Tenho cá para mim que o apagão da semana passada até que foi legal. É verdade. Logo no começo do breu baixou uma velha vontade inspiradora de tocar violão. Digo “velha vontade” porque há algum tempo me pego pensando de quando eu andava com o violão pra todo canto, de quando eu vivia sem grana, sem lenço, sem documento e vomitando lirismo e aforismos libertários. Às vezes quero acreditar que dos 13 até os 25 anos, eu tinha um pouco dessa tal “alma de artista”. Eu era um daqueles malucos que, logo no começo do ano letivo, ia de classe em classe procurando gente pra montar alguma peça teatral ou pra organizar pequenos festivais musicais. De cara saquei que eu não tinha talento algum para atuar, no entanto me dava bem com produção e direção. No começo a gente fazia muita porcaria, do tipo “O Médico e o Monstro”, “Meu Pé de Laranja Lima” e “Marcelino Pão e Vinho”, mas, com o tempo, fomos aprendendo e tomando gosto pela arte. No colegial conhecemos textos mais interessantes e cênicos como o “Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, que montamos mais de 5 vezes – sei de cor, até hoje, falas inteiras dos personagens “João Grilo” e “Chicó”. De legal mesmo foi quando montamos o “Auto da Barca do Inferno” do Gil Vicente; nós até esperávamos algum tipo de reação contrária, mas não imaginávamos que nossas apresentações seriam interrompidas (leia-se “censurada”) logo após as duas primeiras apresentações: isso porque pedimos à nossa amiga Carla - que interpretaria a amante do Frade - ficar com os peitinhos de fora numa das cenas (e ela topou, he he!).
“Como é bom poder tocar um instrumento”. Como disse, durante o apagão senti o mesmo barato de quando o violão era parte integrante das minhas andanças. É sério. Eu levava o meu violão até para a cama. Se alguém fosse me procurar durante os intervalos de aula ou no recreio era só seguir o som do violão que me encontraria. Naquela época, no início dos anos 80, meu repertório consistia de muito Caetano, Guilherme Arantes, Gil, Zé Ramalho, Fábio Jr (sim, esse cara já gravou muita coisa boa), Belchior, Elton John, Queen, Bob Marley, Beto Guedes, Djavan, e outros tantos. Eu não tocava bem (como até hoje), mas me dedicava nalgumas interpretações a ponto de convencer muita gente. E tinha também aquele papo de tocar violão pra conquistar as garotas que realmente funcionava; só que era necessário conhecer um pouco da menina e de seu gosto musical, daí partir pro xaveco e pro abraço.
E sob a luz de velas toquei antigas canções que eu guardava em velhas pastas que estavam desaparecidas na bagunça da estante. Numa delas encontrei um poema bem legal [este é o terceiro “legal” que uso - onde foram parar meus adjetivos mais elegantes?] que meus amigos Arthur Ribeiro e Luciano Cenci fizeram para mim e pra minha amiga Vivi, enquanto tomávamos algumas brejas e tocávamos violão, isso lá no começo dos anos 90. Naquela época líamos Neruda e os versos surgiram meio que plagiando involuntariamente o título do livro “Confesso que Vivi” do poeta chileno. O certo é que quando eu enchia o caneco teimava em trocar “Vivi” por “Lili”, e vejam o que eles compuseram:
“O Zé só me chama de Lili
Vivi que eu sou!
Pois Zé!
O que eu vou fazer?
Vi que eu sou
Pro Zé sempre Li...
Vivi que eu sou
Sou vivinha até
Sacumé
Eu sei que o Zé
Tem a língua livre
Podicrê
O que eu vou dizer
Se então parece que o Zé disse não:
Pra mim não pode ser assim
Eu pensei:
Não pra mim
Não pode ser assim
E, no entanto, existe algo entre nós
Que não vai ter fim
Quer dizer
Não sou eu
Sou e serei o que vivi.”
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Muitos shows pra comemorar os 30 anos do LIRA PAULISTANA

