quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Leitura de Férias de Verão.


É lógico que aproveitarei o que o caderno Mais da Falha de S. Paulo fez no domingo passado quando convidou algumas pessoas - famosidades de vários setores - para criarem um guia de leitura de verão ou do que ler nas férias. Na cara dura vou até me apropriar dos títulos dos capítulos sugeridos pelo jornal, obviamente com pequenas inserções. Tentarei indicar mais de um item por capítulo, resenhado cada sugestão. É isso, meus caros amigos do blog. Boa leitura. Um 2010 bem bacana a nós todos. Menos pentelhação, mais azaração. Aquelabração e saravá!
Ps: minhas dicas são de livros que li em 2009 - e se algum leitor quiser sugerir algo, pra qualquer capítulo, deixe na caixa de Comentários que eu vou acrescentando aqui no texto, devidamente creditado.

1º. NO CARRO, NO AVIÃO, NO NAVIO, NO ÔNIBUS (ou no “busão” do dia a dia).
Primeiro. Para evitar complicações oculísticas recomendo livros cujas fontes sejam maiores que 12, porque letras miudinhas em qualquer veículo em movimento são de lascar.


“Máquina de Pimbal” (Conrad Editora) de Clarah Averbuck é de 2001 e eu cheguei a ele por causa da adaptação que o cineasta Murilo Salles fez dessa história para o cinema. Na minha opinião, a Camila, personagem central do filme “Nome Próprio”, não tem nada a ver com a “Camila” de Averbuck - aliás, o filme é outra coisa bem distante do livro. Alguns críticos “cricris” abominaram a narrativa solta adotada pela autora que parece não estar nem aí para pontuação, que prefere seguir o fluxo de pensamento do que "respeitar" alguma regra estilosa. Forma e conteúdo, pra mim, ficaram bem bacana. Segue um trecho:
“Estranho é o cara sair de maleta às 6h47 da manhã todos os dias, pegar o ônibus até o metrô e do metrô até a pequena companhia de seguros e trabalhar até às 6 em ponto e voltar para casa e comer bife com arroz na frente da TV sem falar com a mulher (que fez o bife com arroz) e nem olhar direito para os filhos (que mal sabem quem é aquele sujeito de barba que eles chamam de pai) e dormir (de pijama azul) logo depois do jornal noturno porque está cansado, muito cansado, e amanhã vai ter que fazer tudo de novo e depois também e depois vai se aposentar e olhar pra trás e achar que a vida foi digna e honesta e justa e que viveu uma rotina estúpida em que não conseguia diferenciar um dia dos outros.”

“Hotel Atlântico” (editora Francis) de João Gilberto Noll é um livro que também virou roteiro pro cinema, só que neste caso eu li o livro primeiro e vi o filme depois. Assim como Averbuck, Noll também escreveu uma história cujo personagem central está longe do seu habitat. Ele é um ator de novelas que se encheu de um monte de coisas e que, estranhamente, por onde passa alguém acaba morrendo. É um bom on the road pra se ler em movimento. Ah! O final surpreende.

2º NO ANO NOVO.
Nesses momentos de passagens as pessoas gostam de se enganar com esperanças, com promessas, com amores vãos e outros coisas. Eu, sem bobear, recomendo “Rasif” de Marcelino Freire e “Hotel Novo Mundo” de Ivana Arruda Leite. O livro de Ivana traz uma personagem que se cansa de sua vida besta e vai viver num decadente hotel onde há outras pessoas que como ela almeja um recomeço. A narrativa e os fatos que se desencadeiam são envolventes, mas eu não curti o final quase feliz da história.
Em Rasif (Record) há os contos (crônicas poéticas) que Marcelino escreve para se vingar. Personagens extraídos do universo dos excluídos e marginalizados que o autor dá a voz; “sobreviventes”, como ele diz. Marcelino até gostaria de escrever outras coisas, mas quando vê, esses seres aparecem sangrando à sua porta. Recomendo o conto “Da Paz” que és una bomba para los puristas.
Ah! Se for ler após alguma ressaca dantesca manda pra dentro dois Engovs com um suco de laranja duplo e procure um canto longe tudo e de todos, é o que eu sempre faço

3º COM CERVEJA, CAIPIRINHA OU ÁGUA DE COCO.
Sozinho, acho maneiro bebericar alguma coisa e ler. Pode ser num boteco ou num quiosque de praia, ou até mesmo debaixo de um guarda-sol com uma caixa térmica devidamente abastecida.
“O Som do Pasquim” (Desiderata) é a reunião das famosas entrevistas do histórico jornal “Pasquim” com personalidades do mundo da música como Antonio Carlos Jobim, Chico Buarque, Caetano, Luis Gonzaga, entre outros. É uma leitura divertida cuja organização é do crítico musical Tárik de Souza. Muito legal é a entrevista com o atual (e desastroso) vereador do município de São Paulo, Agnaldo Timóteo que desce a lenha em Caetano Veloso e noutros nomes da linhagem nobre da MBP tão paparicados pelos reaças e esquerdopatas da época. No final, o vereador faz um mea-culpa bem interessante. “Nos dias de hoje, eu jamais cometeria uma grosseira envolvendo Caetano Veloso (a quem sequer conhecia) por ser um colega além de talentoso, extremamente simples (...) Com relação a Chico Buarque, Milton Nascimento e Tom Jobim, a história desses personagens está acima de uma análise ignorante e preconceituosa de décadas atrás.”

