terça-feira, 30 de junho de 2009

Diretamente de Paraty

- Aqui em Paraty nem sinal do frio de Sampa. Temos sol e um calor moderado que dá pra circular de bermuda numa boa pela cidade. Fiquei sabendo que houve, em fevereiro, uma tremenda tromba d'água que inundou ruas e casas de Paraty. Muita gente teve que recomeçar. Aliás, tão dizendo que essa edição da Flip-2009 é da "esperança". Parece que realmente rolou uma tragédia.
- E a prefeitura deu um jeitinho de afastar os ambulantes do centrinho - estão todos escondidos fora da parte principal da cidade.

- E amanhã, dia 1º, tem show de abertura da Flip-2009. Desta vez é Adriana Calcanhoto quem abre a festança.
- Já tomei cerveja e sorvete no centrinho ainda calmo da cidade. É bom aproveitar porque a partir de amanhã tudo vai ser diferente.

Té mais gente.

POETAS (POPULARES)

Na terça-feira, dia 23, em Olinda, encontrei o Parque do Carmo todo enfeitado pras comemorações do dia de São João. Palcos para a apresentação de diversos grupos musicais havia pra todo o canto - nem preciso dizer que havia vereadores, secretários de cultura e gentes de governo local se promovendo com o evento. Isso é tão normal, tanto lá como cá. Se alguma manifestação popular, por simples que seja, ainda se mantém, às vezes, é bom fechar os olhos pra esses aproveitadores. E esse era o caso.
Eu que já me acostumei com as movimentadas e pluralistas festas do Boi do Querosene, em Sampa, me embasbaquei por ver in loco grupos de coco, cirandeiros, rabequeiros, emboladores; além de quadrilhas juninas pernambucanas (algumas autênticas e outras modernosas) e mamelungos. Boa parte da cidade desceu as ladeiras pra ir pro parque – e acreditem: até alguns EMOs eu vi por lá.

E no meio de tudo aquilo ainda havia espaço pra literatura, onde encontrei dois cronistas do bom, os poetas CHICÃO e MALUNGO que participavam da QUARTAS LITERÁRIAS (apesar de o evento ter rolado na terça). O que me assombra é que além dos convulsivos Marcelino Freire, Miró, Lirinha e Chico “Sais” (como o povo de lá pronuncia Chico “Science”), Recife tem muito mais armas a sacar. Não precisei nem pedir. Bastou eu ligar a câmera para Malungo e Chicão destilarem seus versos pra minha lente (como vocês podem ver abaixo). Ps: prometo falar mais sobre esses dois poetas.






Outra grande surpresa foi conhecer o poeta e garçom Gilmar no Pátio São Pedro, em Recife (e fica aqui a dica: pra comer e beber baratíssimo no centro da cidade procure o bar BURACO DO SARGENTO no Pátio São Pedro). Na verdade, a surpresa (e a emoção) foi para ambos. Depois de um curto bate-papo fiquei sabendo que Gilmar trabalhou 15 anos na extinta churrascaria TROPEIRO da Waldemar Ferreira, na saída da USP. Ele se emocionou ao saber que eu também era amigo do Alexandre, um conhecido garçom que trabalhou muito tempo no também extinto BARUSP.
Quando voltamos pela terceira vez ao Pátio, pra almoçarmos no Buraco do Sargento, Gilmar lamentou termos chegado tarde. É que pouco antes, ele recitou suas “sextilhas” num palco improvisado na frente do bar. Mas não foi preciso muito argumentar como você podem ver abaixo; bastou apenas ligar a câmera.






quarta-feira, 24 de junho de 2009

Feriadão em Pernambuco



Putz! Que doido. Nesta terça e quarta tá tudo fechado aqui em Olinda - e em todo o Pernambuco também - tudo por causa do dia de São João, quer dizer: tudo por causa do FORRÓ. Segundo a gerente da pousada, o povo daqui "comemora de verdade a data" e "dançando Forró adoidado, é claro". Parece que Pernambuco é o único Estado que dedica um feriado a São João (um rapaz de uma central de informações de Olinda disse que houve troca do feriado de Corpus Christi pelo o do São João, coisa que a igreja Católica não gostou nem um pouco).
Acho que hoje, quarta-feira, é dia de descanso pra tanta comemoração. Realmente tá tudo parado. Até os cães-vadios da cidade não tão atrás do rango diário - é a lesera geral causada por tantos dias de Forró lascado nas praças de Olinda.


