quarta-feira, 22 de abril de 2009

Leituras de Viagem

Em vez de o Inferno, esse Dante desejava o Purgatório, só assim ele reencontraria seu primeiro e único amor Beatriz, que já estava por lá a sua espera. É somente assim, pra não comprometer o final da história, que posso resumir do livro PURGATÓRIO: A VERDADEIRA HISTÓRIA DE DANTE E BEATRIZ (editora Planeta – 2007) que li durante minha viagem de ônibus - numa pseudo “classe executiva” da viação Cometa - de ida e volta entre Sampa e Beagá. Essa é uma louca história “fantástica” escrita por Mário Prata, que mistura espíritos que se comunicam com os vivos através de outlook, e-mail e messenger; ex-jogadora de Vôlei que virou dona de casa; sogra alcoólatra e ninfomaníaca; uma gostosona esperta que é esposa do chefe; um homossexual vidente, tudo isso numa trama maluca que serve como bom entretenimento durante viagens ou em ocasiões parecidas.
Agora. O legal dessa história – e que eu não sabia – é que antes de se tornar livro, ela virou peça dirigida por Roberto Lage em 1984, e bem depois, em 2006, Prata adaptou e contemporaneizou o texto que foi publicado em “folhetim” – em 40 capítulos – em sua coluna no Caderno 2, do Estadão.
Para quem não sabe, folhetim é o formato clássico em que grandes escritores (Machado de Assis, Lima Barreto, Charles Dickens, Gustave Flaubert, Émille Zola entre outros) lançaram seus melhores romances, mas que infelizmente não há mais espaço para ele na grande impressa, devido a um conceito atual de jornalismo prático e moderno, cuja filosofia aplicada não compreende esse formato, distanciando-se por completo do jornalismo literário.

Outro livro que levei pra ler durante a viagem foi BALÉRALÉ de Marcelino Freire, este era o único livro do autor que me faltava, por sorte eu o encontrei num sebo por 10 realitos. São 17 de contos que falam de prostitutas, de travestis, de crianças exploradas sexualmente, tudo é regido por desgraças, horror, melancolia, risos e beleza. Ficção real que se encaixa no sotaque e no ritmo pernambucano de Marcelino (quem já ouviu o autor ler seus textos sabe do que estou falando). Vejam um trecho de “PAPAI DO CÉU”:

“...eu achei engraçado papai chamar mamãe de puta e um dia eu chamei mamãe de puta e mamãe não achou engraçado eu chamar mamãe de puta e eu vi mamãe reclamar com papai e papai reclamou comigo porque eu chamei mamãe de puta mas ele vive chamando mamãe de puta e eu nunca mais chamei mamãe de puta mas já ouvi outra vez papai chamar mamãe de puta aí eu não entendi por que eu não posso chamar mamãe de puta se papai ele chama mamãe de puta e mamãe diz que puta é a mãe dele e eu não sabia que a mãe de papai era puta mas eu não quis chamar vovó de puta porque eu logo pensei que ela ia reclamar com mamãe que eu chamei ela de puta porque só mamãe pode chamar vovó de puta um dia eu quero ter uma irmãzinha só para poder chamar ela de puta...”

É em BALÉRALÉ que está o conto Homo Erectus que virou animação na mão de Rodrigo Burdman – com narração do mito Paulo Cesar Peréio – que você poder ver no vídeo que segue abaixo.
Ah, o livro traz na capa a foto de duas múmias que foram encontradas num pântano abraçadas - elas são chamadas de “Os Homens de Weerdinge” - e há quem garanta que esse é “o casal gay mais antigo da Holanda”


quinta-feira, 16 de abril de 2009

"I Want to go back to Bahia"

Meu amigo paulista Luciano Cenci tá quase soteropolitanizado; diz ele que a Bahia já lhe deu régua e compasso e que o molho das baianas já melhorou seu prato, tanto que tentou voltar pra Sampauluição, mas se escafedeu rapidinho à terra de Caymmi. Certa feita, eu, ele e Artur Ribeiro (esse sim, um baiano legítimo) - todos manguaçados – compusemos uma canção que ficou muito legal na interpretação do Artur (camaradas: se vocês se lembrarem da letra - e da melodia – mandem pra mim, ok!).
Bueno. Transcrevo abaixo um mini-conto “inédito” que o Luciano gerou quando amargava uma desagradável fila de atendimento de um posto de saúde.


PINGO NA LONA
Por Luciano Cenci

Uma noite dessa... até que foi gente, tava tudo certo.
E eu que já fui camelô, vendi picolé, de mergulhar peguei até Caramurú – ô bicho feio!
Agora tô aqui de lama até a bunda...
Também foi brabo esse temporal. Êita cacau pesado, que essa lona véia, já cheia de cada bróca, não segurava mesmo! Tanta água de uma vez que eu não sei se nem Iansã já viu igual!
Inda bem que quase todo povo já tinha se saído. Quanta criançada. Quem não tinha escapado tá ensopado feito eu aqui. Mas o sacana que pegou o aguacêro no caminho ficou igual a nós aqui nesse inferno, essa lagoa que era o picadeiro...
Esses ficaram molhado num instante, mas tem tempo, tá em suas casa sequinho, vendo televisão, lembrando do espetáculo de hoje – que foi bonito!
Até os bicho tava feliz... é mesmo: espiando assim parece até que a bailarina era linda, o palhaço engraçado...
Borá Pingo! Tá pensando no quê?!! A bezerra já morreu , morreu todo mundo que tinha que ser! Só falta nós aqui embaixo desse barranco! Não vê que tem esse cemitério aí em cima, já na beira do barranco, querendo cair com muro, osso e defunto e tudo na cabeça de nós três?!
_ É bom que se caí já tâmo enterrado e no lugar certo, né, seu Carlo?
_ Cala essa boca, Pingo!! Isso é hora...?
_ É isso mesmo, seu porra! Faz como Nêgobom: trabalha e fica quieto! Pára de falar merda e acelera nesse balde aí, que esse barranco pode cair mesmo. Não vê que a chuva ainda nem parou! Olha o mastro entortando...
_ Seu Carlo! Da última vez que pegâmo aquele toró em Madrededeus fui eu que fiquei a semana toda limpando a lama sozinho e com fome... senhor não vai fazer isso de novo não, né?
_ Cala essa boca, pingo!! Cê queria que eu matasse os animais de fome?
_ É mesmo. O senhor trata bem dos animal...
_ Que cê tá se rindo de canto aí, Nêgobom?!
_ Seu Carlo! Será que tem algum palhaço enterrado aí nesse cemitério?

