sexta-feira, 7 de novembro de 2008

GALERIA DO ROCK

Se você tem interesse por antropologia da cultura social (tu é metido à intelectual, né!) e curte Rock à beça: seus problemas acabaram-se! A Galeria do Rock na rua 24 de Maio, no centro velho de Sampa, é um paraíso pra você. Gente de todas as idades e de todas as tribos do Rock passa pela tal galeria num só dia; uma visita durante a semana é mais sossegada e tranqüila, mas recomendo mesmo é que você vá nalgum sábado – imagine um lugar em que desde o início dos anos 80 tornou-se ponto de encontro de punks, góticos, metaleiros, grunges, e que agora está dominado por EMOs (urg!), sem esquecer que no subsolo estão os manos e as minas do Hip-Hop. Mas ciente de que entre os agrupamentos humanos o pau comeu solto, você perguntaria: essas tribos todas se entendem? Não rola briga? Dizem que na época em que se fumava muita maconha por lá, também rolava muita porradaria entre roqueiros e “carecas” (entenda-se, skinheads), grupo que não mais frequenta a galeria, por motivos óbvios.

Veja que fato chique: a galeria foi inaugurada em 1963 - com o nome Shopping Center Grandes Galerias - para atender serviços de alfaiataria e o comércio de souvenires franceses. Mas é a partir da década de 70 que passa a ser conhecida como Galeria do Rock, quando começa a se instalar diversas lojas de discos; a mais antiga é a Baratos e Afins do Luiz Calanca, aquele que produziu discos fenomenais de Itamar Assumpção, Arnaldo Baptista (ex-Mutante), Ratos de Porão, Golpe de Estado, Vange Miliet, Bocato, Alzira Espíndola, entre outros. E diz a lenda que Bruce Dickinson (vocalista do Iron Maiden) e Kurt Cobain (ex-vocalista do Nirvana) já passaram por lá apenas para dar uma volta pelos corredores – até o manda-chuva pelego e ex-ministro José Dirceu já discursou na Galeria nos anos 60 (veja foto abaixo).

Na hilariante pagina Disciclopédia (plágio bem-humorado da Wikipédia), a “Galeria do Rock foi fundada em 350 a.C. pelos 12 apóstolos numa época onde Jesus Cristo ainda era hippie e constantemente fugia dos mandamentos de seu pai para se embebedar, praticar sexo livre e curtir um bom rock n' roll (...). Com o passar do tempo, os judeus foram confinados no prédio onde praticavam suas orgias e adoração a deuses, fundando então a Galeria do Rock, porém, após a ascensão de FHC ao poder, a galeria foi privatizada aos EMOs, que passaram a freqüentá-la cada vez mais e a transformaram no cenário cor-de-rosa que hoje se encontra. Como um câncer, eles fizeram células dentro da Galeria e se instalaram definitivamente, tornando a Galeria num mercado de acessórios para seus seguidores: a EMO Point de Sampa City (...)”

Fiz esse preâmbulo todo pra dizer que fui à Galeria nesta quinta-feira novamente, e dessa vez não foi pra comprar presente pra algum amigo ou sobrinho roqueiro como das últimas vezes; foi para consumo próprio: eu estava à procura de uma camiseta do R.E.M. que me servisse. É isso aí. Eu que pouco me importo pelo que rola no pop/rock mundial vou, na próxima terça, dia 11, assistir no Via Funchal ao show dessa oitocentista banda norte-americana - e de certa forma, procurei estar “caracterizado” para o evento. A última vez que senti vontade de fazer a mesma coisa foi no século passado pra ver uma das apresentações do QUEEN (aquela banda do histriônico Freddie Mercury) no Morumbi – nem vou contar o ano que foi senão algum aluno ou amigo vai me achar antigo demais. Bom, mesmo me sentindo fora de contexto let me sing, let me sing my rock’n’roll…












8 comentários:

marisa disse...

Zezinho, estive na Galeria do Rock em 1994 e vi aqueles malucos do Mamonas antes do sucesso. Até tomei suco de laranha com o japonês da banda no bar do segundo andar.
Boa lembrança, viu Zé.

Profª Roseli Pereira disse...

Ô Zé, você lembrou do show do Queen, vou contar que foi em 1981!!! Pois é , Zé, você assistirá o R.E.M e estou contando o dinheirão para comprar o ingresso para o Queen (infelizmente sem o Fred).
Ah! Você não acha que que o Duran Duran (grupo que também virá para o Brasil) não foram os primeiros EMOS?

thays disse...

É, durante um mês a Galeria foi meu local de "almoço", quando fiz um curso de software livre ali, ao lado.
Fora as histórias que contam de "fantasmas" e afins...

Janaína disse...

É Zezim, o tempo passa, o tempo voa... mas, ao contrário daquele careca do comercial, não ficamos barrigudins (só um pouquim) e continuamos a frequentar os redutos nos quais, como você mesmo nos informa e mostra a foto, Zé Dirceu já discursou (bons tempos!). À galeria do rock eu só fui uma vez. Foi quando o Zé me levou pra conhecer a Olido, o Rei do Mate, o Bar Brahma e aquele cinema lindo que eu não me lembro o nome agora. Enfim,o centro é bonito demais e, se estivesse bem conservadim talvez Sampa fosse reconhecida também pelo turismo, sei lá... é que fico com pena quando vejo tanto descaso com um patrimônio arquitetônico tão rico.
Valeu pela viagi no tempo!

crisim disse...

Os grupos vem e vão, seguindo as modas do momento, mas o espaço resiste. Levei meu sobrinho lá... Queria tanto que ele percebesse o quanto é importante ter um espaço para se manifestar e ainda conviver com as diferenças. Mas acho que ele só percebeu a sujeira e a decadência do prédio. Tomara que eu esteja enganada.
E não tem só rock não. Tem MPB lá na Baratos Afins e no Araçá Azul...Quem gosta de progressivo como eu sofre um pouco, mas se encontra algo.
De resto é uma festa para os olhos ver tanta variedade de gente. Gente que um dia vai voltar e perceber que ficou "demodê", como sempre acontece comigo quando vou lá...E ficar saudosista como nós aqui nestes comentários...

ZECA disse...

1. Roseli: Não entrega nossa idade, pô! Mi querida, Queen sem Freddie é qualquer outra coisa, menos...

2.Thays, que legal! Só que as istórias de fantasmas eu não conheço; você sabe alguma?

3. Pô, Jana, o seu Zé te deixou boas impressões sobre o centro velho. Eu concordo que se tivéssemos preservado (ou restaurado)essa parte de Sampa teríamos um centro com características iguas as de Paris.

4. Cris: é flórida! Para as novas gerações de roqueiros o mundo é "Clean" (o mundo para eles é um lindo e limpo Shopping Center). Ou seja: roqueiro não tem mais cara de bandido.

Professor disse...

Esses Emos!

Até o Hobsbawn já encheu o saco e começou a escrever "A Era do Gel". Mas ele ficou muito emocionado, chora muito e não consegue terminar o livro. Hehehehe!

Grande abraço,
Ioda

Anônimo disse...

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