sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Sem Palabras.


Não só os adjetivos bacanas me escapam como, quase sempre, as boas idéias pra uma elegante narrativa idem. Digo isso porque desde domingo passado procuro na minha cachola o que escrever sobre a matéria publicada na página 4 do caderno Ilustríssima (eu gostava quando se chamava “Mais”) da Falha de S. Paulo. O enorme texto trata do reconhecimento do grande autor de PORNOPOPÉIA, Reinaldo Moraes. Já falei diversas vezes aqui desse livro e do autor. Já revelei até da importância que seu livro “Tanto Faz (de 1982)” teve em minha vida de jovem leitor. Alguns amigos se empolgaram pra ler Pornopopéia e me deram razão quanto à qualidade. E eu não achava o que escravinhar sobre esse artigo da Falha desde domingo. Entonces, para minha sorte, o Marião, o Bortolotto, em seu blog (http://atirenodramaturgo.zip.net), postou um bom resumo do que eu gostaria de dizer de Reinaldo Moraes. E é lógico que vou republicar aqui. Tá logo abaixo. Gracias, Marión.


“Depois de tanto tempo, tão enfim reconhecendo o puta escritor que o Reinaldo é. A gente já vem falando há tanto tempo isso, né? A miopia da crítica tupiniquim é digna de um Mr. Magoo. Mas a matéria me pareceu uma espécie de redenção. Enfim, né? Ficou bem bacana, o foda é ter que aguentar o Ruy Castro dizendo que o Bukowski é um farsante. Acho que ele queria morar nos Estados Unidos e escrever a biografia do Velho. E eu não entendo a razão de alguém perder tempo comparando Reinaldo com Bukowski. Na minha opinião, os dois são muito diferentes, apesar do Reinaldo ser fã do Velho, inclusive traduziu "Mulheres" para a Brasiliense. Em comum os dois tem o fato de escreverem na primeira pessoa, gostarem de mulheres e de bebida (e suas preferencias costumam ser temas de seus textos) e terem um (ou os dois pés) no wild side. Mas as comparações param por aí. Reinaldo é prolixo. Genialmente prolixo. Ele adjetiva tudo, se estende sobre um assunto, tem uma escrita elegante pra caralho. Reinaldo se aproxima muito mais de Henry Miller, se a gente analisar direito. Não estou querendo dizer que ele é o nosso Miller. Reinaldo é o Reinaldo, muito mais galhofeiro, moleque, mais próximo de Oswald nesse sentido. Não sei porque ainda tento buscar comparações. Reinaldo é original pra caralho. Já o velho Buk é seco, cínico e amargo, embora eu encontre muito humor nele, o tipo de humor que me diverte muito. Sua literatura é direta como uma porrada do Mike Tyson. Bukowski não vai lutar todos os rounds. Ele dá o golpe final logo no primeiro. E o tempo todo é poético pra caralho. E é genial porque isso não é pra qualquer um. O próprio Reinaldo escreveu um dia sobre a literatura do velho Buk : 'A literatura de Bukowski é uma chuva de cascalho, um sapato abandonado no meio de uma freeway da Califórnia'. Os dois se entendem”.

Mario Bortolotto.

4 comentários:

Laís disse...

Você já falou várias vezes desse livro. Agora fiquei com vontade. Ele já está na lista. Bjs.

Wagner disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Wagner disse...

Terminei de ler há pouco o livro de Reinaldo Moraes. É divertidíssimo, com tiradas impagáveis. Demonstra o autor, ainda, conhecimento acima da média (estou me considerando a média) sobre certa marginalidade. Só achei estranho o final do livro, que não coincide com o final da saga: ainda que isso seja defensável do ponto de vista artístico, como acredito que é, para o leitor comum, como eu, é desconfortável a interrupção da história antes do desfecho.

Ministério da saúde disse...

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