E por falar de Santo, passamos hoje na igreja da Sé, no ponto mais alto da cidade, e visitamos o túmulo do mais esquerdistas entre os religiosos brasucas, Dom Helder Câmara. Gosto das histórias desse arcebispo. O cara foi banido da mídia durante o período militar pós- 64, era proibido publicar uma linha sequer sobre dom Helder. Ele morreu aos 90 anos sem perder o humor, subindo e descendo as íngrimes ladeiras de Olinda.
Em 1985, estive próximo de dom Helder no auditório Elis Regina, no Anhembi, em Sampa, numa comemoração ao ano Internacional da Juventude, uma papagaida que a Unesco inventou pra não dizerem que a entidade não faz nada de útil.

com dificuldades pra upiludar as fotos nas lan daqui - até os wi-fis são lentos (demora mais de 30 min. pra baixar cinco fotos, com pouca resolução, pro blog). Ficarei devendo.

Ufa! Faz 28 graus de calor hoje. E eu também vou pra rede da pousada pra descansar, pois não sou de ferro, certo?

Téjá gente querida.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Picando a mula pra OLINDA, mas sem perder o rebolado.

Conjunto de fachadas de casarões restaurados no Rio Capibaribe.
Passeando de Catamaram pelo Capibaribe.
Super banda "Karolinas com K"
Chiquinha Gonzaga - irmã do rei do Baião.

E a folia continua. Antes mesmo de picar a mula pra Olinda, vimos o show de CHIQUINHA GONZAGA (aos desavizados, essa Chica Gonzaga é irmã de Gonzagão, o rei Baião). A mulé já passou os 80 mas dá conta do recado e não deixa o Forró desandar. Depois rolou a apresentação de KAROLINA COM K , uma banda de excelentes mulheres instrumentistas (de todas as idades: de 20 a 60 anos). E bem em frente de nosso albergue de Olinda é que vai rolar mais festa Junina, com muito shows, nesta segunda e terça. Ufa!
Mas fico por aqui. Amanhã volto com mais prosa.
Téjá a todos.

sábado, 20 de junho de 2009

Dias de Sol e Forró em Recife (Oh, lê lê!)

Primeiro dia em Recife: chuva, sol e muito Forró. Nem o menor sinal do frio invernoso de Sampa. No Recife Antigo rola muita festa junina e alguns eventos musicais da melhor qualidade. De cara pegamos um Forró Pé-de-Serra quando paramos pra jantar no Fiteiro (um boteco da rua São José). Mais tardinha, assistimos Alessandra Leão e a banda de Samba/Soul paulistana, Curumin - tudo isso no centro de Recife antigo. E mais não digo. Só deixo algumas fotos pra ilustrar a viagem. Téjá a todos.

Recife Velho e seus casarões.
Eu, num orelhão (ops, "sombrinhão").
Rua São José se preparando pras festas de São João.
Da janela do quarto do hotel - uma bela vista da Praia de Boa Viagem.
Forró lascado no FITEIRO, restaurante no Recife antigo.
Alessandra Leão foi outra atração.
O público da primeira noite de Forró na praça do Arsenal no Recife Velho - alguns ex-integrantes do "Mestre Ambrósio" estavam por lá.
No hotel ultra-chique "Beach Class" na praia de Boa Viagem - ê vidão!

quinta-feira, 18 de junho de 2009

De Sampa pro Recife.


Andei ausente por aqui, mas trago boas novas: tô indo nesta sexta, dia 19, pro RECIFE – OLINDA- PORTO DE GALINHA (e se der tempinho, quero dançar ciranda com LIA que mora na ilha de ITAMARACÁ). E que beleza! Quero postar fotos diariamente desses lugares. Volto dia 28 a Sampa, mas dia 30 vou pra PARATY, pra participar da FLIP 2009.
No dia 29 quero estar na Mercearia São Pedro, na Vila Madá, pro lançamento de PORNOPOPÉIA, uma epopéia pornô; livro do REINALDO MORAES que estou devorando cada página – só pra se ter uma idéia: o livro fala de racismo, vaidade, mesquinhez e crueldade emocional. O personagem principal, que se chama ZECA, é um sujeito que só pensa em sexo, bebidas e drogas. Segundo o autor, ZECA é um “homem cafajeste, sexista, machista, politicamente incorreto” (quando eu acabar a leitura deixarei comentários aqui).

