segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Playboy e o Intelectual que Merecemos

Nós marmanjos testosteronizados, não necessariamente quando adolescentes, manifestamos atitudes recorrentes como forma de suprimir essa descarga hormonal que nos distingui como machos da espécie. Isso é fisiologia pura. Consciente desse fenômeno corpóreo, o mundo editorial (e toda indústria do entretenimento), obviamente condizente com o domínio masculino desde os tempos idos, nos tornou fetichistas.

E esse papo-cabeça todo é pra dizer que desde o lançamento da aguardadíssima edição da Playboy com a Tiazinha (Suzana Alves), em 1999, eu não me interessava tanto pela revista. E olha que depois disso já posaram para o periódico beldades que, nós machos, consideramos supra-sumo, como Monica Carvalho, Danielle Winits, Juliana Paes e a deusa Vera Fischer.

Não sei se nós somos absurdamente fetichistas ou se o prazer feminino é boicotado pela mesma indústria mercantilizadora dos desejos dos machos. Porque eu duvido que as mulheres não cobicem ter seus referenciais masculinos estampados em capas de periódicos destinados exclusivamente a elas; isso porque, pro mundo gay, já rola.

Voltando. É somente agora que lançam a Playboy de Agosto com a belíssima Carol Castro que me interesso em foliar a revista. As poses registradas da fogosa atriz são belas, sem exageros nem acrobacias, valem pelas cores e paisagens.
Mas o que mais me tomou a atenção foi a entrevista exclusiva publicada nesta edição. Logo na capa, numa pequena manchete do canto direito, lê-se o que se seguirá: Paulo Coelho, o mago brasuca, se julgando o “intelectual mais importante do Brasil”. Isso já é demais. Sem comentários.


sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Lira Paulistana (448 aniversário de Pinheiros)


Reproduzo aqui parte da programação do site (http://www.bibliotecas.sp.gov.br/) da biblioteca Alceu Amoroso Lima com os eventos em comemoração aos 448 anos de Pinheiros.

Começa hoje com bate-papo com alguns protagonistas do Lira Paulistana e eu estarei por lá - faça chuva ou frio, ou os dois.



Lira Paulistana

Pinheiros completará, no dia 15 de agosto, 448 anos. Fato marcante na sua história recente, cujos ecos ainda ressoam com força expressiva, o Lira Paulistana merece destaque nas comemorações do seu aniversário. O porão da Rua Teodoro Sampaio, convertido em teatro de 200 lugares, tornou-se, no início dos anos de 1980, uma espécie de centro cultural alternativo onde se encontravam não apenas músicos, mas representantes das diversas expressões artísticas da cidade. Na sua curta existência, foi palco de toda uma geração de artistas, incluindo os músicos desde então conhecidos como Vanguarda Paulistana. Apesar de fechado há mais de vinte anos, aquele momento ainda é extremamente representativo para o bairro e para as novas gerações que por ali circulam. Para contar um pouco sobre essa história, convidamos algumas pessoas que ajudaram a escrevê-la:

Bate-papo com Mário Manga, Skowa, Turcão e Wilson Souto Jr. (Gordo)Mediação de Laert Sarrumor Dia 15 de agosto, 6ª feira, às 19h

Bate-papo com Chico Pardal, Paulo Barnabé e Suzana Salles.Mediação de Laert Sarrumor. Dia 22 de agosto, 6ª feira, às 19h

SHOWS
Patife Band Criada em 1985 por Paulo Barnabé, a banda nasce com influência das técnicas de composição erudita contemporânea das quais surgem ritmos assimétricos, células atonais, harmonias dodecafônicas. Há também assumida influência de punk-rock, jazz e ritmos brasileiros. Com formação diferente da original, busca atualmente novas sonoridades. Com Paulo Barnabé (bateria e vocal), Paulo Braga (piano), Matheus Leston (sintetizador) e Celso Veagnoli (sax tenor barítono). Dia 16 de agosto, sábado, às 18h

Suzana Salles Integrante da chamada Vanguarda Paulistana, iniciou sua carreira com Arrigo Barnabé, na Banda Sabor de Veneno, e Itamar Assumpção, na Banda Isca de Polícia.Com eles gravou, respectivamente, Clara Crocodilo e Às Próprias Custas S/A. Tem parcerias com Itamar Assumpção, Ná Ozzetti, Chico César e Paulo Padilha.O seu último CD solo, As Sílabas, foi apontado pela crítica como um instigante instrumento de resistência dentro do atual panorama musical brasileiro. Ao lado do músico e compositor Paulo Padilha, a cantora apresentará canções de Itamar Assumpção, Arrigo Barnabé e Luiz Tatit, além de relembrar momentos marcantes de sua carreira. Dia 23 de agosto, sábado, às 18h


Língua de Trapo No show Allegro ma non trappo, a banda paulistana com mais de 25 anos de estrada se mantém mordaz e atual. Com a irreverência de sempre - sarcasmo e ironia mesclando paródias, piadas e esquetes - serão apresentados os seus sucessos, agora repaginados, e ainda músicas inéditas, impagáveis sátiras de costume que são a marca registrada do grupo. No repertório: Conchetta, Tudo para o Paraguai, Força do Pensamento e Country os Brancos. Com Laert Sarrumor (voz), Sérgio Gama (voz, violão e bandolim), Marcelo Castilla (acordeon e teclado), Zé Miletto (teclados), Valmir Valentim (bateria), Cacá Lima (baixo e vocal) e Marcos Arthur (percussão). Dia 30 de agosto, sábado, às 18h

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Bienal do Livro


Alguns amigos que visitam o blog me cobram informações sobre a 20ª Bienal Internacional do Livro de Sampa que começa no dia de hoje e vai até o dia 24/08 no Anhembi. Embora eu queira ir pra ver alguns lançamentos e alguns debates, não tenho vontade alguma de divulgar esse evento. Vou explicar: As bienais de livro, tanto a de Sampa, de Minas, quanto a do Rio, têm se tornado meros feirões (sem liquidação ou descontos) de fim de estoques do mercado editorial brasuca. Nada, além disso.

Confesso que perdi a paciência na última que fui. Fiz longa jornada por vários estandes de grandes e pequenas editoras e o que mais vi foi a multiplicação de publicações de livro de auto-ajuda – tá certo, já que os organizadores dizem que a bienal é “a grande vitrine da produção editorial brasileira”. Outra coisa que me aborreceu foi os inúmeros vendedores de assinaturas de revistas; eles são invasivos pra caraca, não dão sossego. E ainda temos que pagar pra entrar.

Vejam isso: na Falha de S. Paulo de hoje, o diretor editorial da Sextante disse que “a bienal funciona como uma alavanca para as vendas de Natal”. E conclui: “o que vai acontecer lá em dez dias, entre visitação e movimento de compra, é bacana como feira”. Preciso dizer algo mais? Na verdade, as editoras tão pouco preocupadas com o leitor - com os escritores, pior ainda; logo eles que são os responsáveis pelo conteúdo do produto “livro”. É a tal visão restrita, ridícula e mercantilizadora de um objeto cultural.