Bom, meu amigos, como dá pra ver por aqui, esta semana vai rolar muita coisa legal em Sampa. Além da quarta edição da BALADA LITERÁRIA, que começa no dia 19 (quinta-feira), tem também o início das comemorações dos 30 anos do TEATRO LIRA PAULISTANA nesta terça, dia 17, no Sesc-Consolação (que vai até o dia 9 de dezembro). Pra quem não conhece, o Lira era um porão da Rua Teodoro Sampaio, 1091, que convertido em teatro de 200 lugares, tornou-se, no início dos anos de 1980, uma espécie de centro cultural alternativo onde se encontravam representantes das diversas expressões artísticas da cidade. Na sua curta existência (de 1978 a 1986), passaram por lá Arrigo Barnabé, Suzana Salles, Itamar Assumpção, Premeditando o Breque (Premê, para os íntimos), Tetê e Alzira Espíndola, Paulo Lepetit, Ná Ozzetti, Jorge Mautner, Patife Band, Língua de Trapo, Gigante Brasil, entre outros.
Serviço:
17/11 - TERÇA - 21:00h - Vídeo sobre o LIRA PAULISTANA de RIBA DE CASTRO (30 min.) e show com a BANDA ISCA e ANELIS ASSUMPÇÃO.
17/11 - TERÇA - 21:00h - Vídeo sobre o LIRA PAULISTANA de RIBA DE CASTRO (30 min.) e show com a BANDA ISCA e ANELIS ASSUMPÇÃO.
18/11 - QUARTA - 21:00h - LÍNGUA DE TRAPO e PREMÊ
(Antes, vídeo do Riba de Castro, versão 10 min.)
(Antes, vídeo do Riba de Castro, versão 10 min.)
24/11 - TERÇA - 19:30h - ALZIRA E. e PASSOCA
25/11 - QUARTA - 21:00h - CLEMENTE (BANDA INOCENTES)
e CONVIDADOS DO ROCK
e CONVIDADOS DO ROCK
01/12 - TERÇA - 19:30h - JORGE MAUTNER
02/12 - QUARTA - 21:00h - CLEMENTE e CONVIDADOS DO ROCK
E no dia 06 de dezembro, domingo, a partir das 16:OOh,
show na PRAÇA BENEDITO CALIXTO com ARRIGO BARNABÉ, BANDA ISCA, LÍNGUA DE TRAPO, PREMÊ e muito mais...
E no dia 06 de dezembro, domingo, a partir das 16:OOh,
show na PRAÇA BENEDITO CALIXTO com ARRIGO BARNABÉ, BANDA ISCA, LÍNGUA DE TRAPO, PREMÊ e muito mais...
08/12 - TERÇA - 21:00h - NA OZZETTI, TETÊ ESPINDOLA e VIRGINIA ROSA.
09/12 - QUARTA - 21:00h - ARRIGO BARNABÉ
Com exceção do show do dia 6 de dezembro na praça Benedito Calixto, que será gratuito, a programação que rola no Sesc-Consolação vai custar R$ 10,00 [inteira] R$ 5,00 [usuário matriculado no SESC e dependentes]
R$ 2,50 [trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes]
Pra ver a programação completa clique aqui.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
"BALADA, BALADA!!!"
Meus amigos todos, anotem porque essa dica é imperdível. É que tá chegando a BALADA LITERÁRIA, um dos agitos literários mais legais que rolam em Sampa.(na Vila Madá). Organizada por MARCELINO FREIRE, a balada chega à sua quarta edição e os destaques deste ano são os escritores José Luís Peixoto, Francisco Alvim, Márcio Souza, Reinaldo Moraes, Raimundo Carrero, Michel Melamed, Lira Neto, Chacal, João Ubaldo Ribeiro, entre outros.
O evento será entre os dias 19 e 22 de novembro e tem o escritor JOÃO SILVÉRIO TREVISAN como homenageado.
As oficinas e bate-papos vão rolar na BIBLIOTECA ALCEU AMOROSO LIMA, ESPAÇO PLINIO MARCOS, LIVRARIA DA VILA, CENTRO CULTURAL b_arco, MERCEARIA SÃO PEDRO, Ó DO BOROGODÓ e no SESC PINHEIROS.
Confira a programação completa (que segue abaixo) porque tá bom pra caramba. Vai ter muita música e poesia. E mais legal ainda é que vai rolar durante o feriadão. Para o pessoal de outros Estados prometo fazer resumos fotográficos diariamente.
DIA 19 DE NOVEMBRO [QUINTA]
11h00 – Livraria da Vila
ANTONIO CADENGUE [diretor teatral], JOMARD MUNIZ DE BRITTO [poeta] e NELSON DE OLIVEIRA [escritor] conversam com JOÃO SILVÉRIO TREVISAN, o homenageado da BALADA LITERÁRIA 2009 sobre sua carreira como escritor e militante homossexual e também sobre seu mais recente romance “Rei do Cheiro”(Record)
14h30 – Livraria da Vila
Um importante editor conversa com quatro jovens autores, numa discussão sobre gênero literário, mercado e como cada um vê a carreira que está começando a construir: SAMUEL LEON [editor da Iluminuras] conversa com ADRIENNE MYRTES [autora do livro de contos A Mulher e o Cavalo e que prepara seu primeiro romance], FABRÍCIO CORSALETTI [prestigiado poeta, contista e que este ano estreou como romancista], ISMAEL CANEPPELE [romancista, autor do livro inédito, adaptado para o cinema, Os Famosos e os Duendes da Morte] e MICHELINY VERUNSCK [poeta premiada, que acaba de escrever seu primeiro romance]
16h30 – Livraria da Vila
Escritores se encontram para falar de literatura, jornalismo, academia e novas mídias: IVANA ARRUDA LEITE [socióloga, autora, entre outros, do romance Hotel Novo Mundo] conversa com HELOÍSA BUARQUE DE HOLANDA [professora da UFRJ, editora, escritora e ensaísta], MARCELO COELHO [escritor e jornalista, colunista do jornal Folha de S. Paulo] e NOEMI JAFFE [escritora e crítica literária, doutora em literatura brasileira pela USP)]
19h00 – SESC Pinheiros
Um bate-papo com um dos principais autores contemporâneos portugueses: MARCELO MOUTINHO [escritor carioca, organizador da antologia Dicionário Amoroso da Língua Portuguesa] conversa com JOSÉ LUÍS PEIXOTO [nascido em Lisboa, escreveu, entre outros, o romance Cemitério de Pianos, com o qual é finalista do Prêmio Portugal Telecom 2009]
21h00 – Centro Cultural b_arco
Uma edição especial da DE MODO GERAL,uma revista de artes, apresentada ao vivo, marcando a abertura da BALADA LITERÁRIA2009, com lançamento de vários livros: PAULO SCOTT [poeta e prosador], ALLAN SIEBER [cartunista], FLU [músico], JOÃO PAULO CUENCA [cronista e romancista], RAMON MELLO [poeta] e RODRIGO PENNA [ator] conversam, numa espécie de talk show, com ALEXANDRE RODRIGUES [jornalista e eescritor], JOCA REINERS TERRON [poeta e prosador, autor, entre outros, de Curva de Rio Sujo], PEDRO AMÉRICO [poeta recifense] e SIDNEY ROCHA [cearense, autor do recém-lançado livro de contos Matriuska]
Participação especial da cantora e compositora pernambucana LULINA.
23h00 – Bar Ó do Borogodó
Roda de samba com o grupo Ó do Borogodó.
DIA 20 DE NOVEMBRO [SEXTA]
11h00 – Livraria da Vila
Uma conversa com três dos principais romancistas do Brasil, nascidos em diferentes estados, que também têm livros publicados em outros gêneros: CARLOS HERCULANO LOPES [escritor, repórter do jornal O Estado de Minas] conversa com MÁRCIO SOUZA [amazonense, autor, entre outros, de Galvez, Imperador do Acre e Mad Maria], MARIA JOSÉ SILVEIRA [goiania, autora de vários romances, entre eles o Guerra no Coração do Cerrado] e RAIMUNDO CARRERO [pernambucano, escreveu diversos livros premiados, sendo o mais recente Minha Alma É Irmã de Deus]
14h30 – Livraria da Vila
Um bate-papo sobre a poesia e a prosa latino-americana e angolana: FREDERICO BARBOSA [poeta, diretor do Museu da Língua Portuguesa] conversa com CLÁUDIO WILLER [um dos principais poetas brasileiros], JOÃO MELO [poeta, contista e jornalista angolano], LÉO FELIPE CAMPOS [poeta, romancista e editor venezuelano] e RODRIGO GARCIA LOPES [poeta, tradutor, professor de literatura nos Estados Unidos]
16h30 – Livraria da Vila
Um bate-papo com três velhos amigos, sobre a obra de cada um e a ligação de boemia e literatura: XICO SÁ [jornalista e escritor] conversa com MÁRIO PRATA [autor, entre outros, de Diário de um Magro e Os Anjos do Badaró], MATTHEW SHIRTS [jornalista, autor do livro de crônicas Jeitinho Americano] e REINALDO MORAES [autor dos romances Tanto Faz e Pornopopéia, entre outros]
19h00 – SESC Pinheiros
VIVA O POVO BRASILEIRO - uma noite em homenagem ao DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA e aos 50 anos de carreira de JOÃO UBALDO RIBEIRO.
Show com VITOR ARAÚJO [pianista], FABIANA COZZA [cantora] e RUBI [cantor]
Participações especiais de ALTAIR MARTINS, DOUGLAS ALONSO, MARCELINO FREIRE, NARUNA COSTA e OLÍVIA ARAÚJO.
Também serão homenageados os escritores FERRÉZ e SÉRGIO VAZ
23h00 – Bar Ó do Borogodó
Roda de samba com o grupo Ó do Borogodó
DIA 21 DE NOVEMBRO [SÁBADO]
11h00 – Livraria da Vila
Um bate-papo com escritores conhecidos também por seu trabalho em outras áreas: RONALDO BRESSANE [jornalista, poeta e autor, entre outros, de Céu de Lúcifer], conversa com ANTONIO PRATA [cronista, com vários livros publicados, colunista do jornal O Estado de S. Paulo], EDNEY SILVESTRE [apresentador de TV e que acaba de publicar seu primeiro romance, Se Eu Fechar os Olhos Agora] e MICHEL LAUB [jornalista, um dos criadores da revista Bravo, autor de vários romances, entre eles o recente O Gato Diz Adeus]
13h30 – Espaço Plínio Marcos
Jovens poetas, de diferentes cidades brasileiras, fazem uma homenagem ao curitibano
PAULO LEMINSKI, em um sarau na Praça Benedito Calixto comandado pelo poeta baiano RUY MASCARENHAS
14h30 – Biblioteca Alceu Amoroso Lima
Um bate-papo com quatro poetas da nova geração sobre publicação, novas mídias e o que é - e por que - “ser poeta” no mundo de hoje: BINHO [poeta, criador do Sarau do Binho] conversa com ANALU ANDRIGUETTI [autora do livro inédito A Matadora de Orquídeas], HUGO GUIMARÃES [autor do livro Poesia Gay Underground], JESÚS ERNESTO PARRA [poeta venezuelano, autor de Sombras que Cruzan las Paredes] e MARIA REZENDE [poeta carioca, autora, entre outros, de Bendita Palavra]
17h00 – Biblioteca Alceu Amoroso Lima
Um bate-papo com um dos grandes nomes da poesia brasileira: IVAN MARQUES [professor da USP e criador do programa de TV Entrelinhas] conversa com FRANCISCO ALVIM [mineiro, radicado em Brasília, autor, entre outros, de Elefante]
19h00 – Biblioteca Alceu Amoroso Lima
Dois famosos poetas “performáticos” dos anos 70 encontram dois famosos poetas “performáticos” dos anos 90: CHACAL [poeta carioca] e NICOLAS BEHR [poeta mato-grossense radicado em Brasília] conversam com DANI UMPI [poeta, ator e cantor uruguaio] e MICHEL MELAMED [poeta e ator carioca]
Entre uma mesa e outra, haverá intervenções dos coletivos de poesia MUITO BARULHO POR NADA [de Salvador], URROS MASCULINOS [do Recife] e POESIA MALOQUEIRISTA [de São Paulo]
Na ocasião, acontecerá a abertura oficial da exposição de grafite e poesia visual coordenada pela editora DULCINÉIA CATADORA e será lançado o livro No Visgo do Improviso ou A Peleja Virtual Entre Cibercultura e Tradição, de MARIA ALICE AMORIM
21h00 – Mercearia São Pedro
BALADA DE LANÇAMENTO da antologia de contos Tribêbada, com vários autores; do livro Poeticidade, de FREDERICO BARBOSA; e do Diário de Bordo, de LIELI LOURES, esse em parceria com a diretora de arte Raquel Alvarenga e com a artista plástica Inco Matsui
DIA 22 DE NOVEMBRO [DOMINGO]
11h00 – Livraria da Vila
O encontro histórico de dois escritores de gerações diferentes, com muitos pontos em comum: SANTIAGO NAZARIAN [autor, entre outros, do recém-publicado romance O Prédio, o Tédio e o Menino Cego] conversa com JOÃO GILBERTO NOLL [um dos nossos mais premiados escritores, autor, entre outros, do romance Acenos e Afagos]
14h30 – Livraria da Vila
Uma mesa em homenagem a uma das mais importantes escritoras brasileiras, cujo relançamento de sua obra teve início este ano: MANUEL DA COSTA PINTO [crítico literário] e alguns convidados do evento conversam com LYGIA FAGUNDES TELLES [nascida em São Paulo, ganhadora do Prêmio Camões, é autora de clássicos como o romance Ciranda de Pedra e os contos de Antes do Baile Verde]
17h00 – Centro Cultural b_arco
Gravação ao vivo do programa de TV JOGO DE IDEIAS.
CLAUDINEY FERREIRA [jornalista e coordenador literário do Itaú Cultural] conversa com LIRA NETO [autor da biografia Maysa e da recém-lançada Padre Cícero] e FERNANDO MORAIS [autor de Olga e da biografia O Mago, entre outros livros de sucesso]
20h30 – Centro Cultural b_arco
SHOW DE ENCERRAMENTO com a banda PORCAS BORBOLETAS, além de leituras com convidados. Participação especial de ANDERSON FONSECA, MÁRCIO ANDRÉ e VICTOR PAES, do Rio.
RESSACA LITERÁRIA
Mantendo a tradição, toda BALADA LITERÁRIA termina com a RESSACA LITERÁRIA.
Desta vez, a BALADA encerrará em grande estilo, com dois convidados superespeciais, a saber:
DIA 25 DE NOVEMBRO [QUARTA]
19h30 – Centro Cultural b_arco
MARCELINO FREIRE e os participantes da oficina de criação literária do b_arco conversam com ÍTALO MORICONI, professor da UFRJ e organizador, entre outras, da antologia Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século
DIA 29 DE NOVEMBRO [DOMINGO]
17h00 – SESC Pinheiros
RODRIGO LACERDA [autor premiado, de livros como Vista do Rio e O Fazedor de Velhos] conversa com JOÃO UBALDO RIBEIRO [que acaba de lançar pela Nova Fronteira o romance O Albatroz Azul]
ESPECIAL:
Oficina Literária com RAIMUNDO CARRERO
SESC Pinheiros
Dia 19 (quinta): das 15h00 às 17h00
Dia 21 (sábado): das 13h30 às 16h30
Vagas limitadas
“CARA DE ESCRITOR”
Exposição de fotografias de EDSON KUMASAKA:
Livraria da Vila e Centro Cultural b_arco
ATENÇÃO:
- Todo o evento tem ENTRADA FRANCA, exceto as rodas de samba no bar Ó do Borogodó e o show do dia 20 de novembro no SESC Pinheiros (em que será cobrado valor simbólico).
- Durante todo o evento será respeitado o limite de lotação das salas.
- Para saber mais sobre os convidados e verificar se houve alguma alteração na programação, acesse: http://baladaliteraria.zip.net e www.obarco.com.br
- Siga o evento no Twitter: www.twitter.com/baladaliteraria
O evento será entre os dias 19 e 22 de novembro e tem o escritor JOÃO SILVÉRIO TREVISAN como homenageado.
As oficinas e bate-papos vão rolar na BIBLIOTECA ALCEU AMOROSO LIMA, ESPAÇO PLINIO MARCOS, LIVRARIA DA VILA, CENTRO CULTURAL b_arco, MERCEARIA SÃO PEDRO, Ó DO BOROGODÓ e no SESC PINHEIROS.
Confira a programação completa (que segue abaixo) porque tá bom pra caramba. Vai ter muita música e poesia. E mais legal ainda é que vai rolar durante o feriadão. Para o pessoal de outros Estados prometo fazer resumos fotográficos diariamente.
DIA 19 DE NOVEMBRO [QUINTA]
11h00 – Livraria da Vila
ANTONIO CADENGUE [diretor teatral], JOMARD MUNIZ DE BRITTO [poeta] e NELSON DE OLIVEIRA [escritor] conversam com JOÃO SILVÉRIO TREVISAN, o homenageado da BALADA LITERÁRIA 2009 sobre sua carreira como escritor e militante homossexual e também sobre seu mais recente romance “Rei do Cheiro”(Record)
14h30 – Livraria da Vila
Um importante editor conversa com quatro jovens autores, numa discussão sobre gênero literário, mercado e como cada um vê a carreira que está começando a construir: SAMUEL LEON [editor da Iluminuras] conversa com ADRIENNE MYRTES [autora do livro de contos A Mulher e o Cavalo e que prepara seu primeiro romance], FABRÍCIO CORSALETTI [prestigiado poeta, contista e que este ano estreou como romancista], ISMAEL CANEPPELE [romancista, autor do livro inédito, adaptado para o cinema, Os Famosos e os Duendes da Morte] e MICHELINY VERUNSCK [poeta premiada, que acaba de escrever seu primeiro romance]
16h30 – Livraria da Vila
Escritores se encontram para falar de literatura, jornalismo, academia e novas mídias: IVANA ARRUDA LEITE [socióloga, autora, entre outros, do romance Hotel Novo Mundo] conversa com HELOÍSA BUARQUE DE HOLANDA [professora da UFRJ, editora, escritora e ensaísta], MARCELO COELHO [escritor e jornalista, colunista do jornal Folha de S. Paulo] e NOEMI JAFFE [escritora e crítica literária, doutora em literatura brasileira pela USP)]
19h00 – SESC Pinheiros
Um bate-papo com um dos principais autores contemporâneos portugueses: MARCELO MOUTINHO [escritor carioca, organizador da antologia Dicionário Amoroso da Língua Portuguesa] conversa com JOSÉ LUÍS PEIXOTO [nascido em Lisboa, escreveu, entre outros, o romance Cemitério de Pianos, com o qual é finalista do Prêmio Portugal Telecom 2009]
21h00 – Centro Cultural b_arco
Uma edição especial da DE MODO GERAL,uma revista de artes, apresentada ao vivo, marcando a abertura da BALADA LITERÁRIA2009, com lançamento de vários livros: PAULO SCOTT [poeta e prosador], ALLAN SIEBER [cartunista], FLU [músico], JOÃO PAULO CUENCA [cronista e romancista], RAMON MELLO [poeta] e RODRIGO PENNA [ator] conversam, numa espécie de talk show, com ALEXANDRE RODRIGUES [jornalista e eescritor], JOCA REINERS TERRON [poeta e prosador, autor, entre outros, de Curva de Rio Sujo], PEDRO AMÉRICO [poeta recifense] e SIDNEY ROCHA [cearense, autor do recém-lançado livro de contos Matriuska]
Participação especial da cantora e compositora pernambucana LULINA.
23h00 – Bar Ó do Borogodó
Roda de samba com o grupo Ó do Borogodó.
DIA 20 DE NOVEMBRO [SEXTA]
11h00 – Livraria da Vila
Uma conversa com três dos principais romancistas do Brasil, nascidos em diferentes estados, que também têm livros publicados em outros gêneros: CARLOS HERCULANO LOPES [escritor, repórter do jornal O Estado de Minas] conversa com MÁRCIO SOUZA [amazonense, autor, entre outros, de Galvez, Imperador do Acre e Mad Maria], MARIA JOSÉ SILVEIRA [goiania, autora de vários romances, entre eles o Guerra no Coração do Cerrado] e RAIMUNDO CARRERO [pernambucano, escreveu diversos livros premiados, sendo o mais recente Minha Alma É Irmã de Deus]
14h30 – Livraria da Vila
Um bate-papo sobre a poesia e a prosa latino-americana e angolana: FREDERICO BARBOSA [poeta, diretor do Museu da Língua Portuguesa] conversa com CLÁUDIO WILLER [um dos principais poetas brasileiros], JOÃO MELO [poeta, contista e jornalista angolano], LÉO FELIPE CAMPOS [poeta, romancista e editor venezuelano] e RODRIGO GARCIA LOPES [poeta, tradutor, professor de literatura nos Estados Unidos]
16h30 – Livraria da Vila
Um bate-papo com três velhos amigos, sobre a obra de cada um e a ligação de boemia e literatura: XICO SÁ [jornalista e escritor] conversa com MÁRIO PRATA [autor, entre outros, de Diário de um Magro e Os Anjos do Badaró], MATTHEW SHIRTS [jornalista, autor do livro de crônicas Jeitinho Americano] e REINALDO MORAES [autor dos romances Tanto Faz e Pornopopéia, entre outros]
19h00 – SESC Pinheiros
VIVA O POVO BRASILEIRO - uma noite em homenagem ao DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA e aos 50 anos de carreira de JOÃO UBALDO RIBEIRO.
Show com VITOR ARAÚJO [pianista], FABIANA COZZA [cantora] e RUBI [cantor]
Participações especiais de ALTAIR MARTINS, DOUGLAS ALONSO, MARCELINO FREIRE, NARUNA COSTA e OLÍVIA ARAÚJO.
Também serão homenageados os escritores FERRÉZ e SÉRGIO VAZ
23h00 – Bar Ó do Borogodó
Roda de samba com o grupo Ó do Borogodó
DIA 21 DE NOVEMBRO [SÁBADO]
11h00 – Livraria da Vila
Um bate-papo com escritores conhecidos também por seu trabalho em outras áreas: RONALDO BRESSANE [jornalista, poeta e autor, entre outros, de Céu de Lúcifer], conversa com ANTONIO PRATA [cronista, com vários livros publicados, colunista do jornal O Estado de S. Paulo], EDNEY SILVESTRE [apresentador de TV e que acaba de publicar seu primeiro romance, Se Eu Fechar os Olhos Agora] e MICHEL LAUB [jornalista, um dos criadores da revista Bravo, autor de vários romances, entre eles o recente O Gato Diz Adeus]
13h30 – Espaço Plínio Marcos
Jovens poetas, de diferentes cidades brasileiras, fazem uma homenagem ao curitibano
PAULO LEMINSKI, em um sarau na Praça Benedito Calixto comandado pelo poeta baiano RUY MASCARENHAS
14h30 – Biblioteca Alceu Amoroso Lima
Um bate-papo com quatro poetas da nova geração sobre publicação, novas mídias e o que é - e por que - “ser poeta” no mundo de hoje: BINHO [poeta, criador do Sarau do Binho] conversa com ANALU ANDRIGUETTI [autora do livro inédito A Matadora de Orquídeas], HUGO GUIMARÃES [autor do livro Poesia Gay Underground], JESÚS ERNESTO PARRA [poeta venezuelano, autor de Sombras que Cruzan las Paredes] e MARIA REZENDE [poeta carioca, autora, entre outros, de Bendita Palavra]
17h00 – Biblioteca Alceu Amoroso Lima
Um bate-papo com um dos grandes nomes da poesia brasileira: IVAN MARQUES [professor da USP e criador do programa de TV Entrelinhas] conversa com FRANCISCO ALVIM [mineiro, radicado em Brasília, autor, entre outros, de Elefante]
19h00 – Biblioteca Alceu Amoroso Lima
Dois famosos poetas “performáticos” dos anos 70 encontram dois famosos poetas “performáticos” dos anos 90: CHACAL [poeta carioca] e NICOLAS BEHR [poeta mato-grossense radicado em Brasília] conversam com DANI UMPI [poeta, ator e cantor uruguaio] e MICHEL MELAMED [poeta e ator carioca]
Entre uma mesa e outra, haverá intervenções dos coletivos de poesia MUITO BARULHO POR NADA [de Salvador], URROS MASCULINOS [do Recife] e POESIA MALOQUEIRISTA [de São Paulo]
Na ocasião, acontecerá a abertura oficial da exposição de grafite e poesia visual coordenada pela editora DULCINÉIA CATADORA e será lançado o livro No Visgo do Improviso ou A Peleja Virtual Entre Cibercultura e Tradição, de MARIA ALICE AMORIM
21h00 – Mercearia São Pedro
BALADA DE LANÇAMENTO da antologia de contos Tribêbada, com vários autores; do livro Poeticidade, de FREDERICO BARBOSA; e do Diário de Bordo, de LIELI LOURES, esse em parceria com a diretora de arte Raquel Alvarenga e com a artista plástica Inco Matsui
DIA 22 DE NOVEMBRO [DOMINGO]
11h00 – Livraria da Vila
O encontro histórico de dois escritores de gerações diferentes, com muitos pontos em comum: SANTIAGO NAZARIAN [autor, entre outros, do recém-publicado romance O Prédio, o Tédio e o Menino Cego] conversa com JOÃO GILBERTO NOLL [um dos nossos mais premiados escritores, autor, entre outros, do romance Acenos e Afagos]
14h30 – Livraria da Vila
Uma mesa em homenagem a uma das mais importantes escritoras brasileiras, cujo relançamento de sua obra teve início este ano: MANUEL DA COSTA PINTO [crítico literário] e alguns convidados do evento conversam com LYGIA FAGUNDES TELLES [nascida em São Paulo, ganhadora do Prêmio Camões, é autora de clássicos como o romance Ciranda de Pedra e os contos de Antes do Baile Verde]
17h00 – Centro Cultural b_arco
Gravação ao vivo do programa de TV JOGO DE IDEIAS.
CLAUDINEY FERREIRA [jornalista e coordenador literário do Itaú Cultural] conversa com LIRA NETO [autor da biografia Maysa e da recém-lançada Padre Cícero] e FERNANDO MORAIS [autor de Olga e da biografia O Mago, entre outros livros de sucesso]
20h30 – Centro Cultural b_arco
SHOW DE ENCERRAMENTO com a banda PORCAS BORBOLETAS, além de leituras com convidados. Participação especial de ANDERSON FONSECA, MÁRCIO ANDRÉ e VICTOR PAES, do Rio.
RESSACA LITERÁRIA
Mantendo a tradição, toda BALADA LITERÁRIA termina com a RESSACA LITERÁRIA.
Desta vez, a BALADA encerrará em grande estilo, com dois convidados superespeciais, a saber:
DIA 25 DE NOVEMBRO [QUARTA]
19h30 – Centro Cultural b_arco
MARCELINO FREIRE e os participantes da oficina de criação literária do b_arco conversam com ÍTALO MORICONI, professor da UFRJ e organizador, entre outras, da antologia Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século
DIA 29 DE NOVEMBRO [DOMINGO]
17h00 – SESC Pinheiros
RODRIGO LACERDA [autor premiado, de livros como Vista do Rio e O Fazedor de Velhos] conversa com JOÃO UBALDO RIBEIRO [que acaba de lançar pela Nova Fronteira o romance O Albatroz Azul]
ESPECIAL:
Oficina Literária com RAIMUNDO CARRERO
SESC Pinheiros
Dia 19 (quinta): das 15h00 às 17h00
Dia 21 (sábado): das 13h30 às 16h30
Vagas limitadas
“CARA DE ESCRITOR”
Exposição de fotografias de EDSON KUMASAKA:
Livraria da Vila e Centro Cultural b_arco
ATENÇÃO:
- Todo o evento tem ENTRADA FRANCA, exceto as rodas de samba no bar Ó do Borogodó e o show do dia 20 de novembro no SESC Pinheiros (em que será cobrado valor simbólico).
- Durante todo o evento será respeitado o limite de lotação das salas.
- Para saber mais sobre os convidados e verificar se houve alguma alteração na programação, acesse: http://baladaliteraria.zip.net e www.obarco.com.br
- Siga o evento no Twitter: www.twitter.com/baladaliteraria
terça-feira, 10 de novembro de 2009
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Imagens da SATYRIANAS 2009
Aqui vão alguns registros que fiz da SATYRIANAS 2009. Foi a maior pauleira – é humanamente impossível ver 30% da programação. Por isso dei prioridade às encenações autorais que rolaram nas tendas “DramaMix” e “Residência” instaladas na Praça Roosevelt por serem menos concorridas que as peças em cartaz no espaço Satyros I e II. Acho que, devido ao feriadão, o evento não contou com o mesmo público do ano passado (que passou dos 30 mil), por isso tava bem menos estressante. Tanto que era fácil descolar uma mesa nalguns dos 4 bares da praça pra bebericar entre uma programação e outra. O chato de sempre é apreciar bons eventos teatrais numa praça tradicional do velho centro da cidade em total abandono.
Alguns destaques: as “Stand Up Tragedys” (leituras poéticas que rolaram na tenda Residência), a peça “O Bebê de Roseroovelt” de Sérgio Roveri, “Freudislândia: Onde Tudo Explica” de Hugo Possolo, e “Amores Líquidos” de Marcelo Medeiros.
Fotos: Zequinha Imagens (clique nas imagens para ampliá-las)





Alguns destaques: as “Stand Up Tragedys” (leituras poéticas que rolaram na tenda Residência), a peça “O Bebê de Roseroovelt” de Sérgio Roveri, “Freudislândia: Onde Tudo Explica” de Hugo Possolo, e “Amores Líquidos” de Marcelo Medeiros.
Fotos: Zequinha Imagens (clique nas imagens para ampliá-las)


Na praça também rolou Blues da melhor qualidade na bela voz rouca de Fernanda D'Umbra (banda Fábrica de Animais)

Enquanto no restaurante ao lado da praça rolava um prestigiado Pagode
O sino da igreja da Consolação fez belém-blém-blão às 18h

Painel ainda intacto de Di Cavalcanti que restou do incêndio do teatro Cultura Artística.

