terça-feira, 20 de maio de 2008

Domingo-Feira




No domingo que passou acordei tarde e de bode – ressaca a pino. Bebi pouco no aniversário do cinqüentão Laert Sarrumor no sábado, mas extrapolei na “batatada” que rolou mais à noite no meu apê. Faustão comemorava seu milésimo programa e eu os meus não sei quantos domingos ininterruptos de indisposição pós-ethílic-style-of life - “nossos bosques têm mais vida/ nossos hematomas são mais roxos/ e nossas ressacas são mais flÓridas...”

Quando deu pé fui pra Feira da Pompéia que rola perto de casa. Pra minha salvação, um tiozinho vendia água-de-coco numa esquina. Já se passavam das 16h e, como de costume, esse é o pior horário pra ir à Feira. A gente não vê mais as barracas de artesanato devido ao contingente que tumultua as ruas apertadas do bairro – sem contar a movuca de adolescentes que chateia.

Melhor seria ver os eventos musicais, pensei. Logo de cara descubro que todos os shows programados para o palco MUNDO TRIBAL foram cancelados; alguém me diz que foi por problemas técnicos. Ouço um dos organizadores se queixando da relação que a Prefeitura tem com o Centro Cultural Pompéia – além de diminuir o horário da feira, ela ainda impõe centenas de condições pra realização do evento; e mesmo assim não se dá por satisfeita. Eu pensava que o pior problema da organização seria com os moradores de classe média-alta da Pompéia, mas fico sabendo que a associação de moradores sempre colabora.

A Feira da Pompéia é um evento cover da Feira da Vila Madalena; dizem até que é uma dissidência. Pouco importa o que seja. O barato desses acontecimentos é que eles são iniciativas de moradores do bairro - não são eventos criados por tecnocratas de paletó de alguma secretaria de governo. Sendo assim, não são de interesse das administrações regionais: não dá pra utilizá-los como propaganda de governo. Por isso criam empecilhos... Vejam se a prefeitura tem algum problema quando realiza sua VIRADA CULTURAL?

Enfim... Deu pra ver no palco ATITUDES a banda brasuca New Orleans Jazz Band – alguns velhinhos tocando o bom som dessa cidade que foi destruída pelo furacão Katrina. Fui acometido de uma descarga de testosterona e fiquei algum tempo no palco RAÍZES apreciando as belas moçoilas de Dança Cigana (Solange e Dadiquim: discordo de vossas considerações jocosas sobre as barriguinhas das dançarinas), por isso tive que correr até o palco do ROCK pra ver os “tiozões” da histórica banda TUTTI-FRUTTI, na verdade era Luiz Carlini and Friends. Carlini, pra quem não conhece, entra pra coleção dos excelentes guitarristas brasileiros. Ele tem o solo de guitarra mais famoso entre os roqueiros: o da canção Ovelha Negra da tia Rita. Bueno. O bom e velho rock and roll caiu bem pra um ressacoso como eu.

2 comentários:

Júlia Tavares disse...

Pô, Zeca, então a programação da Feira é a mesma desde que nasceu? As ciganas são batata. Carlini também. Mas tá certo, mesmo. Tradição é tradição! (E haja saco para aguentar os teens de plantão, heim? É pra gente se sentir velho mesmo!!) Gostei do relato. Deu para sentir aquele friozinho de maio e o clima descolado da Pompéia... Beijo!

Zeca disse...

Julim, ao lado das ciganas havia um grupo ensinando passos de dança de salão; achei confuso pois eram aulas sem música (pode?). O resto cest tut la memme chose...