É isso aí. Bora-embora e Téjá a todos.
Ps: ah! também vou tuitar algumas mensagens no @zecalembaum

sábado, 6 de junho de 2009

PAULISTEANDO-SE

Foto: Zequinha imagens

Pra melhorar o ardor, pra trazer mais frescor e lirismo a este blog, deixo aqui dois poemas do meu amigo carioca, Chacal - ele que se paulistanea arrebatado por uma nativa.


"alguma coisa acontece no meu coração
quando chego do rio e desço na consolação
e ali na esquina da paulista com a rua augusta

o relógio marca dez graus às vinte e duas horas

e desço tremendo de felicidade em direção ao centro

vou estar nos braços de quem me aquece por dentro

aqui onde vivo os mistérios dessa superpopulação

que tem acolhido do frio esse funâmbulo cidadão

aprendo a chamar esse sítio de minha cidadela

quando eu desço a augusta e vou me encontrar com ela"

_

"um momento
pronto. passou.

outro momento.
pronto. passou.

mais um momento.
de novo. passou.

pra que tanto momento
se você não me sai do pensamento."

domingo, 31 de maio de 2009

CINE MARABÁ


Desses eu tenho certeza: no finalzinho dos anos 70, “ET” e “Star Wars” foram no cine PAISSANDU; “Os Embalos de Sábado à Noite” foi no cine METRO; “Grease”, que por aqui recebeu o bobo nome “Nos Tempos da Brilhantina”, eu vi no cine OLIDO; “Marcelino Pão e Vinho” e um lixo de um filme futurista que jamais esqueci, “Fuga no Século 23”, foram no cine MAJESTIC; o melodrama romântico “Love Story”, com sua trilha pra lá de grudenta, que eu assisti “obrigatoriamente” segurando vela pra minha irmã mais velha, foi lá no cine REPÚBLICA (acho que “Love Story” e “Nove Semanas e Meia de Amor” foram os filmes que mais tempo permaneceram em cartaz em Sampa – pra mais de anos); meu primeiro “Trapalhões” vi com certeza no cine MARROCOS, só não me lembro se foi “Os Trapalhões na Guerra dos Planetas” ou “Os Três Mosqueteiros Trapalhões”; e “A Insustentável Leveza do Ser” que seguramente assisti no cine METRÓPOLIS.

Bueno. Estas minhas reminiscências que botei acima servem pra eu comentar sobre o que ocorreu nesta semana no centro velho daqui de Sampa; a reinauguração do cine MARABÁ, um dos cinemas mais antigos da cidade - de 1945. Lembro que em meados de 2007, alguns resistentes amantes dos cinemas da região, convocaram - via internê – imprensa e cinéfilos para a última sessão de cinema do MARABÁ antes de seu definitivo fechamento. O filme era o “Duro de Matar 4” e eu não fui porque o horário não me permitia. A tristeza se dava pois o MARABÁ era a última, entre as dezenas de salas de cinema que já existiram no centro, a fechar literalmente suas cortinas. Todos temiam o pior: que ela se tornasse, como outras, em templos de Deus.

E desde o início de 2008, quando surgiu o boato de que a sala seria restaurada, aguardamos – na maior torcida - que o MARABÁ e outras antigas salas, como os cines PARIS, NORMANDIE, MARROCOS, ART PALÁCIO, DOM JOSÉ e IPIRANGA, tenham o mesmo destino.
Falo exclusivamente dessas seis pois são elas as únicas com condição de restauro e de revitalização, porque seus projetos arquitetônicos foram tombados pelo conselho do patrimônio histórico estadual.