Cenas bucólicas que registrei no sábado na Praça Roosevelt


A novidade deste ano é o festival circense "Palhaça Geral" que, em sua terceira edição, fez parte do Satyrianas2009 - o evento contou com diversas companhias circenses que levaram montagens tradicionais numa lona de circo montada na Praça Roosevelt.
Marião (o Bortolotto) e sua banda blueseira Saco de Ratos se apresentaram na tenda "Residência", onde também rolou pequenos "Stand up Tragedy" - leituras de poemas feita por diversos convidados do Marião

Fotos do sábado e do domingo: uma penca de gente ocupando a praça e as calçadas
Imensas filas pra ver os espetáculos nas tendas da praça
Muita gente: até as mesinhas que não são de bares estavam ocupadas
Famosidades: Marcelino Freire abraça Alberto Guzik - não pensem que eu estava bancando o paparazzi, viu! Eu estava conversando com Marcelino quando ele avistou Guzik.

Pra mim, o gran-finale das Satyrianas 2009 foi o ver na lona do "Palhaçada Geral" o "São Paulo Fashion Clown", uma sátira-show dos famosos desfiles de moda comandado pelo parlapatão Hugo Possolo, com a participação dos Doutores da Alegria, do ator Luis Miranda, e de outros grupos cômicos.
Fim do espetáculo e fim das Satyrianas - fecham-se as cortinas.
Ufa! Agora é o momento que vou atrás de uma breja gelada.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
"SATYRIANAS 2009"

Já comentei em outro post por aqui que a vinda das diversas trupes teatrais que se instalaram na Praça Roosevelt me incluiu na condição de “público de teatro” - devido a acessibilidade a espetáculos teatrais de qualidade (por preços não excludentes) deixei de ser apenas um “freqüentador casual”. Comentei também que graças a esse agito cultural/teatral muita gente voltou (começou) a freqüentar o antigo centro sem neura, apesar de o projeto de revitalização da praça Roosevelt (que é mal iluminada e anda caindo aos pedaços) não deixar de ser promessa dos administradores da cidade.
E um dos eventos culturais mais legal que rola na praça e que já entrou pro calendário oficial do Estado de São Paulo é a “Maratona Cultural Satyrianas – Uma Saudação à Primavera”, a festa teatral com duração de 78 horas ininterruptas. Nesta oitava edição (que este ano vai da próxima sexta-feira, dia 30, até segunda, dia 02) rola uma extensa programação de peças, debates, cafés literários, oficinas, shows musicais e jam sessions que podem ser conferidas nos teatros e em tendas montadas na praça e noutros 31 espaços que se tornaram parceiros do evento. Além do Satyros há também o Espaço Parlapatões, Miniteatro, Casarão Belvedere, N.Ex.T., Instituto Cultural Capobianco, Casa das Rosas, Teatro do Centro da Terra, Teatro da Vila, Teatro do Ator, Studio 184, Teatro Artur Azevedo, Teatro Paulo Eiró, Espaço Maquinaria, Teatro dos Arcos, Espaço Pyndorama, Casa Café e Teatro, Teatro Gil Vicente, Arte Gullik, Teatro Brigadeiro e Centro Cultural Rio Verde.
Ivan Cabral, coordenador do Satyros, conta que o evento teve início em 1991, quando ele e Fauze El Kadre começaram a passar trote por telefone para uma lista de nomes de artistas. Uma das vítimas foi a cantora Vanusa que caiu no conto e topou participar do falso evento. A partir de então, Ivam e Fauze decidem levar a história a sério, e já na primeira edição da Satyrianas, o evento teve a participação de Antonio Fagundes, Débora Bloch, Diogo Vilela, Aguillar, Nelson de Sá, Moacyr Góes, Celso Nunes, Eliane Robert Moraes e Dib Carneiro Neto.
E como desde as primeiras edições a forma de pagamento é chamada de “ingresso consciente”, onde o espectador define o valor do ingresso, com contribuição mínima de R$2,00 em todas as peças que incluem a programação dos teatros. Já a programação das tendas será totalmente gratuita.
Bueno. A programação e longa e eu pretendo aproveitar o feriadão pra ver o máximo espetáculo possível.
Confira a programação completa aqui
E um dos eventos culturais mais legal que rola na praça e que já entrou pro calendário oficial do Estado de São Paulo é a “Maratona Cultural Satyrianas – Uma Saudação à Primavera”, a festa teatral com duração de 78 horas ininterruptas. Nesta oitava edição (que este ano vai da próxima sexta-feira, dia 30, até segunda, dia 02) rola uma extensa programação de peças, debates, cafés literários, oficinas, shows musicais e jam sessions que podem ser conferidas nos teatros e em tendas montadas na praça e noutros 31 espaços que se tornaram parceiros do evento. Além do Satyros há também o Espaço Parlapatões, Miniteatro, Casarão Belvedere, N.Ex.T., Instituto Cultural Capobianco, Casa das Rosas, Teatro do Centro da Terra, Teatro da Vila, Teatro do Ator, Studio 184, Teatro Artur Azevedo, Teatro Paulo Eiró, Espaço Maquinaria, Teatro dos Arcos, Espaço Pyndorama, Casa Café e Teatro, Teatro Gil Vicente, Arte Gullik, Teatro Brigadeiro e Centro Cultural Rio Verde.
Ivan Cabral, coordenador do Satyros, conta que o evento teve início em 1991, quando ele e Fauze El Kadre começaram a passar trote por telefone para uma lista de nomes de artistas. Uma das vítimas foi a cantora Vanusa que caiu no conto e topou participar do falso evento. A partir de então, Ivam e Fauze decidem levar a história a sério, e já na primeira edição da Satyrianas, o evento teve a participação de Antonio Fagundes, Débora Bloch, Diogo Vilela, Aguillar, Nelson de Sá, Moacyr Góes, Celso Nunes, Eliane Robert Moraes e Dib Carneiro Neto.
E como desde as primeiras edições a forma de pagamento é chamada de “ingresso consciente”, onde o espectador define o valor do ingresso, com contribuição mínima de R$2,00 em todas as peças que incluem a programação dos teatros. Já a programação das tendas será totalmente gratuita.
Bueno. A programação e longa e eu pretendo aproveitar o feriadão pra ver o máximo espetáculo possível.
Confira a programação completa aqui
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Um Blues de Caio Fernando Abreu

Por causa da correria durante a semana ando com pouco tempo pra escrever no blog, mas pra não dizer que não falei de flores, passo correndo por aqui pra dizer que, relendo hoje (no banheiro) a minha edição de 1988 de “Os Dragões Não Conhecem o Paraíso” de Caio Fernando Abreu, me deparei – lá no capítulo “Sem Ana, Blues” – com um delicioso (porém sofrido) parágrafo (que segue abaixo) todo moldado em metalinguagem. Vejam como Caio elegantemente se utiliza de uma artimanha lingüística para expor um doloroso infortúnio, como obrigatoriamente é a letra de um Blues.
"SEM ANA, BLUES"
"Quando Ana me deixou – essa frase ficou na minha cabeça, de dois jeitos – e depois que Ana me deixou. Sei que não é exatamente uma frase, só um começo de frase, mas foi o que ficou na minha cabeça. Eu pensava assim: quando Ana me deixou – e essa não-continuação era a única espécie de continuação que vinha. Entre aquele quando e aquele depois, não havia nada mais na minha cabeça nem na minha vida além do espaço em branco deixado pela ausência de Ana, embora eu pudesse preenchê-lo – esse espaço branco sem Ana – de muitas formas, tantas quantas quisesse, com palavras ou ações. Ou não-palavras e não-ações, porque o silêncio e a imobilidade foram dois dos jeitos menos dolorosos que encontrei, naquele tempo, para ocupar meus dias, meu apartamento, minha cama, meus passeios, meus jantares, meus pensamentos, minhas trepadas e todas essas outras coisas que formam uma vida com ou sem alguém como Ana dentro dela. (...)"
"Quando Ana me deixou – essa frase ficou na minha cabeça, de dois jeitos – e depois que Ana me deixou. Sei que não é exatamente uma frase, só um começo de frase, mas foi o que ficou na minha cabeça. Eu pensava assim: quando Ana me deixou – e essa não-continuação era a única espécie de continuação que vinha. Entre aquele quando e aquele depois, não havia nada mais na minha cabeça nem na minha vida além do espaço em branco deixado pela ausência de Ana, embora eu pudesse preenchê-lo – esse espaço branco sem Ana – de muitas formas, tantas quantas quisesse, com palavras ou ações. Ou não-palavras e não-ações, porque o silêncio e a imobilidade foram dois dos jeitos menos dolorosos que encontrei, naquele tempo, para ocupar meus dias, meu apartamento, minha cama, meus passeios, meus jantares, meus pensamentos, minhas trepadas e todas essas outras coisas que formam uma vida com ou sem alguém como Ana dentro dela. (...)"
Ps: logo logo publico aqui a programação das SATYRIANAS -2009
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
"PERNAMBAS INVADERS"

A coisa é mais ou menos assim: toda semana entro no site do StúdioSP (uma casa de show da rua Augusta onde tocam bandas de todos os gêneros) pra conferir a programação e tenho notado, já faz um tempão, que sempre há algum grupo pernambucano se apresentando: até o fim deste mês baixam lá as bandas EDDIE (dia 24) e SEU CHICO (dia 30). E se procurarmos noutros lugares de show como o Grazie a Dio, o Sarajevo Club ou a rede SESC, vamos encontrar algum pernamba dentro da programação. Já fiz até uma lista com esses grupos que sempre estão em Sampa: MOMBOJÓ, MONJOLO, EDDIE, QUEROSENE JACARÉ, DIZ MAIA, NUDA, 3 NAMASSA, GUADALOOP, ASTRONAUTAS, JORGE CABELEIRA, CHINA, SEU CHICO, ZECA VIANA, OTTO, ORQUESTRA CONTEMPORÂNEA DE OLINDA - isso sem falar das badaladas NAÇÃO ZUMBI e MUNDO LIVRE S.A. No último feriadão, eu mesmo fui ver no MIS, Museu da Imagem e do Som, o lançamento do excelente disco de estréia, "CRISTALINA", da pernamba LULINA.
E essa invasão pernambucana não só rola no mundo da música. Na literatura temos o multimídia e agitador cultural MARCELINO FREIRE (radicado em Sampa), que sempre que pode traz outro pernamba de talento dentro da mala (em novembro tem a 4ª edição da Balada Literária, organizada por Marcelino, cujo homenageado será o grande RAIMUNDO CARRERO). Na mesma praia das letras há os poetas LIRINHA, MIRÓ, FREDERICO BARBOSA, BRUNO MAFERDINI que são sucesso nos saraus literários dos quais participam. Tem também o XICO SÁ que fala de futebol, de modos de macho e de modinhas de fêmea e que agora é meu vizinho aqui em Perdizes.
Nas artes cênicas/musicais já chegou há algum tempo (e se instalou na Vila Madá) ANTONIO NOBREGA – tem também o meu amigo DINHO LIMA FLOR que me encantou com seu espetáculo “CONCERTO DE ISPINHO E FULÔ” que estava em cartaz no SESC-Paulista. E por aqui onde moro tenho me esbarrado (seja na fila do banco Itaú ou na praça Rusvel) com CLAUDIO ASSIS, um cineasta criativo; diretor autoral de dois excelentes filmes que gosto muito: “AMARELO MANGA” e “BAIXIO DAS BESTAS” - já vi o cara sugerir a Hector Babenco e à organização de um festival de cinema que tomassem em seus respectivos ânus. E por Sampa também a gente pode encontrar o cineasta LÍRIO FERREIRA que dirigiu o os cultuados “BAILE PERFUMADO” e “ÁRIDO MOVIE”.
E como eu já disse noutro texto aqui no blog; o que me impressiona é que Pernambuco tem muito mais armas a sacar.
E essa invasão pernambucana não só rola no mundo da música. Na literatura temos o multimídia e agitador cultural MARCELINO FREIRE (radicado em Sampa), que sempre que pode traz outro pernamba de talento dentro da mala (em novembro tem a 4ª edição da Balada Literária, organizada por Marcelino, cujo homenageado será o grande RAIMUNDO CARRERO). Na mesma praia das letras há os poetas LIRINHA, MIRÓ, FREDERICO BARBOSA, BRUNO MAFERDINI que são sucesso nos saraus literários dos quais participam. Tem também o XICO SÁ que fala de futebol, de modos de macho e de modinhas de fêmea e que agora é meu vizinho aqui em Perdizes.
Nas artes cênicas/musicais já chegou há algum tempo (e se instalou na Vila Madá) ANTONIO NOBREGA – tem também o meu amigo DINHO LIMA FLOR que me encantou com seu espetáculo “CONCERTO DE ISPINHO E FULÔ” que estava em cartaz no SESC-Paulista. E por aqui onde moro tenho me esbarrado (seja na fila do banco Itaú ou na praça Rusvel) com CLAUDIO ASSIS, um cineasta criativo; diretor autoral de dois excelentes filmes que gosto muito: “AMARELO MANGA” e “BAIXIO DAS BESTAS” - já vi o cara sugerir a Hector Babenco e à organização de um festival de cinema que tomassem em seus respectivos ânus. E por Sampa também a gente pode encontrar o cineasta LÍRIO FERREIRA que dirigiu o os cultuados “BAILE PERFUMADO” e “ÁRIDO MOVIE”.
E como eu já disse noutro texto aqui no blog; o que me impressiona é que Pernambuco tem muito mais armas a sacar.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Manias e Provocações.
Nunca soube o que é um “olhar 43” como naquela canção oitentista (o restante da letra não me ajuda entender que raios o compositor queria dizer). Sei que existe o olhar de “soslaio” de “esguelha” que parecem ser la même chose. Meu avô Guilherme diria “espichar d’ôio”. Bom. O que eu quero dizer com isso é que tenho a mania de ficar de “butuca” – esse vocábulo é de “mano” – no que as outras pessoas estão lendo. Virou vício até. Estico o pescoço, mudo de banco, forço realmente a barra pra assuntar a leitura alheia. Pouco importa se é livro, bula, receituário ou apostila de cursinho. Só sossego quando descubro o título ou o conteúdo do que o vizinho lê. Tamanha insanidade, né mesmo. É, mas essa minha excentricidade, ou esquisitice, já me rendeu dicas inestimáveis. Foi por cima do ombro de uma passageira da linha 775N Rio Pequeno/Vila Mariana que, na primeira metade dos anos 80, li alguns trechos do clássico “Feliz Ano Velho” de Marcelo Rubens Paiva. O livro ainda não era o sucesso que viria a ser e eu fiquei fascinado pela forma solta e ágil da narrativa, tanto que comprei o livro na mesma semana. E aconteceu o mesmo com o “Olga” de Fernando Morais e “Queda Para o Alto” de Herzer. De certo que a decepção com títulos e autores que as pessoas geralmente lêem é mais constante; é muito auto-ajuda de baixo nível, best-sellers da moda (os tops do momento são as edições de auto-ajuda direcionadas a executivos), entre outras publicações esotéricas de conteúdo duvidoso.
Acho ônibus e metrô bons lugares pra leitura, pena estarem tão desconfortáveis e saturados. Às vezes até lamento quando um conhecido entra no ônibus e estou compenetrado nalgum livro - por outro lado, já travei papo bacana com gente que lia algo que muito me interessava.
Coisas entranhas e engraçadas também acontecem: minha amiga Solange , certa vez, lia “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” de José Saramago quando uma senhora que sentava ao lado a parabenizou pela leitura “cristã/religiosa”. Coitada. Mal sabia a senhora do conteúdo ateu do livro e do autor. Acho que foi em março deste ano quando, ao me sentar num banco de ônibus, vi que havia um rapaz compenetrado num livro de capa escura. A princípio não dei atenção ao vizinho; sentei ao seu lado, tirei “Os Demônios” de Dostoievski de dentro da mochila e me concentrei no livro. Só mais tarde me toquei que o cara ao lado lia a Bíblia. Por pura provocação reposicionei a capa de “Os Demônios” para que o carola se assustasse com o título. Recentemente repeti a dose – só que fui mais insolente dessa vez. Depois de atravessar a rua Augusta, já na calçada em frente ao Conjunto Nacional, na avenida Paulista, fui abordado por um Krishna que queria me vender um livro cujo conteúdo defendia alguma filosofia vegeta e outros valores saudáveis. Não teve jeito. Radicalizei: puxei o “Junky” (Drogado) de William Burroughs e mostrei pro teimoso careca afirmando ter predileção por gêneros literários mais “transcendentes”. É isso. Às vezes acordo de pavio curto.
Acho ônibus e metrô bons lugares pra leitura, pena estarem tão desconfortáveis e saturados. Às vezes até lamento quando um conhecido entra no ônibus e estou compenetrado nalgum livro - por outro lado, já travei papo bacana com gente que lia algo que muito me interessava.
Coisas entranhas e engraçadas também acontecem: minha amiga Solange , certa vez, lia “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” de José Saramago quando uma senhora que sentava ao lado a parabenizou pela leitura “cristã/religiosa”. Coitada. Mal sabia a senhora do conteúdo ateu do livro e do autor. Acho que foi em março deste ano quando, ao me sentar num banco de ônibus, vi que havia um rapaz compenetrado num livro de capa escura. A princípio não dei atenção ao vizinho; sentei ao seu lado, tirei “Os Demônios” de Dostoievski de dentro da mochila e me concentrei no livro. Só mais tarde me toquei que o cara ao lado lia a Bíblia. Por pura provocação reposicionei a capa de “Os Demônios” para que o carola se assustasse com o título. Recentemente repeti a dose – só que fui mais insolente dessa vez. Depois de atravessar a rua Augusta, já na calçada em frente ao Conjunto Nacional, na avenida Paulista, fui abordado por um Krishna que queria me vender um livro cujo conteúdo defendia alguma filosofia vegeta e outros valores saudáveis. Não teve jeito. Radicalizei: puxei o “Junky” (Drogado) de William Burroughs e mostrei pro teimoso careca afirmando ter predileção por gêneros literários mais “transcendentes”. É isso. Às vezes acordo de pavio curto.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Direto da "LULILÂNDIA" (ou seria da "TREZELÂNDIA"?)