_ Deve de ter é um atirador de faca pra cair aqui na gente e cortá logo essa sua língua, seu desgraça!!
_ Podia ter um mágico pra ajudá nóis nessa vida...!
_ Agora você também, Nêgobom??
_ Trabalha seus pôrra! Ou vão ficar aqui a noite toda falando mulequêra e olhando a garôa pelos buraco da lona...!
_ Agora já tem até umas estrela pra vê, né Seu Carlo?
_ Cala essa boca, miséra!!!

terça-feira, 14 de abril de 2009

Uma "Paixão (do povo e) de Cristo" - Ouro Preto -2009

Acho que já fui mais de 7 vezes a Ouro Preto, em Minas Gerais: pra fazer turismo, pra acompanhar amigos, pra ver a famosa “Festa do 12”, pra ver o “Festival de Inverno” e pra rever uma garota muito interessante - já passei até Natal e réveillon na cidade. Só faltava ir pra lá para presenciar o badalado carnaval de rua e as procissões da Semana Santa. Bom, como os amigos ficaram sabendo, estive em Minas neste feriadão e pude ver ao vivo uma das festas religiosas brasileiras mais tradicionais, pra não dizer a mais antiga que se tem registro; a confecção dos tapetes de flores e serragem que enfeitam as ladeiras de Ouro Preto para a procissão do Cristo Ressuscitado, no domingo de Aleluia, começou em 1737. Vão aqui algumas fotos que registrei. (clique nas imagens para ampliá-las)

Ps: enfim um post que minha mãe vai gostar.

Procissão noturna do Cristo tirado da cruz na sexta-feira da Paixão.
Um passeio de trem entre Ouro Preto e Mariana (na foto tô eu tomando café num vagão restaurado pela Vale do Rio Doce)
No sábado, moradores e turistas passaram a noite e toda a madrugada confeccionando os tapetes (eu fiquei até às 4h bebendo umas pigas e registrando tudo - estava garoando)
Procissão das dezenas de irmandades sobre o tapete coloridos na manhã de domingo de Páscoa, ou de Aleluia

"Web-Xarope"


Putz! Acabou o feriadão da Semana Santa e já estou de volta a Sampax – depois, em outro post, coloco aqui algumas imagens que registrei das procissões nas ladeiras paralepepidadas de Ouro Preto. Quero, antes, reproduzir um texto de Carlos Castelo (jornalista, compositor das clássicas do Língua de Trapo, “Concheta” e “Xingu Disco", en la comparcita con Laert Sarrumor) sobre uma discussão de um casal depois de assistir ao filme VICK CRISTINA BARCELONA, de Woody Allen (que ainda está em cartaz por aqui no HSBC/Belas Artes).



VICK CRITINA BARCELONA (Katita e Ruriá)

SAÍDA DO CINE LUMIÈRE - EXTERIOR - NOITE

Katita e Ruriá - ele webdesigner, ela atriz - saem da última sessão de “Vicky Cristina Barcelona” e se dirigem a pé pela calçada até um pé-pra-fora do Itaim.

Discutem sobre o filme que acabaram de ver.

KATITA

- Que tal? Curtiu?

RURIÁ

- Médio.

KATITA

- Médio, é? Por que?

RURIÁ

- Sei lá, achei o filme mais offline do Woody Allen até hoje.

KATITA

- Offline? Por que?

RURIÁ

(cofiando o microcavanhaque)

- Por “n” motivos. A escolha do personagem central, por exemplo, o Juan Antônio. Quer coisa mais offline do que enfocar a vida de um pintor catalão. Em pleno 2009? Numa época onde elegem um presidente negro no país mais poderoso do mundo usando o messenger?

KATITA

- Me explica melhor isso, Ru. Dá um exemplo menos online, por favor…

RURiÁ

- Quer coisa mais offline do que uma tela de pintura? Uma tela não abre pra nada, é fechada em si. É o oposto do que a Grande Rede propõe. O filme só fica nas pinceladas, nas exposições em galerias, no meio físico. Isso é OLD SCHOOL!

KATITA

- Ué, mas ele ia enfocar em quem mais? Num engenheiro de TI? Será que dava caldo? Um cara desses conseguiria comer aquela mulherada toda, fazer elas praticarem suicídio por causa dele? Enquanto ele usasse um calculadora HP? Sei não, Ru, acho que não daria liga.

Ruriá faz uma cara entendiada. E, depois de alguns momentos de silêncio, responde ao comentário da companheira.

RURIÁ

- Olha, cada um tem o seu ponto-de-vista sobre uma história. É a web-democracia, meu bem. A minha visão é a de que o filme é off pra cacete. E, de mais a mais, a trama não dialoga com as redes sociais. Elas não podem cooperar, comentar, interagir. Em resumo, pra mim o Woody Allen não faz filmes pra Geração Y e nem conversa com a Web 2.0.

BAR PÉ SUJO - INTERIOR - NOITE

Garçom idoso coloca uma garrafa de Serramalte e dois copos americanos na frente do casal.

KATITA

- Mas por que o Woody Allen deveria estar preocupado em criar para Geração Y ou para a Web 2.0? Meu, o cara passa metade do tempo com a Penélope Cruz e a outra com a Scarlett Johansson…

Ruriá bebe um longo gole da cerveja, dá uma babadinha e usa o guardanapo para limpar o canto da boca.

RURIÁ

- Melhor pra ele, mas seria mais coerente com o tempo em que estamos. Sem contar que aqueles diálogos que ele põe na boca dos personagens...

KATITA

- Geniais!

RURIÁ

- Prolixos! Cada fala daquela não cabe em três vídeos do Youtube. O cara simplesmente desconhece web-semântica!

Kakita se irrita, pede outra cerveja. O velho garçom traz. Ela quase toma a garrafa da mão dele. Coloca no copo, sobe espuma, mas ela bebe assim mesmo, num gole nervoso.