Tudo bem. Alguém pode me achar ingênuo e me dizer que o “mercado” (seja ele de que gênero for) é pra vender, vender e ter lucro, principalmente isso. Mas daí eu perguntaria, e a função social que mesmo sob um mundo capitalista é regra elementar? Meu, esse é um papo chato demais...
E o pior é que até as secretarias estaduais de cultura e o MEC também colaboram com isso: a partir do momento que promovem políticas de fomento direcionado às editoras e não aos escritores e leitores. Onde trabalho como educador já cansamos de enviar ofícios solicitando doações de livros das editoras e nunca obtivemos retorno.

Uma proposta: em vez de uma bienal do livro (quero dizer, das editoras), que tal uma bienal do “Leitor”.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

O Rasif (Recife) de Marcelino


Saí do Vocabulário, no sábado chuvoso da semana passada, provavelmente muito depois da meia-noite e meia. Obviamente tomei muita cerveja – antes num churrasco com amigos e depois no Espaço B_arco (onde rolava o Vocabulário). Fui à rua Teodoro Sampaio esperar o Lapa 856R que me deixaria na Afonso Bovero, de lá desceria, na sola, três quarteirões pra chegar em casa. Obviamente que o tal ônibus já tinha deixado de circular naquele horário. No meu bolso havia menos de quinze realitos que era insuficiente pro táxi. Fodeu!
Perder o busão já me aconteceu diversas vezes e isso não seria um problema – o foda era o xixi que tava na portinha. Poderia eu procurar um cantinho qualquer e me aliviar, mas o diacho é que também precisava executar o “número 2”; e esse, sim, consistia em perigo iminente.
E antes do fim do segundo tempo aparece Marcelino Freire - vindo também do Vocabulário, cujo evento ele foi um dos MCs - me oferecendo gentilmente carona em seu táxi até a avenida Dr. Arnaldo; de lá peguei outro táxi que me custou pouco mais de dez paus pra me largar em Perdizes. Ufa!

Bueno. E nesta próxima quinta, dia 14, no próprio Espaço B_arco, Marcelino lançará seu quinto livro de contos, RASIF – MAR QUE ARREBENTA. E vou lá com toda certeza, não para retribuir a gentileza, vou porque – assim como foi com seus outros livros - esse eu li empolgado. Marcelino é porreta e descreve as violências sutis que se escondem nas coisas do cotidiano. Pra mim, o grande barato de seus livros é que posso ouvir Marcelino lendo cada parágrafo desses seus textos, que lembram o ritmo, a verve e a veemência dos Cordéis (pra quem nunca o viu lendo seus textos segue um link onde ele recita e explica seu excelente conto Da Paz – que, graças aos santos, entrou em Rasif - http://br.youtube.com/watch?v=treQ9XXNQas )

Serviço: o lançamento de Rasif - Mar que arrebenta será feito em São Paulo em 14 de agosto, às 19 horas, no Centro Cultural b_arco, na Rua Dr. Virgílio, 426, em Pinheiros.
Em Recife, o lançamento ocorre no dia 29, às 17 horas, na Livraria Cultura, na Rua Madre Deus, 271.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Espírito Esportivo e os Vira-latas.


Vou proferir um bocado de xingamentos (desaforentos) no dia em que eu encontrar aquele meu professor (se é que posso chamá-lo disso) de Educação Física do Colégio Daniel, em Little River. Bom, mas nem de “Educação Física” posso me referir àquilo que esse professor oferecia a seus alunos em meados dos anos 80 do século passado. Jamais esquecerei seu nome e sua fisionomia, mesmo que eu o encontre velho e debilitado. É trauma da pior qualidade. O cara ensinou o que é “complexo de vira-lata” a sua turma de alunos. E nós aprendemos – desgraçadamente – na prática.

O que ele considerava “aula” de Educação Física consistia em dividir as molecadas (naquela época homem não dava aulas às meninas) pra formar vários times de futebol de salão, de vôlei e de basquete. Botava todo mundo pra correr em volta da quadra (como única forma de aquecimento) e depois entregava a devida bola pra que se iniciasse a partida da modalidade que seria aplicada no dia. Fundamentos, técnicas, alongamentos, preparação física, a gente nunca teve com esse professor (e tivemos que suportá-lo até o fim do ginasial).

Entre nós até que não havia aborrecimentos, já que vínhamos todos da mesma classificação social, com desajustes culturais, físicos e econômicos semelhantes. Mas nosso “amado” mestre de Educação Física era um “sádico-social”, com uma “sociopatia” dirigida exclusivamente aos não-privilegiados. Atingia o êxtase vendo-nos sucumbir diante de adversários superiormente bem nutridos, fisicamente e tecnicamente preparados pra qualquer prática esportiva.

Tomamos vareios homéricos no futebol, no basquete e no vôlei de colégios como Bandeirantes, Santa Cruz, Aplicação da USP, entre outros. Lembro até hoje da gente (os pobres e derrotados atletas do Daniel) voltando pra casa de busão (sim, não tínhamos nem que nos levasse pra esses enfrentamentos) com a cabeça baixa e com uma tristeza estranha no olhar – havíamos deparado com o “conflito entre classes” através do esporte.

Por isso eu nunca acreditei nessa balela de “espírito esportivo”. Digo sempre que acho legal praticar esporte e não tenho nada contra quem se dedica a isso. Só me recuso a acreditar em “competição esportiva” – e não me venham dizer que no esporte a competição é "saudável". Saudável é o escambau... Bota um sujeito americano concebido e criado com leite tipo “A” pra competir com um esforçado atleta oriundo da Vila Dalva (no Rio Pequeno): vai ser gozação.

E isso tudo que digo é pra deixar claro que já estou de saco-cheio dessa olimpíada de Pequim. Não suporto ver as vinhetas da poderosa Globo (e dos outros canais também) glorificando a toda hora o tal “espírito esportivo”. No dia da cerimônia de abertura vi Orlando Silva, o ministro dos Esportes, ao lado de Carlos Nuzman, presidente do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), dando entrevista coletiva e se gabando de que o Brasil levava a maior delegação da nossa história a Pequim - sem comentar, é claro, que só 12% de nossa rede escolar tem quadra esportiva.

E tem mais: esses atletas todos que vão representar o Brasil são abnegados; sem apoio, boa parte, dependeu de esforço e empenho próprio pra chegar a esta olimpíada. Alguns contam com “vaquinha” feita entre os amigos pra adquirir as passagens de ida e volta da China E durante as competições serão humilhados por nações que bombam seus competidores com todo tipo de droga pra que defendam a todo custo o orgulho pátrio (não dá pra esquecer o caso do bombado americano Lance Amstrong, heptacampeão da Tour de France, que nunca foi molestado pelos agentes da comissão anti-doping, que por coincidência também eram norte-americanos) .