Pois então: sabem aquela pernamba de voz suave, aquela que foi abduzida e que curtiu, aquela que tem um príncipe que lhe dá múltiplos orgasmos, aquela que invés de MPB prefere “CPM” - Canção Popular Melodramática, aquela criadora de minhocas, aquela que sabe cozer um miojo anti-desgosto, aquela que, “puta, meu”, sacou legal a balada do paulistano? Pois então, aquela menina, LULINA, me enviou e-mail avisando do lançamento de seu recente álbum "CRISTALINA" pela gravadora Yb (?). Vai ser no dia 9 de outubro, sexta-feira, no MIS (Museu da Imagem e do Som), às 21h13.
Ela diz que, no dia, a top bielo-russa Alexia Schimmermmann, vai vender os discos de Lulina pelo preço promocional de 13 pilas.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Rapidinhas Pra Semana
Uma excelente dica de cinema para este fim de semana prolongado: "DEIXA ELA ENTRAR" (Let the right one in) de Tomas Alfredson. Não tenho dúvidas ao afirmar que esse longa sueco é o mais belo filme sobre vampiro que já vi. Que ainda trata de amizade e carinho de forma delicada. NÃO DEIXEM DE VER!!!
É amanhã, terça, dia 06, a partir das 18h30, na Livraria da Vila Madalena, o lançamento de “MIGUEL E OS DEMÔNIOS” de Lourenço Mutarelli. Para quem não conhece, Mutarelli é um ex-quadrinista cultuado que abandonou o desenho pra se dedicar a prosa. Escreveu “O Cheiro do Ralo” (que virou filme), “O Natimorto” (que virou peça teatral de sucesso e que também será lançado no cinema, talvez, no começo de 2010), “Jesus Kid” , “A Arte de Produzir Efeito Sem Causa”, entre outros. Neste “Miguel e os Demônios”, o autor criou um “antirromance” policial com possessão, múmias mexicanas, seitas bizarras, pedofilia e travestis sedutores. Ah! Na FLIP deste ano, Chico Buarque confessou ser um entusiasmado leitor de Mutarelli (e eu também).
E corra pra comprar ingressos para o show de lançamento do disco de Arnaldo Antunes, “IÊ, IÊ, IÊ”, que será entre os dias 15 e 17 da próxima semana no SESC-Pompéia (vai de 7,50 a 30 realitos – vamos nessa Carolina Martins?). Compre ingressos também pra ver o cantor-ator curitibano, Carlos Careqa interpretando canções do mito TOM WAITS no SESC-Santana, no próximo sábado, dia 10. Pra quem ainda não viu o excelente documentário “NINGUÉM SABE O DURO QUE DEI”, sobre a vida e obra de Wilson Simonal, o Sesc-Pinheiros distribui, gratuitamente, a partir do dia 10, ingressos para o filme. Sei que está adiantado, mas já vão marcando na agenda que dia 27 deste mês tem show imperdível e totalmente digrátis da diva ANGELA MARIA no Centro de Eventos Pedro Bartolosso, em Osasco (depois dou mais detalhes)
E dia 7, quarta-feira, às 20h, tem bate-papo com Décio Pignatari, no SESC-Vila Mariana. Apesar de sua rabugice vale prestar atenção nalgumas dicas do velho poeta concreto.
É amanhã, terça, dia 06, a partir das 18h30, na Livraria da Vila Madalena, o lançamento de “MIGUEL E OS DEMÔNIOS” de Lourenço Mutarelli. Para quem não conhece, Mutarelli é um ex-quadrinista cultuado que abandonou o desenho pra se dedicar a prosa. Escreveu “O Cheiro do Ralo” (que virou filme), “O Natimorto” (que virou peça teatral de sucesso e que também será lançado no cinema, talvez, no começo de 2010), “Jesus Kid” , “A Arte de Produzir Efeito Sem Causa”, entre outros. Neste “Miguel e os Demônios”, o autor criou um “antirromance” policial com possessão, múmias mexicanas, seitas bizarras, pedofilia e travestis sedutores. Ah! Na FLIP deste ano, Chico Buarque confessou ser um entusiasmado leitor de Mutarelli (e eu também).
E corra pra comprar ingressos para o show de lançamento do disco de Arnaldo Antunes, “IÊ, IÊ, IÊ”, que será entre os dias 15 e 17 da próxima semana no SESC-Pompéia (vai de 7,50 a 30 realitos – vamos nessa Carolina Martins?). Compre ingressos também pra ver o cantor-ator curitibano, Carlos Careqa interpretando canções do mito TOM WAITS no SESC-Santana, no próximo sábado, dia 10. Pra quem ainda não viu o excelente documentário “NINGUÉM SABE O DURO QUE DEI”, sobre a vida e obra de Wilson Simonal, o Sesc-Pinheiros distribui, gratuitamente, a partir do dia 10, ingressos para o filme. Sei que está adiantado, mas já vão marcando na agenda que dia 27 deste mês tem show imperdível e totalmente digrátis da diva ANGELA MARIA no Centro de Eventos Pedro Bartolosso, em Osasco (depois dou mais detalhes)
E dia 7, quarta-feira, às 20h, tem bate-papo com Décio Pignatari, no SESC-Vila Mariana. Apesar de sua rabugice vale prestar atenção nalgumas dicas do velho poeta concreto.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
"Na Rua"
Ufa! Esta semana foi bem agitada. Segunda-feira fui à Livraria Cultura do Conjunto Nacional para o lançamento de "MEU PEQUENO SÃO-PAULINO", escrito pelo ex-titã Nando Reis. Não torço para esse time, mas estava lá porque acho legal essa coleção MEU TIME DO CORAÇÃO, da editora Belas Letras que já consta com mais de sete títulos (“Meu Pequeno Corintiano”, “Meu Pequeno Palmeirense”, “Meu Pequeno Colorado”, “Meu Pequeno Gremista”, “Meu Pequeno Vascaíno” e outros). São livros infantis feitos pra conquistar leitores e torcedores e estão bem bacanas. Segue um trechinho: “Nasci branco, com os olhos pretos e cabelo vermelho; um perfeito tricolor. E esse sentimento só cresceu ano após ano, desde minha primeira lembrança como torcedor indo a um jogo em um domingo à tarde, no Morumbi contra o Corinthians até as grandes conquistas de hoje”
(Fotos: Zequinha imagens)








(Fotos: Zequinha imagens)



OCUPAÇÃO LEMINSKI é o nome da exposição inaugurada na quarta passada no Itaú Cultural da Avenida Paulista. Eu estive lá. Muita famosidade presente ao evento. Mas o legal foi ver Alice Ruiz e Áurea Leminsk, esposa e filha interpretando poesias e prosas do poeta. Tão marcados alguns shows pra este mês de outubro no teatro do Itaú: vai ter Moraes Moreira, Miriam Maria, Edvaldo Santana,Vitor Ramil e mais participação especial de Estrela Ruiz Leminski, que é também filha de Paulo Leminski.
Eu recomendo a visita, pois se trata de uma exposição sob a curadoria de outro excelente poeta, Ademir Assunção (chega de tecnocratas ou burocratas organizando eventos sem a menor afinidade com o tema). É curta a temporada da exposição. Vai de 01/10 a 08/11 de 2009 – e o Itaú Cultural fica Avenida Paulista 149. Para mais informações clique aqui
Eu recomendo a visita, pois se trata de uma exposição sob a curadoria de outro excelente poeta, Ademir Assunção (chega de tecnocratas ou burocratas organizando eventos sem a menor afinidade com o tema). É curta a temporada da exposição. Vai de 01/10 a 08/11 de 2009 – e o Itaú Cultural fica Avenida Paulista 149. Para mais informações clique aqui


E na mesma quarta-feira fui ver a escritora Paula Dip falar sobre seu novo livro “PARA SEMPRE TEU, CAIO F” que é sobre a vida de CAIO FERNANDO ABREU (tem post logo abaixo sobre o livro). O bate-papo rolou legal na charmosa sala de leitura do SESC-Consolação – o chato é que as pessoas que ocupavam o local não gostaram nada de ter que abandonar suas leituras por causa do evento. Alguns até jogaram jornais, livros e revistas, com certa violência, sobre as mesas e os puffs. Ué! Mas o encontro não era pra falar de literatura? Por que o desagrado então? Vá saber...


E também não posso deixar de comentar que fui ver meu amigo, o ator Dinho Lima Flor no espetáculo-teatral-musical-sociológico-carismático "CONCERTO DE ISPINHO E FULÔ", em comemoração ao centenário do poeta Patativa do Assaré. Dinho arquitetou esse projeto com seu grupo Cia. do Tijolo que, contando com excelentes atores-cantores e músicos, utiliza a vida e obra do poeta como inspiração para refletir os destinos da poesia popular na formação do povo brasileiro. Tem momentos do espetáculo que dá vontade de largar a condição de platéia calada/sentada e cair na dança e entrar na cantoria. Eu recomendo e aviso que Concerto de Ispinho e Fulô fica somente até o dia 11 de outubro, de sexta a domingo, sempre às 21h. Informações aqui.

Ah! E hoje, sexta-feira, a meia-noite, vou a estréia de "BRUTAL" no ESPAÇO PARLAPATÕES, na famosa e agitada praça rusvel. O Texto e direção é do Marião (o Bortolotto) que apresenta a história de Estevão, um homem que lidera uma seita que prega o ódio racial. A peça conta com as belíssimas atrizes Maria Manoella, Carolina Manica, Martha Nowill, Luciana Caruso, Érika Puga, e com os atores Laerte Melo e Walter Figueiredo. Depois conto aqui como foi a montagem. O ingresso custa 30 pilas e rola sempre as sextas, estranhamente às 23h59.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
"A ORIGEM DO MUNDO"
No domingo passado adquiri o livro “7” da coleção Grandes Museus da "Falha" de S. Paulo, que dessa vez trata do Museu D’Orsay de Paris, conhecido como o museu dos Impressionistas. Já aviso logo de cara que tá fraca a seleção das obras retratadas e seus textos descritivos também (possuo os livros do museu do Prado, do Cairo e da National Galery de Londres e não pretendo comprar o restante). Quem tiver numas de conhecer (pesquisar) de verdade esses famosos museus que estão na coleção – e que não tem grana pra ir a esses lugares – recomendo a Internet que possui imagens e informações “suficientemente” precisas. Têm museus no Google Maps e Earth, como o do Prado, com boa parte de suas obras digitalizadas (em 3D de alta tecnologia) disponíveis para qualquer um observar milimétricos detalhes de telas, esculturas, etecétera e tal.
Bom. Mas o que eu queria mesmo dizer é que esse sétimo livro da coleção trouxe “A Origem do Mundo” (L’Origine du Monde), tela muito louca do pintor francês, pra lá de realista, Gustave Courbet, que está “perturbadoramente” exposta no D’Orsay em Paris; e isso me fez lembrar de que me diverti muito quando estive nesse museu em junho do ano passado. Foi um puta barato ficar na surdina observando as reações dos visitantes quando davam de cara com aquela grande vagina peluda em destaque na parede do Orsay. Alguns passavam batidos, fingindo não ver. Outros ficavam em silêncio. Uma turma de adolescentes fazia piadinhas. Acreditem: teve um cara que ameaçou vomitar (cliquem aqui pra ver outras engraçadas reações).
O legal é tentar entender essas reações perturbadoras nas pessoas. O que será que choca o visitante, hein? Em pleno século da hiper exposição por que a intimidade feminina (ou masculina) ainda causa desconforto? Será vergonha, pudor? Fiquei sabendo que, em fevereiro deste ano, durante uma tradicional feira de livros em Braga, em Portugal, a PSP, Polícia de Segurança Pública, apreendeu todos os exemplares de um livro sobre pintura cuja capa era a reprodução da Origem do Mundo por considerá-la pornográfica.
Parece que o quadro foi uma encomenda do diplomata turco, Khalil Bey, em 1866, que também ficara espantado com o resultado (e olha que o diplomata, colecionador de arte erótica, já havia comprado outras obras de Courbet). Tanto que A Origem do Mundo ficou desaparecida por longo período e só foi descoberta, atrás de outra tela menos impactante, quando o diplomata vendeu toda sua coleção para saudar dívidas de jogo. Dizem que seu último dono foi o famoso psicanalista Jacques Lacan que a doou ao museu após sua morte, e dizem também que a obra permaneceu censurada à exposição pública até o final dos anos 80 do século XX.
Enfim. O mais legal é saber que Courbet - que se divertia ao incomodar a moral burguesa da época – deve ainda se deleitar com todas essas manifestações à sua obra.

Abaixo: a "Origem" de Portugal.

Bom. Mas o que eu queria mesmo dizer é que esse sétimo livro da coleção trouxe “A Origem do Mundo” (L’Origine du Monde), tela muito louca do pintor francês, pra lá de realista, Gustave Courbet, que está “perturbadoramente” exposta no D’Orsay em Paris; e isso me fez lembrar de que me diverti muito quando estive nesse museu em junho do ano passado. Foi um puta barato ficar na surdina observando as reações dos visitantes quando davam de cara com aquela grande vagina peluda em destaque na parede do Orsay. Alguns passavam batidos, fingindo não ver. Outros ficavam em silêncio. Uma turma de adolescentes fazia piadinhas. Acreditem: teve um cara que ameaçou vomitar (cliquem aqui pra ver outras engraçadas reações).
O legal é tentar entender essas reações perturbadoras nas pessoas. O que será que choca o visitante, hein? Em pleno século da hiper exposição por que a intimidade feminina (ou masculina) ainda causa desconforto? Será vergonha, pudor? Fiquei sabendo que, em fevereiro deste ano, durante uma tradicional feira de livros em Braga, em Portugal, a PSP, Polícia de Segurança Pública, apreendeu todos os exemplares de um livro sobre pintura cuja capa era a reprodução da Origem do Mundo por considerá-la pornográfica.
Parece que o quadro foi uma encomenda do diplomata turco, Khalil Bey, em 1866, que também ficara espantado com o resultado (e olha que o diplomata, colecionador de arte erótica, já havia comprado outras obras de Courbet). Tanto que A Origem do Mundo ficou desaparecida por longo período e só foi descoberta, atrás de outra tela menos impactante, quando o diplomata vendeu toda sua coleção para saudar dívidas de jogo. Dizem que seu último dono foi o famoso psicanalista Jacques Lacan que a doou ao museu após sua morte, e dizem também que a obra permaneceu censurada à exposição pública até o final dos anos 80 do século XX.
Enfim. O mais legal é saber que Courbet - que se divertia ao incomodar a moral burguesa da época – deve ainda se deleitar com todas essas manifestações à sua obra.

Abaixo: a "Origem" de Portugal.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009
BANDIDAGEM SELETIVA
Vá entender essa nossa bandidagem brasuca. Explico: é que eu soube pelo blog do Marião, o Bortolotto (pra quem não conhece, o blog do Marião é uma dica valiosa – vale acompanhá-lo), do roubo do carro de sua amiga na semana passada, e de que o encontraram em poucos dias. Só que a caranga tava completamente depenada. Surrupiaram os bancos, as roupas que estavam sobre banco e até os pneus – sem falar dos CDs do grande ídolo dos mal-diagramados, Sérge Gainsbourg, que também se escafederam. Putz, só deixaram a lataria e o livro mais obceno e libidinoso que li neste ano, o PORNOPOPÉIA do Reinaldo Moraes. Será que a grossura das 475 páginas inibiram os meliantes ou foi o desprezo ao objeto livro? Ou será que leram algumas páginas e não deram relevância ao estilo solto e nada tradicional do Reinaldo? Talvez acharam o tema pesado demais. Vá saber...
E esse caso me fez lembrar a vez que a ladroagem do Rio Pequeno, no Butantã, faxinaram a casa do meu amigo Genaro. Ele e a esposa estavam trabalhando enquanto os meganhas entram e levaram quase tudo de valor do jovem e recém casal. Eu disse “quase” tudo de valor porque os caras eram seletivos: defronte a enorme coleção de elepês dos moradores, a bandidagem, que tinha tempo de sobra, fez uma seleção das bolachas de acordo com a sua preferência. Resumindo: deixaram pra trás discos do Tom Jobim, Rafael Rabelo, Tom Waits, Chalie Parker, Chet Baker (nem tocaram nos raríssimos discos do Elomar), mas levaram o meu “17 Big Golden Hits Super Quentes Mais Vendidos no Momento” (sim, o título do elepê é esse mesmo) do grupo satírico-musical Língua de Trapo que eu havia emprestando ao Genaro. Por que o roubaram? Because na contracapa havia a imagem de duas exuberantes mulatas, e assim pensaram se tratar de mais um disco de Samba, já que subtraíram também todos os Adonirans e Bezerras que encontraram. És fueda! Até eu levei preju com essa bandidagem pouco esclarecida (ou exigente, sei lá...).