KATITA

- Então tá, senhor sabe-tudo. Como é que você contaria a complexa história daquelas mulheres e daquele pintor catalão de uma maneira virtualmente correta?

Ruriá lança-lhe um olhar frio. E responde com grande segurança e superioridade.

RURIÁ

- Eu faria um game.

FIM

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Uai, Uai!!


AVISO (em verso):

TÔ INDO PRAS MINAS
BEIJO NO UMBIGO
VOLTO NO DOMINGO

quarta-feira, 8 de abril de 2009

TERREMOTOS

Pra quem não sabe, a cidade italiana Áquila, que foi severamente afetada por terremoto nesta segunda e terça, serviu de inspiração para dois filmes que gosto muito. O primeiro se chama “O FEITIÇO DE ÁQUILA”, um longa metragem que conta a história de um casal de amantes que enfrenta, em plena idade média, um poderoso bispo que é o responsável por uma maldição que impede que o amor entre os dois se realize - no filme estão a bela Michelle Pfaiffer, Rutger Hauer e o estreante Mathew Broderick. O outro é o clássico “O NOME DA ROSA”; num monastério beneditino italiano (que na verdade é um castelo em Áquila) ocorrem mortes estranhas durante a baixa idade média. As vítimas aparecem sempre com os dedos e a língua roxos até a chegada de um monge franciscano (Sean Connery), incumbido de investigar os casos, que irá mostrar o verdadeiro motivo dos crimes, resultando na instalação do tribunal da santa inquisição – o filme se baseia no livro “O Nome da Rosa” de Humberto Eco.



E no dia 22 de abril de 2008 Sampa também foi abalada por um terremoto que atingiu 5,2 graus da escala Richter, e à época eu escrevi um texto que republico abaixo

TREMOR EM SAMPA: “SUPERNATURAL”
Por Zeca (23/04/08)

Poucos amigos souberam que há dois meses tive minha primeira falha na Matrix. A condição da cozinha aqui de casa era vexamosa e eu precisava desobstruir de qualquer maneira a pilha de louça suja que me impedia de ver a torneira, o azulejo e o mármore da pia; se esse cômodo não fosse na entrada do apê talvez eu não me importasse, mas vá se me aparece uma visita inesperada... Exatamente no momento em que, velozmente, me agachei pra pegar o talher que despencara da pia foi que senti uma tontura estranha; a cabeça girou e eu fechei os olhos, permanecendo-me estático e ajoelhado. O susto durou aproximadamente cinco segundos, o suficiente pra me fazer procurar um Otorrinolaringologista que pudesse detectar essa falha.

Pois passado esse tempo, estava eu no computador, nesta terça-feira, pouco depois das nove da noite, vendo o clipe e tentando entender a letra de SUPERNATURAL SEPERSERIOUS do novo disco do R.E.M. quando tive a segunda falha na Matrix. Só que, como eu estava sentando, o epicentro da tontura estranhamente se localizou na bunda, emitindo ondas pelo resto do corpo, que durou menos de três segundos dessa vez. Levantei-me da cadeira de imediato e um pouco assustado. Caralho! Vou ter que procurar um Otorrino, mesmo, exclamei.

Meia hora depois, minha irmã me liga: “E aí mano, sentiu também?” "O quê, cara-palida?" “O tremor!”. Caspito! E não é que teve um terremoto em Sampa, mesmo. Rapindinho vou para os portais da Falha e do Estadão e eles confirmam o evento com poucos detalhes, somente relatos de pessoas que moram em andares altos e que se assustaram (e eu que moro no décimo?) . Mais tarde, num telejornal, fico sabendo que houve um tremor no mar a duzentos e tantos quilômetros de São Vicente (no litoral paulista). Parece que o abalo atingiu 5,2 dois graus na escala Richter e foi sentido em toda região Sudeste, dizem até que foi o mais forte dos últimos cem anos no Brasil.
Bueno. Acho que vou retardar a visita ao Otorrino.

terça-feira, 31 de março de 2009

ERA UM DOMINGÃO



Neste domingo acordei com dor, mais dor do que eu merecia: mal movimentava o pescoço por causa de um torcicolo (ou torcicólogo, como dizia dona Cacilda, a vizinha) – até um pequeno movimento de sobrancelha doía tudo. Acabei com o que sobrara de Gelol no frasco e nada; esse tipo de medicamento só deixa uma sensação de frescor no local, mas remover a dor necas (o incomodo continuou assim como os cheiros de cânfora e mentol que a gente não consegue se livrar nem com água e sabão). Dizem que pode ser uma lesão que causou o enrijecimento dos músculos do pescoço, fazendo com que os movimentos da minha cabeça se tornassem dolorosos e limitados.

O jeito seria cancelar a programação do domingo e ficar quietinho, em módulo descanso. Sem problema. Ficar em casa também é legal: dá pra continuar as leituras dos livros que estão em pausa, ou ler a Falha inteirinha, de cabo a rabo. E de mais a mais a geladeira tava abastecida de latinhas de cerveja gelada pra sorver à tarde na hora do jogo da seleção brasileira, e se não fosse a dor no pescoço diria eu que tudo tava numa boa.

Mas sou lembrado de que a minha Lusa (a Portuguesa de Desportos, o segundo time de todo paulistano) teria mais outro confronto decisivo naquela tarde no estádio do Canindé contra o Marília (a Lusinha tem disputado ponto a ponto com o Santos pra se garantir no G4, para assim participar das finais com os porcos, os pó-de-arroz e os manos do Curintia). E quer saber? Mesmo todo travado, com dor no pescoço, partimos pro Canindé. Cá pra nós, a situação da Luzinha me empolga muito mais do que uma atuação da seleção do Dunga nessa fase das eliminatórias da Copa de 2010. E de certo foi a melhor coisa que fizemos.

Foram três tentos legítimos em cima do Marília (time do coração de um dos melhores locutores esportivos, Osmar Santos) e um pênalti marcado (e convertido pela Lusa) que só o arbitro da partida viu (eu que tava do outro lado do campo vi que o nosso artilheiro Edno se jogou no chão - não por dissimulação, ele fez isso senão se chocaria com a trave). Bueno. Eu tô sentindo que podemos ir adiante nesse “Paulistinha” com o nosso trio – Edno, Christian e Athirson – e mais a valorosa ajudinha dos juízes (na quarta passada, contra o Mirassol, Fabrício Carvalho, que já é reincidente, utilizou a mão pra fazer um gol e o juiz engoliu).