“Pornopopéia” (Objetiva) de Reinaldo Moraes foi, sem dúvidas, o livro mais delicioso que li em 2009. Mas é necessário algumas doses pra deglutir os desdobramentos na vida hedonista do personagem Zeca; quanto à narrativa, quem leu o clássico “Tanto Faz” de Moraes se deleitará. Aqui no blog eu já escrevi sobre a obra. Basta clicar agora pra saber mais desse instigante livro.

4º QUANDO SE ESTÁ SÓ OU PARA ESPANTAR O TÉDIO
“Falo de Mulher”
(Ateliê Editorial) de Ivana Arruda Leite parece, pelo título, uma confortável obra dedicada às questões feministas. Mas é muito mais. É algo realmente pra espantar qualquer tédio e qualquer “ismo”. Vejam esses dois bombásticos contos.
“Certas mulheres precisam de grandes provas de amor. Sou das tais. Reconheço que minha insegurança não tem limite. Téo jamais deveria ter se casado com mulher tão destrambelhada. Vivo testando seu amor, perguntando dezenas de vezes ao dia: você me ama? Me derreto com outros homens, dou meu telefone pra qualquer um, só para atormentá-lo. Se ele liga, mando a empregada dizer que saí. Às vezes fico horas sem abrir a boca para vê-lo se remoendo: em quem ela estará pensando? Quando Téo me viu chegar no carro do rapaz do apartamento ao lado, não se conteve. Me arrastou pelos cabelos e me deu um tapa na cara. Um só, bem estalado. Depois atirou-me no sofá e trancou-se no quarto. Dormi sozinha na sala com a certeza de ser amada de verdade, tive lindos sonhos. Mas pela manhã, ao vê-lo tomando café tão silencioso, não resisti à pergunta.”

Outro mini-conto: “O que me irrita nesses rapazes com quem tenho transado é a mania de querer conversar depois do sexo. Saudade do tempo em que os homens simplesmente viravam de lado e dormiam. Eles levaram muito a sério nossas reclamações”

5º EM DIA DE CHUVA.
“Umidade”
(Companhia das Letras) é um livro contos de Reinaldo Moraes que também devorei em 2009. São tramas deliciosos com muito sexo e humor. No conto Sidenafil, o autor narra a engraçada saga de um casal que se envolve com os efeitos colaterais do Viagra. E em Privada, Moraes conta a história da garota prestes a perder o namorado pra uma séria concorrente. Os acontecimentos se desenrolam quase todo no bar Mercearia São Pedro e tem personagens reais contracenando com a protagonista, como Mário Bortolotto, Fernanda D’Umbra e Marquinhos, o dono da Mercearia. É divertidíssimo. Ótimo pra dias de dilúvio.
“Canalha” (Bertrand Brasil) de Fabrício Carpinejar ganhou o Jabuti na categoria Contos/Crônicas de 2009. Concordo com o próprio Fabrício que diz que Canalha é um “retrato poético e divertido do homem contemporâneo”. Segue um trecho de “Adorável Canalha”: “É um defeito, mas nada mais delicioso do que ouvir de uma mulher: ‘canalha!’ Ser chamado de canalha por uma voz feminina é o domingo da língua portuguesa. O som reboa redondo (...). Canalha, definitivo como um estampido, como um tapa. Não ser chamado de canalha pela maldade, mas por mérito da malícia, como virtude da insinuação, pelo atrevimento sugestivo (...). Não o canalha que deixa a mulher; o canalha que permanece junto. O canalha adorável que ultrapassou o sinal vermelho para levá-la. O canalha que é rude, nunca por falta de educação, para acentuar a violência do amor. Canalha por opção, não devido a uma infelicidade e limitação intelectual. Canalha em nome da inteligência do corpo (...).”

9 comentários:

Luiz Kerti disse...

Zeca, bota aí nas suas dicas o livro O TEATRO DO ORNITORRINCO, 30ANOS. É uma boa diversão.

Laís disse...

Eu li DEZ AJUSTADA de Maria Beaumont. O livro tem dicas femininas superengraçadas. Pode colocar na sua lista que é bom.

Feliz ano novo!
Beijos.

João Gabriel disse...

Reli Vidas Secas e percebi outras coisas novas no livro. Também gostei muito de Cinzas do Norte de Milton Hatoum que é fascinante.
Zeca, muita alegria pra você e tudo de bom neste novo ano.
Abraços.

Rogério disse...

Minha dica é o Contos Fatais do argentino Leopoldo Lugones. Dá pra ler no verão, no inverno em qualquer clima.
Abraços e feliz 2010.

Silmara disse...

"O Olho da Rua", Eliane Brum. É um livro sobre nossas pereferias, mas não escorre sangue com no 'Cidade de Deus'do Paulo Lins.
Bjs.

marisa disse...

Zequinha, acabei de ler pela primeira vez "O Alienista". E essa é minha grande indicação. MACHADO é eterno...
E como vc disse, feliz 2010 pra todos nós, sem muitos "nós".
Beijos, meu querido.

Rodrigo Torres disse...

Zeca, eu indico "O Filho Eterno" de Cristovão Tezza(tó quase terminado o livro e afirmo que ele é um clássico da literatura "mundial").
Abç.

suelen.18 disse...

um muito bom que li chama A Ordem é Amém de John Chelh é incrivel daqueles que vc não consegue para de ler...espero que gostem eu o achei no site: www.seteseveneditora.com.br

suelen disse...

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