Só pra vocês terem uma idéia da importância histórica dessas salas, o cine MARROCOS, que foi o cinema mais luxuoso da América Latina, abrigou o 1º FESTIVAL INTENACIONAL DE CINEMA DO BRASIL em 1954, dois anos depois de sua inauguração. Olhem só quem veio pra este festival: Vitorio de Sica, Giulietta Massina, Gina Lollobrigida, Roberto Rossellini, Virginia Mayo, Tony Curtiz, Kim Novak, Igmar Bergmam (estreou seu “Noite de Circo” aqui). Walter Hugo Khouri também lançou seu “Gigante de Pedra” neste festival.

E foi nesta sexta-feira, dia 29, que o arquiteto responsável pela restauração, Ruy Otake, e os diretores da PLAYARTE entregaram, na presença de um público VIP (do qual eu não fazia parte), as 4 salas primeiras salas de cinema do cine MARABÁ, que juntas consumiram mais de R$ 8 mijones na reforma. O barato desse dia foi ouvir das pessoas que passavam em frente ao cinema na avenida Ipiranga (quase na famosa esquina com a avenida São João) suas histórias vividas à época do glamouroso centro paulistano.
Bom. E o que resta agora é torcer para que o cine MARABÁ dê certo e sirva de exemplo.

Vejam alguns documentários com o professor da FAAP, Maximo Barros, especialista no assunto.

http://www.youtube.com/watch?v=S1DDJoX9Rfo&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=eGv4cY7ttSw&feature=related

Abaixo outros cines não tão tradicionais que existiram no centro velho:

Cine REPÚBLICA (na Praça da República). RITZ (Avenida São João), BROADWAY (Avenida São João), OÁSIS (Avenida São João), SANTA HELENA (Praça da Sé), ALHAMBA (Rua Direita), METRO (Avenida São João), JUSSARA (Praça Dom José de Barros), METRÓPOLIS (Praça Dom José Gaspar), PAISSANDU (Largo do Paissandu), OLIDO (Avenida São João - reformado pela Secretaria Municipal da Cultura), SACI (Avenida São João), ÉDEN (Avenida São João), APOLO (Rua Conselheiro Nébias), CORAL (Rua 7 de Abril).


Fotos: Zezim imagens - clique para ampliá-las.






Ooops! Um buraquento contraste.



sexta-feira, 22 de maio de 2009

"SOY LATINO-AMERICANO E NUNCA ME ENGANO"


Comecei a arranhar minha violinha nos anos 80, e como não havia Internet naquela época, o modo mais comum pra saber tocar alguma canção popular era comprar as tais revistinhas cifradas. Cheguei a ter mais de 500 delas, mas outros iniciantes violeiros como eu (todos meus amigos), não se viam obrigados a me devolver as revistas. Por sorte ainda possuo algumas raridades como a da foto acima. Essa, como se pode ver, é de 1977 e traz na capa o mega-instrumentista, compositor e cantor ZÉ RODRIX, que infelizmente morreu ontem aqui em Sampa.
Se perguntar a qualquer um, qual é clássica composição do Zé vão dizer que é “Casa no Campo”, que ficou eternizada na voz da Elis Regina (dizem que essa é a canção mais Peace & Love brasuca ) Também acho sensacional, porém, “Soy Latino-Americano" (que eu também chamava de “Melô do Vagal”) era a que eu mais cantarolava toda vez que ia e voltava do meu trampo nos anos 80. Segue a letra.


“Não acordo muito cêdo/ Mas não fico preocupado/ Muita gente me censura/ E acha que eu estou errado/ Deus ajuda a quem madruga/ Mas dormir não é pecado/ O apressado come crú/ E eu como mais descansado...

Refrão: Soy Latino-Americano/ E nunca me engano/ E nunca me engano/ Soy Latino-americano/ E nunca me engano...

Meu caminho pro trabalho/ É um pouco mais comprido/ Eu vou sempre pela praia/ Que é muito mais divertido/ Chego sempre atrasado/ Mas eu não corro perigo/ Quem devia dar o exemplo/ Chega atrasado comigo
E diz:... Refrão.

É legal voltar prá casa/ Mas eu não volto correndo/ Quem tem pressa de ir embora/ No transporte vai morrendo/ E eu que não me apresso nunca/ Pro meu bar eu vou correndo/ E encontro a minha turma toda/ Sentada na mesa dizendo assim... Refrão.