Putz, com torcicolo não é nada confortável vibrar por um gol de seu time, no entanto valeu a pena - e valeu muito mais do que eu pensava. É que depois da partida, no caminho até a estação Armênia do Metrô descobrimos a FEIRA KANTUTA, que aos domingos reúne quase dois mil hermanos bolivianos numa praça do bairro do Pari. A sensação é a de que estávamos caminhando pelas ruas de Cochabamba ou de La Paz – ali, a gente se sente estrangeiro, hablando nosso portunhol bem selvagem.

Algumas barracas ofereciam o Anticucho, espetinho de coração de boi acompanhado de batata e molho de amendoim, outras vendiam Empanadas e Salteñas. O forte da feira é também o artesanato: muita malha de lã de lhama, tapeçarias, flautas Pãs, pinturas em argila e em moringa (incomodado ainda com as dores no pescoço eu não me aventurei na gastronomia boliviana e nem fiquei muito tempo no local – mas ficou a vontade danada de voltar e de degustar tudo).

A Feira Kantuta começou há quinze anos e funcionou de forma irregular até 2001, quando a dona Marta a regularizou, depois de muita mobilização dos participantes e organizadores. No banner que vi perdurado num poste da praça estava escrito que ali era um lugar “de encontro e de diversão” de nosotros hermanitos, mas nos olhos levemente puxados daquelas pessoas de pele morena e cabelos escuros e brilhantes havia cansaço e certa tristeza: antes, eles eram considerados traficantes internacionais de drogas, hoje são escravos nas confecções da máfia coreana no Bom Retiro.

Quanto ao GRANDE jogo da seleção do Dunga que perdemos... sem comentários.

SERVIÇO:
Feira Kantuta (flor típica do Altiplano): todos os domingos, das 11h às 19h, na praça Kantuta - altura do no 625 da rua Pedro Vicente, bairro do Pari, em Sampa.




VERBO TEMPO

Piratas do Tietê - Laert

(clique na imagem para ampliá-la)

terça-feira, 24 de março de 2009

Banda Eddie



Que me perdoe minha querida madrecita, dona Conceição: ela que é muito Católica vai sugerir àquele arcebispo a minha excomunhão quando souber que pretendo cair de boca numa feijoada na semana santa deste ano; é porque estarei torcendo pro glorioso rubro-negro SPORT de Recife contra o parmera do Luxa na quarta-feira, dia 8, por isso tô me lixando pra essa festividade cristã, eu quero mais é ver a porcada em prantos, praticamente sem nenhum mísero ponto nesta fase de grupos da Libertadores, He he he!

Bueno. Aproveitando que estou falando do Sport de Recife, eu quero dar a dica de outra minha descoberta musical pernambucana. Já falei aqui de Lirinha do Cordel do Fogo Encantado, da doce Lulina, de Zeca Viana, agora é a vez da BANDA EDDIE que está com disco novo, CARNAVAL NO INFERNO, repleto de “melancolias dançantes”; são onze faixas que mistura Reggae, Frevo, Samba, Rock e “uma boa dose de tristeza”, segundo os caras da banda.
Curiosidade: Fábio Trummer, vocalista da banda, é o autor da clássica "Quando a Maré Encher", gravada pela Nação Zumbi e por Cássia Eller.

Recomendo uma visitinha no Myspace da banda pra ouvir “Danada”, “É De fazer Chorar”, Desequílbrio, “Bairro Nova Casa Caiada” e “Dessa Vez Foi Demais” - Clique aqui.
Vejam abaixo o clip do frevo "É de Fazer Chorar" (ah! ganha um doce quem souber em que FranzCafé aqui de Sampa a banda entrou cantando)



Show: a banda vai tocar no Studio SP no dia 4 de abril, sábado, às 23h, na rua Augusta, 591 - R$ 25,00 a entrada.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Cadê as Nossas "Enchentes"?



As chuvas de ontem me fizeram lembrar (e cantar) “É Tanta Água”, canção que Itamar Assumpção compôs e gravou ao lado de Tom Zé, e que faz parte do sensacional Bicho de 7 Cabeças - Volume I (clique aqui pra ver a letra e baixar a música no seu celular).

Bueno. O que eu queria mesmo é recomendar a leitura do texto, EUFEMISMO PLUVIOMÉTRICO, que meu amigo Mauricião publicou, há pouco tempo, em seu blog Aqui e Acolá. É interessante e oportuno.

Eufemismo Pluviométrico
Por Maurício Barbara

A cidade de São Paulo mergulhou na onda do eufemismo pluviométrico, um amigo me alertou que a alcunha de "enchentes" foi substituída por "pontos de alagamento". Caso um rio transborde, diversas ruas fiquem alagadas, casas sejam invadidas pela força das águas, então voilá!, temos um novo "ponto de alagamento". Já a imprensa tupiniquim resolveu simplificar e adotou o lema: excesso de chuvas!, nada de discussões sobre o crescimento desordenado das cidades, a ocupação irregular de encostas, desmatamentos, redução da área de absorção das chuvas, a mudança do leito dos rios e sua artificial aceleração, a mudança do microclima das cidades por conta do adensamento caótico, pois agora temos, voilá! - excesso de chuvas!.