E esse caso me fez lembrar a vez que a ladroagem do Rio Pequeno, no Butantã, faxinaram a casa do meu amigo Genaro. Ele e a esposa estavam trabalhando enquanto os meganhas entram e levaram quase tudo de valor do jovem e recém casal. Eu disse “quase” tudo de valor porque os caras eram seletivos: defronte a enorme coleção de elepês dos moradores, a bandidagem, que tinha tempo de sobra, fez uma seleção das bolachas de acordo com a sua preferência. Resumindo: deixaram pra trás discos do Tom Jobim, Rafael Rabelo, Tom Waits, Chalie Parker, Chet Baker (nem tocaram nos raríssimos discos do Elomar), mas levaram o meu “17 Big Golden Hits Super Quentes Mais Vendidos no Momento” (sim, o título do elepê é esse mesmo) do grupo satírico-musical Língua de Trapo que eu havia emprestando ao Genaro. Por que o roubaram? Because na contracapa havia a imagem de duas exuberantes mulatas, e assim pensaram se tratar de mais um disco de Samba, já que subtraíram também todos os Adonirans e Bezerras que encontraram. És fueda! Até eu levei preju com essa bandidagem pouco esclarecida (ou exigente, sei lá...).

terça-feira, 15 de setembro de 2009
PARA SWAYZE

“To Wong Foo, Thanks for Everything! Julie Newmar” - este nomão é o título do filme de que participou Patrick Swayze que eu mais gosto – no Brasil a tradução praticamente foi literal, “Para Wong Foo, Obrigada Por Tudo”. Apesar de interpretar papéis pouco convincentes é nessa comédia musical de 1995, dirigida por Beeban Kidon, que Swayze está totalmente “desavergonhado” e muito corajoso porque logo após ser eleito galã do ano nos EUA (e o maior Sexy Simbol audoordi), o cara aparece como drag queen num divertido road movie no melhor estilo “Priscila, a Rainha do Deserto”.
Após a divulgação da morte de Swayze (que lutou bravamente durante dois anos contra um câncer), as revistas eletrônicas e os programas de tevês só falam dos filmes Dirty Dancing e Ghost. Do primeiro não tenho o que dizer pois pouco me interessou – pra mim é apenas mais uma repetição de musicais dançantes. Ghost de certa forma se torna imprescindível devido à forte presença de Whoopi Goldberg que salva o fraco roteiro do longa. E foi justamente em Ghost que vi pela primeira vez uma espécie de histeria coletiva (ou seria convulsão?). Explico: é que quando assisti ao filme em 1990 fui testemunha de um chororô infanto-juvenil em massa numa sessão cinema. Meninas (e diga-se a verdade: alguns meninos também) aos prantos deixavam suas poltronas ao final do filme – até minha então namorada (que não era mais nenhuma adolescente) chorava copiosamente. Jesus! Que coisa!
Após a divulgação da morte de Swayze (que lutou bravamente durante dois anos contra um câncer), as revistas eletrônicas e os programas de tevês só falam dos filmes Dirty Dancing e Ghost. Do primeiro não tenho o que dizer pois pouco me interessou – pra mim é apenas mais uma repetição de musicais dançantes. Ghost de certa forma se torna imprescindível devido à forte presença de Whoopi Goldberg que salva o fraco roteiro do longa. E foi justamente em Ghost que vi pela primeira vez uma espécie de histeria coletiva (ou seria convulsão?). Explico: é que quando assisti ao filme em 1990 fui testemunha de um chororô infanto-juvenil em massa numa sessão cinema. Meninas (e diga-se a verdade: alguns meninos também) aos prantos deixavam suas poltronas ao final do filme – até minha então namorada (que não era mais nenhuma adolescente) chorava copiosamente. Jesus! Que coisa!
Ah! O Marião (Bortolotto) em seu blog me lembra de "RoadHouse" (que por aqui se chamou “Matador de Aluguel”) – filme de 1989, dirigido por Rowdy Harrington – em que Swayze interpreta o ex-aluno de filosofia que ganha a vida como chefe de segurança num bar de uma pequena cidade americana. O longa é fraco, mas tem excelente trilha – com a participação fodaça de Jeff Healey, aquele fantástico bluseiro cego que já esteve diversas vezes no Brasil e que infelizmente também faleceu precocemente aos 41 anos em 2008.
Trailer do "Para Wong Foo..."
Trailer do "Para Wong Foo..."
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
4 RAPIDINHAS
1- O meu amigo Dinho Lima Flor está em cartaz no SESC-Paulista com o musical CONCERTO DE ISPINHO E FULÔ em homenagem ao centenário do poeta popular PATATIVA DO ASSARÉ. A temporada começou em agosto e vai até 11 de outubro – de sexta a domingo, às 21h – no Espaço do 3º andar. O SESC-Paulista fica na avenida Paulista, 119. Para mais informações clique aqui.
2 - Começou nesta quinta-feira e vai até domingo a 14ª PRIMAVERA DOS LIVROS no Centro Cultural São Paulo – organizado pela LIBRE, Liga Brasileira de Editoras, o evento este ano conta com 7 mil títulos com descontos de até 40%. – De ruim é comentar que o senhor Kassab quase melou a feira ao não repassar a verba pro evento (Bueno. Esse filme a gente já conhece: falta de grana pra varrição de rua, pra cultura, mas propaganda de governo isso nunca). O CCSP fica na rua Vergueiro, 1000. Mais informações clique aqui.
3 - Hoje, dia 11 de setembro, às 19h, no Espaço Parlapatões tem festa de lançamento do livro PALHAÇO-BOMBA de Hugo Possolo, que diz ser uma reunião de suas crônicas e artigos produzidos para Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo, Revista Bravo, Jornal O Sarrafo, Revista do Anjos do Picadeiro além de revistas de teatro e também da coluna de Teatro Sujo, da era pré-blogs. O evento contará com leituras de trechos do livro por Ivam Cabral, Paula Cohen, Fábio Esposito e Mário Bortolloto. O Espaço Parlapatões fica na praça Roosevelt, 158 – Outras informações clique aqui
4 - Começou também nesta semana e vai até domingo no Itaú Cultural a mostra de filmes EM RITMO DE AVENTURA – O CINEMA DA JOVEM GUARDA. Uma retrospectiva de filmes realizados com a temática o Iê-iê-iê brasuca. Tem filmes com Roberto Carlos, Mazzaropi, Renato Aragão, Carlos Reichenbach, entre outros. O Itaú Cultural fica na avenida Paulista, 149 – pra ver programação completa clique aqui
2 - Começou nesta quinta-feira e vai até domingo a 14ª PRIMAVERA DOS LIVROS no Centro Cultural São Paulo – organizado pela LIBRE, Liga Brasileira de Editoras, o evento este ano conta com 7 mil títulos com descontos de até 40%. – De ruim é comentar que o senhor Kassab quase melou a feira ao não repassar a verba pro evento (Bueno. Esse filme a gente já conhece: falta de grana pra varrição de rua, pra cultura, mas propaganda de governo isso nunca). O CCSP fica na rua Vergueiro, 1000. Mais informações clique aqui.
3 - Hoje, dia 11 de setembro, às 19h, no Espaço Parlapatões tem festa de lançamento do livro PALHAÇO-BOMBA de Hugo Possolo, que diz ser uma reunião de suas crônicas e artigos produzidos para Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo, Revista Bravo, Jornal O Sarrafo, Revista do Anjos do Picadeiro além de revistas de teatro e também da coluna de Teatro Sujo, da era pré-blogs. O evento contará com leituras de trechos do livro por Ivam Cabral, Paula Cohen, Fábio Esposito e Mário Bortolloto. O Espaço Parlapatões fica na praça Roosevelt, 158 – Outras informações clique aqui
4 - Começou também nesta semana e vai até domingo no Itaú Cultural a mostra de filmes EM RITMO DE AVENTURA – O CINEMA DA JOVEM GUARDA. Uma retrospectiva de filmes realizados com a temática o Iê-iê-iê brasuca. Tem filmes com Roberto Carlos, Mazzaropi, Renato Aragão, Carlos Reichenbach, entre outros. O Itaú Cultural fica na avenida Paulista, 149 – pra ver programação completa clique aqui
terça-feira, 1 de setembro de 2009
"Vap-Vup do meu fim de semana"

No sábado passado fui ver o ANTICRISTO de LARS VON TRIER e de cara digo que o filme é um tremendo “psicodrama-macabro” carregado de cenas repugnantes; eu que me imaginava sem suscetibilidades me vi tapando os olhos para não ver alguns trechos fortes do longa. Pelo que li nos jornais, o filme causou polêmica e sofreu cortes em alguns países por causa dessas cenas aflitivas (graças aos deuses do cinema, as cópias que vieram pra gente estão na íntegra, mesmo que elas embrulhem estômagos mais sensíveis).
Lars Von Trier, que para 50% dos críticos é um “gênio” e que para o restante não passa de um “picareta”, neste filme exibiu umas das cenas de sexo mais belas que já vi no cinema (todo rodada em preto & branco e em câmera hiper-lenta, ao som de uma música de Hendel). Ele conta a história de um casal vivido por Charlotte Gainsbourg (filha do mito Sérge Gainsbourg com a atriz Jane Birkin) e Willen Dafoe que se recupera após a morte trágica de seu único filho. E é numa cabana, numa estranha floresta chamada “Éden”, que se dá o tratamento da mãe que ainda agoniza por não aceitar a perda.
Bueno. Pra eu não correr o risco de dar com as línguas nos dentes - contando os detalhes surpreendentes do filme - paro por aqui. Digo apenas que o longa tem cenas de sexo explicito, mitologia medieval e a atuação corajosa de Charlotte Gainsbourg ( pela qual recebeu a Palma de Ouro de melhor atriz em Cannes em 2009) que faz valer a pena ver o filme. Mas cabe aqui uma dica valorosa aos meus amigos homens: não descuide de suas mulheres.
E na sexta-feita fui ao lançamento do romance REI DO CHEIRO de JOÃO SILVÉRIO TREVISAN na Livraria Cultura do Conjunto Nacional na avenida Paulista. O livro conta a saga do paulista Ruan Carlos Coronado que tinha tudo pra ser um loser; sofria de uma sudorese insuportável que levou ao fim o seu casamento, mas que, ironicamente, o fez milionário, trabalhando no ramo dos cosméticos. No Rei do Cheiro, o autor fala da formação da elite brasileira e dos novos-ricos (os emergentes) que construíram suas riquezas durante o período da ditadura militar. Eu ainda não li o livro, mas prometo voltar aqui com mais detalhes.
Agora, o que eu queria falar mesmo é de João Silvério Trevisan e sua relação com seus leitores. Vi muita gente famosa e outras nem tanto esperando pacientemente a sua vez para receber o autógrafo numa longa fila dentro da livraria (putz!, dei de cara com o fantasma do Orestes Quércia – não sei se ele estava ali por causa do lançamento) porque o autor conversava com todos e, simpaticamente, se deixava fotografar levantando-se para as devidas poses carinhosas. E por causa de seu talento como romancista e em troca dessa simpatia, João Silvério, como se pode ver nas fotos abaixo, recebeu muitas flores de seus leitores.
INDICAÇÕES: pra quem se interessar pelo diretor Lars Von Trier eu recomendo o filme "OS IDIOTAS" de 1998 - numa grande casa, algumas pessoas dedicam-se a procurar o idiota que está dentro de cada um, entrando em "paranóia".
De João Silvério Trevisan recomendo a leitura de "DEVASSOS DO PARAÍSO" ou sua obra prima "ANA EM VENEZA", a fictícia história da escrava Ana, pertencente a Julia, mãe de Heinrich e Thomas Mann, que passa férias com a família em Veneza.
Lars Von Trier, que para 50% dos críticos é um “gênio” e que para o restante não passa de um “picareta”, neste filme exibiu umas das cenas de sexo mais belas que já vi no cinema (todo rodada em preto & branco e em câmera hiper-lenta, ao som de uma música de Hendel). Ele conta a história de um casal vivido por Charlotte Gainsbourg (filha do mito Sérge Gainsbourg com a atriz Jane Birkin) e Willen Dafoe que se recupera após a morte trágica de seu único filho. E é numa cabana, numa estranha floresta chamada “Éden”, que se dá o tratamento da mãe que ainda agoniza por não aceitar a perda.
Bueno. Pra eu não correr o risco de dar com as línguas nos dentes - contando os detalhes surpreendentes do filme - paro por aqui. Digo apenas que o longa tem cenas de sexo explicito, mitologia medieval e a atuação corajosa de Charlotte Gainsbourg ( pela qual recebeu a Palma de Ouro de melhor atriz em Cannes em 2009) que faz valer a pena ver o filme. Mas cabe aqui uma dica valorosa aos meus amigos homens: não descuide de suas mulheres.
E na sexta-feita fui ao lançamento do romance REI DO CHEIRO de JOÃO SILVÉRIO TREVISAN na Livraria Cultura do Conjunto Nacional na avenida Paulista. O livro conta a saga do paulista Ruan Carlos Coronado que tinha tudo pra ser um loser; sofria de uma sudorese insuportável que levou ao fim o seu casamento, mas que, ironicamente, o fez milionário, trabalhando no ramo dos cosméticos. No Rei do Cheiro, o autor fala da formação da elite brasileira e dos novos-ricos (os emergentes) que construíram suas riquezas durante o período da ditadura militar. Eu ainda não li o livro, mas prometo voltar aqui com mais detalhes.
Agora, o que eu queria falar mesmo é de João Silvério Trevisan e sua relação com seus leitores. Vi muita gente famosa e outras nem tanto esperando pacientemente a sua vez para receber o autógrafo numa longa fila dentro da livraria (putz!, dei de cara com o fantasma do Orestes Quércia – não sei se ele estava ali por causa do lançamento) porque o autor conversava com todos e, simpaticamente, se deixava fotografar levantando-se para as devidas poses carinhosas. E por causa de seu talento como romancista e em troca dessa simpatia, João Silvério, como se pode ver nas fotos abaixo, recebeu muitas flores de seus leitores.
INDICAÇÕES: pra quem se interessar pelo diretor Lars Von Trier eu recomendo o filme "OS IDIOTAS" de 1998 - numa grande casa, algumas pessoas dedicam-se a procurar o idiota que está dentro de cada um, entrando em "paranóia".
De João Silvério Trevisan recomendo a leitura de "DEVASSOS DO PARAÍSO" ou sua obra prima "ANA EM VENEZA", a fictícia história da escrava Ana, pertencente a Julia, mãe de Heinrich e Thomas Mann, que passa férias com a família em Veneza.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
DOIS HOTÉIS

Por coincidência adquiri e li dois livros cujos títulos e as tramas têm a ver com hotéis. Um é o “HOTEL NOVO MUNDO” de Ivana Arruda Leite, o outro, “HOTEL ATLÂNTICO” de João Gilberto Noll. Ambos têm enredos parecidos: protagonistas que resolvem largar vínculos afetivos, empregos, e tentar mudar o destino noutros lugares; abandonam bens e não carregam nem bagagens (o maluco é que os personagens centrais, dos dois hotéis, estão caindo fora do Rio de Janeiro). Com narrativas ágeis e enxutas as duas histórias empolgam como num filme de aventura, só que com diferentes desfechos - obras com 20 anos de distância uma da outra: o livro de Ivana é de junho de 2009, o de Noll é de 1989.
O legal foi como cheguei a esses romances. Há muito tempo vejo resenhas publicadas em jornais e revistas de lançamentos desses dois autores, e sempre me esbarro com outros títulos deles quando estou em sebos e livrarias, no entanto eu não havia lido nada de Ivana e de Noll. Até o dia em que (dando um rolê pelo sebo do Bactéria, na praça Roosevelt) me rendi e comprei o “HISTÓRIAS DA MULHER DO FIM DO SÉCULO” da Ivana, de 1997; li absorto os 28 contos em que a autora retrata mulheres reais. Deu barato, e logo em seguida comprei o sensacional “FALO DE MULHER” (de 2002), outro livro de contos de Ivana; nenhum deles com final feliz, repleto de embates da vida privada, tragédias amorosas, e com mulheres à beira de ataques homicidas. Muito bom.
E em junho deste ano Ivana lançou HOTEL NOVO MUNDO que é seu primeiro romance. Nele, Renata é uma ex-prostituta que, se sentido traída, abandona a boa vida que levava ao lado do marido rico no Rio de Janeiro para morar num hotel barato no centro de Sampa. A autora descreve o dia-a-dia da primeira semana do recomeço de Renata nesse novo mundo. Um mundo onde ela encontra um pianista de boate ( com uma história comovente: o músico fora casado com ex-cantora de sucesso da noite paulistana, Diva Dantas, com quem teve uma filha, Cecília, que só a conheceu quando a mãe se encontrava à beira da morte), um pai-de-santo com ética profissional, que se relaciona com estilista soropositivo; e uma menina cheia de vida, mas com a saúde debilitada.
O HOTEL ATLÂNTICO do NOLL encontrei num sebo da rua Sete de Abril e o devorei em dois dias. Nele o autor narra a estranha história de um ator que foge sem rumo e que por onde passa tem gente morrendo. O personagem não é tão solidário e humanista quanto a “Renata” da Ivana. E prepare-se: porque as cenas de sexo, de violência e de descontroles levam o personagem (e o leitor) ao desespero - o que é muito legal.
E eu que geralmente curto personagens solitários, on the roads, fora de lugar, acabei conhecendo dois autores distintos (Ivana é de Sampa e Noll, gaúcho) que passeiam elegantemente por essa praia. Eu os recomendo.
Ps: e agora tô afinzasso de ler “A FÚRIA DO CORPO” e “HARMADA” de Noll - se alguém souber onde encontrá-los me dê um toque, please.
O legal foi como cheguei a esses romances. Há muito tempo vejo resenhas publicadas em jornais e revistas de lançamentos desses dois autores, e sempre me esbarro com outros títulos deles quando estou em sebos e livrarias, no entanto eu não havia lido nada de Ivana e de Noll. Até o dia em que (dando um rolê pelo sebo do Bactéria, na praça Roosevelt) me rendi e comprei o “HISTÓRIAS DA MULHER DO FIM DO SÉCULO” da Ivana, de 1997; li absorto os 28 contos em que a autora retrata mulheres reais. Deu barato, e logo em seguida comprei o sensacional “FALO DE MULHER” (de 2002), outro livro de contos de Ivana; nenhum deles com final feliz, repleto de embates da vida privada, tragédias amorosas, e com mulheres à beira de ataques homicidas. Muito bom.
E em junho deste ano Ivana lançou HOTEL NOVO MUNDO que é seu primeiro romance. Nele, Renata é uma ex-prostituta que, se sentido traída, abandona a boa vida que levava ao lado do marido rico no Rio de Janeiro para morar num hotel barato no centro de Sampa. A autora descreve o dia-a-dia da primeira semana do recomeço de Renata nesse novo mundo. Um mundo onde ela encontra um pianista de boate ( com uma história comovente: o músico fora casado com ex-cantora de sucesso da noite paulistana, Diva Dantas, com quem teve uma filha, Cecília, que só a conheceu quando a mãe se encontrava à beira da morte), um pai-de-santo com ética profissional, que se relaciona com estilista soropositivo; e uma menina cheia de vida, mas com a saúde debilitada.
O HOTEL ATLÂNTICO do NOLL encontrei num sebo da rua Sete de Abril e o devorei em dois dias. Nele o autor narra a estranha história de um ator que foge sem rumo e que por onde passa tem gente morrendo. O personagem não é tão solidário e humanista quanto a “Renata” da Ivana. E prepare-se: porque as cenas de sexo, de violência e de descontroles levam o personagem (e o leitor) ao desespero - o que é muito legal.
E eu que geralmente curto personagens solitários, on the roads, fora de lugar, acabei conhecendo dois autores distintos (Ivana é de Sampa e Noll, gaúcho) que passeiam elegantemente por essa praia. Eu os recomendo.
Ps: e agora tô afinzasso de ler “A FÚRIA DO CORPO” e “HARMADA” de Noll - se alguém souber onde encontrá-los me dê um toque, please.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
CAIO FERNANDO ABREU

