segunda-feira, 7 de julho de 2008

Boquete e Bouquet


Se você procurar um lugar para dançar em Paris certamente encontrará inúmeras casas de dança na Avenue Félix Faure. É muito fácil chegar lá: pegue qualquer uma das 15 linhas de metrô e faça conexão com a linha 8 e siga no sentido Balard; depois é só descer na estação Félix Faure (ficávamos tão cansados de andar por Paris que mesmo se fossemos convidados pra alguma balada dançante nós declinaríamos, brocharíamos; mas a dica vale pra quem queira).

Bueno. O que eu pretendo mesmo é falar sobre Félix Faure que foi presidente francês de 1895 a 1899 e que morreu de um calípso cardáico num prostíbulo parisiense enquanto famosa prostituta fazia-lhe um boquete; e, hoje, quem vê sua estátua sobre seu túmulo vestida com casaca de gala no cemitério Père-Lachaise (segue foto que tirei do túmulo), não sabe que Faure deixou este mundo peladinho da silva – pra não pegar mal, a imprensa da época anunciou que o presidente havia morrido após encontro oficial com Marguerite Steinheil (a prostituta) no Palais Elysée (Palácio Eliseu), sede do governo francês.

Posteriormente descobri que Faure, assim como boa parte de seu governo, esteve envolvido na trama que levou à prisão o judeu e oficial do exército francês Alfred Dreyfus (lê-se, dreifi) acusado e condenado injustamente por alta traição durante o conflito entre a França e a Alemanha, resultando na perda, pelos franceses, das regiões da Alsácia e Lorena.

Pelo que se sabe hoje, Dreyfus serviu de bode expiatório, já que era filho de uma opulenta família de judeus da Alsácia, estabelecida, há algum tempo em Paris, e pertencente à alta sociedade. A trama toda foi revelada numa carta aberta de Émile Zola – intitulada J’ccuse (Acuso) - publicada na primeira página do jornal parisiense L’Aurore de janeiro de 1898. No texto, Zola acusou o governo francês de anti-semitismo e de julgar e condenar Dreyfus precipitadamente com documentos falsos.

O que eu queria também com essa história era passar a dica de dois livros: ACUSO - O CASO DREYFUS, de Émile Zola (encontra-se facilmente em sebo – já traduzido), que conta a trama que envolveu Dreyfus (o livro revela sobre tudo a onda de nacionalismo e xenofobia que invadiu a Europa no fim do século XIX) e outro, SEXUS POLITICUS – LIGAÇÕES PERIGOSAS, de Christophe Deloire (de 2006, também já traduzido) que revela (desnuda) a vida amorosa dos líderes franceses. Pode até parecer um livro de fofocas do mundo das celebridades, mas é mais que isso; Sexus Politicus conta, por exemplo, que existem leis de “censura prévia”, com multas e condenações pesadas pra quem revelar, sem autorização, qualquer detalhe da vida íntima de seus governantes.






2 comentários:

marisa disse...

Zequinha, tô com saudade. Pô, você foi pra Paris... que legal! Zé, essa história do Dreyfus é muito desconcertante para os franceses (até hoje). Zola conseguiu ajudar Dreyfus, mas pagou caro demais... dizem que foi assassinado.
Beijo. Tô gostando do blog.

Zeca disse...

É mesmo, Má. Li isso na biografia do Zola feita por Henri Troyat. Dizem foi envenado pelos sistema de aquecimento de seu quarto - muito estranho. E como a polícia parisiense da época era suspeita, não houve investigação.
Baccios...