sexta-feira, 13 de março de 2009

OBAMANIA




Este poster apareceu nas estantes lá da Mercearia São Pedro, da Vila Madá, mas ninguém sabe quem fez - e dizem que camisetas estão a caminho.
(clique em Mercearia e descubra de quem é o rosto do poster)
[fonte:blog do terron]

quinta-feira, 12 de março de 2009

Leitura pra se encarar

Minhas leituras últimas, de certa forma, se deram tranqüilas: um Zola aqui, um Saramago acolá, sem esquecer os livros de Clarice, de Mirisola, de Sergio Cohn, de João Máximo, vários de Marcelino Freire, de Bukowsk e Kerouac. Tudo na maciota (como se diz lá na grande RP). Mas eis que me caem nas mãos duas bombas: “O AMOR NÃO TEM BONS SENTIMENTOS” de Raimundo Carrero e “O MANUAL DO PODÓLATRA AMADOR: AVENTURAS DE UM TARADO POR PÉS” de Glauco Mattoso.
Assim como há a recomendação de um especialista, com a obrigação da apresentação da receita para adquirirmos determinados medicamentos, deveria haver também essa consulta prévia, com liberação prescrita, para a leitura de certos tipos de livros, como é o caso desses dois.
"O AMOR NÃO TEM BONS SENTIMENTOS" (editora Iluminuras – 2007) é um romance sobre a loucura, o personagem Matheus é um músico atormentado por ter um amor obcecado pela mãe e pela irmã que são lindas. Um sujeito imoral que comete incesto com mãe e irmã, chegando a insensatez total – mas é importante dizer que Matheus foi criando pela sua tia Guilhermina, com quem tomava banho pelado todo dia – ah!, e tudo isso se passa num ambiente sertanejo, no mato, às margens de um degradante rio Capibaribe, em Arcassanta. Tenho alguns amigos desatinados que eu jamais recomendaria essa leitura. (apesar de ser recente já é possível encontrar o livro em sebos daqui de Sampa)


"O MANUAL DO PODÓLATRA AMADOR..." (reeditado pela All Books – primeira edição é de 1986) é um romance “quase” autobiográfico profundamente fetichista. Eu juro a vocês que nunca li algo tão sadomasô – nem “A Filosofia na Alcova” e “Os 120 dias de Sodoma” de Sade me impressionaram tanto. Alguém disse que esse livro é a “supervalorização homoerótica dos pés”, nele, o autor narra suas experiências - desde a infância – assumindo suas taras por pés, sapatos, tênis e até por cheiros advindos dessa parte do corpo, o chulé.
A primeira edição de O Manual foi lançada em 1986 no lendário MADAME SATÃ, templo do rock paulistano, e logo Glauco foi acusado de fazer literatura escatológica. Na minha opinião, o “Manual” (que não é de auto-ajuda, apesar do título) é boa literatura, feita por um militante dos seus desejos, um apaixonado por pés de homem (credo!)

quarta-feira, 11 de março de 2009

"Uma peça de Marcelo Paiva"

O cenário é um quiosque no calçadão da orla da praia, vazio, com mesinhas típicas, lixeira, um banco e um radinho que às vezes é aumentado. Renato entra falando no celular, com seu equipamento fotográfico. Desliga e se senta. Sente frio. Espera. Tira discretamente uma bombinha de asma e cheira. Vê um par de sapatos no banco. Estranha. Experimenta-os. Devolve. Aparece Caio, do fundo do palco, de terno, gravata, com a barra da calça levantada, como se viesse da areia. São seus os sapatos. Caio é bem mais formal. É o chefe de Renato.

CAIO
Parado aí!
RENATO
Ô, cara, que susto!
CAIO
Faz tempo que você chegou?
RENATO
Que frio!
CAIO
Vou sentir falta deste lugar. Quer um coco?
RENATO
Coco?
CAIO
Vou tomar um, quer?
RENATO [confuso]
Um o quê?
CAIO
Um coco. Aquele fruto redondo, verde, com água dentro. Quer?
RENATO
Claro. Quer dizer... Podemos pedir algo mais calibrado?
CAIO
Cerveja?
RENATO
Você topa? Legal.

Caio pede duas cervejas no quiosque. Renato usa a bombinha de novo. Caio volta com duas latas. Brindam.

RENATO
Agora sim... Então, qual é a pauta?
CAIO
Sabe que eu te invejo.
RENATO [amigavelmente]
Pensei que chefe não invejasse ninguém.
CAIO
Não sou muito fã de cerveja. Estufa. Prefiro conhaque. Sobe mais rápido.
RENATO
Pra que você me ligou?
CAIO
Mas esta cerveja está boa. Desceu... Será que aparecem aquelas loiras exóticas, como nos comerciais. Quem bebe cerveja parece mais feliz do que quem bebe conhaque, não? Em comercial de conhaque, o cara está sempre só, numa poltrona de couro, lareira, lendo Financial Times. É mais existencialista. Deprê. Melhor o calor do verão. Monte de gostosas. A boa!
RENATO
Com certeza...

Pausa. Renato não está entendendo aquele papo. Olham-se em silêncio por um tempo.

CAIO
Queria te fazer um comunicado. Vou largar tudo. Verdade. Vou embora.
RENATO
Vai o quê?
CAIO
Embora.
RENATO
Pra onde?
CAIO
Sei lá. Pensei em ir pra Amazônia, de bicicleta.
RENATO
Assim, sem mais?
CAIO
Sem mais nem menos. Louco, né? Não sou mais o seu chefe. Sabia?
RENATO
Como não?
CAIO
Estou fora. Fui demitido. Não mando mais.
RENATO
Caralho. Quer dizer... coitado. Puxa, anos dedicado a... Que sacanagem.
Não se contém e ri. De felicidade. Caio ri também.
RENATO
Que notícia boa. A galera vai comemorar.
CAIO
Vai?
RENATO
Está quente esta cerveja!
CAIO
Me detestam tanto assim?
RENATO
Só um pouquinho.
CAIO
Um pouquinho quanto?

Renato faz com os dedos da mão o quanto o detestam. E gargalha aliviado.

CAIO
Tudo bem. Engraçado. Minha vida agora será uma aventura. Quis vir aqui me despedir do Renatão.
RENATO [irônico]
Na noite mais fria do ano?
CAIO
E daí? Eu precisava vir, sabe?
RENATO
Me sinto... honrado.
CAIO [com ódio]
Jura? Que bom. Você merece minhas homenagens.
RENATO
Por que eu?
CAIO
Ainda pergunta? [pausa] Como ela está?
RENATO
Quente.
CAIO
Não a cerveja.
RENATO
Quem?
CAIO
Carla.
RENATO
Carla?
CAIO
É. Carla.
RENATO
Que Carla?
CAIO
Qual Carla?
RENATO
É. Qual?
CAIO
Não se faça de bobo. Carla. Só tem uma.
RENATO
A minha mulher?
CAIO
É. A sua mulher.
RENATO
O que é que tem?
CAIO
Como ela está?
RENATO
Carla?
CAIO
Como ela está?
RENATO
Por que você está perguntando?
CAIO
Como ela está?
RENATO
Já perguntou.
CAIO
E aí? Responde.
RENATO
Qual é, cara, é a minha mulher!? Por que você quer saber?
CAIO
Como você conseguiu?
RENATO
Consegui o quê?
CAIO
Ficar com ela.
RENATO
O que você tem a ver com isso?
CAIO
Ela sabe que estou aqui?
RENATO
Quer parar?! Por que você pergunta dela? O que está acontecendo aqui?! Você teve alguma coisa com ela?
CAIO
“Coisa”?... Você não quer conversar. Que chato isso. Pensei que seria bom pra você desabafar, só estamos nós dois. Vai, conta tudo, fala do seu desespero e sofrimento, dos projetos. Se abre.