Certa vez ganhei um elepê autografado – e com dedicatória - do Oswaldo Montenegro. A coisa se deu assim: eu tinha que ligar para aquele programa bem bacana da TV Gazeta, daqui de Sampa, o histórico TV-MIX (que rolou no finzinho da década de 1980), e indicar a canção que eu mais gostava do cantor. Entre as mais votadas, “Agonia”, “Bandolins” e “Lua e Flor (tema hiper batido do personagem Sassá Mutema da novela “O Salvador da Pátria”, 1989)”, Oswaldo Montenegro, que estava ao vivo no programa, elegeu justamente a canção que eu mencionei, “Léo e Bia”. E lá fui eu no dia seguinte até o prédio da Gazeta, na avenida Paulista, buscar o meu prêmio - como testemunha do fato tenho meu amigo Valmir Jr. que me acompanhou até o local. E foi neste dia que eu conheci pessoalmente o escritor-dramaturgo-poeta-ator CAIO FERNANDO ABREU. Não tenho certeza: acho que ele conversava com Tadeu Jungle, o então diretor de programação, quando eu entrei na redação da TV Gazeta.
Eu lia e gostava das crônicas que CAIO escrevia pro Caderno 2 do Estadão em meados dos anos 80 – naquela época eu não me ligava nesse papo de “nova geração de escritores”, não tinha a menor idéia de que ele era o supra-sumo dessa turma (que era composta por MARCELO RUBENS. PAIVA, REINALDO MORAES, JOÃO GILBERTO NOLL e outros). O que me fez devorar o seu clássico MORANGOS MOFADOS (de 1982) foi a dica que CAIO deixou logo no primeiro conto pro leitor acompanhar o texto: “Para ler ao som de Ângela Rô-Rô”- e nem preciso dizer o quanto eu gostava de Ângela Rô-Rô à época. Na seqüência li “OS DRAGÕES NÃO CONHECEM O PARAÍSO (de 1988) que foi premiado com o JABUTI (“Cágado”, diria Marcelino Freire) da CBL.
E pro meu deleite recebo de presente “PARA SEMPRE TEU, CAIO F” (editora Record – julho/2009), uma biografia fresquinha, que acaba de ser lançada, de CAIO escrita pela sua amiga de mais de 20 anos, a jornalista PAULA DIP. Logo no começo do livro ela diz que não se trata de uma biografia e sim de uma “história de amizade” que começou lá nos anos 70 e que terminou com a precoce morte do escritor vitimado pela AIDS em 1996. Os relatos que PAULA DIP descreve de sua relação com CAIO tem me emocionado demais; e olha que tô ainda na página 120 – o título do livro é um pouco piegas, mas era assim que CAIO se despedia nas cartas que escrevia para PAULA.
E por falar em correspondência, CAIO era um missivista compulsivo; escrevia em média 5 cartas por dia - “Tenho pena das pessoas que não escrevem cartas”, frase de Elizabeth Bishop que CAIO sempre repetia. Além da reprodução de algumas dessas correspondências, a biografia esta recheada de depoimentos dos amigos do escritor.
CAIO ganhava dinheiro escrevendo artigos e crônicas pra jornais e revistas, mas o seu grande barato era a literatura. Amava Clarice Lispector e Virginia Woolf (leu tudo o que elas escreveram). Segundo Paula Dip, Caio circulava com desenvoltura pela elite literária brasileira, dava o devido respeito e era aceito entre seus pares. No entanto, não titubeava na hora de meter a bronca, como na vez em que não hesitou e, no ar, largou a bancada do programa Roda Viva (da TV Cultura) que trazia Rachel de Queiros como entrevistada. Não concordando com o posicionamento ideológico, “chapa-branca”, que a escritora manteve durante a ditadura militar, Caio abandonou o programa.
Bom. E como resumiu o Marião (Bortolotto) em seu blog: essa é uma oportunidade muito boa pra gente rever a obra de CAIO, e um “bom momento para que as novas gerações conheçam o grande escritor que nós perdemos”.
Mais CAIO FERNANDO ABREU: há algum tempo, toda vez que entro numa livraria, fico com água na boca ao ver nas estantes a antologia que a editora AGIR lançou em 2006 como uma amostra da experiência literária de CAIO. Ela se chama CAIO 3D – O ESSENCIAL DA DÉCADA, e é dividida em três livros: décadas de 70, 80 e 90. Só que cada volume custa em média 60 realitos – um tanto salgado para meus parcos recursos. Quem sabe outra pessoa querida me presenteie com essa antologia, né mesmo?
E pro meu deleite recebo de presente “PARA SEMPRE TEU, CAIO F” (editora Record – julho/2009), uma biografia fresquinha, que acaba de ser lançada, de CAIO escrita pela sua amiga de mais de 20 anos, a jornalista PAULA DIP. Logo no começo do livro ela diz que não se trata de uma biografia e sim de uma “história de amizade” que começou lá nos anos 70 e que terminou com a precoce morte do escritor vitimado pela AIDS em 1996. Os relatos que PAULA DIP descreve de sua relação com CAIO tem me emocionado demais; e olha que tô ainda na página 120 – o título do livro é um pouco piegas, mas era assim que CAIO se despedia nas cartas que escrevia para PAULA.
E por falar em correspondência, CAIO era um missivista compulsivo; escrevia em média 5 cartas por dia - “Tenho pena das pessoas que não escrevem cartas”, frase de Elizabeth Bishop que CAIO sempre repetia. Além da reprodução de algumas dessas correspondências, a biografia esta recheada de depoimentos dos amigos do escritor.
CAIO ganhava dinheiro escrevendo artigos e crônicas pra jornais e revistas, mas o seu grande barato era a literatura. Amava Clarice Lispector e Virginia Woolf (leu tudo o que elas escreveram). Segundo Paula Dip, Caio circulava com desenvoltura pela elite literária brasileira, dava o devido respeito e era aceito entre seus pares. No entanto, não titubeava na hora de meter a bronca, como na vez em que não hesitou e, no ar, largou a bancada do programa Roda Viva (da TV Cultura) que trazia Rachel de Queiros como entrevistada. Não concordando com o posicionamento ideológico, “chapa-branca”, que a escritora manteve durante a ditadura militar, Caio abandonou o programa.
Bom. E como resumiu o Marião (Bortolotto) em seu blog: essa é uma oportunidade muito boa pra gente rever a obra de CAIO, e um “bom momento para que as novas gerações conheçam o grande escritor que nós perdemos”.
Mais CAIO FERNANDO ABREU: há algum tempo, toda vez que entro numa livraria, fico com água na boca ao ver nas estantes a antologia que a editora AGIR lançou em 2006 como uma amostra da experiência literária de CAIO. Ela se chama CAIO 3D – O ESSENCIAL DA DÉCADA, e é dividida em três livros: décadas de 70, 80 e 90. Só que cada volume custa em média 60 realitos – um tanto salgado para meus parcos recursos. Quem sabe outra pessoa querida me presenteie com essa antologia, né mesmo?
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
PAÍNHOS NEVER MORE.
A gente se livrou do ACM. Legal. Sobrou o dono do Maranhão que é viciado em presidências, mas esse eu acho que cai com a colaboração de seus cúmplices. Agora, que não venha o PT nos enfiar goela abaixo aquele paínho cearense pra nós paulistas. Urg! Sai fora!
Xô, molestias!!!
Ps: a Pillar a gente aceita.
Xô, molestias!!!
Ps: a Pillar a gente aceita.
domingo, 9 de agosto de 2009
"DOSSIÊ RÊ BORDOSA"
É bem legal. Eu assisti o “DOSSIÊ RÊ BORDOSA” no Anima Mundi do ano passado e adorei. Putz, este foi o primeiro documentário-filme-em-animação que vi. É um curta em Stop-motion, feito todo de massinha. De 2008 pra cá, o curta, dirigido por César Cabral, já recebeu mais de 20 premiações, inclusive fora do país. E pra quem não sabe, RÊ BORDOSA é um dos personagens mais junkie que surgiu nos Quadrinhos brasucas dos anos 80. O documentário tenta desvendar se foi “fama”, “ego inflado”, “espírito de porco” - ou qualquer outra merda - que levou o cartunista ANGELI a matar sua popular e mais famosa criação.
Quem assistiu ao clássico “O BANDIDO DA LUZ VERMELA” vai rever aquelas duas vozes em off (de um casal) narrando fato a fato as informações contidas no Dossiê.
O filme traz Grace Gianoukas fazendo a voz da RÊ BORDOSA; Paulo Cesar Peréio, a do BIBELÔ e Laert Sarrumor, BOB CUSPE.
Também estão excelentes as caracterizações dos bonequinhos que representam os cartunistas LAERTE e ANGELI. Ah!, e durante os créditos finais, dá pra gente ver que o boneco de massinha do ANGELI foi dublado por ele mesmo repetindo todos os seus trejeitos.
Pra quem não assistiu, segue abaixo o filme “Dossiê Rê Bordosa” na íntegra.
Quem assistiu ao clássico “O BANDIDO DA LUZ VERMELA” vai rever aquelas duas vozes em off (de um casal) narrando fato a fato as informações contidas no Dossiê.
O filme traz Grace Gianoukas fazendo a voz da RÊ BORDOSA; Paulo Cesar Peréio, a do BIBELÔ e Laert Sarrumor, BOB CUSPE.
Também estão excelentes as caracterizações dos bonequinhos que representam os cartunistas LAERTE e ANGELI. Ah!, e durante os créditos finais, dá pra gente ver que o boneco de massinha do ANGELI foi dublado por ele mesmo repetindo todos os seus trejeitos.
Pra quem não assistiu, segue abaixo o filme “Dossiê Rê Bordosa” na íntegra.
terça-feira, 28 de julho de 2009
O REI e a BOA.