Quando eu abro a minha porta/ Muita gente está jantando/ Quando eu ponho a minha mesa/ Muita gente está deitando/ Eu me arrumo e vou prá rua/ E na rua vou achando/ Muita gente que trabalha/ Se divertindo e cantando
Assim:... Refrão.”

No palco do Rock da Virada Cultural deste ano, Zé se apresentou com sua banda punk, Joelho de Porco, infelizmente não deu pra ver. No entanto, recentemente participei de um debate-papo, na Casa Mário de Andrade, com ele e com Paulo Cesar Araujo sobre censura na literatura e na música. Saí com impressão de que Zé era um cara hiper ético. Tão ético que ele não aceitou fazer a trilha de um peça teatral sobre Jim Morrison porque iria rolar grana via Lei Rouanet – Zé tinha opinião contrária sobre renúncia fiscal e leis de incentivo: dizia ele não acreditar que o “dinheiro de TODOS deva servir para patrocinar a aventura pessoal de ALGUNS”. (tenho o áudio desse encontro gravado no meu MP3, mas não sei disponibilizá-lo na internê – alguém pode me dar uma dica?)

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Raridades com Sérgio Sampaio

Abaixo, Sérgio Sampaio muito louco cantando um trecho de "Eu Quero É Botar..." no histórico show PHONO 73 no Anhembi, em Sampa, em 1973 (reparem na figura histriônica que dança entre a platéia)



"Tem Que Acontecer" com o autor Sérgio Sampaio



Zeca Baleiro cantando "Tem Que Acontecer" de Sérgio Sampaio



Clipe de "Quero Ir" – música de Sérgio Sampaio e Raul Seixas



Clipe de "Filme de Terror"

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Eu Quero Botar "Qualquer" Bloco na Rua

Eu tava a fim de escrever um texto bem bacana pra lembrar os 15 anos da morte de SÉRGIO SAMPAIO que é hoje, dia 15 de Maio. Tinha vontade de falar que, quando eu era criança, uma música muito diferente de tudo que rolava – que eu não sabia se era Samba, Rock ou MPB – me chamava a atenção. A voz do interprete parecia angustiada, carregada de uma fúria pessimista. Ele dizia que dormiu de touca, que perdeu a boca e que fugiu da briga; dizia que não era de nada, mas que não pedia desculpa. Me agradava aquele jogo de palavras da canção: “eu por mim queria isso e aquilo, um quilo mais daquilo, um grilo menos nisso, é disso que eu preciso, ou não é nada disso”. Achava estranho o refrão e não entendia a metáfora do “eu quero é botar meu bloco na rua”, se a música não era uma marchinha de carnaval. O certo é que o botar o bloco na rua era pra ver tudo mundo no mesmo carnaval sem medo da repressão que, aquela altura do governo Médici, era por demais violenta, que não permitia“brincar”, muito menos “gemer”. Bom. E o certo também é que eu não preciso escrever nada em homenagem ao Sérgio Sampaio; vou surrupiar e colar aqui o texto que o poeta Ademir Assunção postou em seu blog.


QUE MALDIÇÃO É ESSA, MISTER JONES?
Por Ademir Assunção.

Depois de amanhã (dia 15) faz 15 anos que Sérgio Sampaio morreu. Um gênio da música brasileira. Da estirpe de Itamar Assumpção, Luiz Melodia, Raul Seixas, Tim Maia. Músico e poeta sofisticado. Como poucos. Fama de maldito (ô, saco). Só porque se recusava a ser medíocre e vender sua arte e vida a prestações.
Lembro bem: quando eu tinha uns 12 anos, as emissoras de rádio tocavam sem parar “Eu quero é botar meu bloco na rua”. Caramba, aquilo era diferente de tudo. E olha que naqueles anos o rádio tocava coisa boa o tempo todo. Foi o maior sucesso de Sérgio Sampaio. E por isso muita gente diz que ele é compositor de uma só canção. Ignorância pura. Sampaio gravou Bloco na Rua (1973), Tem que Acontecer (1976), Sinceramente (1982) e deixou um outro, que foi lançado recentemente por Zeca Baleiro: Cruel (2006). E alguns compactos, além de Sociedade da Gran Orden Kavernista apresenta Sessão das Dez, com Raul, Miriam Batucada e Edy Star. Gravou poucos discos. Mas todos bons de ponta a ponta. Não tem uma música mais ou menos.