E é assim que começa a peça inédita A NOITE MAIS FRIA DO ANO de Marcelo Rubens Paiva, que vai estrear nesta sexta-feira, dia 13/03, às 21h, no SESC Paulista, na av. Paulista, 119 - Mário Bortolotto faz Caio. Alex Grulli, Renato. Ainda tem Hugo Possolo e Paula Cohen no elenco.

A direção é do próprio Marcelo Paiva com a colaboração da Fernanda D'Umbra.
Não percam porque é curtíssima a temporada, dois meses apenas.
Ingressos de 5 a 20 realitos.

quarta-feira, 4 de março de 2009

"Palavra (En) Cantada"



Pois então. O projeto “Palavra (en)Cantada” - que o produtor Marcio Debellian apresentou na Bienal do Livro de 2005 - que pretendia “mergulhar no universo particular de grandes compositores brasileiros, seus livros e autores preferidos, e com a relação que cada um tem com a poesia / literatura em seu processo criativo”, virou documentário premiado e estréia no dia 13 de março aqui em Sampa.

E o resultado é que o filme dirigido por Helena Solberg e pelo próprio Marcio Debellian discute de forma descontraída e leve a relação entre poesia e música, letra e canção por meio de depoimentos de feras como Adriana Calcanhotto, Antonio Cícero, Caetano Veloso, Chico Buarque, Lenine, Maria Bethânia, Tom Zé, entre outros.

Bueno. Mas antes disso, no dia 10, vai rolar uma exibição gratuita no Cine Bombril, às 20 horas, dentro do projeto Folha Documenta, acompanhada de um debate-papo entre os diretores, os escritores Marcelino Freire e Ferréz, e o professor Luiz Tatit.
Para assistir ao trailer é só clicar aqui.
Mais informações aqui.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

"Nossa Língua e um Terraço na Paulista"

Em mesa de bar já discuti muito sobre esse tal “acordo” (forçado) de Unificação da Língua Portuguesa, ouvi argumento de quem é favorável e de quem se diz contrário (de gente séria e informada e de outros nem tanto); e pra ser franco, até este momento, tô pouco preocupado com as mudanças ortográficas, nem vou mais perder tempo com a questão. No meu dia-a-dia, na prática, sei que logo logo, funcionários brasucas do senhor “kid BillGates” vão lançar uma versãozinha do Office com as correções e vai ficar tudo beleza, tudo legal - aliás, eu já instalei no meu PC um Michaelis Escolar 2009 com as alterações devidas.

Sei que depois de 2013 teremos que levar a sério esse acordo, pois ele se se tornará obrigatório; por enquanto até que me divirto com as “brincadeiras” advindas dessas mudanças: moradores da Vila Madalena introduziram novo bloco carnavalesco este ano chamado “Não Trema Na Linguiça”; li numa placa de um salão de beleza a seguinte frase: “Boniteza é tudo porque feiura não se acentua” (louco, né?).

Esses “tecnocratas” que ficam bolando esse tipo coisa (o acordo de unificação ortográfica) deveriam é se preocupar em encontrar uma formula de facilitar o aprendizado de nossa língua, uma nova pedagogia que exigisse menos rigor, e que fosse de fácil compreensão (nossa gramática é cheia de excessos, exceções e complicações que acabam induzindo qualquer um a cometer crimes horrendos contra o idioma – vejam um engraçadíssimo vídeo – clicando aqui - sobre outros crimes cometidos pelo casal Nardoni).

O que me deixa realmente confuso são as mudanças em termos (palavras) de vocabulários específicos: antigamente se dizia “sistema digestivo” e “aparelho reprodutivo", atualmente é “sistema digestório" e “aparelho reprodutório” (a explicação de quem alterou todos esses trens é de que era preciso seguir o mesmo esquema de “sistema circulatório” e “aparelho respiratório” ). Hoje, dia 27/02, ao ler o caderno de Ciência da Falha de São Paulo, descubro que o correto agora é dizer “arqueologista” e não mais “arqueólogo”, pode uma coisa dessa?

Passeando pelas unidades da rede SESC daqui de Sampa descubro mais uma novidade (eu não pretendia rimar a frase): nelas não há mais lanchonetes, restaurantes, bares, botequins, nem cantinas – o que há agora é “Comedoria” (Meno male! Já pensou se fosse “começão" ou "comedouro”, He he!).

E por falar em SESC, acho que são poucas as pessoas que conhecem o terraço do SESC-Paulista, que se localiza na av. Paulista, ao lado do prédio do Itaú Cultural. No 15º andar fica a “Comedoria” e o terraço, lugar onde se tem uma bela visão panorâmica dessa tradicional avenida. Hoje foi a primeira vez que subi no terraço e recomendo a visita. O que se tem pra comer na c... (não vou fazer esse trocadilho infame) é comum as outras unidades (o café Expresso de lá é bom e custa apenas 1,50 realitos). Ah! Instalaram três potentes lunetas para gente observar os mais variados detalhes de nossa cidade (e não é necessário botar nenhuma moedinha nos binóculos como acontece noutros lugares). Clique aqui pra ver uma panorâmica de um minuto e dez segundos que eu fiz no terraço.


