Bom. Mas o que eu queria mesmo dizer é que esse sétimo livro da coleção trouxe “A Origem do Mundo” (L’Origine du Monde), tela muito louca do pintor francês, pra lá de realista, Gustave Courbet, que está “perturbadoramente” exposta no D’Orsay em Paris; e isso me fez lembrar de que me diverti muito quando estive nesse museu em junho do ano passado. Foi um puta barato ficar na surdina observando as reações dos visitantes quando davam de cara com aquela grande vagina peluda em destaque na parede do Orsay. Alguns passavam batidos, fingindo não ver. Outros ficavam em silêncio. Uma turma de adolescentes fazia piadinhas. Acreditem: teve um cara que ameaçou vomitar (cliquem aqui pra ver outras engraçadas reações).
O legal é tentar entender essas reações perturbadoras nas pessoas. O que será que choca o visitante, hein? Em pleno século da hiper exposição por que a intimidade feminina (ou masculina) ainda causa desconforto? Será vergonha, pudor? Fiquei sabendo que, em fevereiro deste ano, durante uma tradicional feira de livros em Braga, em Portugal, a PSP, Polícia de Segurança Pública, apreendeu todos os exemplares de um livro sobre pintura cuja capa era a reprodução da Origem do Mundo por considerá-la pornográfica.
Parece que o quadro foi uma encomenda do diplomata turco, Khalil Bey, em 1866, que também ficara espantado com o resultado (e olha que o diplomata, colecionador de arte erótica, já havia comprado outras obras de Courbet). Tanto que A Origem do Mundo ficou desaparecida por longo período e só foi descoberta, atrás de outra tela menos impactante, quando o diplomata vendeu toda sua coleção para saudar dívidas de jogo. Dizem que seu último dono foi o famoso psicanalista Jacques Lacan que a doou ao museu após sua morte, e dizem também que a obra permaneceu censurada à exposição pública até o final dos anos 80 do século XX.
Enfim. O mais legal é saber que Courbet - que se divertia ao incomodar a moral burguesa da época – deve ainda se deleitar com todas essas manifestações à sua obra.

Abaixo: a "Origem" de Portugal.
