um elepê autografado – e com dedicatória - do Oswaldo Montenegro. A coisa se deu assim: eu tinha que ligar para aquele programa bem bacana da TV Gazeta, daqui de Sampa, o histórico TV-MIX (que rolou no finzinho da década de 1980), e indicar a canção que eu mais gostava do cantor. Entre as mais votadas, “Agonia”, “Bandolins” e “Lua e Flor (tema hiper batido do personagem Sassá Mutema da novela “O Salvador da Pátria”, 1989)”, Oswaldo Montenegro, que estava ao vivo no programa, elegeu justamente a canção que eu mencionei, “Léo e Bia”. E lá fui eu no dia seguinte até o prédio da Gazeta, na avenida Paulista, buscar o meu prêmio - como testemunha do fato tenho meu amigo Valmir Jr. que me acompanhou até o local. E foi neste dia que eu conheci pessoalmente o escritor-dramaturgo-poeta-ator CAIO FERNANDO ABREU. Não tenho certeza: acho que ele conversava com Tadeu Jungle, o então diretor de programação, quando eu entrei na redação da TV Gazeta.

Eu lia e gostava das crônicas que CAIO escrevia pro Caderno 2 do Estadão em meados dos anos 80 – naquela época eu não me ligava nesse papo de “nova geração de escritores”, não tinha a menor idéia de que ele era o supra-sumo dessa turma (que era composta por MARCELO RUBENS. PAIVA, REINALDO MORAES, JOÃO GILBERTO NOLL e outros). O que me fez devorar o seu clássico MORANGOS MOFADOS (de 1982) foi a dica que CAIO deixou logo no primeiro conto pro leitor acompanhar o texto: “Para ler ao som de Ângela Rô-Rô”- e nem preciso dizer o quanto eu gostava de Ângela Rô-Rô à época. Na seqüência li “OS DRAGÕES NÃO CONHECEM O PARAÍSO (de 1988) que foi premiado com o JABUTI (“Cágado”, diria Marcelino Freire) da CBL.

E pro meu deleite recebo de presente “PARA SEMPRE TEU, CAIO F” (editora Record – julho/2009), uma biografia fresquinha, que acaba de ser lançada, de CAIO escrita pela sua amiga de mais de 20 anos, a jornalista PAULA DIP. Logo no começo do livro ela diz que não se trata de uma biografia e sim de uma “história de amizade” que começou lá nos anos 70 e que terminou com a precoce morte do escritor vitimado pela AIDS em 1996. Os relatos que PAULA DIP descreve de sua relação com CAIO tem me emocionado demais; e olha que tô ainda na página 120 – o título do livro é um pouco piegas, mas era assim que CAIO se despedia nas cartas que escrevia para PAULA.
E por falar em correspondência, CAIO era um missivista compulsivo; escrevia em média 5 cartas por dia - “Tenho pena das pessoas que não escrevem cartas”, frase de Elizabeth Bishop que CAIO sempre repetia. Além da reprodução de algumas dessas correspondências, a biografia esta recheada de depoimentos dos amigos do escritor.

CAIO ganhava dinheiro escrevendo artigos e crônicas pra jornais e revistas, mas o seu grande barato era a literatura. Amava Clarice Lispector e Virginia Woolf (leu tudo o que elas escreveram). Segundo Paula Dip, Caio circulava com desenvoltura pela elite literária brasileira, dava o devido respeito e era aceito entre seus pares. No entanto, não titubeava na hora de meter a bronca, como na vez em que não hesitou e, no ar, largou a bancada do programa Roda Viva (da TV Cultura) que trazia Rachel de Queiros como entrevistada. Não concordando com o posicionamento ideológico, “chapa-branca”, que a escritora manteve durante a ditadura militar, Caio abandonou o programa.
Bom. E como resumiu o Marião (Bortolotto) em seu blog: essa é uma oportunidade muito boa pra gente rever a obra de CAIO, e um “bom momento para que as novas gerações conheçam o grande escritor que nós perdemos”.

Mais CAIO FERNANDO ABREU: há algum tempo, toda vez que entro numa livraria, fico com água na boca ao ver nas estantes a antologia que a editora AGIR lançou em 2006 como uma amostra da experiência literária de CAIO. Ela se chama CAIO 3D – O ESSENCIAL DA DÉCADA, e é dividida em três livros: décadas de 70, 80 e 90. Só que cada volume custa em média 60 realitos – um tanto salgado para meus parcos recursos. Quem sabe outra pessoa querida me presenteie com essa antologia, né mesmo?

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

PAÍNHOS NEVER MORE.

A gente se livrou do ACM. Legal. Sobrou o dono do Maranhão que é viciado em presidências, mas esse eu acho que cai com a colaboração de seus cúmplices. Agora, que não venha o PT nos enfiar goela abaixo aquele paínho cearense pra nós paulistas. Urg! Sai fora!

Xô, molestias!!!

Ps: a Pillar a gente aceita.

domingo, 9 de agosto de 2009

"DOSSIÊ RÊ BORDOSA"

É bem legal. Eu assisti o “DOSSIÊ RÊ BORDOSA” no Anima Mundi do ano passado e adorei. Putz, este foi o primeiro documentário-filme-em-animação que vi. É um curta em Stop-motion, feito todo de massinha. De 2008 pra cá, o curta, dirigido por César Cabral, já recebeu mais de 20 premiações, inclusive fora do país. E pra quem não sabe, RÊ BORDOSA é um dos personagens mais junkie que surgiu nos Quadrinhos brasucas dos anos 80. O documentário tenta desvendar se foi “fama”, “ego inflado”, “espírito de porco” - ou qualquer outra merda - que levou o cartunista ANGELI a matar sua popular e mais famosa criação.

Quem assistiu ao clássico “O BANDIDO DA LUZ VERMELA” vai rever aquelas duas vozes em off (de um casal) narrando fato a fato as informações contidas no Dossiê.
O filme traz Grace Gianoukas fazendo a voz da RÊ BORDOSA; Paulo Cesar Peréio, a do BIBELÔ e Laert Sarrumor, BOB CUSPE.
Também estão excelentes as caracterizações dos bonequinhos que representam os cartunistas LAERTE e ANGELI. Ah!, e durante os créditos finais, dá pra gente ver que o boneco de massinha do ANGELI foi dublado por ele mesmo repetindo todos os seus trejeitos.

Pra quem não assistiu, segue abaixo o filme “Dossiê Rê Bordosa” na íntegra.