Clique na foto para vê-la ampliada (autoria: Zezim imagens)






quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

"CELSO SIM"

A foto é de minha autoria (Sesc-Paulista -2008)


Já dei dicas aqui de gente nova que tá compondo e cantando à beça (tipo: Fabiana Cozza, Lulina, e até a Mallu Magalhães eu já recomendei antes dela se tornar celebridade); mas, de Celso Sim, de quem venho falar agora já fez discos belíssimos, já acompanhou muita gente boa (Jorge Mautner, José Miguel Wisnik, Tom Zé, Jards Macalé, Suzana Salles) e é um dos compositores das trilhas do grupo UzynaUzona, de Zé Celso. Eu o vi pela primeira vez quando fui participar do MATÉRIA PRIMA, programa que o Serginho Groisman fazia na TV Cultura (putz! acho que foi em 1991 ou 92) – Sim cantava lindamente “Pedra Bruta”, música de Mautner.

Então. Celso Sim disponibilizou alguns vídeos gravados em lugares conhecidos de Sampa; como na velha Estação da Luz, no Teatro Oficina, e num apartamento em frente às ruínas do Teatro de Cultura Artística da praça Roosevelt, que se incendiou em agosto de 2008.

As músicas têm belos arranjos de Webester Santos:

Clique aqui pra ver Sim cantando "Negro Amor" (de Bob Dylan – versão de Caetano Veloso e Péricles Cavalcante).

Aqui pra ver "Pra Que Chorar" (versão de Arthur Netroviski para “Ich Grolle Nicht” de Schumann)

E aqui pra ver "Violeta" (de Cacá Machado e Guilherme Wisnik)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

"7 Rapidinhas no Carnaval"

1. Entre os dias 21 e 24 vão passar pela rua central do SESC-Pompéia diversos blocos carnavalescos em diversos horários (clique pra ver a programação www.sescsp.org.br) – folia gratuita destinada a crianças e adultos. Vai ter brincadeira com a colorida Cobra Canina e desfile com tambores – rola também uma oficina “Abre Alas pro Remix”. Serviço: SESC-Pompéia – rua Clélia,

2. Na av. Escola Politécnica, no Butantã, a União das Escolas de Samba Paulistanas (Uesp) promove desfiles de blocos de Carnaval que não participam do Grupo Especial e nem do Grupo de Acesso – o evento é gratuito e vai ser nos dias 22 e 23 – com espaço montado na avenida para um público estimando em 25 mil pessoas - programação no www.uesp.com.br

3. No domingo, dia 22, às 15h, a Companhia São Jorge de Variedades apresenta o espetáculo “O SANTO GUERREIRO E O HERÓI DESAJUSTADO” numa das rampas de acesso ao Minhocão (o elevado Costa e Silva), em frente à estação Marechal Deodoro do Metrô. Informações no 3824-9339 – Livre.

4. Neste sábado e domingo de Carnaval, os atores Carolina Pismel, Felipe Abib e Paulo Virlings encenam – gratuitamente - na Caixa Cultural da praça da Sé a peça “CACHORRO”, texto baseado no universo de Nelson Rodrigues tratando de um triângulo amoroso. O espetáculo não é recomendado pra menores de 14 anos. Informações no 3321-4400.

5. O Grupo TEATRO DA VERTIGEM mostra gratuitamente, também neste sábado e domingo de Carnaval, às 21h, a leitura cênica da peça HISTÓRIA DE AMOR (ÚLTIMOS CAPÍTULOS), de Jean-Luc Lagarce. O teatro fica na rua Treze de Maio, 240, na Bela Vista. – tem que chegar uma hora antes pra tirar o ingresso.

6. Na quinta, dia 26, às 19h, depois da folia tem PALAVRA CANTADA (Sandra Peres e Paulo Tatit) mostrando repertório do disco “CARNAVAL” na FNAC da av. Pedroso de Morais, 858, em Pinheiros - Grátis.

7. E pra quem quer fugir totalmente de qualquer coisa que lembre Carnaval aqui vão algumas programações: tem SAMBA-SOUL ESPORTE CLUBE no SESC-Santana neste sábado, dia 21, às 19h. A banda toca clássicos do Samba-Rock e Soul. Grátis - Informações no 2971-8700. E dias 23 e 24, as bandas “SACO DE RATOS” e “FÁBRICA DE ANIMAIS” vão tocar muito Blues e muito Rock no Teatro X que fica na rua Rui Barbosa, 399 – sempre a partir das 22h. Ingressos por apenas 5 realitos.
Seguem links pra quem não conhece essas bandas.

“Saco de Ratos”
http://www.youtube.com/watch?v=kDrzcZADCoI

“Fábrica de Animais”
http://www.youtube.com/watch?v=5u42Lu2d0Eo

"Uma sexta-feira 13"



E lá fui eu na sexta passada, dia 13, “ver” a BANTANTÃ; disse ver porque eu tava um pouco cansado e me dei por satisfeito. Não dei nenhuma volta com os velhinhos da banda pelas ruas do bairro como sempre faço – eles estavam mais dispostos do que eu (ponho um pouco de culpa na chuva que quase atrapalhou a festa dos 30 anos da Bantantã).

Na verdade eu tava me poupando pra outro compromisso marcado para aquela sexta-feira. E fui. Fui participar pela primeira vez do NOITÃO realizado pelo HSBC-BELAS ARTES; pra quem não sabe, o Belas Artes é uma tradicional sala de cinema localizada na esquina da rua da Consolação com a av. Paulista, e esse NOITÃO é uma maratona de filmes que começa a meia-noite na segunda sexta-feira de cada mês, você paga por um ingresso e assiste a três filmes durante a madrugada – com direito a café da manhã.

Por ser sexta-feira 13, dessa vez o NOITÃO prometia ser de TERROR & HUMOR, com os filmes “ALMA PERDIDA” (um fraco suspense de David Guyer com a belíssima Odette Yustiman), “RUMBA” (uma deliciosa comédia francesa de Dominique Abel, premiada em Canes 2008 – clique pra ver algumas cenas do filme http://www.youtube.com/watch?v=TjFjxYrwtL8 ), “GLÓRIA AO CINEASTA” (um filme ultra-comercial de Takeshi Kitano, que “infelizmente” não vi, pois gosto deveras desse diretor) e o “UM DIA DE RAÍNHA” (de Marion Vernoux com Jane Birkin, que não esta mais tão bela quando nos tempos em que vivia com o mito, Serge Gainsburg).