Enfim. Não tenho paciência nem espírito (esportivo) algum pra acompanhar o desdém do primeiro mundo contra os vira-latas.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Vocabulário Volume 2


Os poetas e escritores Chacal, Marcelino Freire, Marcelo Montenegro, Paulo Scott e Gabriel Pinheiro avisam que o VOCABULÁRIO volume 2 (“Circo Poético Lingüístico”) – que vai rolar neste sábado, dia 9, a partir das 18, no B_ARCO seguirá assim: vários artistas farão leituras e performances. Mostrarão as várias caras e sotaques da palavra falada e musicada. Entre os convidados estarão Ademir Assunção, Adrienne Myrtes, Alice Ruiz, Antônio Xerxenesky, Berimba de Jesus, Caco Pontes, Carol Bensimon, Cristine Bartchewski, Diego Grando, Guilherme Smee, Ivana Arruda Leite, Marcela Lordy, Maurício de Almeida, Mônica Montenegro, Olívia Araújo, Pedro Tostes, Pierre Masato, Reginaldo Pujol Filho, Ricardo Silvestrin, Rodrigo Carneiro, Rodrigo Ciríaco, Rodrigo Rosp, Ronaldo Gama, Rui Mascarenhas, Samir Machado de Machado e Taimee Cortino.

Nesta segunda edição do Vocabulário será exibido o curta ANA CRISTINA CESAR, com performance de Martha Nowill, dirigido por Fernanda D´Umbra. E estão prometendo grande show de encerramento com Edvaldo Santana; Flu com Simone, Arruda e Eunice. Joca Terron e Ney Piacentini prometem apresentação inusitada. Haverá também o espetáculo Profissão de Febre, com a Neuza Pinheiro e os músicos Tonho Penhasco e Ronaldo Gama.

O chato é que desta vez vão cobrar 5 reais de entrada. O Espaço Cultural B_arco fica na Rua Dr. Virgilio de Carvalho Pinto, 426, em Pinheiros.
Tô com programação já marcada pro sábado, mas o Vocabulário II eu não vou perder.



segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Nossa Vida Não Vale Um Chevrolet

Porradaria. Pra “não” variar, no Nossa Vida Não Vale Um Chevrolet do Mário Bortolotto a porradaria come solto. Que novidade há nisso? Nenhuma. Todo mundo sabe o que esperar de um texto do Mário representado pelo Cemitério de Automóveis – não tô dizendo aqui que o cara é repetitivo. É que a gente sabe que não vai ter moleza quando aguardamos na platéia o inicio de alguma montagem do cara – é fato que vi poucas peças do Cemitério e do Mário, mas as que assisti me permitem afirmar que sua dramaturgia é foda; o cara tem a manha de falar do lixo que nossas cidades ocultam. Não se trata apenas da violência que o cotidiano massacrante impõe ao excluídos; ele fala é da merda que cutuca cada um de nós, expondo aquilo que não gostamos em nós. Eu sempre encontro nos personagens do Bortolotto alguma cagada que eu também cometi; e isso incomoda.
Bueno. Mas tudo isso que falei um monte de gente, mais capacitada que eu, também já considerou. O que eu queria comentar mesmo é sobre a atuação do ator Mario Bortolotto, que pra mim surpreendeu; não pelo talento, pois isso eu já percebi em outras montagens (como por exemplo, em Aos Ossos Que Tanto Doem No Inverno), mas pela agilidade física. Sempre o vejo por aí nalgum sarau, nalgum bar, nalgum canto da Roosevelt, e me parece que o cara está sempre se arrastando com dificuldades – sei que ele operou o joelho recentemente. Por isso confesso que fiquei besta nesta sexta na reestréia do Nossa Vida.... tanto com o texto (que vi pela primeira vez) quanto com a desenvoltura “física” do ator Mário. É que pra interpretar o marginal burro e paspalhão Bortolotto deu pulos, com gestos extensos, acompanhando uma fala ágil, tudo isso com um vigor invejável – diferentemente do Marião que vivo trombando por aí.

Aviso: Nossa Vida Não Vale Um Chevrolet tem somente mais 3 apresentações. Sempre as sextas, a meia-noite, no Espaço Parlapatões da Praça Roosevelt.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Flap e Cemitério


E logo mais, às 19h, estarei na biblioteca Alceu Amoroso Lima, em Pinheiros, para a abertura da FLAP 2008. Este encontro literário nasceu como contraponto à festa literária de Paraty (a Flip). E esta quarta edição, que começa hoje e vai até o dia 8, recebe autores nacionais e latino-americanos.
Sem o glamour de abertura das festas de Paraty, a Flap no dia de hoje apresentará os poetas Alfredo Fréssia (Uruguai), Alberto Trejo (México), Maria Eugenia Lopez (Argentina), Frederico Barbosa e Eduardo Lucena (Brasil). Também tem o lançamento da nona edição da revista “O Casulo”.
Serviço: Rua Henrique Schaumann, 777, Pinheiros – a entrada é digrátis.

E a meia-noite vou ver no Espaço Parlapatões a reestréia de NOSSA VIDA NÃO VALE UM CHEVROLET do Cemitério de Automóveis.
Serviço: praça Roosevelt, 158, entrada: 20 pilas (10, meia).

Hoje, os amigos me encontrarão fácil, fácil.



O Tesão da Tetê

Certeza eu não tinha, mas o rapaz que estava ao meu lado, com sua namorada, também achou o mesmo. De certo então estávamos vendo Tetê Espíndola entre as estantes de livro do primeiro piso da Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Ela está diferente; nem se parece com aquela cantora espalhafatosa que no Festival da Globo de 1985 uivava ao fim de Escrito Nas Estrelas. Bom, mas agora ela é uma senhora. Sim! E isso pouco importa. O que não sai de minha lembrança é ela berrando em alto e bom som, em frente das câmeras da conservadora e direitista Globo, a palavra até então proibida: TESÃO. Falo até hoje que ao proferir com ênfase essa palavra, a cantora transgrediu um monte de conceitos antiquados que muita gente (digo: mídia também) tinha com o vocabulário verdadeiramente ativo. O papo é cabeça e é longo também, e eu não quero me estender, mas vejam que até bem pouco tempo nem um ator de novela (principalmente da Globo) diria MERDA, depois de sofrer uma queda. CARACAS é uma forma quase inocente de brandir CA-RA-LHO com todo fervor, quando se tem vontade. E por aí vai....

Voltando a Tetê. Vendo a programação de shows que rolam em Sampa neste fim de semana descubro que ela vai se apresentar hoje e amanhã no Tom Jazz da Avenida Angélica; pelo nível da casa até que não estão caros os ingressos – 35 pilas.

Bueno. Segue logo abaixo um texto que fiz este ano – que fala sobre o mesmo assunto - pouco antes da minha viagem a Paris, quando eu ainda estava atrás dos documentos para obter o Passaporte.


“JOVEM: AO COMPLETAR 18 ANOS ALISTE-SE (...) !” “A SEGURANÇA DO BRASIL EM NOSSAS MÃOS.”

Amigos, duvi-de-o-dó que alguém não tenha escutado estas frases nalgum momento. Até bem pouco tempo eu pensava que o(s) autor(res) destas ‘pérolas’ fosse(m) algum tecnocrata miliciano pós-meiaquatro. Ledo Ivo engano. A coisa começa por volta de 1910, véspera da primeira Guerra Mundial, quando o então Ministro da Guerra, Hermes da Fonseca, reorganiza as Forças Armadas e institui o Serviço Militar Obrigatório – anteriormente, no Brasil, havia um misto: voluntários e convocados em caso de conflitos externos.

