

Por coincidência adquiri e li dois livros cujos títulos e as tramas têm a ver com hotéis. Um é o “HOTEL NOVO MUNDO” de Ivana Arruda Leite, o outro, “HOTEL ATLÂNTICO” de João Gilberto Noll. Ambos têm enredos parecidos: protagonistas que resolvem largar vínculos afetivos, empregos, e tentar mudar o destino noutros lugares; abandonam bens e não carregam nem bagagens (o maluco é que os personagens centrais, dos dois hotéis, estão caindo fora do Rio de Janeiro). Com narrativas ágeis e enxutas as duas histórias empolgam como num filme de aventura, só que com diferentes desfechos - obras com 20 anos de distância uma da outra: o livro de Ivana é de junho de 2009, o de Noll é de 1989.
O legal foi como cheguei a esses romances. Há muito tempo vejo resenhas publicadas em jornais e revistas de lançamentos desses dois autores, e sempre me esbarro com outros títulos deles quando estou em sebos e livrarias, no entanto eu não havia lido nada de Ivana e de Noll. Até o dia em que (dando um rolê pelo sebo do Bactéria, na praça Roosevelt) me rendi e comprei o “HISTÓRIAS DA MULHER DO FIM DO SÉCULO” da Ivana, de 1997; li absorto os 28 contos em que a autora retrata mulheres reais. Deu barato, e logo em seguida comprei o sensacional “FALO DE MULHER” (de 2002), outro livro de contos de Ivana; nenhum deles com final feliz, repleto de embates da vida privada, tragédias amorosas, e com mulheres à beira de ataques homicidas. Muito bom.
E em junho deste ano Ivana lançou HOTEL NOVO MUNDO que é seu primeiro romance. Nele, Renata é uma ex-prostituta que, se sentido traída, abandona a boa vida que levava ao lado do marido rico no Rio de Janeiro para morar num hotel barato no centro de Sampa. A autora descreve o dia-a-dia da primeira semana do recomeço de Renata nesse novo mundo. Um mundo onde ela encontra um pianista de boate ( com uma história comovente: o músico fora casado com ex-cantora de sucesso da noite paulistana, Diva Dantas, com quem teve uma filha, Cecília, que só a conheceu quando a mãe se encontrava à beira da morte), um pai-de-santo com ética profissional, que se relaciona com estilista soropositivo; e uma menina cheia de vida, mas com a saúde debilitada.
O HOTEL ATLÂNTICO do NOLL encontrei num sebo da rua Sete de Abril e o devorei em dois dias. Nele o autor narra a estranha história de um ator que foge sem rumo e que por onde passa tem gente morrendo. O personagem não é tão solidário e humanista quanto a “Renata” da Ivana. E prepare-se: porque as cenas de sexo, de violência e de descontroles levam o personagem (e o leitor) ao desespero - o que é muito legal.
E eu que geralmente curto personagens solitários, on the roads, fora de lugar, acabei conhecendo dois autores distintos (Ivana é de Sampa e Noll, gaúcho) que passeiam elegantemente por essa praia. Eu os recomendo.
Ps: e agora tô afinzasso de ler “A FÚRIA DO CORPO” e “HARMADA” de Noll - se alguém souber onde encontrá-los me dê um toque, please.
O legal foi como cheguei a esses romances. Há muito tempo vejo resenhas publicadas em jornais e revistas de lançamentos desses dois autores, e sempre me esbarro com outros títulos deles quando estou em sebos e livrarias, no entanto eu não havia lido nada de Ivana e de Noll. Até o dia em que (dando um rolê pelo sebo do Bactéria, na praça Roosevelt) me rendi e comprei o “HISTÓRIAS DA MULHER DO FIM DO SÉCULO” da Ivana, de 1997; li absorto os 28 contos em que a autora retrata mulheres reais. Deu barato, e logo em seguida comprei o sensacional “FALO DE MULHER” (de 2002), outro livro de contos de Ivana; nenhum deles com final feliz, repleto de embates da vida privada, tragédias amorosas, e com mulheres à beira de ataques homicidas. Muito bom.
E em junho deste ano Ivana lançou HOTEL NOVO MUNDO que é seu primeiro romance. Nele, Renata é uma ex-prostituta que, se sentido traída, abandona a boa vida que levava ao lado do marido rico no Rio de Janeiro para morar num hotel barato no centro de Sampa. A autora descreve o dia-a-dia da primeira semana do recomeço de Renata nesse novo mundo. Um mundo onde ela encontra um pianista de boate ( com uma história comovente: o músico fora casado com ex-cantora de sucesso da noite paulistana, Diva Dantas, com quem teve uma filha, Cecília, que só a conheceu quando a mãe se encontrava à beira da morte), um pai-de-santo com ética profissional, que se relaciona com estilista soropositivo; e uma menina cheia de vida, mas com a saúde debilitada.
O HOTEL ATLÂNTICO do NOLL encontrei num sebo da rua Sete de Abril e o devorei em dois dias. Nele o autor narra a estranha história de um ator que foge sem rumo e que por onde passa tem gente morrendo. O personagem não é tão solidário e humanista quanto a “Renata” da Ivana. E prepare-se: porque as cenas de sexo, de violência e de descontroles levam o personagem (e o leitor) ao desespero - o que é muito legal.
E eu que geralmente curto personagens solitários, on the roads, fora de lugar, acabei conhecendo dois autores distintos (Ivana é de Sampa e Noll, gaúcho) que passeiam elegantemente por essa praia. Eu os recomendo.
Ps: e agora tô afinzasso de ler “A FÚRIA DO CORPO” e “HARMADA” de Noll - se alguém souber onde encontrá-los me dê um toque, please.