Mesmo se o assunto não nos interessa soubemos que este ano o “rei” Roberto Carlos completou 50 anos de carreira artística. Soubemos que os jornais, televisivos ou não, propagandísticos ou não, deram conta da grande procura pelos ingressos dos shows comemorativos que o “rei” esta levando a algumas cidades do país (vi na internê: neste último fim de semana foi roubado um grande lote de ingressos desses shows num ponto de venda de Sampa). Soubemos também que a Rede Globo, a proprietária de Roberto Carlos (o “rei” é de total exclusividade desta emissora – lembram do “Acústico MTV” gravado em 2001 com Roberto Carlos e que continua inédito na tevê por causa da Globomarcas?), celebrou os 50 anos de carreira do “rei” convidando 20 divas da música brasileira pra um grande show – que fora transmitido pelo canal – diretamente do Teatro Municipal de São Paulo.
Aliás, tudo que se passa (passou) na vida do “rei” Roberto Carlos nos últimos 40 anos ficamos sabendo; queiramos ou não. Soubemos do namorico dele com Wanderléia, de sua separação com a atriz Myriam Rios, da luta contra o câncer de sua mulher Maria Rita, dos muitos processos de plágio que sofreu; perdendo quase todos. E outra: desde 74 (quando a Globo comprou seu passe) nossas noites de Natal foram invadidas por especiais de fim de ano de Roberto Carlos. Quem é que não se lembra desses shows do “rei” na Globo? E repito: tudo o que aconteceu na vida do cantor Roberto Carlos, desde que ele se tornou celebridade, ficamos sabendo, a gente querendo ou não.
Daí eu pergunto: por que cargas d’água Roberto Carlos foi proibir (censurar) o livro biográfico (“Roberto Carlos Em Detalhes” – de 2006) que o historiador e escritor Paulo Cesar Araujo fez sobre sua vida, se todas as informações utilizadas por Araujo, de certa forma, soubemos – querendo ou não - através dos jornais e revistas de fofocas?
Mudando. Recentemente, o colunista da Falha de S. Paulo José Simão fora proibido judicialmente de fazer qualquer referência à atriz Juliana Paes, com multa de 10 mil reais por nota publicada em qualquer meio: jornal, revista ou Internet. A atriz alega que Zé Simão "vem publicando reiteradamente nos meios de comunicação em que atua, sobretudo eletrônicos (internet), textos que têm ultrapassado os limites da ficção experimentada pela personagem e repercutido sobre a honra e moral da atriz e mulher e sua família".
Vejam o texto do colunista sobre a atriz: “Par romântico, Juliana Paes e Márcio Garcia. Amor impossível: Juliana Paes é de uma casta, e Márcio Garcia, de casta inferior. Porque veio da Record. Rarará! (...) E é complicado, tudo por castas. A Juliana Paes é da casta das gostosas. Aliás, a Juliana Paes não é nada casta! A Juliana Paes é da casta das nada castas! E sabe o que um amigo meu vai gritar no casamento com a bananeira? Juliana Paes, quero descascar a minha banana!”
Oras bolas! Não é Juliana Paes que vende a própria imagem pra um comercial de cerveja como a “boa”? Campanha publicitária essa divulgada em todas as mídias (jornal, revista, internet) e lugares (há baners da “boa” - em poses ousadas – em bares e supermercados)? Qual o marmanjo não aguardou “entusiasmado” o capítulo da novela CELEBRIDADE (de 2003) em que a atriz ficaria totalmente nua após assalto numa praia? Há quase cinco anos, Juliana Paes vem sendo eleita a personalidade pública mais “charmosa” e “boazuda” da televisão, tanto que é constantemente contratada pra anúncios onde sua beleza (e sua gostosura) seja condicionada a imagens de diversos produtos.
Então por que cargas d’água a atriz se sentiu ofendida por Zé Simão? Ele disse algo que insultasse sua imagem? Quer dizer que fazer publicidade utilizando os atributos físicos da atriz, pode; tratar desses mesmos atributos com humor, não pode - é ilícito.
Isto se chama HIPOCRISIA.
E hipocrisia é o mesmo caso que envolve o “rei” Roberto Carlos quando proíbe (censura) o livro de Paulo Cesar Araujo.
Sabemos que há leis seriíssimas pra punir a “injuria e a difamação” – e ninguém que se diz íntegro pode ser contrário a elas. Só que nesses dois casos não podem ser aplicadas essas regras; visto que o conteúdo do que Zé Simão e Paulo Cesar Araujo publicaram foi vastamente explorado pelo “rei” e pela “boa”.
No caso do processo de Roberto Carlos contra o livro (que ele não se deu ao trabalho de ler) foi mais grave: o “rei” determinou o recolhimento de todos os exemplares distribuídos nas livrarias pra posterior incineração. Em recente entrevista, o autor da biografia “Roberto Carlos Em Detalhes”, disse que os advogados do “rei” não conseguiram configurar durante o processo os argumentos “injuria e difamação” – o que deu ganho de causa a Roberto Carlos foi uma “dedução” contábil: os advogados alegaram prejuízo por “lucro cessante”, já que o “rei” deseja publicar sua própria biografia (Paulo Cesar Araujo diz que ainda recorre da decisão de 2006).
No Veja Online, Zé Simão disse que achou “que estava elogiando [a boa], ao chamá-la de gostosa. Que ela ia adorar essa folia. É uma pessoa moderna, trabalha na Globo. A Juliana não passa essa imagem de carrancuda. Talvez ela esteja reposicionando a imagem, mas ninguém me avisou. Não fui alertado. Aliás, acho que nem eu, nem o Brasil, né? Ela faz campanha comercial em que é chamada de a boa, sempre foi a gostosa”.
Quero eu acreditar que na verdade, nos dois casos, são advogados “espertíssimos” que vivem antenados, ávidos pra ganharem uma “boa” grana via justiça por danos morais e os escambais.
Aliás, tudo que se passa (passou) na vida do “rei” Roberto Carlos nos últimos 40 anos ficamos sabendo; queiramos ou não. Soubemos do namorico dele com Wanderléia, de sua separação com a atriz Myriam Rios, da luta contra o câncer de sua mulher Maria Rita, dos muitos processos de plágio que sofreu; perdendo quase todos. E outra: desde 74 (quando a Globo comprou seu passe) nossas noites de Natal foram invadidas por especiais de fim de ano de Roberto Carlos. Quem é que não se lembra desses shows do “rei” na Globo? E repito: tudo o que aconteceu na vida do cantor Roberto Carlos, desde que ele se tornou celebridade, ficamos sabendo, a gente querendo ou não.
Daí eu pergunto: por que cargas d’água Roberto Carlos foi proibir (censurar) o livro biográfico (“Roberto Carlos Em Detalhes” – de 2006) que o historiador e escritor Paulo Cesar Araujo fez sobre sua vida, se todas as informações utilizadas por Araujo, de certa forma, soubemos – querendo ou não - através dos jornais e revistas de fofocas?
Mudando. Recentemente, o colunista da Falha de S. Paulo José Simão fora proibido judicialmente de fazer qualquer referência à atriz Juliana Paes, com multa de 10 mil reais por nota publicada em qualquer meio: jornal, revista ou Internet. A atriz alega que Zé Simão "vem publicando reiteradamente nos meios de comunicação em que atua, sobretudo eletrônicos (internet), textos que têm ultrapassado os limites da ficção experimentada pela personagem e repercutido sobre a honra e moral da atriz e mulher e sua família".
Vejam o texto do colunista sobre a atriz: “Par romântico, Juliana Paes e Márcio Garcia. Amor impossível: Juliana Paes é de uma casta, e Márcio Garcia, de casta inferior. Porque veio da Record. Rarará! (...) E é complicado, tudo por castas. A Juliana Paes é da casta das gostosas. Aliás, a Juliana Paes não é nada casta! A Juliana Paes é da casta das nada castas! E sabe o que um amigo meu vai gritar no casamento com a bananeira? Juliana Paes, quero descascar a minha banana!”
Oras bolas! Não é Juliana Paes que vende a própria imagem pra um comercial de cerveja como a “boa”? Campanha publicitária essa divulgada em todas as mídias (jornal, revista, internet) e lugares (há baners da “boa” - em poses ousadas – em bares e supermercados)? Qual o marmanjo não aguardou “entusiasmado” o capítulo da novela CELEBRIDADE (de 2003) em que a atriz ficaria totalmente nua após assalto numa praia? Há quase cinco anos, Juliana Paes vem sendo eleita a personalidade pública mais “charmosa” e “boazuda” da televisão, tanto que é constantemente contratada pra anúncios onde sua beleza (e sua gostosura) seja condicionada a imagens de diversos produtos.
Então por que cargas d’água a atriz se sentiu ofendida por Zé Simão? Ele disse algo que insultasse sua imagem? Quer dizer que fazer publicidade utilizando os atributos físicos da atriz, pode; tratar desses mesmos atributos com humor, não pode - é ilícito.
Isto se chama HIPOCRISIA.
E hipocrisia é o mesmo caso que envolve o “rei” Roberto Carlos quando proíbe (censura) o livro de Paulo Cesar Araujo.
Sabemos que há leis seriíssimas pra punir a “injuria e a difamação” – e ninguém que se diz íntegro pode ser contrário a elas. Só que nesses dois casos não podem ser aplicadas essas regras; visto que o conteúdo do que Zé Simão e Paulo Cesar Araujo publicaram foi vastamente explorado pelo “rei” e pela “boa”.
No caso do processo de Roberto Carlos contra o livro (que ele não se deu ao trabalho de ler) foi mais grave: o “rei” determinou o recolhimento de todos os exemplares distribuídos nas livrarias pra posterior incineração. Em recente entrevista, o autor da biografia “Roberto Carlos Em Detalhes”, disse que os advogados do “rei” não conseguiram configurar durante o processo os argumentos “injuria e difamação” – o que deu ganho de causa a Roberto Carlos foi uma “dedução” contábil: os advogados alegaram prejuízo por “lucro cessante”, já que o “rei” deseja publicar sua própria biografia (Paulo Cesar Araujo diz que ainda recorre da decisão de 2006).
No Veja Online, Zé Simão disse que achou “que estava elogiando [a boa], ao chamá-la de gostosa. Que ela ia adorar essa folia. É uma pessoa moderna, trabalha na Globo. A Juliana não passa essa imagem de carrancuda. Talvez ela esteja reposicionando a imagem, mas ninguém me avisou. Não fui alertado. Aliás, acho que nem eu, nem o Brasil, né? Ela faz campanha comercial em que é chamada de a boa, sempre foi a gostosa”.
Quero eu acreditar que na verdade, nos dois casos, são advogados “espertíssimos” que vivem antenados, ávidos pra ganharem uma “boa” grana via justiça por danos morais e os escambais.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
O ASTRO AND ME

Demorei um bocado pra falar aqui de Michael Jackson. Da morte do astro não vou comentar; é que tudo o que podiam dizer e especular já o fazem.
Foi em Olinda que eu soube do acontecido, eu voltava de um passeio pelas ladeiras da cidade quando resolvi usar o computador do Albergue - e tava lá, em destaque, no portal do Yahoo, a manchete anunciadora. Minha primeira reação foi comunicar o fato às pessoas que estavam ao meu lado na sala de recepção; apenas uma garota veio conferir no monitor a informação. Só mais tarde, depois de jantar, e depois de alguns gorós, é que a notícia da morte do cantor bateu. Daí eu comecei a lembrar de fatos da minha vida que posso relacionar à obra de Michael Jackson.
Posso até cometer algum anacronismo, mas acho que foi nos 70 que começou os famosos “bailinhos” – festas cujo o ápice era dançar de rostinho colado, embalado por canções ultra-melacuecas. Em casa, por volta de 1975 ou 76, quando eu ainda era muito pivete e quando meu pai não era tão ranzinza, minhas irmãs, que são mais velhas, e que já trabalhavam, convidavam - numa boa - as amigas e os amigos pra dançar em casa. Elas compravam discos com as trilhas sonoras das telenovelas que, logicamente, utilizavam nessas festinhas. Nessa época o Long Play (LP) era mais caro; pra quem tinha pouca grana o jeito era os compactos simples que vinham com duas ou até quatro faixas do mesmo LP.
O nosso toca-discos era um TRIO TOTAL SHARP, onde o compacto simples MUSIC AND ME, de 1973, de Michael Jackson rodava incansavelmente durante os bailinhos. Esse disco, além da própria canção que dá nome ao compacto, tinha a melosa HAPPY, TOO YOUNG e MORNING GLOW. Ele é o terceiro disco solo do então astro-mirim dos cincos Jacksons. Nos EUA, o disco saiu pelo famoso selo MOTOWN – que agora, em 2009, completa 50 anos de suas primeiras produções – e aqui no Brasil foi lançado pela TAPECAR, uma pequena e histórica gravadora carioca (a primeira a trazer STEVIE WONDER), cujo logotipo é um sujeito robusto, com cara de Buldogue, levantando peso de uma tonelada.
A TAPECAR produziu artistas como RIACHÃO, HEMES AQUINO, NOITE ILUSTRADA, LUIZ AMÉRICO, NOVOS BAIANOS – ela também possuía valoroso catálogo de sambistas com BETH CARVALHO, ELZA SOARES, CANDEIAS entre outros.
Bueno. E com o passar dos anos, o compacto do Michael Jackson que tínhamos desapareceu, mas felizmente, em 2002, encontrei outro escondido e todo empoeirado num sebo.
Ah! Em Olinda, depois de alguns caldinhos e algumas brejas cantarolei – pra mim mesmo, é claro – BLACK OR WITHE a lá Caetano; a única música do astro que sei corretamente toda letra.
Foi em Olinda que eu soube do acontecido, eu voltava de um passeio pelas ladeiras da cidade quando resolvi usar o computador do Albergue - e tava lá, em destaque, no portal do Yahoo, a manchete anunciadora. Minha primeira reação foi comunicar o fato às pessoas que estavam ao meu lado na sala de recepção; apenas uma garota veio conferir no monitor a informação. Só mais tarde, depois de jantar, e depois de alguns gorós, é que a notícia da morte do cantor bateu. Daí eu comecei a lembrar de fatos da minha vida que posso relacionar à obra de Michael Jackson.
Posso até cometer algum anacronismo, mas acho que foi nos 70 que começou os famosos “bailinhos” – festas cujo o ápice era dançar de rostinho colado, embalado por canções ultra-melacuecas. Em casa, por volta de 1975 ou 76, quando eu ainda era muito pivete e quando meu pai não era tão ranzinza, minhas irmãs, que são mais velhas, e que já trabalhavam, convidavam - numa boa - as amigas e os amigos pra dançar em casa. Elas compravam discos com as trilhas sonoras das telenovelas que, logicamente, utilizavam nessas festinhas. Nessa época o Long Play (LP) era mais caro; pra quem tinha pouca grana o jeito era os compactos simples que vinham com duas ou até quatro faixas do mesmo LP.
O nosso toca-discos era um TRIO TOTAL SHARP, onde o compacto simples MUSIC AND ME, de 1973, de Michael Jackson rodava incansavelmente durante os bailinhos. Esse disco, além da própria canção que dá nome ao compacto, tinha a melosa HAPPY, TOO YOUNG e MORNING GLOW. Ele é o terceiro disco solo do então astro-mirim dos cincos Jacksons. Nos EUA, o disco saiu pelo famoso selo MOTOWN – que agora, em 2009, completa 50 anos de suas primeiras produções – e aqui no Brasil foi lançado pela TAPECAR, uma pequena e histórica gravadora carioca (a primeira a trazer STEVIE WONDER), cujo logotipo é um sujeito robusto, com cara de Buldogue, levantando peso de uma tonelada.
A TAPECAR produziu artistas como RIACHÃO, HEMES AQUINO, NOITE ILUSTRADA, LUIZ AMÉRICO, NOVOS BAIANOS – ela também possuía valoroso catálogo de sambistas com BETH CARVALHO, ELZA SOARES, CANDEIAS entre outros.
Bueno. E com o passar dos anos, o compacto do Michael Jackson que tínhamos desapareceu, mas felizmente, em 2002, encontrei outro escondido e todo empoeirado num sebo.
Ah! Em Olinda, depois de alguns caldinhos e algumas brejas cantarolei – pra mim mesmo, é claro – BLACK OR WITHE a lá Caetano; a única música do astro que sei corretamente toda letra.
terça-feira, 14 de julho de 2009
"PÉ-NA-BUNDA SHOW"