E pra fazer o marketing desse novo modelo de serviço à pátria, o presidente Venceslau Brás, contratou por uma “módica” quantia, o Duda Mendonça da época, o fodão, o poeta parnasiano Olavo Bilac. Sim. Aquele que “ouvia estrelas”. Muito respeitado, Bilac cunhou essas frases convocatorescas e tornou-se garoto-propaganda do serviço militar obrigatório, viajando todo o Brasil (gastando à vontade o cartão corporativo da época) pregando o patriotismo.

Bueno. Mas por que estou dizendo tudo isso? É porque nesta quinta-feira (hoje) completei 18 aninhos. Não é pra rir... Quero dizer que voltei a me “sentir” com 18 anos. Explico: pra tirar o passaporte preciso do CAM (Certificado de Alistamento Militar), que foi surrupiado por um assaltante, em 1993 (que levou outros documentos também). É que justamente hoje fui à Junta Militar da rua Guaicurus requerer a 2ª via do CAM. No local havia uma fila com uns 15 moleques se alistando – todos com 18 anos cheirando leite Ninho ainda. E eu lá, todo barbado, entre aqueles teens cumpridores do dever pátrio.

Todo procedimento reservado aos futuros recrutas foi dispensado a mim - quero dizer que aquilo é chato mesmo. Me lembrei exatamente do dia que fui me apresentar no quartel de Quitaúna - do tratamento “vip” que os Recos da unidade ofereciam à molecada que enfrentava mais de 5 horas de fila. Lembrei também de muita coisa da época dos meus 18 anos. Isso, sim, foi legal.

Aquele foi o ano em que finalmente gostei de um primeiro colocado de um festival de música realizado pela Rede Globo. Tetê Espíndola venceu cantando Escrito nas Estrelas. (no festival anterior, quem levou foi a Lucinha Lins cantando a horrorosa Purpurina) Na escola não havia um que não repetisse “pois sem você meu t-e-s-ã-o”. “Tesão” era uma palavra proibida, a gente não sabia como a censura havia liberado. A Tetê era conhecida no circuito alternativo paulistano e foi chocante vê-la quase histriônica num figurino espalhafatoso. (segue vídeo com Tetê cantando Escrito nas Estrelas
http://br.youtube.com/watch?v=S0yY-NGjtsI)

O segundo lugar quem levou foi Miriam Mirah com Mira Ira – excelente música composta por Lula Barbosa. O terceiro foi pra outra grande cantora, Leila Pinheiro, que interpretou a bossíssima Verde de Eduardo Gudin. O quarto lugar quem levou foi Emilio Santiago, cantor que o bairrismo paulista não tolera (nem eu, of course!). Naquele ano também fui ao Morumbi ver o melhor Show de Rock de mai life, QUEEN. Nem preciso dizer que adorei o histrionicíssimo Freddie Mercury.

Bem. As lembranças vinham e eram boas. Eu até que estava gostando da fila e de voltar a ter 18 aninhos. Mas fiquei fulo no momento da entrevista quando o atendente qualificou a taxa que eu deveria pagar pela 2ª via como “multa” – sina de brasileiro patriota: pagar multa por ser vítima de assalto.

terça-feira, 29 de julho de 2008

O Chevrolet do Marião


O blogue ATIRE NO DRAMATURGO do Bortolotto avisa que tem reestréia - em curtíssima temporada (apenas 4 apresentações) – de NOSSA VIDA NÃO VALE UM CHEVROLET nesta próxima sexta-feira, dia 1º de agosto, a meia-noite. O texto é do próprio Marião e ganhou prêmio Shell em 2000 – na verdade ele tá aproveitando a estréia do dia 11 de agosto de Nossa Vida Não Cabe Num Opala (adaptação de sua peça para o cinema, dirigido por Reinaldo Pinheiro), pra permitir que façam “comparações” com sua montagem.

Serviço:
Texto, Direção, Sonoplastia e Iluminação : Mário Bortolotto
Elenco : Fernanda D´Umbra, Laerte Mello (Nelson Peres), Mário Bortolotto, Gabriel Pinheiro, Francisco Eldo Mendes, Paulo Jordão, Thiago Pinheiro e Helena Cerello
Operação Técnica : Marcelo Montenegro
Direção Técnica : Régis Santos
Produção : Dani Angelotti

No Espaço dos Parlapatões - Praça Roosevelt, 158
Ingressos : R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)

segunda-feira, 28 de julho de 2008

FLAP 2008 - Encontro Literário em Sampa


É agora, nesta próxima sexta, que começa a 4ª edição da FLAP - veja programação completa de São Paulo que vai de 1 a 8 de agosto no http://docs.google.com/View?docid=ddbwjx84_116fsfn3gjm

domingo, 27 de julho de 2008

Uma Diva pra ser vista



A platéia ainda estava se aquecendo. Numa parada pra ajeitar o som do cavaquinho ouvimos aquele brandir vindo do público que lotava o teatro Eva Herz; “Diiiiva!”, conclamou alguém em alto e bom som; e eis que a “diva” responde: “como é bom convidar os amigos!”. O público ri. Outro se empolga: “maravilhoooosa!” E a réplica da diva: “tá vendo, eu não disse!” Pronto. Desse momento em diante instalou-se a amálgama feliz que conduziria aquele espetáculo do Samba até o último instante.

Pocket-show, a tradução disso talvez seja “show de bolso”. Na verdade isso quer dizer que o show será diminuto; meio espetáculo, meio show, metade do prazer. Mas não foi o que aconteceu nesta última quinta no teatro da Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Eu, que costumo freqüentar o local, nunca vi tanta procura por um ingresso que daria direito a menos de 30 minutos de FABIANA COZZA. E a diva não decepcionou.

E veio tudo de uma só vez: Senhora Tentação, Não Sai de Mim, Saudação à Iemanjá, Malandro Sou Eu, e muitas outras. Numa das canções, a diva abandona o microfone e continua à capela. Cutuco perplexado o amigo Valmir que está ao lado e assevero: “a mulher não precisa de microfone, cara!” De certo que não danço nada, mas minha vontade era a de arrancar a luxuosa poltrona e me sacudir, no entanto foi uma das senhoras da velha guarda da Camisa Verde que se levantou pra Sambar - a diva imediatamente a puxou para o palco. E assim se deu o êxtase.

Nesse dia, a diva Fabiana Cozza relançava “Quando o Céu Clarear”. O CD é bom; tem Samba autêntico – de raiz. Mas eu concordo com o que eu ouvi de alguém logo após o show: a diva “vira mostro quando sobe no palco (...) é um cantora pra ser vista”

Afago na "diva" logo após o show.



sexta-feira, 25 de julho de 2008

Homenagem a Geraldo Filme

Esta dica também foi enviada pelo amigo Edson Lima: Osvaldinho da Cuíca homenageando o grande compositor paulistano GERALDO FILME. Vai rolar neste domingo, dia 27, a partir das 14h e é digrátis, no TREME TERRA, rua Padre Justino, 653, ali no Morro do Querosene.



Vaca de Nariz Sutil

“PAGO A PENSÃO COM A PENSÃO QUE O ESTADO ME PAGA PELO MEU ESTADO”.