Jotabê Medeiros publicou ontem [terça, dia 12] uma matéria no Caderno 2 do Estadão (link aqui). Ele esteve em Cachoeiro do Itapemirim, cidade natal de Sampaio. E também de Roberto Carlos, que nunca gravou uma única canção de seu conterrâneo.

Na matéria do Jotabê saiu um box, disponível apenas para assinantes do jornal. Jota conta uma história bizarra (ou escabrosa?). Sampaio morreu aos 47 anos. Cirrose. Foi enterrado provisoriamente no cemitério São João Batista, no Rio. Três anos depois, os ossos foram desalojados. João Moraes, seu primo, leu uma nota em um jornal dizendo que se a família não fosse buscá-los, os restos mortais seriam enterrados numa vala comum. O primo foi lá. Aí, não tinha túmulo em Cachoeiro de Itapemirim para enterrá-los. Guardou os ossos do grande Sampaio durante um ano dentro de um guarda-roupas. Até conseguir um túmulo. Que hoje virou local quase mítico para as gerações mais jovens que estão descobrindo sua música.

Muita gente não conhece Sampaio. Meu amigo Fábio Henriques (que saca muito da vida e obra do cara) fez um projeto para marcar os 15 anos de seu desaparecimento e ajudar a recolocar sua música em circulação. Até agora ninguém se interessou.

Tempos caretas. Tempos estranhos. Tristes tempos.

Ouça e veja fotos de Sérgio Sampaio neste vídeo

quarta-feira, 13 de maio de 2009

“Crianças Crescem e os Brinquedos (não) Mudam – Parte II”



Tive um fim de semana pra amante do cinema de ação nenhum botar defeito. É que fui ao cinema assistir aos blockbusters “X-Men: Origens” e “Star Trek: O Futuro Começou” – e agora tô precisando de um Lexotan porque foi muita luta, muita ação com câmera acelerada, zoons, cortes secos, tudo em alta velocidade pra deixar qualquer um atordoado - levarei alguns dias pra me recuperar. É que sou daqueles que acham que a ação física de um filme convence quando o espectador pode ver claramente os atores se movendo e quando há combates com cortes rápidos não temos a percepção das coisas, como é o caso das lutas que envolvem os personagens mutantes de X-Men.

Bueno. Mas muito além dessas questões técnicas, o legal mesmo foi partilhar essas sessões com uma platéia com idade mínima pra lá dos trinta anos. No “Star Trek: O Futuro Começou” estava uma enorme turma de Strekkies (como são chamados os fãs da série), todos devidamente paramentados para a aguardada estréia do novo episódio da histórica série – e acho que o grupo todo aprovou o que viu, tanto que houve alegre sessão de fotos com os membros após a exibição do filme. Até eu que não sou tão entusiasta da série gostei: achei bacana os roteiristas terem acabado com aquele Spock assexuado que estávamos acostumados a ver na tevê (neste novo episódio, Spock troca beijos ardorosos com a belíssima 1ª Tenente, Uhura), e por falar nisso, pra lá da metade do filme, eis que surge Leonard Nimoy, o mais conhecido vulcano que agora não esconde mais a cara de vovozinho com seus 78 anos. Curiosidade: Star Trek (ou “Jornada nas Estrelas” pra nós) em Portugal se chama “O Caminho das Estrelas”.

No “X-Men: Origens” os roteiristas, produtores e, principalmente, os marqueteiros, optaram por explorar os dotes físicos do ator “corintiano” Hugh Jackman para atrair o público feminino pro filme – vejam que não há um único banner, em jornais e revistas, sem que apareça o personagem Wolverine desfilando seu peitoral malhado e seus braços musculosos; apesar de muito rápidas e distantes, há cenas com nudez total do ator no filme.