Vejam esse caso: a francesa Sophie Calle, artista plástica, namorava por pouco mais de 2 anos o também pintor e escritor francês Grégoire Bouiller. Certo dia, Sophie recebeu um longo e-mail de Grégoire terminando o namoro. E é lógico que ela ficou magoada com o fim do relacionamento e, principalmente, com a mensagem eletrônica. Mas, depois de algum tempo, Sophie resolveu transformar em "arte" o seu fim-de-caso, seu “pé-na-bunda”. Acreditem: ela enviou cópia do e-mail que recebeu de Grégoire para 107 mulheres; entre elas, uma advogada forense, uma lingüista, uma taróloga, uma juíza especialista nos direitos femininos (e até para alguns famosos como, a cantora Laurie Anderson, e às atrizes Jeanne Moreau e Victoria Abril). Sophie pediu a todos que o texto fosse analisado segundo o filtro de cada especialidade. Depois fotografou e filmou algumas dessas mulheres e levou todo o material para a famosa Bienal de Arte de Veneza onde foi premiada.
E Grégoire, o que fez? Escreveu o livro “O Convidado Surpresa”, dando sua versão bem-humorada do namoro com a artista plástica.
Agora, o mais maluco de tudo isso, é que Sophie e Grégoire foram convidados pra uma mesa de debate na FLIP deste ano e, depois de muito relutarem, ambos aceitaram o convite para a primeira aparição pública do casal. Pra resumir: foi uma mesa pra lá de divertida – Sophie quase que arrebatou corações e mentes pra suas dores, mas logo todos perceberam que não dá pra tomar partido sobre o que se passa entre quatro paredes.
Ah! no último dia 10, a exposição de Sophie, que se chama “Cuide de Você” (que é o último trecho da carta de Grégoire), teve início aqui em Sampa no SESC-Pompéia.
E Grégoire, o que fez? Escreveu o livro “O Convidado Surpresa”, dando sua versão bem-humorada do namoro com a artista plástica.
Agora, o mais maluco de tudo isso, é que Sophie e Grégoire foram convidados pra uma mesa de debate na FLIP deste ano e, depois de muito relutarem, ambos aceitaram o convite para a primeira aparição pública do casal. Pra resumir: foi uma mesa pra lá de divertida – Sophie quase que arrebatou corações e mentes pra suas dores, mas logo todos perceberam que não dá pra tomar partido sobre o que se passa entre quatro paredes.
Ah! no último dia 10, a exposição de Sophie, que se chama “Cuide de Você” (que é o último trecho da carta de Grégoire), teve início aqui em Sampa no SESC-Pompéia.
sexta-feira, 10 de julho de 2009
PORNOPOPÉIA
Zeca, você é... você é... patético. Cê jura que vai passar a vida toda se drogando feito um idiota? Qualquer hora morre aí, meu.
Qualquer hora todos morreremos, aqui, ali, alhures. Vai ser um problema a menos na minha vida. E na sua também.
Isso é verdade.
Aproveitei o instante de silêncio e colhi uma crosta de pó grudada na borda duma narina.
Quando é que você vai parar de cheirar pó, Zeca? Hein? Me diga.
Porra, às vezes acho que me casei com a mulher-maravilha com superpoderes de perdigueira televidente.
Lia, tô tentando parar. Hoje em dia quase só cheiro pra trabalhar.
Zeca, a gente precisa ter uma conversa muito séria. Ouve de novo a minha proposta na tua secretária eletrônica. E sóbrio, se isso ainda for possível.
Eu tô sóbrio. E afogado em trampo.
Não quer nem saber como tá o Pedrinho? Seu filho, lembra?
Quê que tem o Pedrinho?
Zeca, me faz um favor, ta? Vai à merda!
E desligou.
Aquele “vai à merda!” soou como um acorde terminal de bandoneon nos meus ouvidos. Um alvará pra zoar à vontade por mais 24 horas.
Nem dez segundos depois, toca o telefone. Dona Lia de novo:
E pode me dar quatro mil reais. Preciso de quatro mil reais até amanhã.
Não tenho. Nem um.
Trate de arranjar. Você tem filho, tem casa, tem mil obrigações. Eu é que tenho que arcar com tudo sozinha? Por que? Faz meses que você não bota um centavo aqui.
Vou botar, Lia, vou botar ovo amarelinho no seu ninho.
Tô esperando. Dinheiro! Ovo, não.
Era uma metáfora, benzinho.
Zeca, você é doido. Sempre foi doido. Mas agora virou um doido varrido.
Com duas vassouras!
Olha aqui, se aparecer um gabiru na minha vida de novo, não reclama. Culpa sua!
E socou mais uma vez o telefone no gancho.
Culpa minha? Ela abre as pernas, vem um lá, enfia o pau na buceta dela, e a culpa é minha?
Não seria a primeira vez, de fato, como a própria patroa me confessou, noite dessas, depois de duas garrafas de vinho e uma bomba compartilhada, numa noite sem Pedrinho nem empregada. Fiz o número do corno magoado, mas conformado. É que a mulherada prefere. Na real me deu foi um puta tesão por ela. Caí matando na véia. Ela ter dado pra outro cara reinstituiu a sacanagem na parada. Bela trepada, amigo, nem parecia conjugal. (...) Depois, fumando um beque na cama, pedi mais detalhes da traição, a ver se me animava a dar uma segundinha. Acho que é a tal volúpia do corno que tanto falam por aí. Ela jurou, em todo caso, que o rolo tinha acabado fazia mais de um ano. O cara era sociólogo como ela, só que do Rio. Tinham se conhecido num fórum esquerdofrênico em Porto Alegre. Deve ser desses barbudinhos míopes que apóiam as FARC, o Chaves, Fidel, Evo Morales, Heloisa Helena e só ouve samba de raiz nas gafieiras de classe média providas de um número suficiente de negros para parecerem populares.
Qualquer hora todos morreremos, aqui, ali, alhures. Vai ser um problema a menos na minha vida. E na sua também.
Isso é verdade.
Aproveitei o instante de silêncio e colhi uma crosta de pó grudada na borda duma narina.
Quando é que você vai parar de cheirar pó, Zeca? Hein? Me diga.
Porra, às vezes acho que me casei com a mulher-maravilha com superpoderes de perdigueira televidente.
Lia, tô tentando parar. Hoje em dia quase só cheiro pra trabalhar.
Zeca, a gente precisa ter uma conversa muito séria. Ouve de novo a minha proposta na tua secretária eletrônica. E sóbrio, se isso ainda for possível.
Eu tô sóbrio. E afogado em trampo.
Não quer nem saber como tá o Pedrinho? Seu filho, lembra?
Quê que tem o Pedrinho?
Zeca, me faz um favor, ta? Vai à merda!
E desligou.
Aquele “vai à merda!” soou como um acorde terminal de bandoneon nos meus ouvidos. Um alvará pra zoar à vontade por mais 24 horas.
Nem dez segundos depois, toca o telefone. Dona Lia de novo:
E pode me dar quatro mil reais. Preciso de quatro mil reais até amanhã.
Não tenho. Nem um.
Trate de arranjar. Você tem filho, tem casa, tem mil obrigações. Eu é que tenho que arcar com tudo sozinha? Por que? Faz meses que você não bota um centavo aqui.
Vou botar, Lia, vou botar ovo amarelinho no seu ninho.
Tô esperando. Dinheiro! Ovo, não.
Era uma metáfora, benzinho.
Zeca, você é doido. Sempre foi doido. Mas agora virou um doido varrido.
Com duas vassouras!
Olha aqui, se aparecer um gabiru na minha vida de novo, não reclama. Culpa sua!
E socou mais uma vez o telefone no gancho.
Culpa minha? Ela abre as pernas, vem um lá, enfia o pau na buceta dela, e a culpa é minha?
Não seria a primeira vez, de fato, como a própria patroa me confessou, noite dessas, depois de duas garrafas de vinho e uma bomba compartilhada, numa noite sem Pedrinho nem empregada. Fiz o número do corno magoado, mas conformado. É que a mulherada prefere. Na real me deu foi um puta tesão por ela. Caí matando na véia. Ela ter dado pra outro cara reinstituiu a sacanagem na parada. Bela trepada, amigo, nem parecia conjugal. (...) Depois, fumando um beque na cama, pedi mais detalhes da traição, a ver se me animava a dar uma segundinha. Acho que é a tal volúpia do corno que tanto falam por aí. Ela jurou, em todo caso, que o rolo tinha acabado fazia mais de um ano. O cara era sociólogo como ela, só que do Rio. Tinham se conhecido num fórum esquerdofrênico em Porto Alegre. Deve ser desses barbudinhos míopes que apóiam as FARC, o Chaves, Fidel, Evo Morales, Heloisa Helena e só ouve samba de raiz nas gafieiras de classe média providas de um número suficiente de negros para parecerem populares.
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O texto acima é um trecho do PORNOPOPÉIA, romance de REINALDO MORAES que tá fresquinho nas livrarias. Fazia um tempão que eu não lia um livro de 475 páginas em menos de duas semanas (levei o livro pra minha viagem pro Recife e não o larguei durante os primeiros dias – terminei a leitura na Praia de Boa Viagem, que vidão!). Também fazia um tempão que eu não me apegava a um personagem como a esse Zeca; um ex-cineasta marginal, com um único longa-metragem no currículo (“Holisticofrenia”, o nome de seu filme). Não vou dizer que eu me identifiquei com esse Zeca, apesar de tantas coincidências (o personagem mora em Perdizes, freqüenta a Mercearia São Pedro, tem a minha idade, tem bom-humor, tem amigos no Butantã, entre outras cositas). PORNOPOPÉIA, como diz o autor, é uma epopéia pornô de um Zeca que vive o seu mundo em busca do prazer imediato, muito sexo e drogas. Às vezes politicamente incorreto, vaidoso, racista e mesquinho.
Li no blog do Marião (Bortolotto) que o livro de Moraes era um romance de 1.000 páginas, mas que depois de um processo longo e muito “doloroso” ele conseguiu enxugar para 475 páginas. Reinaldo Moraes já traduziu Bukowski (que deve tê-lo influenciado neste Pornopopéia) e é autor de “Abacaxi” (de 1985), Órbita dos Caracóis” (de 2003) e “Umidades” (de 2005). E quem souber onde encontrar “TANTO FAZ”, romance de 1981, e reeditado em 2003, me avise, please, que eu estou fissurado pra ler.
Abaixo: o meu Pornopopéia devidamente autografado.
O texto acima é um trecho do PORNOPOPÉIA, romance de REINALDO MORAES que tá fresquinho nas livrarias. Fazia um tempão que eu não lia um livro de 475 páginas em menos de duas semanas (levei o livro pra minha viagem pro Recife e não o larguei durante os primeiros dias – terminei a leitura na Praia de Boa Viagem, que vidão!). Também fazia um tempão que eu não me apegava a um personagem como a esse Zeca; um ex-cineasta marginal, com um único longa-metragem no currículo (“Holisticofrenia”, o nome de seu filme). Não vou dizer que eu me identifiquei com esse Zeca, apesar de tantas coincidências (o personagem mora em Perdizes, freqüenta a Mercearia São Pedro, tem a minha idade, tem bom-humor, tem amigos no Butantã, entre outras cositas). PORNOPOPÉIA, como diz o autor, é uma epopéia pornô de um Zeca que vive o seu mundo em busca do prazer imediato, muito sexo e drogas. Às vezes politicamente incorreto, vaidoso, racista e mesquinho.
Li no blog do Marião (Bortolotto) que o livro de Moraes era um romance de 1.000 páginas, mas que depois de um processo longo e muito “doloroso” ele conseguiu enxugar para 475 páginas. Reinaldo Moraes já traduziu Bukowski (que deve tê-lo influenciado neste Pornopopéia) e é autor de “Abacaxi” (de 1985), Órbita dos Caracóis” (de 2003) e “Umidades” (de 2005). E quem souber onde encontrar “TANTO FAZ”, romance de 1981, e reeditado em 2003, me avise, please, que eu estou fissurado pra ler.
Abaixo: o meu Pornopopéia devidamente autografado.
terça-feira, 7 de julho de 2009
FLIPANDO
Enfim estou de volta. Depois de muito Forró no Recife e muita (e bota muito nisso) pinguinha Coqueirinho (de banana) em Paraty, estoy acá. O figão reclama tamanho foi abuso. E mal acaba a FLIP-2009 e já começa a FLAP daqui de Sampa. A abertura é hoje, às 19h, na Casa das Rosas e a programação está aqui.
Achei a Flip deste ano um pouco sem graça. Se não fossem as participações de DOMINGOS DE OLIVEIRA, LOBO ANTUNES, o ex-casal SOFHIE e GREGOIRE, MARIO BELATTIN, ZUENIR VENTURA e EDSON NERY (que recitou de forma exuberante poemas de Manuel Bandeira) a festa teria sido morna, quase fria. Ah! também não posso esquecer da agradável mesa dos Quadrinhos (onde estavam GRAMPÁ, RAFAEL COUTINHO, FÁBIO MOON e o GABRIEL BÁ).
A mesa de CHICO BUARQUE e MILTON HATOUM foi a mais concorrida – nem preciso dizer quantas moçoilas havia em delírio pelos lindos olhos de Chico. Uma das coisas que me irrita é quando o escritor não permite perguntas do público; acho eu que o grande barato dessas festas literárias é o encontro entre autor e leitor – se o escritor não quer essa relação que fique em casa - tô me referindo ao jornalista e escritor norte-americano, GAY TALESE, que seria uma das atrações dessa edição da Flip.
Vale mencionar também o belíssimo show de abertura da doce ADRIANA CALCANHOTO que eu assisti pra lá de Bagdá, com a cuca cheia de Coqueirinho.
Pra quem acabou de voltar do Recife, e está repleto de carinho pela cidade, foi tocante ver EDSON NERY recitando o amor de BANDEIRA por Recife. NERY faz (e fez) leituras quase discursivas de vários poemas – talvez seja ele o último da espécie (quem viu, viu).
Pra variar, sobram reclamações pra organização oficial da FLIP, para as pousadas que exploram o turista, para bares e restaurantes que, além de não dar conta da demanda, triplicam preços durante a festa literária. Em qualquer lugar do centrinho histórico o cafezinho não custava mais barato que 3 paus – pão de queijo a partir de 3,50 realitos. Banheiros em más condições, principalmente para o uso feminino. As Lans da cidade estão com equipamentos obsoletos – e pouquíssimos pontos de wi-fi.
Por enquanto é isso. Volto logo mais com notícias da FLAP.
Téjá.
Abaixo: fotos de Paraty - 2009.
Fotos: Zequinha imagens (clique para ampliá-las)
Achei a Flip deste ano um pouco sem graça. Se não fossem as participações de DOMINGOS DE OLIVEIRA, LOBO ANTUNES, o ex-casal SOFHIE e GREGOIRE, MARIO BELATTIN, ZUENIR VENTURA e EDSON NERY (que recitou de forma exuberante poemas de Manuel Bandeira) a festa teria sido morna, quase fria. Ah! também não posso esquecer da agradável mesa dos Quadrinhos (onde estavam GRAMPÁ, RAFAEL COUTINHO, FÁBIO MOON e o GABRIEL BÁ).
A mesa de CHICO BUARQUE e MILTON HATOUM foi a mais concorrida – nem preciso dizer quantas moçoilas havia em delírio pelos lindos olhos de Chico. Uma das coisas que me irrita é quando o escritor não permite perguntas do público; acho eu que o grande barato dessas festas literárias é o encontro entre autor e leitor – se o escritor não quer essa relação que fique em casa - tô me referindo ao jornalista e escritor norte-americano, GAY TALESE, que seria uma das atrações dessa edição da Flip.
Vale mencionar também o belíssimo show de abertura da doce ADRIANA CALCANHOTO que eu assisti pra lá de Bagdá, com a cuca cheia de Coqueirinho.
Pra quem acabou de voltar do Recife, e está repleto de carinho pela cidade, foi tocante ver EDSON NERY recitando o amor de BANDEIRA por Recife. NERY faz (e fez) leituras quase discursivas de vários poemas – talvez seja ele o último da espécie (quem viu, viu).
Pra variar, sobram reclamações pra organização oficial da FLIP, para as pousadas que exploram o turista, para bares e restaurantes que, além de não dar conta da demanda, triplicam preços durante a festa literária. Em qualquer lugar do centrinho histórico o cafezinho não custava mais barato que 3 paus – pão de queijo a partir de 3,50 realitos. Banheiros em más condições, principalmente para o uso feminino. As Lans da cidade estão com equipamentos obsoletos – e pouquíssimos pontos de wi-fi.
Por enquanto é isso. Volto logo mais com notícias da FLAP.
Téjá.
Abaixo: fotos de Paraty - 2009.
Fotos: Zequinha imagens (clique para ampliá-las)
Adriana Calcanhoto - bela e doce abre Festa Literária de Paraty -2009
A Kombi do Albergue da Juventude de Paraty - Casa do Rio - (que chamam agora de "Hostel")
No dia dia 30, a praia do Pontal estava belíssima e vazia - muito sol e uma regata de veleiros.
O da extrema-esquerda é Carlos Heitor Cony que participou da Flipinha - 2009
O rio Perequê-açu
A vista da tenda dos Autores e os barcos no Perequê-açu
Havia uma baleia no meio da praçaterça-feira, 30 de junho de 2009
Diretamente de Paraty
- Aqui em Paraty nem sinal do frio de Sampa. Temos sol e um calor moderado que dá pra circular de bermuda numa boa pela cidade. Fiquei sabendo que houve, em fevereiro, uma tremenda tromba d'água que inundou ruas e casas de Paraty. Muita gente teve que recomeçar. Aliás, tão dizendo que essa edição da Flip-2009 é da "esperança". Parece que realmente rolou uma tragédia.
- E a prefeitura deu um jeitinho de afastar os ambulantes do centrinho - estão todos escondidos fora da parte principal da cidade.
- E amanhã, dia 1º, tem show de abertura da Flip-2009. Desta vez é Adriana Calcanhoto quem abre a festança.
- Já tomei cerveja e sorvete no centrinho ainda calmo da cidade. É bom aproveitar porque a partir de amanhã tudo vai ser diferente.
Té mais gente.
- E a prefeitura deu um jeitinho de afastar os ambulantes do centrinho - estão todos escondidos fora da parte principal da cidade.
- E amanhã, dia 1º, tem show de abertura da Flip-2009. Desta vez é Adriana Calcanhoto quem abre a festança.
- Já tomei cerveja e sorvete no centrinho ainda calmo da cidade. É bom aproveitar porque a partir de amanhã tudo vai ser diferente.
Té mais gente.
POETAS (POPULARES)
Na terça-feira, dia 23, em Olinda, encontrei o Parque do Carmo todo enfeitado pras comemorações do dia de São João. Palcos para a apresentação de diversos grupos musicais havia pra todo o canto - nem preciso dizer que havia vereadores, secretários de cultura e gentes de governo local se promovendo com o evento. Isso é tão normal, tanto lá como cá. Se alguma manifestação popular, por simples que seja, ainda se mantém, às vezes, é bom fechar os olhos pra esses aproveitadores. E esse era o caso.
Eu que já me acostumei com as movimentadas e pluralistas festas do Boi do Querosene, em Sampa, me embasbaquei por ver in loco grupos de coco, cirandeiros, rabequeiros, emboladores; além de quadrilhas juninas pernambucanas (algumas autênticas e outras modernosas) e mamelungos. Boa parte da cidade desceu as ladeiras pra ir pro parque – e acreditem: até alguns EMOs eu vi por lá.
E no meio de tudo aquilo ainda havia espaço pra literatura, onde encontrei dois cronistas do bom, os poetas CHICÃO e MALUNGO que participavam da QUARTAS LITERÁRIAS (apesar de o evento ter rolado na terça). O que me assombra é que além dos convulsivos Marcelino Freire, Miró, Lirinha e Chico “Sais” (como o povo de lá pronuncia Chico “Science”), Recife tem muito mais armas a sacar. Não precisei nem pedir. Bastou eu ligar a câmera para Malungo e Chicão destilarem seus versos pra minha lente (como vocês podem ver abaixo). Ps: prometo falar mais sobre esses dois poetas.
Outra grande surpresa foi conhecer o poeta e garçom Gilmar no Pátio São Pedro, em Recife (e fica aqui a dica: pra comer e beber baratíssimo no centro da cidade procure o bar BURACO DO SARGENTO no Pátio São Pedro). Na verdade, a surpresa (e a emoção) foi para ambos. Depois de um curto bate-papo fiquei sabendo que Gilmar trabalhou 15 anos na extinta churrascaria TROPEIRO da Waldemar Ferreira, na saída da USP. Ele se emocionou ao saber que eu também era amigo do Alexandre, um conhecido garçom que trabalhou muito tempo no também extinto BARUSP.
Quando voltamos pela terceira vez ao Pátio, pra almoçarmos no Buraco do Sargento, Gilmar lamentou termos chegado tarde. É que pouco antes, ele recitou suas “sextilhas” num palco improvisado na frente do bar. Mas não foi preciso muito argumentar como você podem ver abaixo; bastou apenas ligar a câmera.
Eu que já me acostumei com as movimentadas e pluralistas festas do Boi do Querosene, em Sampa, me embasbaquei por ver in loco grupos de coco, cirandeiros, rabequeiros, emboladores; além de quadrilhas juninas pernambucanas (algumas autênticas e outras modernosas) e mamelungos. Boa parte da cidade desceu as ladeiras pra ir pro parque – e acreditem: até alguns EMOs eu vi por lá.
E no meio de tudo aquilo ainda havia espaço pra literatura, onde encontrei dois cronistas do bom, os poetas CHICÃO e MALUNGO que participavam da QUARTAS LITERÁRIAS (apesar de o evento ter rolado na terça). O que me assombra é que além dos convulsivos Marcelino Freire, Miró, Lirinha e Chico “Sais” (como o povo de lá pronuncia Chico “Science”), Recife tem muito mais armas a sacar. Não precisei nem pedir. Bastou eu ligar a câmera para Malungo e Chicão destilarem seus versos pra minha lente (como vocês podem ver abaixo). Ps: prometo falar mais sobre esses dois poetas.
Outra grande surpresa foi conhecer o poeta e garçom Gilmar no Pátio São Pedro, em Recife (e fica aqui a dica: pra comer e beber baratíssimo no centro da cidade procure o bar BURACO DO SARGENTO no Pátio São Pedro). Na verdade, a surpresa (e a emoção) foi para ambos. Depois de um curto bate-papo fiquei sabendo que Gilmar trabalhou 15 anos na extinta churrascaria TROPEIRO da Waldemar Ferreira, na saída da USP. Ele se emocionou ao saber que eu também era amigo do Alexandre, um conhecido garçom que trabalhou muito tempo no também extinto BARUSP.
Quando voltamos pela terceira vez ao Pátio, pra almoçarmos no Buraco do Sargento, Gilmar lamentou termos chegado tarde. É que pouco antes, ele recitou suas “sextilhas” num palco improvisado na frente do bar. Mas não foi preciso muito argumentar como você podem ver abaixo; bastou apenas ligar a câmera.
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Uma longa espera pro almoço - restaurantes lotados e demorados