E hoje, meus carosamigos, vou assistir VACA DE NARIZ SUTIL no Espaço Parlapatões da Praça Roosevelt. O texto é do romance do mineiro CAMPOS DE CARVALHO, que foi adaptado por Hugo Possolo. Um dos capítulos desse livro, publicado em 1961, começa com a frase aí de cima; daí dá pra se ter uma idéia do humor que autor utilizou pra contar a história de um homem que, após ser flagrado seduzindo uma menor sobre a lápide de um cemitério, alega ser um perturbado herói de guerra para fugir às prováveis punições.
Na verdade, Vaca de Nariz Sutil é o relato niilista de um cara que lutou na guerra e perdeu totalmente a fé na humanidade

Serviço: Teatro Espaço Parlapatões. Praça Roosevelt, 158, às 21h30 – a peça vai até o dia 24 de agosto, e nas sextas rola promoção e todos pagam módica quantia de 10 realitos.



Ps: esta edição eu comprei em 1986





Roberto Piva



O fato é assim: o meu amigo Edson Lima pediu pra avisar que o poeta Roberto Piva vai estar neste sábado, dia 26, a partir da 14h, no projeto Autor na Praça da “Praça” Benedito Calixto, em Pinheiros. Bueno. Mas este é o tipo de dica que faço (e farei sempre) com contentamento, pois divulgar Roberto Piva é um puta barato e uma honra. Como diz Jotabê Medeiros, “ninguém foi mais rápido no gatilho do que Roberto Piva: no início dos anos 60, quando ele escreveu 'Paranóia', um dos retratos poéticos definitivos da metrópole paulistana que emergia e de sua paisagem de morfina, seus arranha-céus de carniça, seus arcanjos de enxofre."

Não vou bancar o crítico especializado no poeta porque não sou. Só direi o seguinte: eu não conhecia nada do cara quando vi pela primeira vez aquele livro cujo título era PARANÓIA – 20 POEMAS COM BRÓCOLI E PIZZAS (a primeira edição é de 1963). Achei esse nome muito louco e quando comecei a folhar o livro não parei mais. Me lembro que na época eu tinha pouca grana (assim como hoje também), por isso acabei lendo todo livro ali na Fnac de Pinheiros – quando ainda se chamava Ática Shopping. O que li no Paranóia me lembrou muito os textos do Mario de Andrade, só que com muito mais sangue. Segue um trecho de Ode a Fernando Pessoa

(...) São Paulo, cidade minha, até quando serás o convento do Brasil?
Até teus comunistas são mais puritanos do que padres.
Pardos burocratas de São Paulo, vamos fugir para as praias?
Ó cidade das sempiternas mesmices, quando te racharás ao meio?
Quero cuspir no olho do teu Governador e queimar os troncos medrosos da floresta
humana.
Ó Faculdade de Direito, antro de cavalgaduras eloqüentes da masturbação transferida!
Ó mocidade sufocada nas Igrejas, vamos ao ar puro das manhãs de setembro!
Ó maior parque industrial do Brasil, quando limparei minha bunda em ti? (...)

Ah! Quem também vai estar por lá neste sábado é o maluco JOSÉ ROBERTO AGUILAR. Deste eu não preciso comentar muito.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

4ª FLAP

Zona Franca - Viva Lá Conexión!

Ual! A programação da FLAP 2008 internacionalizou: o título é ZONA FRANCA -VILA LÁ CONEXIÓN!, com gente de toda a América Latina. Dessa vez a FLAP tambem se "institucionalizou" e tem patrocínio da Secretaria do Estado da Cultura, da APAA - Associação Paulista dos Amigos da Arte e do Programa VAI – Secretaria Municipal de Cultura. Além do apoio dos Departamentos de Letras e de Direito da USP, do Bar do Binho, da Biblioteca Temática de Poesia Alceu Amoroso Lima, da Casa Amarela, da Casa das Rosas, do Cursinho da Poli, do blog Desconcertos, do Espaço B_arco, do Espaço Zero, do Satyros e do Sebo do Bac.
Para trazer os escritores do México e outros países da AL tiveram apoio financeiro de entidades mexicanas: AEM - Associação de Escritores do México AC; CONACULTA e Centro Cultural La Pirâmide.

A programação de São Paulo (lembrando que a Flap também acontece no Rio de Janeiro) é extensa e vai do dia a 8 de agosto. Debates, Saraus, Free-shopping de Dramaturgia, Leituras, confraternizações, neste ano vão rolar em lugares diferentes: Espaço Satyros (como sempre), Casa das Rosas, Biblioteca Alceu Amoroso Lima, B_arco Virgílio, Bar do Binho, FFLCH-USP, Cursinho da Poli – Lapa, PUC, entre outros lugares.

Pra ser sincero eu não fico muito contente quando a coisa se institucionaliza – fico com a impressão de que o evento pode perder a espontaneidade (descaracterizar-se) e sofrer (in)gerencias de quem nunca teve nada a ver com o peixe.

Bueno. Por ser grande demais clique no link pra ver a programação completa de São Paulo.
http://docs.google.com/View?docid=ddbwjx84_116fsfn3gjm

terça-feira, 22 de julho de 2008

Júpiter Maçã


Das velhas e novas safras de pops-rocks-stars gaúchos tenho dedicado meu tempo a escutar dois malucos talentosos: Wander Wildner e Júpiter Maçã - sobre o Wildner, que foi vocalista da lendária banda punk Replicantes, falarei depois num post só pro cara. Pra quem não conhece Júpiter Maçã eu recomendo que veja seu talk-show que a MTV Overdrive leva ao ar somente na Internê – se tem uma coisa de louvável nos Civitas (proprietários da Editora Abril, donos da MTV) é que eles não se intrometem na programação do canal (da forma que o Silvio Santos faz em sua emissora); assim, seus produtores têm liberdade pra chamar malucos (como João Gordo, Marcelo Adnet, Paulo Bonfá e Marco Bianchi) cujos talentos se revelam na tela.

Classificar o som de Júpiter Maçã é missão quase impossível e eu não farei isso aqui – e nem vou ficar falando dos discos e das músicas do cara. A melhor coisa é descobrir o artista sozinho, sem os conceitos dos amigos ou dos críticos. E pra ser sincero, eu não gosto destes fazedores de resenha de bandas e coisas do gênero: tudo me parece chavão de gravadora. Mas como esse blog se destina a dar dicas, recomendo que assistam Júpiter Maçã entrevistando outros dois malucos em seu programa: Rogério Skylab e Thunderbird.

O papo que ele leva com os convidados é insolitamente anormal; geralmente dura menos de 10 minutos (tem edição, é lógico). Pra tirar um sarro dos clichês dos talks-shows, o programa tem músicos fazendo abertura, e o apresentador também toca (muito mal) um bongô (à la Jô Soares). Garanto que é diferente de tudo que tem por aí: tenho a impressão que Júpiter Maçã faz o programa totalmente aditivado – porém, seus amigos afirmam que o cara é assim mesmo.

Segue clip de Marchinha Psicótica de Dr. Soup e as entrevistas do MTV Overdrive.


