
Hoje completa 60 anos o marginal que profetizou que “a vida é curta pra ser pequena”, aquele poeta que ainda se pergunta “com quantas bocas se faz um beijo”. Esse tricolor inconteste, bom de bola (assim como o pai que foi campeão carioca em 1936 pelo glorioso Fluminense), que agora chega a seis dezenas de meses, se entendendo como um Lúcifer-carioca-zona-sul-defensor-amante-da-palavra-falada (“...pois a palavra escrita é uma palavra não dita/ é uma palavra maldita...), discípulo de Oswald de Andrade e Allen Ginsberg. Se nos proíbem de pisar na grama, ele assopra pra gente que o jeito é “deitar e rolar”. Não se afirma compositor, mas gosta das parcerias que fez com Fernanda Abreu (“A Lata” e “Be Sample”), com Mimi Lessa (“Vamp”), e com Moraes Moreira (“Leontina”). Conheci Chacal naquela histórica coleção “Cantadas Literárias” da Brasiliense, com o seu sucesso “Drops de Abril” de 1983. Depois, em 2010, reencontrei-o no cedê que veio encartado na Revista TRIP, onde descobri o CEP 20.000. É fácil se esbarrar no saltimbanco Ricardo Chacal que vive oficinando pela rede Sesc do país. Em fevereiro, procure-o nalgum bloco carnavalesco carioca; o folião mais histriônico na multidão com certeza é ele . Na Praça Roosevelt ou no Teatro Sérgio Porto também é possível vê-lo. No ano passado lançou suas memórias, “Uma História à Margem” (putz, isso me lembra que estou devendo algumas notas sobre o livro para ele). E não estranhe se num Vocabulário ele bradar what’s going on?? Allez, allez, tricolor!! Evoé, Chacal! Parabéns!!