domingo, 19 de dezembro de 2010

"Um lugar do Caralho"

Dessa vez já não havia tanto gaúcho exilado em Sampa como nos primeiros shows que vi de Júpiter Maçã no começo dos anos 2 mille (nos primeiros tinha até roqueiro dos pampas com cuia de chimarrão na fila de entrada). Agora não. O público agora, e de algum tempo, é de paulista curtindo adoidado a tropical bossa-jazz-psicodélica desse cantor, compositor, guitarrista e cineasta. Li no Wikipedia que o então “Flávio Basso” (nome que consta no RG de Maçã) participou, com a banda “TNT”, da famosa coletânea de 1985 “Rock Grande do Sul”, que reuniu grandes grupos de rock de Porto Alegre, como “Replicantes”, “Engenheiros do Hawaii” e “De Falla” (eu cheguei a escutar esse álbum na casa do meu amigo Roberto nos anos 80). Ontem, o teatro do Sesc-Consolação só não tava “do caralho” porque a acústica (ou a aparelhagem) não se entendia com a banda; o som de voz estava baixo e os instrumentos saturados - nem roadie tinha quando deu pane na guitarra de Maçã. Fora esses detalhes técnicos, público e banda estavam empolgadíssimos. Todo mundo cantando “sozinho pelas ruas de São Paulo/ eu quero achar alguém pra mim/ um alguém tipo assim/ que goste de beber e falar/ LSD queira tomar/ curta Syd Barrett e os Beatles”. E outras coisas legais como “não vais namorar ninguém/ não vais conversar com ninguém/ aonde está o remédio?/ aonde está a solução?/ ao libertar-se do alcoolismo/ síndrome de pânico” e “Doidão é apelido para a paranóia/ toda jibóia, toda bóia, toda clarabóia/ querida, que tal baixar o televisor?/ deitado no divã com Woody Allen/ eu tive um sonho com aquele estranho velho alien/ que era cabeça Bob Dylan, barba Ginsberg Allen”.

Meu, parece que o cara cheirou todas as meias que encontrou e se influenciou com tudo que ouviu desde os anos 60; Jovem Guarda, Mutantes, Beatles, Syd Barret, João Gilberto, Caetano Veloso, Tom Zé, Beach Boys, Iggy Pop, Françoise Hardy, Serge Gainsbourg e Roberto Carlos. Cá pra mim, Maçã é um mix do melhor de Nick Cave, Ney Matogrosso e Jim Morrison - imaginem todos esses talentos num só sujeito.

No hilário e sacana “Desciclopédia” (que eu chamo de “Darcyclopédia", diante de tanta besteira divertida que publica) diz que Júpiter Maçã é “ídolo de maconheiros/alternativos/gays de Porto Alegre”. Diz também que ele foi chutado da banda “TNT” por suas letras fazerem apologia ao “sexo, zoofilia, drogas e terrorismo”. Segundo o site, em 2006, “Júpiter Apple” vira “Maçã” e “solta a franga de vez” ao lançar o disco "Uma tarde na fruteira", que mostra seu lado “sensual, erótico e escatológico através de canções legitimamente brasileiras e experimentos de viadagem”. A música "Marchinha Psicótica de Dr. Soup" vira a sensação entre “os Emos enrustidos que usam calça grudada no rego e invadem o Parque da Redenção aos domingos”.

Bueno. O show de ontem tava bacana, mas minha rabugice galopante (devido à idade) me faz detestar cada vez mais essa mania que alguns artistas têm de pedir pro publico bater palmas no ritimo da música executada. Enfim, tudo acabou bem para artista e espectador. Agora, se Mr. Apple (de quem curto pacas) nos chamasse de “galera” e nos pedisse pra levantar as mãos, eu saia do teatro no mesmo instante, bradando um monte de palavrão que eu não publicaria aqui no blogue.
Pra quem se interessar escute essas músicas que estão abaixo – boa parte é possível ver e ouvir no youtube. "Um Lugar do Caralho", "Miss Lexotan 6mg Garota", "Eu e Minha Ex", "A Marchinha Psicótica de Dr.Soup", "Beatle George", "Síndrome de Pânico".

3 comentários:

Silmara disse...

Sempre com novidades, zeca. Boas festas e um super 2011. Bjs.

Laís disse...

É mesmo Zeca, você sempre tem alguma novidade. São Paulo é mesmo muito intensa e é pra onde tudo vai parar. Beijão

Claudio disse...

Eu já tinha ouvido falar desse cantor gaúcho. É bom mesmo, Zeca?