Canção: Marchinha Psicótica
http://br.youtube.com/watch?v=Tz5ZRPd2dX8

Entrevista Rogério Skylab
http://www.youtube.com/watch?v=405JaOyds7I

Entrevista: Thunderbird
http://www.youtube.com/watch?v=tXjEjtM3vwc

segunda-feira, 21 de julho de 2008

O Natimorto

Lourenço Mutarelli e Simone Spoladore no set




E por falar da última semana de O NATIMORTO no Teatro da Aliança Francesa (segue mais informações nas “Rapidinhas” do post logo abaixo) fiquei sabendo que Paulo Machline adaptou e está dirigindo esse mesmo texto de Lourenço Mutarelli para o cinema. E o louco é que o próprio Mutarelli vai atuar ao lado de Simone Spoladore no filme (pra quem não se lembra, Mutarelli era o segurança de Selton Mello no O Cheiro do Ralo). A previsão é de que o filme entre em cartaz em 2009.

O Natimorto foi criado por Mutarelli a partir das imagens bizarras estampadas nos maços de cigarro. É a insólita história de amor entre um agente musical (vivido agora pelo próprio criador) e uma cantora que não sabe cantar. Trancados em um quarto de hotel, os personagens são confrontados com a própria solidão. Mutarelli emagreceu sete quilos em três semanas e se mudou para o set de filmagens que foi construído num estúdio na Vila Leopoldina, na zona oeste de São Paulo.
Eu já vi a peça quando esteve em cartaz no Espaço Parlapatões e achei a montagem de Bortolotto estupenda. Não tenho a menor idéia de como ficará O Natimorto na telona, mas sempre achei cinematográficos os livros e os quadrinhos de Mutarelli.






7 Rapidinhas

1º. E hoje começa a oficina de Haicai da poeta ALICE RUIZ, às 19h30, no Centro Cultural Barco, que fica na rua Virgílio de Carvalho Pinto, 422 – o curso custa 300 pilas (pra quem não conhece: Alice é ex-esposa de Paulo Leminski.); mais informações clique http://www.obarco.com.br/cursos/literatura/ferias-hai-kai/view

2º. No SESC da 24 de Maio rola hoje, às 17h, o show da histórica banda de rock TUTTI FRUTTI, que acompanhou a tia Rita Lee em seus primeiros discos solos pós Mutantes. É DIGRÁTIS - Rua rua Dom José de Barros, 178 [esquina com a Rua 24 de Maio]

3º. Os escritores Fabrício Carpinejar e Luiz Ruffato se encontram no SESC Pinheiros e analisam DOM CASMURRO de Machado de Assis, nesta quinta, dia 24, às 20h. E na mesma programação rola show com os cantores Mona Gadelha e Fernando Chuí
Local: Rua Paes Leme, 195 – Pinheiros.

4º. Quinta e sexta, agora, são os últimos dias pra ver a excelente peça O NATIMORTO no Teatro da Aliança Francesa. O texto de Lourenço Mutarelli (autor de o Cheiro do Ralo) que foi dirigido e adaptado por Mário Bortolotto. Local: rua General Jardim, 182 – Vila Buarque. Entrada: 20 paus.

5º. Com texto de Domingos de Oliveira, Fernanda D’Umbra dirige CONFISSÕES DAS MULHERES DE 30. Com as belas e talentosíssimas Juliana Araripe, Camila Raffanti e Milissa Vettore. A peça está no Teatro da Folha que fica no Shopping Pátio Higienópolis, av. Higienópolis, 618. Entrada: 30 mangos.

6º. E, as sextas, sábados e domingos, às 21h30, os PARLAPATÕES apresentam VACA DE NARIZ SUTIL – o excelente texto de Campos de Carvalho foi adaptado por Hugo Passolo. Local: Espaço Parlapatões – Praça Franklin Roosevelt, 158 (promoção: sexta-feira todo mundo paga 10 pilas).

7º. Essa não dá pra perder. Nesta quinta, dia 24, às 19h30, tem FABIANA COZZA se apresentando com os cubanos Julio Padrón e Yaniel Matos – com a participação especial de DONA IVONE LARA. Vai ser rapidinho – é pockt-show no Teatro Eva Herz da Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Só que tem que chegar mais cedo porque é digrátis e são apenas 166 lugares.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Coincidência



“Santa coincidência, Batman!” Sim. Foi pura coincidência, mesmo. Antes de embarcar pra Paris deixei um post aqui informando que ficaria hospedado no Le Quartier Republique Hotel, localizado no charmoso bairro do Marais (que se pronuncia “marré”), a poucos minutos de caminhada da Île de La Cité (o lugar mais central da cidade). No começo do século XIX, logo após a Revolução de 1889, a França ainda passava por um período de escassez. Na época o Marais estava abandonado e por lá habitava muita gente miserável que vinha de regiões da frança (também miseráveis) tentar algo que trouxesse melhores condições. A Bastilha, antiga prisão parisiense (que ficava no Marais), fora destruída pelos insurgentes, deixando o bairro todo esburacado e abandonado (bueno, mas pra qualquer um que estude um pouco da história da França vai saber que o país passou por vários períodos de fome braba, devido às tantas guerras que se envolveu desde o tempo da ocupação romana).

Voltando. A “coincidência” de que me referi é que, nos dias que passeei pelo Marais, cantarolei dezenas de vezes aquela musiquinha infantil que todo brasileiro sabe de cor: “eu sou pobre, pobre, pobre de marré, marré/ eu sou pobre, pobre, pobre de marré de ci”. E para minha surpresa, enquanto lia a excelente biografia de Oswald de Andrade feita pela Maria Augusta Fonseca, descubro que a “musiquinha” deriva, sim, da transposição de uma canção francesa: "je suis pauvre (se pronuncia “puvre”) de Marais de Ici”

(tradução: “eu sou pobre do Marais aqui”) , e assim também repetindo a segunda parte que diz, “eu sou rica, rica = je suis richa, richa (...)”.

E quem afirma tudo isso, não é o Oswald nem a biógrafa; o responsável por essa informação foi o crítico e também modernista Menotti Del Picchia, que pesquisou as reminiscências infantis utilizadas por Oswald em seu livro de ficção OS CONDENADOS.
O certo é que hoje o Marais não tem nada que lembre esses períodos de miséria. Muito pelo contrário: no bairro mora muita celebridade e muito judeu com grana. Lá também tem excelentes bares. E por falar nisso, na rua de nosso hotel encontramos um barzinho onde se servia “caipirinia”.




segunda-feira, 14 de julho de 2008

Nome Próprio contra Batman



O caso é assim: nesta próxima sexta, dia 18, entra em cartaz o filme BATMAN- O CAVALHEIRO DAS TREVAS e, pelo que sei, deve ser lançamento simultâneo em todo mundo. O jabá que tá rolando há algum tempo com sua publicidade já me faz supor a quantidade de salas que o exibirá e a exata dimensão do público que deverá assisti-lo (ainda mais depois que aquele ator do broquebéque-montain, Healt Leadger, morreu).

Por outro lado, neste mesmo dia estréia também (depois de 4 anos de produção, gravação, montagem) o NOME PRÓPRIO de Murilo Salles, em exibição nas pouquíssimas salas destinadas aos filmes nacionais. Só que se o público NÃO for assistir NOME PRÓPRIO nos três primeiros dias, o filme será esquecido e provavelmente saíra de cartaz rapidinho
Como dizem os produtores: “se as pessoas forem ao cinema e o filme cumprir a ‘renda média’ ele continua em cartaz por mais uma semana. Se isso não acontecer, o filme será substituído por outro. Serão 4 anos de trabalho apaixonado entregues ao esquecimento”.

