
Não só os adjetivos bacanas me escapam como, quase sempre, as boas idéias pra uma elegante narrativa idem. Digo isso porque desde domingo passado procuro na minha cachola o que escrever sobre a matéria publicada na página 4 do caderno Ilustríssima (eu gostava quando se chamava “Mais”) da Falha de S. Paulo. O enorme texto trata do reconhecimento do grande autor de PORNOPOPÉIA, Reinaldo Moraes. Já falei diversas vezes aqui desse livro e do autor. Já revelei até da importância que seu livro “Tanto Faz (de 1982)” teve em minha vida de jovem leitor. Alguns amigos se empolgaram pra ler Pornopopéia e me deram razão quanto à qualidade. E eu não achava o que escravinhar sobre esse artigo da Falha desde domingo. Entonces, para minha sorte, o Marião, o Bortolotto, em seu blog (http://atirenodramaturgo.zip.net), postou um bom resumo do que eu gostaria de dizer de Reinaldo Moraes. E é lógico que vou republicar aqui. Tá logo abaixo. Gracias, Marión.
“Depois de tanto tempo, tão enfim reconhecendo o puta escritor que o Reinaldo é. A gente já vem falando há tanto tempo isso, né? A miopia da crítica tupiniquim é digna de um Mr. Magoo. Mas a matéria me pareceu uma espécie de redenção. Enfim, né? Ficou bem bacana, o foda é ter que aguentar o Ruy Castro dizendo que o Bukowski é um farsante. Acho que ele queria morar nos Estados Unidos e escrever a biografia do Velho. E eu não entendo a razão de alguém perder tempo comparando Reinaldo com Bukowski. Na minha opinião, os dois são muito diferentes, apesar do Reinaldo ser fã do Velho, inclusive traduziu "Mulheres" para a Brasiliense. Em comum os dois tem o fato de escreverem na primeira pessoa, gostarem de mulheres e de bebida (e suas preferencias costumam ser temas de seus textos) e terem um (ou os dois pés) no wild side. Mas as comparações param por aí. Reinaldo é prolixo. Genialmente prolixo. Ele adjetiva tudo, se estende sobre um assunto, tem uma escrita elegante pra caralho. Reinaldo se aproxima muito mais de Henry Miller, se a gente analisar direito. Não estou querendo dizer que ele é o nosso Miller. Reinaldo é o Reinaldo, muito mais galhofeiro, moleque, mais próximo de Oswald nesse sentido. Não sei porque ainda tento buscar comparações. Reinaldo é original pra caralho. Já o velho Buk é seco, cínico e amargo, embora eu encontre muito humor nele, o tipo de humor que me diverte muito. Sua literatura é direta como uma porrada do Mike Tyson. Bukowski não vai lutar todos os rounds. Ele dá o golpe final logo no primeiro. E o tempo todo é poético pra caralho. E é genial porque isso não é pra qualquer um. O próprio Reinaldo escreveu um dia sobre a literatura do velho Buk : 'A literatura de Bukowski é uma chuva de cascalho, um sapato abandonado no meio de uma freeway da Califórnia'. Os dois se entendem”.
“Depois de tanto tempo, tão enfim reconhecendo o puta escritor que o Reinaldo é. A gente já vem falando há tanto tempo isso, né? A miopia da crítica tupiniquim é digna de um Mr. Magoo. Mas a matéria me pareceu uma espécie de redenção. Enfim, né? Ficou bem bacana, o foda é ter que aguentar o Ruy Castro dizendo que o Bukowski é um farsante. Acho que ele queria morar nos Estados Unidos e escrever a biografia do Velho. E eu não entendo a razão de alguém perder tempo comparando Reinaldo com Bukowski. Na minha opinião, os dois são muito diferentes, apesar do Reinaldo ser fã do Velho, inclusive traduziu "Mulheres" para a Brasiliense. Em comum os dois tem o fato de escreverem na primeira pessoa, gostarem de mulheres e de bebida (e suas preferencias costumam ser temas de seus textos) e terem um (ou os dois pés) no wild side. Mas as comparações param por aí. Reinaldo é prolixo. Genialmente prolixo. Ele adjetiva tudo, se estende sobre um assunto, tem uma escrita elegante pra caralho. Reinaldo se aproxima muito mais de Henry Miller, se a gente analisar direito. Não estou querendo dizer que ele é o nosso Miller. Reinaldo é o Reinaldo, muito mais galhofeiro, moleque, mais próximo de Oswald nesse sentido. Não sei porque ainda tento buscar comparações. Reinaldo é original pra caralho. Já o velho Buk é seco, cínico e amargo, embora eu encontre muito humor nele, o tipo de humor que me diverte muito. Sua literatura é direta como uma porrada do Mike Tyson. Bukowski não vai lutar todos os rounds. Ele dá o golpe final logo no primeiro. E o tempo todo é poético pra caralho. E é genial porque isso não é pra qualquer um. O próprio Reinaldo escreveu um dia sobre a literatura do velho Buk : 'A literatura de Bukowski é uma chuva de cascalho, um sapato abandonado no meio de uma freeway da Califórnia'. Os dois se entendem”.
Mario Bortolotto.
4 comentários:
Você já falou várias vezes desse livro. Agora fiquei com vontade. Ele já está na lista. Bjs.
Terminei de ler há pouco o livro de Reinaldo Moraes. É divertidíssimo, com tiradas impagáveis. Demonstra o autor, ainda, conhecimento acima da média (estou me considerando a média) sobre certa marginalidade. Só achei estranho o final do livro, que não coincide com o final da saga: ainda que isso seja defensável do ponto de vista artístico, como acredito que é, para o leitor comum, como eu, é desconfortável a interrupção da história antes do desfecho.
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