Bueno. Esse tipo de evento já rola algum tempo aqui em Sampa e eu estava no barato de participar, só que nunca houve como. Desta vez eu fui... e não gostei. Não da proposta, que ainda acho legal, mas do “público” que participava do NOITÃO do Belas Artes. Aquele público, com toda certeza, não era público de cinema: era uma galera “baladeira”, e o evento pra essa gente não passava de mais uma balada. Os filmes “talvez” não importem a eles, e sim o “agito”.
Que louco! Parecia que eu estava no meio de um público adolescente freqüentador de cinema de shopping center: era falação do começo ao fim do filme, risadinhas, meninos recém testosteronizados, agitação constante nas poltronas, enfim, um evento pra lá de aborrescente pra quem que curte a sétima arte.

Fora isso havia outras chateações: devido ao sucesso do NOITÃO, a fila pra comprar os ingressos quase ultrapassava o quarteirão (tem foto e videozinho abaixo sobre isso), e durante os intervalos de uma sessão para outra, funcionários do Belas Artes não conseguiam organizar o fluxo de pessoas que se deslocava para outras salas - sem contar o aperto em filas ridículas.
Quero participar, da próxima vez, da maratona de cinema organizada pelo Espaço Unibanco da rua Augusta e espero que lá tenha gente que goste de cinema.

(fila imensa na frente do HSBC http://www.youtube.com/watch?v=NgvoUSa_ICc )



terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

"BANTANTÃ - 2009" (30 anos de folia)


Êba!!! Este ano a BANTANTÃ completa 30 anos de folia, e nem preciso dizer que eu vou, mesmo que chova canivete (no ano passado com conjuntivite - sofrendo de fotofobia - dei três voltas com a banda).

Pra quem não sabe “A Bantantã - Folia e Festa de Rua, foi fundada em 1979 por funcionários da Universidade de São Paulo e freqüentadores dos bares da Avenida Waldemar Ferreira (entrada da USP), tem como principal característica a garantia da tradição de enaltecer "os velhos carnavais que não voltam mais" O Carnaval da Bantantã festejado nas principais avenidas da região, ganha força e participação a cada ano que passa. Um dos aspectos de sua originalidade é a irreverência e a espontaneidade de seus foliões, moradores da Região do Butantã. Conscientes de que o Carnaval deve ser festejado na rua, como expressão de um povo, o povo brasileiro. E nós do Butantã resistimos neste sentido. Todos os anos, na Sexta-feira antes do Carnaval realizamos nossa festa. Como Banda Popular, é nossa característica buscarmos nos pontos sócio-culturais a dimensão de nossa originalidade. Internalizamos a figura de uma Cobra (no caso um Piriquitambóia) e simbolizamos o Museu Biológico, onde estão cerca de cem animais, 60 espécies, entre sapos, lagartos, cobras e aracnídeos. Advém daí o tradicional grito carnavalesco: ‘Arrastando-se feito cobra pelo chão, na dança dos velhos carnavais’".

Pra participar basta aparecer nesta sexta-feira, dia 13, na av. Waldemar Ferreira, próximo do Rei das Batidas, por volta das 18h. Há mais de 15 anos eu freqüento e nunca vi tumultuo, brigas. Dá pra levar as crianças numa boa. Quem comprar a camiseta da Bantantã, por 10 realitos, terá direito a cinco latinhas de cerveja.

E pra animar seguem alguns vídeos que fiz da folia do ano passado.

parte 1
http://br.youtube.com/watch?v=lWadd4dHGho
parte 2
http://br.youtube.com/watch?v=DQMI4LrWpe0&feature=related
parte 3
http://br.youtube.com/watch?v=u6EuCjqYtZM&feature=related
parte 4
http://br.youtube.com/watch?v=1vDxbDaw5rY&feature=related
parte 5
http://br.youtube.com/watch?v=4XPu1mAbLg8&feature=related

O Crítico e o "Monólogo da Velha Apresentadora"


Putz! De forma alguma levo a sério o que críticos da Falha de S. Paulo escrevem diariamente sobre filmes, shows, teatros, etecétera e tal. Não tenho mais a assinatura do Estadão, mas quando tinha não respeitava seus críticos também. Se eles dizem que tal show ou determinado espetáculo é desprezível não dê atenção, se botam quatro estrelinhas para qualificarem positivamente filme de diretor badalado desconfie.
Acho que, tanto aqui como no resto do mundo, crítico profissional (e "homens-do-tempo") não goza de confiabilidade e respeito. Deve ter um monte de razão para isso acontecer, e não vou, aqui, meter o meu bedelho pra falar desse assunto do qual não domino – porque pra fazer a “crítica da crítica” é necessário um conhecimento mais profundo da atividade e fundamentalmente de Arte.

Bueno. Mesmo com todos esses maus predicados da profissão quero falar bem de Alberto Guzik. Conheci pessoalmente esse cara na Flap 2006, ali no Satyros da Roosevelt. Rolava um debate e ele falava sobre produção de texto teatral e de sua longa carreira de crítico dessa área. O que diferencia Guzik é que ele dá a cara pra bater; nesta quarta-feira, dia 11, ele estréia MONÓLOGO DA VELHA APRESENTADORA no Satyros I. O texto é de Marcelo Mirisola e mostra o desabafo da velha Febe Camacho, que vem do teatro de revista e dos tempos históricos da televisão brasileira - ela está furiosa porque sua empregada foi seqüestrada e exigem dinheiro para liberar a mulher.

Guzik já atuou em "Toda Nudez Será Castigada" – de Nelson Rodrigues; "On The Road" – baseado em obras de Sam Shepard; "Traições" – de Jarbas Capusso Filho; "Atire a Primeira Pedra" – baseado em A Vida Como Ela É, de Nelson Rodrigues.
E pra quem não se lembra (ou não o conhece) Guzik tá há muito tempo falando de teatro em programas da TV CulturaMetrópolis e Vitrine.

Serviço:
Monólogo da Velha Apresentadora – Direção: Jô Kowaliki - Espaço dos Satyros I – Praça Roosevelt, 214.
Preços: R$ 20,00; R$ 10,00 (Estudantes, Classe Artística e Terceira Idade); R$ 5,00 (Oficineiros dos Satyros e moradores da Roosevelt) Somente quartas e quintas; curta temporada, até 26 de março