Aproveitando a deixa: nesta quarta, às 19 horas, na FNAC Pinheiros, rola debate sobre o filme NOME PRÓPRIO. Em pauta: Cinema, Literatura e Internet – estarão presentes: o diretor Murilo Salles, Xico Sá, Marcelino Freire e Clarah Averbuck que é autora do texto em que o filme foi baseado.
Ps: A lamentar: somente a não presença no debate da bela e talentosíssima protagonista do filme, Leandra Leal.

Clip de NOME PRÓPRIO no YouTube.
http://www.youtube.com/nomepropriofilme





Um Mundo Novo

Adão Iturrusgarai na "Falha" de hoje




quinta-feira, 10 de julho de 2008

Lira Paulistana


É mais ou menos assim: com 15 anos eu convivia com amigos e namorada bem mais velhos – igual a quase todo adolescente, eu não queria me relacionar com os pivetes da minha idade, por isso busquei, assim que me mudei pra grande Little River, me aproximar dos acima de 20 (os que me interessavam naquela época). Com sorte encontrei gente muito legal - Álvaro, Ricardo, Otacílio, Murival, Pedro, Filó, Jorge, Mariana, Gustavo, Daniela, Paulinha, Wilson – que deu um upgrade incomensurável a minha formação política e principalmente cultural.

Conduzidos por alguns desses amigos foi que, por volta de 1983, conheci o insurgente porão do teatro LIRA PAULISTANA, que funcionava na Teodoro Sampaio ao lado da praça Benedito Calixto, em frente ao Bradesco. O local era “exíguo e diminuto”, tinha uma pequena arquibancada de madeira totalmente desconfortável, mas por esse lugar passaram – praticamente pela primeira vez - ITAMAR ASSUMPÇÃO, PREMÊ, LÍNGUA, ARRIGO BARNABÉ, RATOS DE PORÃO, VÂNIA BASTOS, GRUPO RUMO, SUSSEGA LEÃO, TITÂS DO IÊ-IÊ, ULTRAGE A RIGOR, TETÊ ESPÍNDOLA, ELIETE NEGREIROS, VIRGÍNIA ROSA, SUSANA SALLES, CIDA MOREIRA, EDUARDO GODIN entre outros.

Bueno. À época, eu já era um garoto que amava o Caetano e principalmente o Gilberto Gil e não tinha a menor idéia de quem era essa turma que se apresentava no Lira. - confesso que fui pela primeira vez por causa da namorada. Lá, vi um monte de gente estranha com roupas esquisitas cantando, dançando, declamando, se masturbando e fazendo maluquices. Não entendia nada porque todo mundo se apresentava numa mesma noite e a organização era a mais anárquica possível.

Mas por que estou contando essa historinha? É que por coincidência, recentemente, tenho freqüentado o ponto de ônibus localizado em frente de onde funcionava o Lira. Olho para a porta de aço que está quase sempre abaixada e me pego lembrando da pequena e desorganizada fila que se formava na calçada, das vezes que meus amigos iam até o bar da esquina comprar uma garrafa de vinho Natal pra gente tomar no gargalo (nessa época eu ainda não havia me tornado manguaceiro). Dá uma saudade legal.

Por ser ainda um pirralho, à época eu não sabia que o Lira mantinha jornal (segue foto) e um selo fonográfico por onde foi gravado o excelente e histórico Long Play BELELÉU E ISCA DE POLÍCIA do negodito ITAMAR ASSUMPÇÃO, além dos discos de estréia do Rumo, Premê, Cida Moreira, Eduardo Godin. Após tomar consciência da dimensão do que foi o Lira, esta semana comecei a ler alguns trechos de EM UM PORÃO DE SÃO PAULO – O LIRA PAULISTANA E A PRODUÇÃO AUTERNATIVA, de Laerte Fernandes de Oliveira, lançado pela editora Annablume. Por alguma razão fiquei contente comigo mesmo.






segunda-feira, 7 de julho de 2008

Boquete e Bouquet


Se você procurar um lugar para dançar em Paris certamente encontrará inúmeras casas de dança na Avenue Félix Faure. É muito fácil chegar lá: pegue qualquer uma das 15 linhas de metrô e faça conexão com a linha 8 e siga no sentido Balard; depois é só descer na estação Félix Faure (ficávamos tão cansados de andar por Paris que mesmo se fossemos convidados pra alguma balada dançante nós declinaríamos, brocharíamos; mas a dica vale pra quem queira).

Bueno. O que eu pretendo mesmo é falar sobre Félix Faure que foi presidente francês de 1895 a 1899 e que morreu de um calípso cardáico num prostíbulo parisiense enquanto famosa prostituta fazia-lhe um boquete; e, hoje, quem vê sua estátua sobre seu túmulo vestida com casaca de gala no cemitério Père-Lachaise (segue foto que tirei do túmulo), não sabe que Faure deixou este mundo peladinho da silva – pra não pegar mal, a imprensa da época anunciou que o presidente havia morrido após encontro oficial com Marguerite Steinheil (a prostituta) no Palais Elysée (Palácio Eliseu), sede do governo francês.

Posteriormente descobri que Faure, assim como boa parte de seu governo, esteve envolvido na trama que levou à prisão o judeu e oficial do exército francês Alfred Dreyfus (lê-se, dreifi) acusado e condenado injustamente por alta traição durante o conflito entre a França e a Alemanha, resultando na perda, pelos franceses, das regiões da Alsácia e Lorena.

Pelo que se sabe hoje, Dreyfus serviu de bode expiatório, já que era filho de uma opulenta família de judeus da Alsácia, estabelecida, há algum tempo em Paris, e pertencente à alta sociedade. A trama toda foi revelada numa carta aberta de Émile Zola – intitulada J’ccuse (Acuso) - publicada na primeira página do jornal parisiense L’Aurore de janeiro de 1898. No texto, Zola acusou o governo francês de anti-semitismo e de julgar e condenar Dreyfus precipitadamente com documentos falsos.

O que eu queria também com essa história era passar a dica de dois livros: ACUSO - O CASO DREYFUS, de Émile Zola (encontra-se facilmente em sebo – já traduzido), que conta a trama que envolveu Dreyfus (o livro revela sobre tudo a onda de nacionalismo e xenofobia que invadiu a Europa no fim do século XIX) e outro, SEXUS POLITICUS – LIGAÇÕES PERIGOSAS, de Christophe Deloire (de 2006, também já traduzido) que revela (desnuda) a vida amorosa dos líderes franceses. Pode até parecer um livro de fofocas do mundo das celebridades, mas é mais que isso; Sexus Politicus conta, por exemplo, que existem leis de “censura prévia”, com multas e condenações pesadas pra quem revelar, sem autorização, qualquer detalhe da vida íntima de seus governantes.






sexta-feira, 4 de julho de 2008

Cemitério no Rio de Janeiro


Vai aqui uma dica aos amigos do Rio de Janeiro (Ioda, Aires, Úrsula, Félix, Cláudio Somma, Claudinho, Jaime, Rafa, Paulinha e Laís, Celso, Jane – a maluca mais linda e maravilhosa que conheço e que não vejo desde 1991 do século passado): é que vai rolar, a partir de sexta agora, dia 4, a mostra CEMITÉRIO DE AUTOMÓVEIS com quatro peças inéditas de MÁRIO BORTOLOTTO no TEATRO MUNICIPAL ZIEMBINSKI, na Tijuca.

