quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Bienal do Livro


Alguns amigos que visitam o blog me cobram informações sobre a 20ª Bienal Internacional do Livro de Sampa que começa no dia de hoje e vai até o dia 24/08 no Anhembi. Embora eu queira ir pra ver alguns lançamentos e alguns debates, não tenho vontade alguma de divulgar esse evento. Vou explicar: As bienais de livro, tanto a de Sampa, de Minas, quanto a do Rio, têm se tornado meros feirões (sem liquidação ou descontos) de fim de estoques do mercado editorial brasuca. Nada, além disso.

Confesso que perdi a paciência na última que fui. Fiz longa jornada por vários estandes de grandes e pequenas editoras e o que mais vi foi a multiplicação de publicações de livro de auto-ajuda – tá certo, já que os organizadores dizem que a bienal é “a grande vitrine da produção editorial brasileira”. Outra coisa que me aborreceu foi os inúmeros vendedores de assinaturas de revistas; eles são invasivos pra caraca, não dão sossego. E ainda temos que pagar pra entrar.

Vejam isso: na Falha de S. Paulo de hoje, o diretor editorial da Sextante disse que “a bienal funciona como uma alavanca para as vendas de Natal”. E conclui: “o que vai acontecer lá em dez dias, entre visitação e movimento de compra, é bacana como feira”. Preciso dizer algo mais? Na verdade, as editoras tão pouco preocupadas com o leitor - com os escritores, pior ainda; logo eles que são os responsáveis pelo conteúdo do produto “livro”. É a tal visão restrita, ridícula e mercantilizadora de um objeto cultural.

Tudo bem. Alguém pode me achar ingênuo e me dizer que o “mercado” (seja ele de que gênero for) é pra vender, vender e ter lucro, principalmente isso. Mas daí eu perguntaria, e a função social que mesmo sob um mundo capitalista é regra elementar? Meu, esse é um papo chato demais...
E o pior é que até as secretarias estaduais de cultura e o MEC também colaboram com isso: a partir do momento que promovem políticas de fomento direcionado às editoras e não aos escritores e leitores. Onde trabalho como educador já cansamos de enviar ofícios solicitando doações de livros das editoras e nunca obtivemos retorno.

Uma proposta: em vez de uma bienal do livro (quero dizer, das editoras), que tal uma bienal do “Leitor”.

3 comentários:

Emerson disse...

Concordo. Mó feirão, cheio de livros caros. Da última vez que fui eu não comprei nenhum livro: cheguei em casa pesquisei os que eu queria e comprei mais barato pela Internet.

ZECA disse...

Emerson, quando vejo alguém que comprou muita coisa nesses "feirões" dou espiada e vejo que o fulano só tá levando tranqueiras. É mole?!

Laís disse...

É isso aí, zequinha! As editoras não se arriscam e só preferem coisas do tipo Paulo Coelho que não trazem prejuizos.