quinta-feira, 12 de março de 2009

Leitura pra se encarar

Minhas leituras últimas, de certa forma, se deram tranqüilas: um Zola aqui, um Saramago acolá, sem esquecer os livros de Clarice, de Mirisola, de Sergio Cohn, de João Máximo, vários de Marcelino Freire, de Bukowsk e Kerouac. Tudo na maciota (como se diz lá na grande RP). Mas eis que me caem nas mãos duas bombas: “O AMOR NÃO TEM BONS SENTIMENTOS” de Raimundo Carrero e “O MANUAL DO PODÓLATRA AMADOR: AVENTURAS DE UM TARADO POR PÉS” de Glauco Mattoso.
Assim como há a recomendação de um especialista, com a obrigação da apresentação da receita para adquirirmos determinados medicamentos, deveria haver também essa consulta prévia, com liberação prescrita, para a leitura de certos tipos de livros, como é o caso desses dois.
"O AMOR NÃO TEM BONS SENTIMENTOS" (editora Iluminuras – 2007) é um romance sobre a loucura, o personagem Matheus é um músico atormentado por ter um amor obcecado pela mãe e pela irmã que são lindas. Um sujeito imoral que comete incesto com mãe e irmã, chegando a insensatez total – mas é importante dizer que Matheus foi criando pela sua tia Guilhermina, com quem tomava banho pelado todo dia – ah!, e tudo isso se passa num ambiente sertanejo, no mato, às margens de um degradante rio Capibaribe, em Arcassanta. Tenho alguns amigos desatinados que eu jamais recomendaria essa leitura. (apesar de ser recente já é possível encontrar o livro em sebos daqui de Sampa)


"O MANUAL DO PODÓLATRA AMADOR..." (reeditado pela All Books – primeira edição é de 1986) é um romance “quase” autobiográfico profundamente fetichista. Eu juro a vocês que nunca li algo tão sadomasô – nem “A Filosofia na Alcova” e “Os 120 dias de Sodoma” de Sade me impressionaram tanto. Alguém disse que esse livro é a “supervalorização homoerótica dos pés”, nele, o autor narra suas experiências - desde a infância – assumindo suas taras por pés, sapatos, tênis e até por cheiros advindos dessa parte do corpo, o chulé.
A primeira edição de O Manual foi lançada em 1986 no lendário MADAME SATÃ, templo do rock paulistano, e logo Glauco foi acusado de fazer literatura escatológica. Na minha opinião, o “Manual” (que não é de auto-ajuda, apesar do título) é boa literatura, feita por um militante dos seus desejos, um apaixonado por pés de homem (credo!)

5 comentários:

Profª Roseli Pereira disse...

Zé, lembra do pé? Pé Zé...

ZECA MORELEMBAUM disse...

Psil! Não fale mais nada, Roseli.

Carol disse...

Intromissão

" Não façam o que eu faço, porém leiam o que escrevo "

Não conheço a passagem do pé, mas acho que a frase do Domingos cabe no meu comentário.
Estive por aqui.

bjitos para Romano,

crisim disse...

Agora estou curiosa com esta história do pé...Nem vou dormir se o Zé não me contar...

Emerson disse...

Caramba, o Zé tem uma história secreta com um pé! Que pé?