São elas: CHAPA QUENTE (dias 4, 5 e 6 de julho), EFEITO URTIGÃO (dias 11, 12 e 13), KEROUAC (18,19 e 20) e À QUEIMA ROUPA (25, 26 e 27).

Bundas & cofrinhos - Parte IV




quarta-feira, 2 de julho de 2008

A BANDA


Pensei que fosse outra película sobre o eterno (e insolúvel) conflito árabe-israelense, mas o que eu assisti (no recém-reformado Espaço Unibanco da Augusta) nesta agradável noite de terça-feira me embasbacou: o que vi foi um filme brilhantemente roteirizado, editado, sem discurso tendencioso. A BANDA, do diretor israelense Eran Kolirin, durou apenas 87 minutos e é o melhor filme que assisti neste ano (acho difícil aparecer outro filme pra desbancar este, e olha que eu gostei muito do sensacional A CULPA É DE FIDEL). A BANDA é um “drama-comédia” sobre uma pequena banda da polícia egípcia que chegou a Israel pra tocar numa cerimônia de inauguração de um centro cultural, mas devido a questões burocráticas, à má sorte e a qualquer outra razão, ficou esquecida no aeroporto, e, tentando arranjar-se, acabou se deslocando equivocadamente a uma quase esquecida cidade israelita. Apesar das diferenças culturais, os moradores dessa cidade se abrem aos forasteiros da banda e, durante 24 horas, a música cria entre eles uma conexão muito bonita.

Recomendo A BANDA, pois há muito tempo eu não me emocionava com um filme na telona.


A Banda (The Band’s Visit) é o primeiro longa de Eran Kolirin e recebeu prêmio especial no Festival de Cannes em 2007; venceu também a edição de 2007 do Jerusalem International Film Festival nas categorias (filme, roteiro, diretor, ator, atriz, ator coadjuvante, musica e figurino).

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Paris C'est Moi - Parte II
















Nestes dias friorentos de Sampa, que mal dá vontade de sair de casa, fico lembrado de que quando cheguei a Paris fazia um friozinho parecido; com temperatura média de 16 graus. Pra nossa primeira grande aventura, que foi subir os quatrocentos degraus da catedral de NOTRE DAME, coloquei cachecol e carreguei agasalho extra na mochila. Mas dois dias após saiu sol-de-primavera, dando pra ver com outros olhos os jardins floridos da cidade – as árvores que margeiam o SENA encantavam pela exuberância.

O parisiense que prefere o “calor humano” do metrô no inverno volta agora a ocupar os bulevares, as avenidas, as praças e as ruas – essa é a melhor ocasião (principalmente pra nós que vivemos no Patropi) pra conhecer Paris (para se ter uma idéia de como fica a cidade durante o inverno, eu recomendo o filme de Alain Resnais, MEDOS PRIVADOS EM LUGARES PÚBLICOS, que ainda está em cartaz).

Teve dia que andei de camiseta e bermuda por causa de calor penoso, parecido com os do Nordeste (encontrei um baiano neste dia dizendo que “a única coisa ruim de Paris é não ter Água-de-coco” – concordei). Com a chegada da primavera vem também o horário de verão e o fuso passa a ser de 5 horas de diferença com o Brasil – nesta época a gente se embanana todo com o tempo; imagine viver num lugar em que às 10 da noite o dia ainda está claro.

Nesses dias que deu sol deu também vontade de botar uma Havaiana no pé e tomar umas brejas nalgum bar de Paris, mas do jeito que esse povo bebe e produz vinho, parece ser heresia esta minha vontade. E por falar em beber, encontramos uma gaúcha na Place des Vosges (tem foto da moça aí em cima) com sua inseparável cuia de chimarrão – ela estuda e mora na cidade e jura nunca mais reclamar do verão parisiense depois de ter enfrentado um inverno demorado de mais de 6 meses.

Ps: as fotos deste post foram produzidas por monsieur Angelo

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Lafayette x Daslu (Très Chic)



Sou um rapaz latino-americano sem dinheiro no banco, deserdado de pai e mãe, raquítico, esquálido, desalinhado, deselegante, pálido, tísico, abjeto, ignóbil, pusilânime. Sim. Sou tudo isso. E com todos esses quesitos jamé me deixariam passar dos portões de entrada da DASLU – e cá pra nós, não tenho e nunca tive intenções de chegar próximo sequer do quarteirão desse templo do consumo da elite paulista. E confesso que me diverti quando, em 2005, Eliana Tranchese, proprietária dessa mega-boutique, teve prisão decretada – somente lamentei não ter visto a madame ser algemada e conduzida num camburão à sede da Polícia Federal.

Se me lembro bem, Xico Sá, um ano antes da prisão da madame, escreveu texto se colocando do lado dos assaltantes que surrupiaram um caminhão contendo mercadorias de luxo da Daslu. Pra quê!? O mundico dos cordeirinhos pagadores de impostos sentou o pau no Xico – coitado do moço. Mas, para o deleite meu, do Xico e de tantos outros, o império Daslu ruiu: Eliana, mais o irmão e dois empresários foram presos acusados de crime de formação de quadrilha, falsidade material, ideológica e contra a ordem tributária - e o melhor de tudo é que a madame não pôde usar seu rico dinheiro pra sair sob fiança, pois a prisão era cautelar. Maravilha!

Bueno. Tô falando desse caso pra contar que com todos esses meus quesitos atestadores de minha baixa condição social, eu pude, em Paris, entrar na GALERIES LAFAYETTE sem nenhuma espécie de constrangimento por parte de seguranças ou de outras formas inibidoras. Pra quem não conhece, a Lafayette é, juntamente com a HARRODS (de Londres) e a GALERIA VITTORIO EMANUELLE (de Milão), um dos maiores magazines da Europa. Ela existe desde 1893 na agita boulevard Haussmann e já foi citada até nos livros de Émile Zola.

As boutiques e as marcas mais famosas do mundo estão lá: John Galiano, Louis Vuitton, Valetino, Gucci, Hugo Boss, Chanel, Calvin Klein, Rolex (vi um relógio dessa marca que daria pra comprar um apartamento de altíssimo padrão em Higienópolis). Na Lafayette está o glamour e está tudo o que os endinheirados de tout le monde podem consumir. É chique no último!

Mas o que é que eu estava fazendo ali? Nada. Quando vi que ninguém me barraria na entrada, eu simplesmente entrei. O desfile de madames do mundo todo se passava ali. Assim como eu, muita gente entrou também: alguns pra verem a imensa e centenária cúpula de vidro outros por pura curiosidade. De hilário, o barato era ver as pseudo-madames, que compraram produtos fakes dos camelôs das ruas próximas, tirando fotos dentro da Lafaytte como se fossem consumidoras da galeria.

Enfim, diria eu aos meus amigos sociólogos (Marcio, Steps, Zezinho e Alexandre Kishimoto) que, foi apenas uma experiência “antropológica”.