E eu nem preciso dizer que tanto Star Trek quanto X-Man – que juntos ocupam mais de 60 salas de exibição só aqui em Sampa – já faturaram fábulas nessas primeiras semanas de exibição.
E em detrimento de nosso belo, bravo e resiste cinema nacional, esses blockbusters de ação terão VIDA LONGA E PRÓSPERA por aqui.

Seguem algumas fotos que registrei dos simpáticos Strekkies após sessão no cine Bristol da Av. Paulista.


terça-feira, 5 de maio de 2009

VIRADA CULTURAL 2009

A Virada Cultural 2009 começou pra mim no palco do Rock; apesar de não ser roqueiro, quis rever a histórica banda TUTTI FRUTTI tocando todas as faixas do disco “Fruto Proibido” – à frente da banda está Luiz Carlini, compositor das clássicas “Agora Só Falta Você”, “Fruto Proibido” e “Jardins da Babilônia” junto com a tia Rita Lee – além de guitarrista lendário do rock brasuca, Carlini é meu vizinho – segue um link pra quem quiser ver fotos antigas de Carlini http://luizcarlinifotos.spaces.live.com/

Clique nas imagens para ampliá-las.


No caminho, entre um palco e outro, encontrei um artista plástico envolto em sua própria criação.
Como das outras vezes também rolou a “Furada” cultural – explico: a programação do Teatro Municipal é relevante e de boa qualidade, mas ficar mais de 2 horas pra “tentar” descolar um ingresso para apenas um dos eventos não compensa – nesse tempo dá pra você ver outras atrações em vez de amargar uma fila que contorna todo o teatro.





Alguns ensaios fotográficos que fiz enquanto passeava pelas ruas do Centro.






Turma legal que conheci nesta Virada.

Uma bela equilibrista corta o céu se contorcendo sobre uma corda bamba entre o prédio do Banespinha e o Shopping Light.

Um outro artista – o cara fez sua mochila reciclando galão de água mineral de 20 litros.


Wilson Danilo Show – este é nome artístico do figuraça que apresentou as atrações do palco Brega no Largo do Arouche – o conhecemos na Virada de 2007: o homem tem uma voz poderosa e um estilo hiperbólico (distribuindo superlativos do fundo de algum baú para todos os artistas); Wilson que não existe mais – ou talvez seja o último da espécie – quem viu, viu.

Nem Pop, nem Rock, muito menos MPB – o que eu queria mesmo presenciar eram meus ídolos de infância – aqui me emocionei ao ouvir a clássica “NÃO SE VÁ” pela dupla romântica “Jane & Herondy” – Curiosidade: Jane é cantora jazzística da melhor qualidade, mas sobrevive artisticamente dos dividendos da fama da dupla.





Depois da dupla ultra-romântica foi a vez de Silvio Brito – quando criança eu adorava cantar “Tá todo mundo louco, ôba...” e “Pare o mundo que eu quero descer” – se ele não falasse tanto, seu show teria sido muito bom (o cantor tá católico demais pro meu gosto – foi um final quase gospel)



Meu maior ídolo pop brasileiro, Odair José sobe ao palco do Largo do Arouche, no Domingo, para o deleite da imensa platéia que o aguardava desde manhazinha. Fica aqui uma ameaça: qualquer dia remonto a banda (com o Andrés, a Regininha e eu) pra gente tocar, dessa vez, TODO o repertório de Odair José.

Zeca Baleiro (que acabara de se apresentar no palco da Av. S. João) entre o público de Odair José.


Aqui, Odair José convida Zeca Baleiro pra cantarem juntos a clássica “Eu, Você e a Praça”

Por fim. Quando dávamos por encerrado a Virada 2009, ao passarmos no Companhia e Leitura, pra tomarmos um café, é que terminamos realmente a maratona cultural com um grand finale: nessa livraria-café, da Av. Vieira de Carvalho, presenciamos o show de lançamento do disco “PERÓN É FESTA”, da estonteante, envolvente (e marqueteira) drag-queen RENATA PERÓN – a estrelíssima artista canta de verdade, não é playback. Dia 9 de Maio queremos vê-la cantando todo seu repertório no Café Vermont – Renata tem blog : http://renataperon2.blogspot.com/